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PREMONIÇÃO POÉTICA?

por Francisco Galego, em 04.09.14

A Comunidade Europeia Vai Ser um Logro.

 

 As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir.

Natália Correia, citada por Fernando Dacosta in 'O Botequim da Liberdade'

 

 

NOTA: Natália Correia morreu, aos 69 anos, em Lisboa, em 16 de Março de 1993

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publicado às 09:05


A ARREPIANTE ACTUALIDADE DE CERTAS ATITUDES

por Francisco Galego, em 29.08.14

Textos do escritor campomaiorense João Dubraz, publicados no jornal

A DEMOCRACIA PACÍFICA, há 148 anos.

 

Nº 10                          6ª, 14/12/866

Elvas 13 de Dezembro

 

Ninguém pode duvidar de que à testa do governo se encontram as primeiras inteligências do país; talvez com poucas excepções. Mas, o que ninguém duvida também, é – do que pela experiência tem mostrado já, da parte dos cavalheiros que compõem o ministério – a sua incapacidade para levarem a efeito as teorias brilhantes e sedutoras com que nos extasiam. O país está farto de teorias e de rapaziadas, porque na verdade não se pode dar outro nome a certas medidas a que o governo tem dado uma importância que, nem mesmo em teoria, a podiam e deviam ter. (…).

Que são as portarias do Sr. Martens Ferrão senão puros partos de imaginação em que só acredita alguém que não tenha a menor prática dos negócios públicos!

 

Nº 20                          2ª, 18/2/867

 

Editorial

Elvas, 17 de Fevereiro

(…) “Economias! Reformas! O deficit a crescer perigosamente e as reformas a abrir um largo abismo no fosso da perdição.

(…) Onde está o programa dos vossos festins reformadores, onde estão essas largas economias com que devíeis melhorar o estado precário da fazenda pública, onde está a felicidade do povo, ao qual vos apresentastes quais outros Messias?

            Falemos sério. A existência do partido fusionista, ou reformador ou das economias ou como lhe queira chamar, é um cartel de desafio arremessado aos brios do país.

            Respeitadores severos dos poderes constitucionais, não podemos ver a sangue frio, como a ambição e o vício de governar, podem comprometer o manto em que se envolvem e o trono, atrás do qual se escondem.”

 

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publicado às 09:32


PARA MEMÓRIA FUTURA

por Francisco Galego, em 30.07.13

(REPOSTO A PEDIDO DE LEITORES E APROVEITANDO PARA MUDAR O TÍTULO...)

Porque em tudo tem de haver momentos de interrupção para descanso, vou fazer uma pausa neste “Além Caia”.

Desejo a todos os que isto lerem, as melhores férias que puderem ter dadas as circunstâncias tão pouco tranquilizantes e propícias em que estamos a viver.


No passado dia 13, pelas 18.30h, fomos assistir à apresentação da recandidatura do Ricardo Pinheiro à Presidência da Câmara Municipal de Campo Maior. Eu a Júlia tínhamos sido convidados, com lugar reservado para assistir à sessão.

Quando estava ali, naquela cadeira, esperando pelos discursos que estavam programados, reparei que na fila à minha frente estava o Arménio, amigo de uma amizade que se começou a construir há quase 35 anos e que eu estava ali para assistir à recandidatura de um dos meus mais recentes amigos, um jovem engenheiro que conheço apenas desde os últimos quatro anos. Comecei então a lembrar como, nós os três, estamos relacionados com o acontecimento que agora ali nos juntava.

 

Há quatro anos atrás, já estivéramos numa sessão semelhante. Nessa altura estava a Júlia, também ela, candidata à Assembleia Municipal, para o mandato que agora vai terminar, tendo renunciado à possibilidade de se recandidatar.

Acho que faz bem. Sai com a consciência plena de ter cumprido exemplarmente com um desempenho de excelência e, por isso mesmo, algo esgotante. Mas, na verdade, nem ela nem eu sentimos gosto no exercício dos cargos políticos com tudo o que eles implicam e sem apreço pelas vantagens que alguns conseguem tirar dessa circunstância. 

