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A CERÂMICA ALENTEJANA NA EXPOSIÇÃO DE PARIS

por Francisco Galego, em 26.08.14

Os habitantes desta parte de Portugal que, por conveniências administrativas, constitui hoje a «Província do Alto Alentejo», foram, desde tempos remotos, muito dados às artes plásticas e industriais. Região onde a matéria-prima não escasseava – mármores e barros em especial - não admira que a abundância lhes despertasse inclinações e vontade de traduzirem objectivamente as suas idealizações e concepções estéticas, em ordem não só à recreação do espírito, mas também à utilização das suas criações na vida prática e doméstica.

    Foram, sobretudo, os trabalhos de cerâmica que, entre o povo, mais se generalizaram, visto as argilas aluminosas[1] [figulinas[2] e margas[3]] estarem ao alcance de todos, serem de mais fácil exploração e servirem à feitura de objectos decorativos, que nos encantam pela beleza e harmonia das formas [estatuetas, imagens, jarras, azulejos, baixos relevos, etc.], assim como à confecção de artefactos de reconhecida utilidade prática em usos domésticos e industriais, tais como: bilhas, pichéis[4], azadas, potes, louça variada, telhas e tijolos.

    Tudo leva a crer que o aperfeiçoamento da arte da olaria só começou nos primórdios do século XVII, assinalando-se depois esse aperfeiçoamento nas faianças e nos azulejos de Estremoz, nas cantarinhas de Nisa, nas bilhas de Viana, etc.

    Há conhecimento de ter existido uma fábrica de cerâmica em Estremoz, a da Viúva Antunes, de que parece haver peças datadas de 1770, segundo nos diz Joaquim de Vasconcellos, em “A Cerâmica Portuguesa e a sua Aplicação Decorativa”. No Museu Municipal desta cidade podem ver-se algumas peças de perfeito vidrado e de interessante colorido que se atribuem àquela fábrica: pratos, travessas, terrinas, um gomil[5] e uma cantarinha, esta com a marca Viúva Antunes, não oferecendo, por isso dúvidas da sua proveniência.

    Desta Fábrica podem ter saído os azulejos que se vêem nos lambriz[6] de alguns edifícios locais. Mas há quem pretenda ter existido outra fábrica pelo facto de se guardar no referido Museu um painel, provindo de uma fonte na horta junto à Ermida dos Mártires, no qual se representa «Nossa Senhora do Carmo a entregar o escapulário[7] a São Simão Stock, que foi o primeiro geral da Ordem dos Carmelitas», tendo inferiormente a legenda “Ecce Salutis”, a marca “Fabrica de Frei Luiz Pernarcho”, e datado 1779.

    Ignoramos se existe algum documento que confirme esta suposição. Em nossa humilde opinião, o termo Fabrica, que se lê no painel, pode querer significar que o desenho, a traça, a pintura, se deve ao aludido padre, por quanto nos parece que a função de fabricante ou industrial era incompatível com o voto de humildade, de pobreza e de renúncia dos bens terrenos, que se exigia aos religiosos professos.

    Também temos noticia de que já nas primeiras décadas do século XIV, se faziam pucarinhos e moringues de Estremoz[8], que iam à mesa da Rainha Santa Isabel, ganhando celebridade em terras de Espanha, Itália e França, onde as classes ricas pagavam por alto preço essas graciosas peças de cerâmica alentejana.

    Nas primeiras centúrias da nossa nacionalidade a olaria circunscrevia-se ainda ao fabrico de louça grosseira, vasilhame, telhas e tijolos para a construção de habitações, fabrico que deve ter sido ensinado aos aborígenes pelos romanos e mais tarde pelos árabes, quando vieram estabelecer-se na Península Ibérica, como se deduz pelo grande número de objectos que tem sido encontrados nas escavações de diversas estações arqueológicas disseminadas pelos termos de Évora, Montemor, Estremoz, Vila Viçosa, Elvas, Marvão e outras terras de Alentejo, de que podem ver-se alguns exemplares nos museus regionais e da capital [temos visto: púcaros, candeias, e fragmentos de tijolos, etc.].

    Há anos foi achado numa escavação nas proximidades do Monte de Santa Vitória, por detrás da quinta denominada da Rainha ou de São João, arredores de Campo Maior, um dollium[9] do período lusitano - romano, que oferecemos ao museu municipal de Elvas, exemplar muito bem conservado. Só conhecemos outro semelhante que existe no Museu Etnológico de Belém.

    Estas vasilhas foram, talvez, as ascendentes genealógicas dos potes ou talhas mouriscas, que se vêem em todas as adegas do sul do país e cujo fabrico constitui uma indústria típica e secular da rica e linda vila fronteiriça de Campo Maior e da Aldeia do Mato, no concelho de Reguengos. Curiosas e características, as talhas alentejanas, de barro grosseiro, a que o tempo dá um tom escuro, chegam a ser de altura superior a de um homem normal e o seu bojo avantajado e monumental chega a conter mais de cem almudes, ou seja dois mil litros de precioso vinho. [Na adega do Sr. João Garcia Augusto, em Estremoz, existe uma com a capacidade de cento e treze almudes!].

