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OS RESULTADOS ESCOLARES...

por Francisco Galego, em 20.01.16

“Apesar de sublinhar a fortíssima importância da análise do desempenho escolar, sobretudo para as decisões a tomar em cada escola ou agrupamento, a elaboração dos rankings parece servir mais para alimentar uma obsessão com resultados e um equívoco sobre a promoção da excelência e do rigor.”

(José Morgado, in Jornal “Público” de 12/12/2015- “Rankings escolares: nada de novo”)

 

Mais uma vez, os rankings das escolas vieram confirmar aquilo que, desde há muito, está previamente confirmado: Os alunos das escolas privadas obtêm melhores resultados do que os alunos das escolas públicas.

Estranho seria que assim não fosse. Logo à partida, os alunos das escolas privadas usufruem das enormes vantagens que lhes são conferidas pelas condições de vida das famílias a que pertencem: Pais mais conscientes do valor da educação; mais competentes para orientarem e apoiarem essa educação; mais dotados de recursos para prevenirem e remediarem dificuldades, removerem obstáculos e resolverem problemas.

Dirão que há excepções: Crianças de famílias favorecidas e com fraco sucesso escolar; crianças de famílias desfavorecidas com notável sucesso escolar. Claro que há. Mas são excepções, casos raros que escapam à regra. Mas, mesmo nesses casos, o sucesso escolar tende a ser mais vantajoso para os mais favorecidos.

Todos os estudos sérios apontam a escola como um dos mais determinantes factores de reprodução das desigualdades sociais e, já agora, também do nível de desenvolvimento dos próprios países.

Daí  que,  quanto mais os Estados  se preocupam com os equilibrios e com a igualdade de oportunidades, mais investem na oferta de uma escola pública de qualidade. Sendo que a inversa, também é verdadeira. E, mesmo quando essa preocupação predomina, quão difícil é criar condições de compensação que atenuem as diferenças de forma a garantirem algum sucesso àqueles que, por mais carecerem de ser ajudados, mais necessitam de cuidados e de reforços educativos.

Ora, essa compensação fica muito comprometida, ou mesmo impossibilitada, quando a escola pública está pouco dotada de recursos humanos e materiais para compensar as diferenças. Porque, verdade seja dita, nem sempre os educadores escolares estão dotados da necessária vontade, sensibilidade e capacidade para detectarem, analisarem e acudirem a essas diferenças.

Claro que a escola pública tem os alunos mais difíceis. Mas, se na confrontação com a escola privada, dispõe de maior carência de recursos, como esperar que possa obter melhores resultados?

Por isso, cabe ao Estado compensar investindo no ensino público os recursos necessários, garantindo a formação adequada dos seus agentes educativos, avaliando e analisando os seus resultados, criando mecanismos de reforço e de compensação educativa para apoio dos casos mais carentes e mais complicados.

Tudo isto se torna muito importante se entendermos que a escola pública, destituída dos recursos necessários, está condenada ao fraco sucesso ou mesmo à forma mais grave que o insucesso pode revestir: A exclusão escolar que, em geral atinge os que, sendo os mais fracos, são os que mais necessitam da compensação que a escola devia propiciar de forma a garantir a sua inclusão na sociedade, de acordo com as suas capacidades e necessidades pessoais.

Há uma razão que importa considerar quando se trata de analisar os resultados da educação escolar: Os individuos que, por falta de reais oportunidades educativas, são condenados à fatalidade determinada pelas carentes e deficientes condições em que nasceram, na grande maioria dos casos, acabam por se tornarem, encargos muito pesados para a sociedade e para o Estado.

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