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RESPOSTA A UM LEITOR QUE RECUSOU IDENTIFICAR-SE ...

por Francisco Galego, em 15.06.18

Abordou-me para manifestar a sua não aceitação do que expressei num texto que eu publiquei.

Mas não quer assumir-se como crítico que se coloca no contraposto às minhas opiniões sobre a educação e sobre a atitude de muitos professores...

Está no seu direito. Eu, de acordo com o que entendo como meu dever, respeito a sua decisão.

Mas, isso não me impede de responder às suas reservas e discordâncias, sem revelar a identidade de quem as emitiu.

Começou por manifestar o seu repúdio por quase tudo o que eu escrevi, por considerar que tudo aquilo não passava do que considera como modernices e intelectualices de quem não tinha de suportar os casos e os problemas com que se deparam no dia a dia da sua acção, os professores.

É verdade que já não sou seu colega. Fui-o durante cerca de quarenta anos. Mas ainda não passou tanto tempo que tudo tenha mudado tanto que possa ser considerado muito diferente. Creio que me faltou ter escrito que, esses quase quarenta anos de profissão docente, não decorreram em escolas que pudessem ser consideradas excepcionais, quer pela sua inserção, sócio-económica e cultural, quer pela qualidade das suas intalações.

Mas deixemos isso e vamos directamente ao caso das modernices e intelectualices.

Permita que lhe refira o caso de um filósofo muito nomeado, mas muito mal conhecido: Immanuel Kant que viveu entre 1724 e 1804.

Nascido numa família modesta - seu pai, tinha uma oficina em que se dedicava aos trabalhos em coro - e Kant era o quarto dos nove filhos que foram nascendo.  

Desde muito novo revelou particular interesse e grande capacidade na aquisição de conhecimentos na escola que frequentou entre os oito e os dezasseis anos de idade.

Devido à morte prematura de seus pais, teve de se tornar preceptor de crianças das famílias endinheiradas, para garantir a sua sobrevivência e a continuidade dos estudos. Nesta condição ministrou o ensino dos mais diversos tipos de conhecimentos: matemática, fisica, geografia, ciências da natureza e mesmo a lógica, a ética e a metafísica.  

Só por volta dos 35 anos, conseguiu obter um grau académico correspondente aos actuais doutoramentos. Mas só aos 47 anos conseguiu lugar no ensino universitário.

Leitor atento de Jean Jacques Roussau (1712-1778) encontrou nas suas obras a razão porque repudiara a escola que frequentara e que baseava toda a aprendizagem numa rígida transmissão de conhecimentos que deviam ser memorizados, numa atitude passiva, pelos alunos. Rousseau contrapunha a isto o desenvolvimento das capacidades dos alunos para que assumissem um pensamento independente e criativo que os levassse a descobrir novos conhecimentos.

Tudo isto pode ser considerado uma modernice e intelectualice, só por ter sido assumido por dois notáveis filósofos há séculos?

Porém, por difícil que seja de entender, ainda hoje continuamos a assistir a um confronto entre estas duas maneiras de conduzir as acções de aprendizagem:

- A dos que acham que o conhecimento se transmite pela memorização e pela repetição;

- A dos que entendem que a aprendizagem deve consistir no desenvolvimento nos alunos, de um pensamento autónomo e criativo, treinado para ser capaz de, por si próprios, adquirirem e gerarem novos conhecimentos.

Porque há diferença entre o aprender a repetir e o ter a capacidade de aprender a aprender para progredir na aquisição de novos conhecimentos.

 

 

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publicado às 11:44



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