    Assim, impressionaram por tal forma o iminente escritor Júlio Dantas que, ao vê-las pela primeira vez numa sombria adega de Évora, lhe fizeram escrever numa das suas brilhantes crónicas para o «Comércio do Porto que “no jogo das sombras flutuantes da subterrânea adega, lhe deram a impressão de figuras mociças e ventrudas[10] de silenos[11] aguentando nos ombros uma pesada arquitrave».

    O fabrico destas interessantes vasilhas não é privilégio da Aldeia do Mato, como supõe o ilustre académico, talvez por desconhecer que também se fazem em Campo Maior, que as exporta desde tempos longínquos para grande parte do Alentejo, e não só para esta província, como para algumas terras da Beira Baixa, do Ribatejo e até para a Estremadura Espanhola.

    Velhas pois de séculos, diferenciam-se as de Campo Maior das de Aldeia do Mato pela euritmia[12] das primeiras que nos oferecem uma silhueta mais esbelta, sobretudo nos mais recentes modelos, a que o artífice, intuitivamente e sem conhecer a arte romana, vai imprimindo formas clássicas e elegantes que fazem lembrar as ânforas milenárias. Diferenciam - se também pelo facto das últimas ostentarem na garganta a data fabrico e as curiosas siglas dos desconhecidos artífices que as modelaram em suas mãos hábeis, enquanto que as que de Campo Maior exibem os nomes completos dos vários oleiros através dos quais, por tradição de família, se tem transmitido, através dos séculos, o uso desta profissão e que são: - os Centenos, os Pereiras, os Mouratos , e, quiçá, outros que desconhecemos. Dá-se também a circunstância das desta ultima localidade se fabricarem com maior capacidade do que as de Aldeia do Mato, devido à melhor qualidade dos seus barros, desconhecida pelos mestres aldeiamatenses.

    E pena, realmente, que as de Campo Maior não tenham sido também datadas; e, para subsídio de investigações futuras e melhor documentação campomaiorense, lembrar aos nossos conterrâneos que é conveniente gravar nas talhas, além dos nomes, a data do fabrico [basta só o ano] e o nome da nossa histórica e progressiva vila, que foi agora alvo de uma grande honra: É que, na Exposição Internacional de Paris, do corrente ano, por iniciativa louvável do Secretariado da Propaganda de Portugal, Campo Maior mostrará aos muitos milhares de visitantes da Exposição – a par da graciosidade dos moringues e bonecos de Estremoz, dos caprichosos empedrados das cantarinhas de Nisa, e da elegância das bilhas de Viana - as formidáveis talhas saídas das suas oficinas, que deverão assombrar pela novidade e pelas suas descomunais proporções.

  

    Foi este facto muito agradável ao nosso estranhado bairrismo, que nos sugeriu o singelo e despretensioso artiguelho que hoje damos à publicidade e que estamos prontos a rectificar se alguém aparecer a esclarecer-nos sobre as deficiências com que topamos na sua elaboração.

 

 

Texto publicado por João Ruivo em “Arquivo Transtagano”, Ano V, Nº 1 de 15 de Maio de 1938                                                                               

 



[1] Dizem-se aluminosas por conterem alúmen, ou partículas que brilham

[2] Diz-se figulino o barro macio e fácil de amassar.

[3] As margas são argilas calcárias.

[4] O pichel é uma pequena vasilha ou cântaro para vinho.

[5] O gomil é um jarro para água, bojudo e de boca estreita.

[6] O lambril é a parte inferior de uma parede.

[7] Tiras de pano que os sacerdotes e outros religiosos usam sobre os hábitos.

[8] Refere-se aos tradicional barril de Estremoz e que em Espanha é chamado porrón.

[9] Vasilha grande onde os romanos guardavam o vinho.

[10] Figuras maciças e bojudas.

[11] Monstros gigantescos, metade homem e metade bodes.

[12] Harmonia, equilíbrio de proporções da diversas partes.

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publicado às 09:06


CANTAR A FEIRA DE ELVAS

por Francisco Galego, em 25.09.11

Feira d’Elvas, Feira d’Elvas,

Feira d’Elvas da cidade;

Quem me dera estar bailando,

No Senhor da Piedade.

 

Daqui p’ra cidade d’Elvas,

São três léguas, nada mais;

Ai que estrada tão comprida,

Tão seguida dos meus ais.

 

Daqui pr’a cidade d’Elvas,

Tudo é caminho chão;

Tudo são cravos e rosas,

Dispostos p’la minha mão.

