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SOBRE O EXTINTO CONCELHO DE OUGUELA...

por Francisco Galego, em 05.12.17

 

HÁ MAIS DE DOIS SÉCULOS E MEIO...

Por aviso de 18 de Janeiro de 1758, o Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo (que, por Decreto do rei D. José I de Portugal, de 16 de Setembro de 1769, foi instituído no título de Marquês de Pombal), fez remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as suas paróquias e as respectivas povoações, pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, bem como os estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. As respostas deveriam ser remetidas à Secretaria de Estado dos Negócios do Reino.

 

Trancrevem-se seguidamente algumas das informações mais relevantes contidas na Memória Paroquial da freguesia de Ouguela, comarca de Elvas, 1758. In, [ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 26, nº 47, pp. 371 a 374]

- Fica esta Vila de Ouguela na Provincia do Alentejo, pertencendo, ao Bispado e Comarca da cidade de Elvas, o termo e a freguesia da dita Vila.

- Tem esta vila 52 vizinhos, sendo os moradores, 70 do sexo  masculino e 66 do sexo feminino.

- O seu termo tem légua e meia de comprimento e uma de largura no qual existem 12 vizinhos.

- A Paróquia está dentro da vila; o pároco é Prior e na Igreja há mais um cura; o seu orago é a Senhora da Graça; tem três altares (o Altar-mór, o de N.ª S.ª do Rosário, e o de N.ª S.rª da Conceição); tem quatro irmandades (a do Santíssimo Sacramento, a da Senhora do Rosário,  a das Almas e a da Misericórdia).

- Esta vila tem Casa de Misericórdia a qual teve a sua origem por um testador lhe ter deixado umas terras, que rendem um moio de trigo todos os anos para a cura dos pobres.

- Esta vila tem três ermidas no seu termo que pertencem à paróquia da dita Vila (a do S.r Salvador do Mundo; a da S.ª da Enxara, e a de S.Pedro).

- A maior abundância de frutos que colhem os moradores desta vila, são trigo e vinho.

- Esta vila tem Juiz Ordinário e Câmara, mas não tem correio; serve-se do da cidade de Elvas que dista desta, quatro léguas; de Lisboa, capital do reino, dista trinta e quatro léguas.

- Esta vila está situada num outeiro e dela se avista a Vila de Albuquerque, do Reino de Castella, de que dista duas léguas.

- Esta vila tem o privilégio de nela não se fazerem soldados.

-  Próximo desta vila há uma  fonte que tem duas singulares propriedades: a de que  todos os animaes criados noutra água que nela se lhe lancem, morrem;  a outra é que não coze carne nem legumes como as outras águas.

- Esta vila é praça-de-armas e lugar de moradas mas os seus  muros acham-se  muito danificados e neles há cinco torres que padeceram de grande ruina no terremoto de 1755, principalmente a torre da Igreja que veio a maior parte dela abaixo e algumas casas da dita Villa e tudo está ainda por reparar, e  não há mais coisa alguma digna de memória.

- Perto desta vila há um outeiro que se chama a Serra de Sam Pedro que é de muito pequeno comprimento e largura.

- O clima desta terra é, no Inverno, muito intemperado por cruzados ventos do Norte, e no Verão muito cálida por causa dos ventos do Sul.

- No termo desta Villa há criações de todo o género de gados.

- Passa proximo a esta Villa o rio Xévora que tem o seu nascimento ao pé da Serra de São Mamede, corre pelas penedias do Monte do Sete e passa junto à Igreja de São Jullião e de um lugar de vinte cinco casas, a que chamam Severa, do qual o rio tomou o nome. Este rio nasce logo caudoloso, e corre todo o ano.Há um outro que entra neste rio, junto a esta Villa, a que chamam Abrillongo que nasce no Reino de Castela.

- O rio Xévora tem sete léguas de comprimento, tem açudes e muito moinhos.

- Na parte de cima destes rios, criam-se muitas trutas por serem muito frias as suas águas. Há neles pescarias durante todo o ano e essas pescarias são livres. Mais para baixo, só se cria o peixe ordinário que há nas outras ribeiras do Alentejo por serem terras cálidas.

- O rio Xévora junta-se mais abaixo com o rio Bótoa e juntos entram no Guadiana, à vista de Badajoz.

 

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