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UM VIRAR DE PÁGINA EM CAMPO MAIOR?

por Francisco Galego, em 29.01.16

Vai  começar o  realojamento da comunidade cigana de Campo Maior, desde há muitas décadas instalada em condições degradantes no antigo baluarte de S. Sebastião, também designado como do Mártir Santo.

Com a construção do Bairro de S. Sebastião num terreno próximo, vão ser realojadas, nas 53 habitações construidas, cerca de 220 pessoas.

Com este realojamento estão criadas as bases essenciais para dotar estas famílias de condições aceitáveis de habitabilidade. Contudo, terá de haver um continuado apoio, quer a nível do relacionamento social, quer da utilização dos equipamentos. Convém que essas regras estejam bem definidas, em termos de direitos e de deveres, para evitar a rápida degradação do espaço e das condições de vida dos que o vão habitar.

Mas, com esta reinstalação, estão também criadas as condições para a reabilitação de um precioso elemento de arquitectura militar da antiga praça de guerra que foi Campo Maior entre meados do Séc. XVII e meados do Séc. XIX.

Integravam a fortaleza de Campo Maior os seguintes baluartes que passo a nomear, no sentido dos ponteiros do relógio e partindo da Porta de Santa Maria, geralmente designada como Porta da Vila: Baluarte de Lisboa; Baluarte do Curral dos Coelhos; Baluarte de Santa Cruz; Baluarte de S. João (ou a Cavaleiro), Baluarte do Príncipe, Baluarte do Concelho, Baluarte de S. Francisco; Baluarte de Santa Rosa; Baluarte da Bela Vista; Baluarte de S. Sebastião (ou do Mártir Santo).

A Porta de S. Pedro, virada a norte, era defendida pelo baluarte dito do Cavaleiro e pelo baluarte dito do Príncipe. Foi demolida em 1908, bem como a muralha que a ligava ao baluarte do Príncipe, quando se fez abertura de que resultou o espaço hoje ocupado pelo Jardim Municipal e pela Avenida da Liberdade.

A Porta de Santa Maria, virada a sul, era protegida pelos baluartes de Lisboa e do Mártir Santo. No meio deste estava a capela que, muito arruinada, ainda hoje existe. Essa capela desempenhava a função de capela militar da guarnição da praça.

No início do Séc. XX, o Ministério da Guerra vendeu parte dos espaços da antiga fortaleza. Hoje estão na posse do município apenas os baluartes do Mártir Santo, de Lisboa e do Curral dos Coelhos. Daí o interesse da sua preservação, uma vez que os outros, que pertencem a privados, alguns deles sofreram grandes modificações.

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publicado às 16:09



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