 

Já Elvas não é cidade,

Nem vila lhe chamarão;

Já os Arcos d’Amoreira,

Deram consigo no chão

 

Belos Arcos d’Amoreira

Foram feitos sem ventura;

Por baixo estrada real,

Caminho pr’a sepultura

 

Também neste, como nos outros tipos de cantigas de “saias”, não podiam faltar as cantigas de escarnecer:

 

Eu hei-de ir à Feira d’Elvas,

No carro do João Vieira;

C’uma roda de toucinho

E outra roda de farinheira.

 

Caminho da Feira d’Elvas,

Fica o monte dos Judeus;

Se encontrares o meu rapaz,

Dá-lhe lá recados meus.

 

 

 

 

 

 

                                     

 

           

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publicado às 19:07


CANTAR AO SENHOR DA PIEDADE

por Francisco Galego, em 24.09.11

As festas do São Mateus,

São as festas da cidade;

Quem me dera andar bailando,

No Senhor da Piedade.

 

Já perdi o norte à terra,

No caminho da cidade;

Já nem sei p’ra onde fica,

O Senhor da Piedade.

 

Que o Senhor da Piedade,

Tenha por nós compaixão;

E nos dê por caridade,

Um ano farto de pão.

 

O Senhor da Piedade,

Tem vinte e quatro janelas;

Quem me dera ser pombinha,

Para pousar numa delas.

 

Ó Senhor da Piedade,

Na vossa capela o digo;

Já cá não venho outro ano,

Sem trazer o meu marido.

 

Ao Senhor da Piedade,

P’ro ano vou outra vez;

Quero ir agradecer-lhe,

O milagre que me fez.

 

Ao Senhor da Piedade,

Quero este ano lá ir;

Eu não lhe vou levar nada,

E nada lhe vou pedir.

 

Zanguei-me com meu amor,

Já se acabou a amizade;

À noite cantei melhor,

No Senhor da Piedade.

 

O Senhor da Piedade,

Não está em casa foi fora;

Foi visitar os enfermos,

Que estão na última hora.

 

O Senhor da Piedade,

Tem uma prenda de valia;

Uma fonte de repuxo,

Com pedra de cantaria.

 

No Senhor da Piedade,

Muita coisa lá se faz;

Uns arranjam rapariga,

Outras ficam sem rapaz.

 

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publicado às 18:57


CANTAR O SÃO MATEUS

por Francisco Galego, em 22.09.11

A feira de São Mateus, atraindo gente de todo o Alto Alentejo, tornou-se ponto de encontro das populações que ali acorriam. Por esta razão, as “saias”, cantadas e dançadas por toda esta região no século XIX, tinham ali o seu ponto nuclear de trocas e de irradiação. Em cada terra iam-se preparando ao longo do ano as cantigas e as toadas ou modas que se iriam exibir no São Mateus. Em contrapartida, quando regressavam às suas terras, levavam consigo os sons e as palavras que tinham ouvido nos bailes da romaria.

 

O São Mateus tinha tal efeito mobilizador sobre as gentes de Campo Maior que mesmo os que a Elvas não se podiam deslocar, o celebravam com bailes e arruadas pelas ruas da vila, nos dias da sua celebração.

 

Se não fores ao São Mateus,

Havemos de combinar;

P’ra andarmos aqui na vila,

A noite toda a balhar.

 

Os campomaiorenses tornavam-se notados quer pelo número dos que acorriam à Feira do São Mateus, quer pela qualidade das suas intervenções nos bailes de roda em que se cantavam e dançavam as “saias”, como está documentado nas seguintes quadras:

 

Se eu for ao São Mateus,

Irei balhar c’o meu par;

Mulher que se sabe amada,

Está mais disposta a cantar.

 

Eu quero ir ao São Mateus,

Só para te ouvir cantar;

Não vou lá com outro fim,

Estou velho p’ra namorar.

 

As festas do São Mateus,

São as festas da cidade;

Quem me dera andar bailando,

No Senhor da Piedade.

 

Eu hei-de ir ao São Mateus,

P’ro ano se Deus quiser;

Este ano fui menina,

Pró ano volto mulher.

 

A Feira de São Mateus,

É feira de arraiais,

Eu não tenho rapariga,

Divirto-me com as dos mais.

 

Arraiais de São Mateus,

Vão ganhões e vão malteses;

Adeus, meu amor adeus,

Até d’hoje a doze meses.

 

São Mateus é romaria,

Como outra não há outra igual;

Fica à frente de todas,

Neste nosso Portugal.

 

Eu vou sempre ao São Mateus,

E nunca deixarei de ir;

Ainda que lá dos céus,

Estejam pedras a cair.

 

Meu bem vem cantar comigo.

Na Feira do São Mateus;

Cantigas de amor sentido,

São como preces aos céus.