 

O Ricardo é um exemplo acabado do gosto inato pela acção política. É ver como ele “cresceu” durante os quatro anos do seu primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal de Campo Maior. É notável o prazer e a realização pessoal que ele retira deste seu modo que, felizmente não tem mudado, de entender a política como serviço público. E nota-se que o assume em plena consciência e com toda a integridade. Aliás, esse sentimento revela-se quando ele afirma que ainda não se considera um político mas, mais propriamente como alguém que foi escolhido para ser um gestor dos assuntos que implicam o bem comum e a realização do que lhe parece ser o interesse público. Sem o explicitar claramente, faz, à sua maneira, a distinção entre POLÍTICA e politiquice.  

Que os deuses lhe conservem este carácter de integridade ética e de consciência cívica e social que até agora tem mantido, com todo o rigor e com meridiana clareza.

 

Ouvindo-o ontem fui levado a recordar factos em que me vi envolvido há quatro anos atrás.

O Arménio Toscano tinha-me já falado da sua decisão de se candidatar à Presidência da Câmara. Fiquei contente por saber que se tratava de um sonho acalentado por ele desde há muitos anos. Tinha a convicção que ele poderia ganhar e desejava-o, não apenas por amizade, mas porque considerava, como coisa muito urgente e necessária, que Campo Maior devia libertar-se da gestão ruinosa, populista, degradante e demagógica que se instalara na vila, havia já mais de uma década.

Prometi-lhe de imediato toda a colaboração e ajuda que fosse necessária e que estivesse dentro das minhas competências e capacidades.

 

Passado algum tempo e com o arranque da campanha eleitoral já próximo, o Arménio comunicou-me que tinha tido um sério aviso de problemas cardiovasculares que o colocavam em risco de vida e que os médicos desaconselhavam vivamente que ele persistisse no projecto político em que estava à beira de se envolver. Percebi que a situação era mesmo grave quando me comunicou que ia renunciar a tudo para evitar agravar de forma irremediável as suas condições de saúde.

Sabia da importância que para ele assumiria o desempenho de tão ambicionado cargo. Por isso, esta situação deixou-me bastante penalizado. Era o fim do sonho de um amigo, mas era também o fim de um projecto sobre o qual eu tinha esperançosa expectativa.

No meu entender, não me parecia que houvesse alguém com capacidade para o substituir com igual vantagem.

De certo modo desinteressei-me do assunto, não porque o desvalorizasse mas porque, analisando racionalmente a questão, entendi que não havia possibilidade de lhe dar solução.

 

Passado algum tempo que não sei quantificar com precisão, estando nós a terminar o nosso almoço em casa, recebi um telefonema de João Manuel Nabeiro que me disse ter uma enorme urgência em nos falar, pedindo que fossemos almoçar com ele. Disse-lhe da dificuldade de corresponder ao convite, mas ele contrapôs que podíamos ir tomar um café e que, enquanto ele almoçava, podia expor-nos o que queria conversar connosco.

Claro que o inesperado da situação nos deixou curiosos e anuímos em fazer o que ele sugeria.

Logo que nos falou da situação em que a desistência do Arménio colocava o PS, á beira do processo de candidatura à autarquia, foi fácil abreviar explicações, dado que nós estávamos já conhecedores desse problema. Resumindo, ele queria que o ajudássemos a encontrar resposta a uma pregunta que se coloca com tal frequência e com tão grande premência aos que se embrenham no processo politico que um dos maiores políticos do século XX – Lenine – a deu como título a uma das suas obras mais significativas: QUE FAZER?

Francamente confesso que fiquei de tal modo sem saber como responder a tal questão, que lhe pedi que fosse comendo enquanto eu usaria esse tempo para poder pensar.

Comecei por explicar-lhe que, o facto de ter vivido tanto tempo fora de Campo Maior, me deixava pouco seguro de poder encontrar resposta adequada para o problema que me colocava. Mas que, dadas as circunstâncias, havia uma coisa que não poderia deixar de ser feita:

- Tinham de “IR A JOGO”.

 

Perante a perplexidade que lhe li na expressão, continuei a explicitar o que pretendia dizer: dada a situação difícil em que, a nível local, se colocava de momento o PS, este, sob pena de correr o risco de se “apagar” da cena política durante um tempo, provavelmente bastante longo, teria de se apresentar com candidatos próprios, mesmo que fosse para perder.

A pergunta que se seguiu foi: Pois sim! … Mas, com que “cabeça de lista”?

