Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Assim como o pensamento sobre as questões escolares deixou de se limitar à especulação reflexiva sobre as teorias pedagógicas para dar lugar à emergência das Ciências da Educação, focadas na observação e na análise das práticas educativas, também no que respeita à definição do estatuto dos professores, terá de se perspectivar uma nova geração de profissionais ligados à escola como lugar de educação e de formação das novas gerações. Começam já a notar-se indícios de um novo tempo: o dos educadores-formadores.

Mas, entretanto e ainda por muito tempo, as escolas apresentarão este carácter confuso, algo anárquico e desorientado que lhes confere certo ambiente de alienação. É que, nas escolas de hoje, coexistem muitas e muito diferentes maneiras de estar na profissão.

Ainda subsistem alguns que se assumem como meros comunicadores de conhecimentos. Outros, embora tenham competência para serem outro tipo de professores, vencidos pelas dificuldades, vão-se deixando reduzir à condição de meros funcionários da educação. Há tambem os que, pretendendo assumir uma atitude de verdadeiro profissionalismo docente, se angustiam por não encontrarem, nem as respostas, nem as condições, para agirem de forma profissionalmente competente.

Apenas uma minoria consegue ir ultrapassando as dificuldades e, qual fermento levedando a massa, vão trabalhando no sentido de desenvolverem uma acção que podemos considerar verdadeiramente educativa e formativa, tentando tornarem-se verdadeiros educadores-formadores.

Mas, como em todos os tempos de viragem:

- Há os que, saudosos do passado, lamentam o fim de um mundo com previlégios que gostavam de conservar;

- E há os que, esperançosos do futuro, anseiam pela emergência de novas soluções necessárias ao exercício da sua profissão.

As crises são dramaticamente perturbadoras. Mas são também geradoras de mudanças e as mudanças podem ser entendidas como condição básica do progresso, em busca de um contínuo aperfeiçoamento das nossas acções.

Ou será que tudo se deve reduzir apenas a uma questão de lutar pela obtenção e conservação dos benefícios que se obtêm pelo exercício de uma profissão?

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
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