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VII - ERMIDAS, IGREJAS E CONVENTOS DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 19.11.16

IGREJA E HOSPITAL DA MISERICÓRDIA

 

Relação dos morgados, capelas e legados que administra a Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior, títulos por que possui a sua aquisição. (Documento existente no arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior)

            “Fundada neste Reino de Portugal pela Sereníssima Rainha D. Leonor, Mulher de Sereníssimo Rei Senhor D. João Segundo a Irmandade da Misericórdia, em Agosto do ano de mil quatrocentos noventa e oito, se erigiu e fundou a Irmandade e Casa da Misericórdia de Lisboa que os senhores Reis, Rainhas e Príncipes Regentes deste Reino, concederam muitos e grandes privilégios. Depois foi fundada a Irmandade e Casa da Misericórdia nesta vila de Campo Maior que participa agora de todos os privilégios da Misericórdia de Lisboa por Alvará do Sereníssimo Rei D. Filipe III de 22 de Fevereiro de 1618 registado no Livro dos Privilégios e se rege pelo compromisso da Misericórdia de Lisboa. Dela fundou e erigiu Casa e igreja no Terreiro que agora chamam da Misericórdia Velha onde se conservou até ao ano de 1717 em que se erigiu nova Igreja no lugar aonde hoje existe (…)

            Havia naquele tempo nesta vila um hospital que construíram Diogo Lopes e sua mulher Maria Rodrigues nos anos de 1485 a 1487 pelos testamentos registados no tombo (…) dos quais consta das fazendas de que se compunha que se declaram adiante. Sendo administrador do dito hospital e suas fazendas um Domingo Lopes, este em 25 de Outubro de 1598, dotou este mesmo ao Provedor e Irmãos da Misericórdia desta vila a administração do dito hospital, suas fazendas e rendas pela escritura registada no tombo (…) que Sua Majestade confirmou por alvará de 8 de Junho de 1600.”

"A primeira Igreja da Misericórdia foi construída na primeira metade do século XVI no largo do mesmo nome, hoje Largo Barão de Barcelinhos. Edifício que durante mais de um século e meio foi lugar escolhido para sepultura de algumas das famílias campomaiorenses mais influentes. A referida igreja tinha configuração rectangular, com a frontaria virada para os ‘Cantos de Cima’ e as traseiras para a já então denominada Rua João Rosado e possuía dimensões muito reduzidas. Por esta razão foi mandada demolir nos inícios do século XVIII, sendo erguida em sua substituição a actual, contígua ao hospital ao fundo da Rua do Poço.”

(Rui Vieira, 1999, p. 129 e 130)

"… Assentaram que por estar muito danificada a Igreja e necessitar de se fazer de novo, se demolisse aquela e se edificasse outra junto do hospital para que se pudesse comunicar e serem assistidos os enfermos com os Sacramentos pelo capelão da Casa, o que não se fazia até ao presente porque, como a Igreja era separada, não havia Sacramento nela e vinha o viático da freguesia para os enfermos. E com efeito se demoliu a Igreja velha e se edificou a nova com a porta principal para a Rua de Poço e a porta travessa para a Rua dos Gramáticos. E se acha em termos de se fazerem as abóbadas este mesmo ano. (1722, ano em que Estêvão da Gama envia as “Notícias..” à Academia Real de História) (Sobre a porta principal está inscrita a data de 1725, provavelmente a da conclusão da obra).”

(Estêvão da Gama,  p. 56)

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