 

Eu sabia das dificuldades em que o partido ficara por ter estado tanto tempo dominado por aqueles que, servindo-se dele – dos seus símbolos e das suas estruturas organizativas – tinham aliciado ou afastado os quadros mais significativos do antigo PS local. Além disso, tinham instalado uma maneira de conceber e exercer a acção política que urgia combater e aniquilar. Entendia que era essa a finalidade mais urgente da lista que agora se pretendia apresentar a uma eleição. Tanto mais que se partia em situação de desvantagem, com uma expectativa muito desfavorável, contra adversários que estavam muito implantados, pois dominavam há muito tempo o poder político a nível local. 

Logo a questão do “COM QUEM À CABEÇA? ” tornava-se central dada a sua importância simbólica.

 

Ocorreu-me de repente uma ideia que atirei timidamente para a conversa:

“Mas, se a vossa família tem, nas vossas empresas, o que de melhor existe neste concelho, em termos de “capital humano” e de “massa crítica”, porque não procurar um jovem que pareça competente, convindo mesmo que não tenha experiência política?

Assim, ainda que não ganhe desta vez, ficará treinado e motivado para adquirir saber e experiência para poder vencer numa próxima eleição. Com a vantagem de não estar corrompido ou formatado para uma maneira pouco recomendável de fazer política”.

 

Pareceu-me uma maneira muito adequada para iniciar um projecto novo e uma nova maneira de intervir na vida política local. Havia ainda a vantagem de se tornar difícil para os adversários atacar alguém que, não tendo passado político, não tinha pontos fracos conhecidos que contra ele pudessem ser usados. Por outro lado ainda, parecer-lhes-ia a situação tão frágil que nem precisariam de se empenhar muito para vencerem com grande vantagem.

 

Pareceu-me que o meu interlocutor tinha ficado entre hesitante e perplexo. Contudo, iria apresentar a minha sugestão. Com surpresa minha, passados poucos dias comunicou-me que seu pai achara interessante a sugestão e que já tinha mesmo um nome que correspondia àquilo que estava em questão. Disse-me o nome de um jovem engenheiro – Ricardo Pinheiro – que eu não conhecia e que por isso me abstive de comentar.

Achei a situação interessante e resolvi acompanhar o processo que, a nível político, se foi tornando um dos casos mais estimulantes em que, quase sem dar por isso, acabei por me achar envolvido.

 

Porque sei que, muitas vezes, não são os que plantaram as árvores os que lhes vêm colher os frutos, devo referir de passagem que foi também João Manuel Nabeiro quem teve a ideia e tomou a iniciativa de convidar a Júlia para liderar o grupo de candidatos do PS à Assembleia Municipal. Segundo os resultados obtidos na votação, poderia ter sido eleita para presidir à mesma assembleia, não fora a inesperada e desleal falha de um dos eleitos ao compromisso previamente assumido.

 

Foi assim que, há quatro anos atrás, no mesmo local onde estávamos reunidos para assistir à apresentação de um jovem que alguns não conheciam e muitos nem acreditavam que pudesse ter sucesso no projecto a que se aventurava, pois que, embora fosse grande a vontade de mudança, a expectativa de sucesso não era muito segura.

E essa fragilidade da nossa expectativa reflectia-se na própria maneira como a sessão de apresentação do candidato fora configurada.

A nível do partido socialista, vieram algumas figuras com algum relevo a nível regional. Mas um figurão da política, a nível regional e nacional, fez questão de nunca acertar no nome do candidato que estava a apresentar, chamando-lhe vários nomes de árvores sem nunca acertar no “pinheiro” que era a árvore certa para o designar. Isto que foi parodiado pela maioria da assistência, tinha efectivamente a intenção de sublinhar a fraqueza do candidato, um jovem de quem não se podia esperar muito pois, de tão desconhecido e inesperado, nem sequer se conseguia fixar-lhe o nome.

Na época também me foi dito que o responsável por uma empresa contratada para dar apoio à candidatura dizia aos seus colaboradores que não valia a pena empenharem-se a fundo porque o caso “Campo Maior” estava condenado à partida a ser “caso perdido”.

Não foi assim pois que, ainda que com grande dificuldade, o jovem engenheiro ganhou ao veterano, sabidão e matreiro, que era considerado o outro candidato.

 

Agora, passados quatro anos, as coisas mudaram de tal modo que o jovem candidato sem estatuto para se lhe fixar o nome, tornou-se um sério candidato que mereceu a presença de uma importante personalidade como a Presidente Nacional do Partido Socialista, Dra. Maria de Belém, por ter sido impossível ao secretário-geral do partido estar presente, por estar envolvido na urgência de resolução da crise que o país atravessa. Mereceu também ter sido entusiasticamente elogiado pelo deputado Pedro Marques que representa, pelo PS, este distrito no Parlamento e que fez questão de sublinhar que considerava o Ricardo Pinheiro um caso notável de sucesso na condução da política a nível autárquico.