 

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publicado às 18:25


A ROMARIA AO SENHOR DA PIEDADE

por Francisco Galego, em 20.09.11

Noutros tempos este grande acontecimento anual, dava lugar a um intenso convívio pois, os que vinham de fora, deslocavam-se em carroças ditas de canudo por serem cobertas por uma protecção de forma cilíndrica, formada por uma estrutura de cana, coberta de uma tela de pano encerado, que protegia os passageiros da chuva e do sol. Com essas carroças, autênticos antepassados das actuais tendas e roulottes, formava-se um vasto acampamento no qual permaneciam, em alegre convívio, pessoas das mais variadas proveniências, algumas por cerca de uma semana. Aí se cozinhava e comia, aí se dormia e aí se cantava e dançava, sobretudo nas madrugadas, pois os bailes só podiam funcionar bem depois quando se acalmava a barafunda da feira e se calava a algazarra dos tendeiros e das potentes aparelhagens sonoras dos circos e carrosséis.

O São Mateus de Elvas era até meados do século passado, uma das maiores festividades que os campomaiorenses celebravam. Poupava-se durante meses para se pode ir até à Fêra d’Elvas por volta de 20 de Setembro.

Só os mais pobres, por falta de recursos, e os que cumpriam resguardo por luto ou por doença, ficavam. As carroças partiam uns dias antes ajoujadas de gente, de galinhas, de cabazes de comidas e de doçarias confeccionadas para a ocasião. Quem mais depressa chegasse, melhor lugar podia escolher para acampar nos olivais em volta do parque em que estaria montada a feira.

 Havia anos, principalmente os mais favoráveis para a agricultura e em que o clima em Setembro era ainda favorável, que Campo Maior quase se despovoava nos dias do São Mateus. Quem não podia ir de carroça, em caravana, ia a pé. Uma manta chegava para aconchego. Quanto ao resto, desde que houvesse dinheiro para a pinga e para o petisco, já se passava a contento.

Procuravam, os de cada terra, ficar juntos para melhor conviverem. Aliás, a feira era o pretexto para o que mais importava: o convívio que se ia gozar durante os dias que a feira durava. O São Mateus servia de pretexto para as parcas férias de que os menos ricos e os remediados podiam desfrutar.

Armados os acampamentos, gozava-se do descanso, da boa comida, da alegre convivência que a ocasião propiciava. De dia dormia-se muito e até tarde, por força de alguns excessos de bebida e porque as noites se prolongavam até de madrugada.

            As noites eram para a maioria destes romeiros o melhor que a festa propiciava. Formavam-se grandes bailes de roda animados pelo cantar e dançar das “saias”. Havia disputas assanhadas, muitas vezes entre grupos de terras diferentes. Surgiam a “modas novas”. Quadras engenhosamente elaboradas ao longo do ano encontravam ali o terreiro adequado para a sua pública exibição.

Arranjavam-se e desfaziam-se namoros. De vez em quando, uma ou outra rixa ensombrava a convivência por razões de exacerbado bairrismo, por melindres, ou por imponderadas ofensas à honra ou à dignidade dos presentes.

 

 

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publicado às 18:15


O SÃO MATEUS EM ELVAS

por Francisco Galego, em 18.09.11

Tempos houve em que cada povoação tinha as suas próprias festas e romarias. Mas, algumas delas, por motivos religiosos, ou pelo brilho das suas realizações, atraíam gente de outras terras, tornando-se famosas como locais de trocas, de diversão e de peregrinação.

No Alto Alentejo, sobressaía entre todas a Feira de São Mateus, em Elvas. A Feira de São Mateus remonta ao século XVI pois, segundo os investigadores, terá começado a funcionar entre 1525 e 1574. Cerca de duzentos anos mais tarde, veio associar-se-lhe uma peregrinação que, a partir de 1737, se começou a fazer no sítio onde se construiu o santuário do Senhor Jesus da Piedade. Tanto a feira como a romaria ganharam grande importância entre as gentes do Alto Alentejo, tanto mais que a sua realização, coincidindo com o equinócio do Outono, marcava o período em que se dava por encerrado um ano agrícola e se começavam a tomar as disposições para o arranque do ano agrícola que se ia seguir.

As pessoas, em grande parte as que estavam mais ligadas ao trabalho nos campos – aproveitando a romaria pela devoção, e a Feira de São Mateus por ser local de trocas muito necessárias às actividades agrícolas –, deslocavam-se a Elvas para aí permanecerem durante os três dias que durava o evento. Os transportes eram, nesses tempos, difíceis e lentos. Em volta do terreno da feira, formavam-se grandes acampamentos de gente vinda de quase todas as terras desta região.

Para além da grande diversidade de gentes que acorria a este evento, alguns vindo de terras bem distantes, é interessante constatar que, entre essas terras, tomavam relevo as gentes de Olivença, o que indica que eram ainda muito fortes os laços culturais que ligavam os oliventinos a Portugal.

A Feira de São Mateus em Elvas e a Romaria ao Senhor da Piedade tiveram o seu período de maior esplendor entre meados do século XIX e meados do Século XX.

