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PARA A HISTÓRIA DA VILA DE CAMPO MAIOR (14)

por Francisco Galego, em 10.11.19

Estêvão da Gama de Moura e Azevedo (1672-1741) natural de Campo Maior, onde viveu, e que foi governador da Praça entre 1705 e 1741, numa comunicação feita à Academia de Letras de Lisboa, de que era sócio, refere que nos arredores da Ermida de S. Pedro, à direita da estrada que vai de Campo Maior para Ouguela, se tinham encontrado ruínas de edifícios e de sepulturas de alvenaria que revelavam a presença dos romanos naqueles campos, bem como algumas moedas, sendo uma de ouro, datada do tempo d´El - rei Recesvindo que ocupou o trono entre 649 e 672 da era de Cristo.

         Quando Badajoz foi conquistada aos mouros, pelos Perez de Badajóz, no tempo de Afonso X, o Sábio, de Castela, já ali encontraram um pequeno castelo no qual existiam quatro insignificantes torres e a vila foi dada à igreja de Santa Maria do Castelo de Badajoz, no tempo que teve como bispo D. Frei Pero Perez (1245-1266).

         Segundo a tradição, nas imediações existiam duas aldeias: a de Joannes e a de Luzius que se foram pouco a pouco despovoando.

Sancho IV de Castela deu o temporal de Campo Maior ao bispo de Badajoz D. Gil Colona, que ocupou o cargo episcopal entre 1289 e 1297.

         Em finais do ano de 1296, a milicia do concelho de Elvas apoderou-se do castelo da vila e, no ano de 1297, pelo Tratado de Alcanizes, de 12 de Setembro de 1297, Fernando IV ratificou a posse de Campo Maior aos portugueses: Doy... Olivença  y Campo Maior...con todos sus derechos y con todas sus pertinençias y con todo su señorio e jurisdiccion real ...ao mestre de Aviz que tomou posse de Campo Maior e Ouguela, em 30 de Outubro de 1297.

         Talvez porque o rei não concedeu carta de foral a Campo Maior, como fez, em 4 de Janeiro de 1298,  às outras vilas desta fronteira, só em 5 de Julho de 1301, D. Dinis fez doação de Campo Maior à infanta D. Branca, sua irmã que, mais tarde, renunciou ao senhorio da vila, o qual foi concedido ao bastardo infante D. Afonso Sanches, por sentença de 3 de Janeiro de 1312. Este, seis anos depois, vendeu os direitos sobre a vila à coroa, conjuntamente com a herdade da Contenda , em 28 de Outubro de 1318, tendo vindo tomar posse dela, em nome d’El-rei, o alcaide-mor de Elvas, Vasco Lourenço.

         Integrada nos bens da coroa, D. Diniz fez-lhe reparar o velho castelo, que ficou com duas portas de serventia, uma virada a Norte e outra a Sul e concedeu aos habitantes muitos privilégios e regalias. Contudo, D. Dinis concedeu ao concelho de Arronches, uma parte do território de Campo Maior.

         No espiritual, a vila, tal como Olivença e Ouguela, ficou confiada aos bispos de Badajoz, até à ruptura de 1383.

Contudo, a vila manteve-se fiel ao partido castelhano. Foi combatida em regra pelo mestre de Aviz, redendo-se o arrabalde em 13 de Outubro, capitulando o castelo no último dia de Novembro de 1388. Nesse tempo já um novo recinto fortificado fechava toda a vila. Rendido o castelo, a vila foi governada por Martim Afonso de Mello pouco depois substituido por Rui Gomes da Silva que exerceu o cargo cumulativamento com o de Ouguela.

A vila só foi desligada de todo da diocese castelhana em 1441, pelo papa Eugénio IV.

O rei D. Manuel concedeu novo foral a Campo Maior, datado de 16 de Setembro de 1512.

D. João III mandou fazer, na depois chamada Praça Velha, os antigos paços do concelho para os quais, foi removida, em 1554, a cadeia civil que existia dentro do castelo.

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Segundo Victorino d’Almada, in Jornal “O Elvense” nº 185, de Elvas, 9 de Novembro de 1882

 

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