Sic transit gloria mundi. Maneira erudita de dizer, em latim, que passam muito depressa certas certezas e vaidades mundanas.

Hoje podemos dar como certo que todos os que assistiram a esta sessão saberão de cor o nome do candidato Ricardo Pinheiro. Mas serão muito poucos os que ainda se lembrarão do nome do deputado que, há quatro anos, não conseguiu sequer fixar o nome do candidato que veio apresentar.

 

 

 

 

 

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publicado às 09:05

Se atentarmos bem nas práticas de muitos dos que fazem da actividade política a sua principal ocupação, acabamos por entender que é a ausência de uma noção clara destes três conceitos, ou um deficiente e degenerado modo de os entender que está na base das suas atitudes, comportamentos e maneiras de conduzir a gestão que desenvolvem em consequência dos cargos de que estão empossados.

Basta consultar um bom dicionário para podermos entender que, sendo conceitos essenciais para a prática política, eles estão completamente ausentes do pensamento e das práticas de alguma gente que tem grande peso na tomada de decisões. Tratando-se de decisões de grande responsabilidade social, elas são geradoras de importantes e, por vezes, trágicas consequências.

Alguns, não tendo qualquer noção do que sejam a estratégia, o planeamento e a táctica, ignorando ou desprezando a necessidade de definirem e orientarem com rigor as suas decisões, limitam-se a agir empiricamente, decidem em cada caso concreto como mais lhes convém, ou como melhor lhes parece, sem cuidarem da responsabilidade social implícita na sua função de governantes. O que resulta da acção destes desgovernados é uma sequência de actos sem lei nem norte, decisões tomadas sem definir com clareza as finalidades, acções iniciadas sem planeamento prévio, nem cálculo dos recursos disponíveis a utilizar. Vão ao sabor das circunstâncias, tacteando ao acaso da improvisação, muitas vezes sem sequer remediar os erros que vão cometendo. Como resultado, desperdiçam recursos, gastam tempo, perdem oportunidades e não só não resolvem como, por vezes, agravam os problemas.

No extremo oposto há também os que planeiam até ao ínfimo pormenor, descrevendo com minúcia todos os passos e cada gesto a executar. Mas, porque o fazem sem terem definido uma estratégia, partem para a acção sem uma consciência clara das razões porque agem, nem dos objectivos que devem atingir. O tempo, o esforço e os meios gastos para planear esgotam a capacidade para bem agir. Nestas condições torna-se difícil alcançar o pleno sucesso.

Em contrapartida, outros arvoram-se em grandes tácticos recorrendo a manigâncias mais ou menos astutas para obterem benefício próprio, ou para satisfazerem a sua insana vontade de poder. Recorrem a truques e trafulhices, julgando estar a executar hábeis tácticas e a desenvolver inteligentes projectos. Na realidade o que eles fazem nada tem a ver com a Política, se entendermos a Política como a capacidade de determinar com rigor as necessidades reais e como a arte de escolher as melhores soluções atendendo às condições de que se dispõe, num determinado momento e em determinadas circunstâncias. No fundo a Política deve ser a ciência e a arte de fazer o melhor dentro do que é possível ser feito.

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publicado às 09:00

Os conceitos de estratégia, planeamento e táctica tiveram a sua origem no domínio militar, mas foram passando para outros domínios como o político e o empresarial, sendo tomados em consideração sempre que se trata de tomar decisões de forma a garantir o máximo de eficácia com o mínimo de esforço e despendendo o menor gasto de recursos.

