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O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - VIII

por Francisco Galego, em 27.03.15

 

 

As “Festas” dos anos 30 aos anos 50

 

No ano de 1935, uma nova Comissão Administrativa da Câmara Municipal, tomou posse no dia 6 de Abril e era constituída por Manuel Joaquim Correia, como presidente, dr. Justo Garcia d’Agrela, João Vitorino Muñoz, Mauro das Dores Alves, João Aguiar Mexia Serra e João Martins Leitão. Esta nova administração chegou a ter o projecto de realizar as Festas. Mas, na verdade, elas não se chegaram a efectivar. 

A Europa estava à beira de arrastar o mundo para um novo conflito. Aqui ao lado, estava eminente o primeiro ensaio duma nova Grande Guerra, com a guerra civil em Espanha

Em 1936, verificou-se um acontecimento que teve profundos reflexos em Campo Maior: em Julho, com o levantamento das tropas sedeadas em Marrocos e comandadas pelo General Francisco Franco, contra o governo republicano, começava a Guerra Civil de Espanha que se transformou num ensaio para a 2ª Grande Guerra que se lhe iria seguir. E, mais estranho ainda é que as Festas se vão realizar nos três anos em que a guerra civil esteve mais acesa: 1936; 1937; 1938.

Sobre as Festas nestes anos, as notícias são muito escassas. Os elementos disponíveis são insuficientes para se fazer uma análise minimamente fundamentada. Registe-se apenas a certeza de que as festas se continuavam a realizar apesar de o clima geral no país e no mundo ser tão pouco tranquilizador.

O ano de 1938 começou com todas as polícias, forças militares e militarizadas em estado de alerta pela suspeição de que estivesse a ser organizado um golpe militar contra o Estado Novo. O regime, ao mesmo tempo que toma medidas de prevenção, desencadeia um vasto plano de propaganda. Vão seguir-se várias comemorações de exaltação nacional que culminam com a dupla celebração dos Centenários da Fundação de Portugal em 1140 e da Restauração da Independência em 1940.

Em 1 de Abril de 1939, com a tomada de Madrid pelas tropas nacionalistas de Franco, terminou a Guerra Civil. Começaram as grandes manifestações de apoio a Salazar que acelera a consolidação do seu Estado Corporativo. Estas manifestações, mobilizando grandes massas com gente de todas as regiões do país que se deslocaram a Lisboa para manifestarem o seu público e massivo apoio a Salazar. Estas manifestações instituíram-se como prática habitual, até ao fim do regime.

A 1 de Setembro de 1939, com a invasão relâmpago da Polónia e consequente declaração de guerra da Inglaterra e da França à Alemanha, começa a Segunda Grande Guerra.

 

Brados do Alentejo, Estremoz, 20 de Setembro de 1936

Festas de Setembro

   Decorreram brilhantíssimas, como se esperava, as festas de Setembro e com farta concorrência de forasteiros. As ornamentações das ruas estavam soberbas, bem assim, touradas, fogos de artifício, feira, etc. Houve alguns pequenos percalços, como não podia deixar de ser. A excelente banda humanitária de Palmela que agradou imenso, não quis ir cumprimentar o regente da nossa filarmónica como estava combinado. A Comissão das Festas, por sua vez, não quis fornecer água aos filarmónicos e, como se extraviasse o bilhete premiado da rifa do aparelho de rádio, não se sabe a quem pertence.

 

Brados do Alentejo, Estremoz, 26 de Setembro de 1937

Festas de Setembro

   Conforme se esperava resultaram brilhantíssimas as Festas de Setembro. A parte religiosa foi um primor. As touradas esplêndidas, sobressaindo muito o cavaleiro José Corado, o “Coradinho” e a banda taurina “os formidáveis” . As ornamentações das ruas como ano nenhum. As três noites de fogo esplêndidas e os concertos musicais a mesma coisa. A nova feira magnifica, tendo os feirantes feito bom negócio. Os forasteiros, em diversos meios de transporte, contavam-se aos milhares.

 

O Correio Elvense, Nº 407, 4 de Setembro de 1938

   Nesta formosa e progressiva vila começam hoje e prolongam-se até ao próximo dia 7 as tradicionais Festas do Povo. Que há anos ali se realizam com grande êxito e muita concorrência, espacialmente desta cidade. O programa de tão atraentes festas é o seguinte:

Dia 4 – Às 6 horas, início das festas. Repique dos sinos em todas as freguesias e uma salva de 21 morteiros; às 12 horas, solene festividade religiosa na igreja de S. João Baptista, na qual tomará parte uma especial orquestra sob regência do maestro Lino Fernandes; às 15 horas, abertura da exposição de quadros e outros trabalhos do pintor Francisco Xara; às 18 horas procissão coma imagem do padroeiro S. João Baptista, a qual percorrerá as principais ruas da vila; às 21 horas, arraial na Praça da República, abrilhantado pela Banda da Academia dos Amadores de Música Campomaiorense, fazendo a sua apresentação de cantadeiras Rancho do Sor.

Dia 5 – Às 8 horas alvorada pela Banda da Academia dos Amadores de Música Campomaiorense; às 15 horas início da venda da flor por um grupo de gentis senhoras desta localidade; às 17 horas, grandiosa corrida de touros à vara larga, uma das mais características diversões do Alentejo, abrilhantada pela Banda da Academia; às 21 horas, apresentação na Avenida Dr. Agrela do rancho infantil, o qual apresentará várias danças e cânticos do seu vasto reportório; às 22 horas, continuação do festival nocturno, fogo preso e do ar, bailes e descantes populares.

Dia 6 – Às 16 horas gincana de burros e corrida de sacos, na Praça da República; às 18 horas, corrida de touros à vara larga abrilhantada pela Banda da Academia; às 22 horas, continuação do festival com fogo preso e do ar; às 0 horas, largada de um balão.

Dia 7 – Às 8 horas, alvorada pela banda, às 17 horas, última corrida de touros; às 22 horas, leilão de prendas não sorteadas na tômbola, concerto pela banda, bailes e descantes populares, fogo de artifício, preso e do ar.

 

 

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