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publicado às 17:57


O CINEMATÓGRAFO EM CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 17.10.10

 

O Jornal de Notícias, Nº 37 de 15 de Novembro de 1928, na sua página 4, noticiava:

 

A empresa Ramos & Valente instalou num casão do Assento Militar um salão cinematográfico, tendo, para isso, efectuado ali algumas obras de adaptação.

A nova casa de espectáculos compõe-se de: sala para o público dividida em duas classes de lugares (geral e superior) com um pequeno palco para variedades; vestíbulo com bufete, bengaleiro e retretes com autoclismo, para senhoras e cavalheiros; casa de aparelhos, motor, depósitos de água, etc.

A inauguração teve lugar no dia 1 de Novembro do corrente ano, a benefício da Misericórdia, tendo o produto líquido sido de 573$00.

A casa estava à cunha e, se bem que se trate de uma instalação provisória e modesta, é de esperar que continue sendo muito frequentada, por não haver em Campo Maior qualquer outra diversão para entreter os longos serões de inverno.

O programa do espectáculo inaugural é que foi infeliz: duas fitas do mesmo género policial, tanto do agrado dos americanos, com muitas mortes, muitas correrias, muitas cenas de murro, trambolhões, etc., etc., pelo que no público das cadeiras se notava visível aborrecimento.

Aconselhamos a empresa a precaver-se contra os fornecedores que vão sempre impingindo gato por lebre.

Os programas mais atraentes e que ao público mais agradam, são aqueles em que se entremeiam filmes de arte, documentários e actualidades de carácter instrutivo, com pequenas farsas e comédias ligeiras, de fins meramente recreativos.

Outra coisa notamos também, para o que chamamos a atenção da empresa e da autoridade administrativa: na sala fumava-se à vontade, tornando a atmosfera pesada, o que não dispôs bem as senhoras que lá se encontravam. Cremos que está ainda em vigor o regulamento que proíbe que se fume nas casas de espectáculo e a polícia, a quem a empresa paga, não deve fechar os olhos.

Para terminar, felicitamos os nossos amigos Srs. Ramos e Valente e fazemos votos para que o público saiba corresponder à sua iniciativa que representa alguma coisa de importante no nosso meio, onde o capital raras vezes acorre a financiar empresas desta natureza.

 


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publicado às 17:06


NO TEMPO DAS VINDIMAS…

por Francisco Galego, em 01.10.09

           Estamos em plena época das vindimas. De manhã cedo encontro grupos de trabalhadores que esperam, junto à Avenida, o transporte que os leve até aos campos em que vão trabalhar. Quase todos são imigrantes. Pelo linguajar, são dos países do Leste da Europa. Trabalhadores naturais de Campo Maior, em trabalhos agrícolas, tornaram-se muito raros.

 

