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NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE 13 DE DEZEMBRO DE 2013

por Francisco Galego, em 14.12.13

Todos nós, o que pretendemos viver de forma correcta e respeitando os princípios de uma justa vivência social democraticamente estruturada, sentimos quão difíceis são os tempos que estamos a viver. Nestas condições, não adianta enterrar a cabeça na areia, porque assim deixamos o campo aberto para nele se instalem as prepotências, as corrupções e todo o tipo de abusos que tornam cada vez mais problemática a nossa vida em sociedade.

Se começarmos a participar mais activamente na vida da nossa comunidade, poderemos talvez contribuir para que as coisas se vão tornando um pouco menos difíceis. Tenho registado com agrado que se tem vindo a estabelecer o hábito de haver público a assistir às sessões da Assembleia Municipal. Por isso, dou aqui a conhecer os conteúdos da breve participação que tive na sua última sessão.  

 

 

Comecei por referir a importância que tem a recuperação dos três baluartes da antiga praça de guerra que era Campo Maior que são propriedade do Município, sendo, portanto, de sua administração directa: O do Curral dos Coelhos; o do Mártir Santo ou S. Sebastião; o da Boa Vista.

Essa importância resulta do seu valor como património que testemunha o passado histórico de Campo Maior e da importância que pode assumir, no presente, para incrementar o turismo, tanto mais que no interior do Mártir Santo se encontra a igreja de S. Sebastião, antiga capela da guarnição militar da praça de guerra, a qual, se bem restaurada, pode tornar-se um interessante polo de informação para os turistas.

Referi também a importância que poderá assumir a actual restauração da “Casa do Governador” em Ouguela, a que se poderá seguir a restauração das muralhas dessa antiga vila. Estas são decisões importantes, se bem enquadradas na situação de proximidade em relação a Elvas que, devido a uma inteligente recuperação do seu património, alcançou a distinção de Património Mundial da Humanidade, com todos os proventos que daí resultam.

Com base no exposto, expressei o meu aplauso ao projecto apresentado pelo Senhor Presidente da Câmara de construção de habitações onde pudessem ser alojadas as famílias de etnia cigana que estão a ocupar os espaços atrás referidos, concordando com a descriminação positiva de lhes ser dada prioridade na atribuição dessas habitações, porque assim se tomavam em consideração as necessidades dessas famílias, ao mesmo tempo que eram recuperados esses espaços em benefício de toda a comunidade. Mas sugeri que, não se excluísse que, no futuro, famílias não ciganas pudessem vir a candidatar-se a essas habitações se viessem a ficar vagas. Referi também a necessidade de serem estabelecidas regras claras de condições de candidatura e de uso correcto das habitações com responsabilização, no caso de essas regras não serem cumpridas ou de serem frequentemente violadas.

Comentei também, com apoio e com agrado, as referências que tinham sido feitas às acções desenvolvidas nesta comunidade no domínio da acção social, sublinhando que o título de “Vila Solidária”, mais do que uma distinção, é a assunção de uma responsabilidade e que se torna necessária uma constante atenção para que a solidariedade nunca se venha a traduzir numa “caridadezinha”, ou seja, na hipocrisia ostensiva dos que, dando apenas as migalhas do muito que possuem, fazem muito alarde do pouco que efectivamente dão. Isto porque penso que, mais importante do que dar a quem muito pede, é dar a quem, nada pedindo, muito necessita.  

 

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