Estes conceitos foram explicitados por grandes pensadores como Maquiavel (1469-1527), escritor e politico italiano que desempenhou cargos importantes ao serviço de Florença, sua cidade natal. Na sua obra, A Arte da Guerra, publicada em 1521, explicitou a doutrina de que, durante a guerra, tinha de haver uma relação muito íntima entre a acção militar e as finalidades da política. Frederico II, o Grande, rei da Prússia entre 1740 e 1786, grande estadista, homem de grande cultura e chefe militar eminente, considerava a guerra como um assunto do Estado e, por isso, exigia um rigor matemático na definição das estratégias e tácticas militares que garantissem que, com o mínimo de recursos e de esforços, se obtivessem os melhores resultados. Napoleão Bonaparte introduziu na estratégia militar o conceito de planeamento em larga escala e em amplos espaços, para a preparação das suas campanhas militares. Carl von Clausewitz (1780-1831), oficial do exército prussiano, membro de estado-maior e director da Academia de Guerra, na sua obra Da Guerra publicada postumamente entre 1832 e 1834, baseado nos estudos que fez sobre as campanhas napoleónicas, explicitou a ideia de que a estratégia ocupava o nível mais elevado da direcção militar e, por isso, tinha de ser delineada em conjugação com a política.

O conceito, hoje mais ou menos consensualizado, de estratégia define-a como uma metodologia científica, uma maneira bem estruturada para elaborar projectos ou planos de acção, tendo em consideração os recursos de que se dispõe para se poderem atingir certos objectivos que se destinam a concretizar os fins em vista. Trata-se, portanto, de um saber que permite estruturar uma actividade para conseguir realizar qualquer projecto ou intenção com vista a atingir determinados objectivos convergentes para uma finalidade.

Intimamente ligado ao conceito de estratégia foram-se explicitando os conceitos de planeamento e de táctica.

O planeamento consiste em elaborar uma antevisão da acção que pressupõe o traçar de um projecto geral que fixe os objectivos, considere os recursos necessários e os disponíveis, calendarize as etapas e o tempo de execução.

Se a estratégia define o que fazer tendo em vista as intenções e o planeamento define como desenvolver a acção para realizar o que se pretende, a táctica consiste em usar da melhor maneira os recursos, recorrer aos métodos mais adequados e mais eficazes para desenvolver a acção planeada. A táctica diz respeito ao como fazer, à maneira de proceder, aos modos de agir a que devemos recorrer para ultrapassar obstáculos, resolver situações que se nos colocam quando temos de desenvolver uma acção.

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publicado às 12:32


A situação política

por Francisco Galego, em 18.12.09

Por um lado, torna-se evidente a dificuldade que o governo tem tido, para se adaptar à sua nova condição de ter de governar sem dispor do apoio de uma maioria absoluta no Parlamento. Por outro lado, o ataque desenfreado ao governo no Parlamento a que temos assistido, pode levar-nos a pensar que os deputados da oposição se julgam mandatados pelo voto popular para acabarem com a maioria obtida pelo partido que formou o governo após as eleições.

Ora, na verdade, o único mandato claramente conferido pelo eleitorado foi que o governo que, em resultado da eleição, foi constituído e empossado, deveria governar por um mandato de quatro anos, embora sem maioria absoluta, a menos que no Parlamento se constituísse uma nova maioria que sustentasse novo governo, ou que fosse dissolvido o Parlamento para que houvesse novo acto eleitoral.

Ora, a situação a que se assiste parece levar à suposição de que a oposição se constituiu como nova maioria e que, por isso, entende que deve governar sem fazer cair o governo. Ora, não é esta a situação real. De facto, o que acontece, em termos parlamentares é que se, por um lado temos um partido que, por ter vencido as eleições, obteve a maioria dos deputados, por outro lado, existe uma oposição fragmentada que se tem unido para formar uma força destrutiva capaz de obstruir actos, propostas e projectos do governo, mas que não tem capacidade para apresentar medidas e propostas legislativas capazes de constituírem uma alternativa de governo que enfrente e resolva a situação crítica que o país enfrenta. Em consequência, a sua acção resulta mais no agravamento do que na resolução dos nossos problemas. Não são auspiciosas as condições políticas em que o país se encontra neste final de ano e final da primeira década do século XXI.

 

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publicado às 09:00


Seu apelido Lisboa...

por Francisco Galego, em 13.12.09

Terça-feira dia 1 de Dezembro de 2009, após muitas hesitações e variadas controvérsias, entrou em vigor o Tratado de Lisboa, tratado reformador da União Europeia que integra os vinte e sete países que, há quase dois anos o assinaram em Lisboa. O novo tratado, entre muitas outras mudanças importantes, reforça os poderes do Parlamento Europeu e garante uma maior democraticidade no interior da União. Os eurodeputados passam a poder decidir conjuntamente com os ministros nacionais sobre a política agrícola comum e estão em igualdade em questões de justiça, assuntos internos, pescas, política comercial e no uso dos fundos estruturais. Lança também as bases de uma política comum de energia. A Europa fica dotada de um contrato que liga por normas mais democráticas, e que se espera que sejam mais eficazes, cerca de 500 milhões de pessoas vivendo em 27 estados diferentes.