            No concelho de Campo há uma extensa área de cultivo da vinha e uma grande adega que se dedica à produção de vinhos de qualidade elevada, apetrechada com os mais evoluídos recursos e equipamentos. Mas há também um número considerável de pequenas adegas (a que, de tão pequenas, poderíamos chamar “adegas de garagem”), onde por métodos artesanais e segundo processos tradicionais, se fabricam vinhos que, em alguns casos, conseguem ter uma interessante qualidade.
            Noutros tempos, quando em Campo Maior predominava uma economia basicamente agrícola, a produção vinícola tinha uma certa importância, produzindo a terra tanto vinho que dava amplamente para exportar. Associada à produção do vinho, uma outra actividade dava fama aos artesãos de Campo Maior: o fabrico dos grandes potes ou talhas onde se produzia e guardava o vinho. Em certas famílias a arte do fabrico dos potes passava de pais para filhos, por várias gerações.
Nas linhas que seguem vou tentar dar breves notícias sobre as culturas da vinha e do vinho no concelho de Campo Maior, em tempos passados.
Em meados de século XX (1948), o Alentejo produzia apenas uma pequena parte dos vinhos de Portugal: em 8.176.000 hectolitros, fornecia 61 mil; a Estremadura e o Ribatejo, forneciam 3. 234.000; as Beiras 2. 185.000; o norte produzia quase dois terços do total. Só a Vidigueira e Vila de Frades se destacavam pela qualidade e quantidade do vinho que produziam.
Nem sempre assim terá sido, pois que documentos antigos referem a viticultura e a produção dos vinhos como uma actividade económica muito importante no Alto Alentejo.
Tomando como referência uma “Notícia de 1758”, as produções do azeite e do vinho ocupavam lugar de destaque na economia da região em volta de Portalegre. Essas produções são referidas com grande destaque enquanto a produção de cereais era pouco referida. As vereações de Portalegre revelam que os viticultores constituíam um grupo activo, uma verdadeira corporação com tal influência que, em 1800 conseguiram mesmo que fosse interditada a importação de vinhos para proteger o consumo do vinho de produção local.
Ao que parece, em meados do século XVIII a situação começara a mudar. O cura de Santa Maria Madalena refere que Elvas, Olivença, Cabeço de Vide, Fronteira e Campo Maior, localidades que antes importavam, tinham começado a produzir.
Aliás, o cura de Campo Maior na mesma “notícia de 1758” assinalava a importância da vinha na economia local: muito trigo, cevada, grão, muito vinho e de boa qualidade. Portanto, Campo Maior pode, a justo título, ser considerado como um dos concelhos vitícolas do distrito de Portalegre, nos séculos XVIII e XIX.
O desenvolvimento da vinha em Campo Maior está testemunhado num decreto de 12 de Agosto de 1819 que, em resposta a uma petição dos habitantes deste concelho, foi decidido que “os proprietários de vinhas e os vinhateiros da vila de Campo Maior tendo exposto que a viticultura ocupava um destaque considerável na vida da vila, e não apenas pela qualidade do vinho que produziam, a ponto de esta ter provocado a plantação de vinhas cada vez mais numerosas nas terras incultas e cobertas de matos, mas porque esta tão interessante actividade comercial estava actualmente ameaçada de ruína pela livre entrada de milhares de carregamentos de uvas que desde há anos têm vindo para esta vila doutras localidades fronteiriças, com origem em Espanha…”. Este texto mostra com clareza a importância da viticultura local, confirmada quarenta anos depois pelo redactor anónimo da memória da Academia que tão bem conhecia a região de Campo Maior, quando se queixava do progresso da vinha no Alentejo, dando como exemplo o caso de Santa Eulália, grande aldeia a Oeste de Campo Maior, onde a produção de aguardente tinha aumentado monstruosamente nos últimos vinte e cinco anos. Ora, o consumo desregrado desta bebida estava a provocar uma grande dissolução dos costumes. Houve insistente pedidos de medidas que atacassem o progresso da embriaguês entre os camponeses que os afastava dos usos e costumes de antigamente e que os atraía para as tabernas afastando-os dos trabalhos nos campos.
 Há referências documentais a que na aldeia de Santa Eulália se vendia muito vinho para a cidade de Elvas.
Borba já era então um afamado centro vinhateiro, sendo mesmo considerado um dos mais importantes do Alentejo desde o século XIII.
Por volta de 1820, existia nesta região do Alentejo uma grande pressão das terras para que fosse estabelecida uma situação de relego sobre o vinho para evitar que a importação de vinhos de fora prejudicasse a venda dos vinhos da terra. O relego consistia numa disposição legal que vinha da Idade Média e se destinava a garantir que não fossem importados vinhos de fora enquanto não fossem vendidos os vinhos da terra. Ao longo do século XIX foi aumentando a área de cultivo da vinha tanto mais que, nas pequenas propriedades se estabeleceu o hábito de associar a olival e a vinha intervalando as fileiras do olival com as do bacelo.
Estamos actualmente a assistir a um novo período de expansão das vinhas no nosso concelho.
 
 
 

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publicado às 17:39

 

            Corria o ano de 2004. Eu pusera em marcha o projecto de me reinstalar em Campo Maior, pois aproximava-se o fim da minha vida profissional com a chegada do momento da aposentação. Por isso vinha a Campo Maior com bastante frequência e começava a preparar a minha reintegração na vida local.
            Acabadas recentemente as obras do novo edifício, José Pedro Caldeirão, presidente da CURPI, convidou-me para visitar as novas instalações. Durante a visita mostrou-me uma estrutura esquisita, formada por três dependências abobadadas, que funcionavam como cave e armazém e se situavam abaixo do nível da rua. Aliás, essas abóbadas ultrapassavam a terreno do próprio edifício, pois se situavam concretamente debaixo do piso da rua que corre paralela à fachada. Perguntava-me ele se eu saberia dizer que construção seria aquela, pois que já vinha de tempos bastante recuados. Fiquei um bocado perplexo não descortinando explicação plausível que pudesse ser dada.
            Por essa altura, trabalhava como arqueóloga em Campo Maior, a Dr.ª Ana Carvalho Dias com a qual costuma trocar impressões sobre factos históricos e vestígios arqueológicos da vila, a qual me deu conta das suas buscas para tentar determinar a localização da desaparecida Porta de São S. Pedro, acesso principal da vila até finais do século XIX.
            Não consigo explicar como mas, um certo dia tive a intuição que me permitiu dar explicação às ditas abóbadas que servem de armazém à CURPI: aquilo era, nem mais nem menos do que o pontão que servia de acesso à demolida Porta de S. Pedro, ultrapassando o fosso, noutros tempos cheio de água, que rodeava por aquele lado a fortaleza, formando a denominada Lagoinha que comunicava com a Lagoa ou Alagoa, situada junto das muralhas, do lado do Ribeirinho.
            Posteriores investigações permitiram confirmar esta hipótese de localização da porta e até encontrar, a sua representação. Esta que a seguir se reproduz, num desenho concebido, com muita propriedade e exactidão pela D. Umbelina da Mata que teve a amabilidade de, a meu pedido, o executar a partir duma gravura encontrada nos arquivos militares:
 

