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OS RATINHOS - I

por Francisco Galego, em 11.11.14

Tanto no concelho de Elvas, como em muitos outros do Alentejo e até de Espanha, as ceifas nas herdades, são geralmente executadas por milhares de homens e rapazes que, de propósito, vêm das Beiras e que o público conhece pelo nome de ratinhos ou ratos. É uma alcunha pouco lisonjeira, mas os alcunhados não a repelem nem se amofinam por isso. Ratinhos foram seus avós e pais, ratos se consideram eles e, outro tanto, sucederá a seus filhos e netos.

O hábito de virem ceifar às terras alentejanas, é tão antigo e inalterável, está tão arreigado e persistente que deverá subsistir por largos anos, como vantajoso que é para lavradores e serviçais. Ai das colheitas do Alentejo, se lhes faltassem os ceifeiros beirões!...

Essas centenas e centenas de braços, cuja totalidade comporia uma grande legião, dividem-se em grandes agrupamentos ou camaradas de cinquenta a cento e tantos indivíduos, de antemão recrutados pelo respectivo manajeiro.

Cada agrupamento tem o sue manajeiro em chefe que delega parte dos poderes nos encarregados dos cortes, em que a mesma camarada se desdobra ao chegar ao Alentejo e se dividir para as diferentes ceifas que se ajustam. Esse encarregado toma o nome de manajeiro do corte e, como tal, governa sobre a gente que lhe distribuem.

Castanheira de Pera, Águeda, Anadia, Oliveira do Bairro, Arganil, Góis, Lousã, Figueiró dos Vinhos, Pedrogão Grande, Sertã, Proença-a-Nova e outras, são as zonas que fornecem maior contingente de ratinhos.

E – nota curiosa – entre esses homens, não se encontram apenas os que se entregam aos labores do campo nas suas naturalidades, mas também muitos de profissões e hábitos diversos – sapateiros, alfaiates, barbeiros, etc. É que, para todos eles, a ceifas do Alentejo proporcionam-lhes melhores lucros do que os ofícios que exercem nos seus rústicos lugarejos.

 

José da Silva Picão – “ATRAVÉS DOS CAMPOS” –

Usos e costumes agrícolo-alentejanos (Concelho de Elvas), 2ª ed. Lisboa, Neogravura, Lª, 1947

            (Nota: A 1ª Ed. desta obra apareceu ao público no ano de 1903)

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