 

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publicado às 00:18


Grandes expectactivas, fracos resultados ...

por Francisco Galego, em 11.12.09

A Cimeira Ibero-Americana que se reuniu no Estoril foi a 19ª que se realizou sem que sejam muito evidentes os resultados alcançados ao longo dos últimos vinte anos.

O subcontinente sul-americano continua a parecer mais um arquipélago de países separados por um mar de razões e de diferenças inconciliáveis.

A fraca realidade das intenções e das decisões, continua dar lugar à retórica das declarações. Na verdade, a data da sua realização não terá sido nada favorável a grandes entendimentos e conciliações.

 

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publicado às 09:15


Não basta parecer...

por Francisco Galego, em 09.12.09

Freitas do Amaral, com a autoridade que se lhe reconhece, concedeu uma extensa entrevista a um jornal diário de grande circulação. Entre outras coisas, afirma que o Presidente da República anda mal aconselhado, opina que o mais alto magistrado da nação devia falar ao país sobre a crise da justiça, a corrupção e o desemprego. Perante esta afirmação não podemos deixar de pensar que o Presidente parece, não só mal aconselhado, mas também não muito avisado. Quando deixa que, em seu nome, se levante a suspeição de que poderia estar a ser escutado, com a agravante de o ónus de tal acção poder recair sobre o primeiro-ministro, sendo agora sabido que, de facto, era este que tinha estado sob escuta, não parece uma maneira muito avisada de agir. Para não dizer que é eticamente muito discutível, tanto mais que, não puniu os que se comprometeram nesse processo, não os repreendendo ou sancionando. E, o que é mais grave, por ter vindo, a posteriori, como agora se viu, a promover o seu principal responsável. A um Presidente da República exige-se que, além da atenção aos grandes problemas da nação, apresente rigor, justiça e isenção em todos os actos da sua vida pública e em todas as suas decisões.

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publicado às 00:11


Ainda a corrupção

por Francisco Galego, em 06.12.09

O tema da corrupção arrasta-se. Não sabemos por quanto tempo esta “carcaça” irá alimentar a sanha devorista dos abutres que vivem dos constantes escândalos que eles alimentam e de que alimentam a sua sórdida maneira de entenderem este jogo de aparências que vai ocupando o espaço que devia ser reservado à análise e compreensão da nossa vida política.

Como pode este primeiro-ministro suportar a carga de tantas acusações, calúnias, difamações e atentados contra o seu bom-nome e carácter? A acreditar em tudo o que já se disse e em tudo o que ainda se vai dizendo, o homem é um incorrigível corrupto, um conspirador tenebroso, um mentiroso compulsivo, um prepotente que esmaga tudo e todos os que se lhe atravessam no caminho. Além disso, compromete-se em associações mais que duvidosas para obter vantagens, usando processos de duvidosa legitimidade. Ele corrompe e deixa-se corromper. Ele manda espiar, escutar e vigiar os adversários, mesmo os que ocupam os mais altos cargos do Estado.

Só não se entende como pôde passar por tudo isto sem que, até hoje, tenha sofrido as devidas consequências. Pois que nunca foi constituído arguido, nem se descobriram provas concretas de que tenha prevaricado. Das duas, uma: ou o homem é tão poderoso que ninguém lhe consegue tocar, ou, neste país, não há justiça capaz de funcionar em termos minimamente aceitáveis.

Mas, se o homem é tão poderoso assim, porque não consegue ele silenciar os seus detractores? Porque não sufoca os jornais e televisões que constantemente o atacam? Porque lhes consente a liberdade de o atacarem continuamente perante a opinião pública? Se ele pôde mandar acabar com um telejornal que o incomodava, se consegue pressionar tanto os jornais que estes se sentem sufocados, porque há ainda tanto escândalo e tanta acusação à volta da sua pessoa? Afinal quem conspira contra quem, neste país que parece estar a afundar-se numa tempestade constante de suspeições?

Titula um jornal: “Sete gestores públicos ganham mais que o primeiro-ministro”. Apetece perguntar: Como é que ainda há quem se disponha a suportar o peso de ser primeiro-ministro, em semelhantes condições?

 

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publicado às 21:09


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