 

 

 

 

Na passada semana, encontrando-me eu nas Instalações da CURPI, onde funciona a Academia de Cultura e Aprendizagem – Universidade Sénior de Campo Maior, recebi a visita do Dr. José Carvalho, jovem arqueólogo que supervisiona as escavações para instalação das tubagens destinadas ao abastecimento de gás à vila, devido ao facto de esta decorrerem em zonas que podem ter relação com vestígios de valor patrimonial e histórico. Queria falar comigo para se esclarecer sobre o significado de certas estruturas que começavam a aparecer nas valas que estavam a ser abertas na rua adjacente ao edifício da CURPI. Essas escavações que foram conduzidas com todo o zelo e cuidado, permitiram confirmar a hipótese, anteriormente formulada, sobre a localização da demolida Porta de São Pedro. Lá estavam, exactamente no local previsto, os claros indícios dos alicerces da cortina que ladeava a porta e que unia o Baluarte do Príncipe ao Baluarte de São João, este também conhecido pela designação de Cavaleiro.
            Assim, confirmada a localização espacial da Porta de S. Pedro, acrescento o seguinte extracto das actas da Câmara Municipal de Campo Maior, que permite fazer a localização temporal da sua demolição:
 
11 de Outubro de 1902
 
            Ofício do capitão de engenharia, chefe da 4ª Secção em Elvas, rogando à Câmara se digne dizer-lhe quem a autorizou a se apear o arco das Portas de S. Pedro, a fim de poder responder a uma nota que recebeu da Inspecção de Engenharia.
            …O presidente informou que já havia respondido a este ofício de harmonia com a decisão tomada pela Câmara, que depois de ter ouvido dois peritos, mandou apear aquele arco visto que estava a desabar e com o trânsito impedido o que era motivo de justa reclamação.

 

 

A Porta de S. Pedro ou da Carreira, localizava-se ao fundo desta rua, entre o edifício da Escola e casa que, do lado direito, faz esquina com a rua de acesso ao Cavaleiro.

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publicado às 20:19

 

           
 
Manifestei, por várias vezes, que uma das minhas principais intenções é a de levar até aos leitores o conhecimento de textos deste escritor campomaiorense que, para além de outras razões igualmente importantes, constituem preciosos documentos sobre o passado de Campo Maior.
Desta vez trago ao vosso conhecimento um texto que João Dubraz publicou na página 2 do nº 208 do jornal elvense A Democracia, em 14 de Setembro de 1876.
Este texto, não assinado, é o primeiro de uma série de artigos em que o autor sob o título de Carteira de um Viajante – Campo Maior, ficciona uma viagem com partida de Elvas tendo como destino a vila de Campo Maior. Neste primeiro artigo, é feita uma pormenorizada descrição dos arredores da cidade de Elvas. Um observador colocado no Forte da Graça, descreve o horizonte que se desdobra em seu redor. O que ele vai descrevendo é mais do que a vista pode alcançar: é o que o observador sabe que lá existe, mesmo além do alcance da sua visão. Mais do que observação, trata-se de uma descrição em cada lugar é nomeado, localizado e caracterizado com toda a precisão. No fundo, um guia ou roteiro que se coloca à disposição de quem queira obter conhecimento vasto e seguro desta região.
 Aqui fica o texto com uma sugestão: experimente o leitor subir ao Forte da Graça, de preferência equipado com binóculos e em dia de clara visão e ponha-se a observar seguindo as orientações do texto. Terá assim uma dupla lição, pois poderá perceber como as coisas eram há cento e cinquenta anos e quais foram as mudanças que, desde então se verificaram de Elvas.
Mas, ainda que não se disponha a fazer este passeio, o texto apresenta uma espantosa descrição que pode dar uma ideia interessante dos arredores desta cidade.
Ao contrário do que costumo fazer, hoje publico o texto com pequenas actualizações, ou seja, quase como o autor o escreveu e publicou.
 
            “Não se há-de arrepender, em verdade, alguém que não passe indiferente às belezas que o cercam se, procurando distracções e encantos à vista, ascender ao alto da serra de Nossa Senhora da Graça, entrar na fortaleza e, depois de ver o que ali há digno de ser visto, sair de novo, quando o Sol esteja a hora e meia do seu ocaso e percorrer as fortificações armado de um binóculo, por dentro da estrada coberta, se lhe for possível, ou pela vereda que serpeia em torno da fortaleza, se por outro modo não puderem encurtar o passeio. Há-de extasiar-se por mais de uma vez diante dos magníficos panoramas que a natureza desdobra, desde o olivedo que se lhe atapeta aos pés, até aos extremos longínquos do horizonte.
            Os plainos extensos da fronteira do reino, em que se destaca Badajoz, com a sua ponte de cantaria, o velho castelo, Santo Agostinho, a torre da Sé, o quartel de S. Francisco, ficando-lhe de fora, a uma banda, o forte de S. Cristóvão e a estação do caminho-de-ferro, como jardim no meio daquela aridez. E, a outra banda, o forte de S. Roque. Sobre o fundo, aquém da escarpada serra Machiel que parece desafiar novos titãs a escalar o céu, quatro povoações pequenas como que fazendo o cortejo à capital da Extremadura. Desde a ponte de Badajoz, o Guadiana, desenrolando as águas como fita de prata, reflectindo o raios do Sol. Mais além, um extenso ramo de vinhas, interrompido apenas na sua verdura por centenares de casais. Mais aquém o pão dourado pelo sol de Julho, as quintas pitorescas das duas albufeiras e os montes alvejando, como flocos de neve, espalhados por vales e cabeços.
            Ao longe, as serras de Albuera, testemunhas de uma das maiores batalhas que se têm ferido na Península. Valverde agrupado em torno da sua igreja.
            A serra de Olor, que serviu, até à entrada deste século, para traçar os limites de além Guadiana nesta parte, em cujos cabeços se eleva corpulenta a Torre de Almendral.
            Aquém da serra, Olivença, meio escondida por detrás de uma ruga do terreno, como que envergonhada de se ter naturalizado estrangeira e uma das aldeias que seguiram a mesma sorte de Olivença, obedecendo hoje à soberania de Afonso XII.
            São estes os pontos capitais do quadro mais pitoresco que a natureza e o homem têm produzido nestes arredores. Aqui, toda a atenção do observador se fixa na cidade de Elvas, encimada pelo seu castelo torreado, em que se observam, como espécimen arqueológico, as diferentes fases da arquitectura militar, desde as quadrelas de taipa do tempo dos mouros, até às torres de granito d’El Rei D. João II e, servindo-lhe de pedestal, a fortificação abaluartada d’El Rei D. João IV.
            Interpõe-se, dividindo Elvas do forte em que o observador está colocado, a ribeira do Ceto, em que, por meio de basto e vário arvoredo, sobressaem, uns após outros, os inúmeros casais prolongando-se, em ambas as margens, por cerca de dois quilómetros. Da direita da cidade parte, vencendo a profundeza dos vales em grandiosa arcaria, o aqueduto da Amoreira que vai perder-se na espessura dos olivais, deixando à sua esquerda a Piedade com a sua beleza e, à direita, S. Francisco com os seus ciprestes funerais. Por trás do aqueduto descobrem-se as duas eminências conhecidas por serra do Falcato e serra da Fortaleza. Uma escurecida de mato, outra escalvada e nua. Entre ambas, lá muito ao longe, confundindo-se quase no azul de um diáfano horizonte, o castelo de Monsaraz em alto monte, domina uma planície extensíssima. E as ruínas de Juromenha Velha, com alguma casaria de Juromenha Nova, parece que descansam na serra da Fortaleza, na sua vertente esquerda.
            Então, começa a encurtar-se o horizonte pelos altos do Rego e de Vila Boim, serra do Bispo e Assomada, sobressaindo do meio de um bosque de olivedo e azinhal, as aldeias do risonho Varche, a sua igreja de S. Brás, S. Lourenço das Vinhas, a Aldeia da Calçadinha e, muito próxima, a ermida de S. Jorge, o padrão das Linhas de Elvas e a aldeia do Vedor, nascida no século passado aquando da fundação do forte, em torno do qual o observador vai descrevendo uma circunferência quase perfeita.
            Sucede-se, a menos de tiro de canhão, a serra da Malefa, pedregosa, inóspita, em cuja esplanada, entre rochedos pode ver ainda hoje quem a ela for, os sinais de uma das plataformas em que o general Galluzo colocou a sua artilharia assestada contra o forte da Graça em 1808.
            Percorrendo a vista para a direita, deparam-se-nos as quintas de S. João, a das Longas, a de Rio Torto que ficam a uns seis a oito quilómetros. Mais além, a aldeia de Santa Eulália e, no horizonte, abrangendo uma larga linha recortada, Portalegre com as torres altas da sua sé, ao pé do pico da Senhora da Penha e a alta serra de S. Mamede, uma das mais elevadas do Alentejo, prolongando-se ininterruptamente até à de Albuquerque, num píncaro da qual se pendura esta povoação. Por último, a aldeia de Degolados e Campo Maior de que apenas se pode distinguir, a descoberto, a igreja de S. João a um extremo e, S. Francisco e S. Sebastião a outro, com os campanários da Matriz ao meio e, por trás as torres enegrecidas do castelo da vila.
            Do ponto em que está assentado Campo Maior, ao que o observador tomou por ponto de partida, encontra-se ainda afogueada pelos últimos raios de luz que o sol dardeja ao extinguir-se no horizonte, a ampla extensão das Fontainhas, sobre a via férrea de Leste e o pitoresco montinho das Choças, cercado de algum arvoredo, que o faz assemelhar a um jardim no meio da herdades.”

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publicado às 18:18


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