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O CERCO DE CAMPO MAIOR DE 1811

por Francisco Galego, em 14.03.18

Em 1810, o engenheiro militar Talaya, foi enviado para Campo Maior por William Beresford que organizara e comandava o exército portiguês, com o encargo de proceder à reparação das fortificações, fazendo executar os projectos elaborados pelo engenheiro militar Matias José Dias Azedo, seu antecessor, bem como outras obras que entendesse necessárias para colocar a praça em melhores condições de resistir  qualquer ataque ou cerco, pois a Europa estava então no período das guerras desencadeadas pelos exércitos de Napoléão Bonaparte .

Por essa altura, tendo falecido o governador da praça, o sargento-mor Talaya que era engenheiro militar encarregado de restaurar as fortificações, teve de assumir o cargo de governador, à semelhança do que ocorrera com Dias Azedo, em 1801.

 

No início de 1811, começou a 3ª invasão francesa comandada por Massena.

Em 11 de Março de 1811, tropas francesas comandadas por Soult, tomaram Badajoz. Este deu indicações a Mortier para que tomasse Campo Maior.

 

A praça além de uma guarnição muito escassa e com fraca preparação militar, estava muito mal provida de munições, pois tinha sido despojada pelas tropas francesas e espanholas que a ocuparam, após a sua rendição no cerco de 1801.

 

Efectivamente, a acção do Major Talaya como comandante durante o Cerco de Campo Maior de 1811, iria ser sobretudo muito notável, tendo em conta as dificílimas condições em que teve de actuar, devido à excassez de recursos. A Praça estava muito mal guarnecida de tropas, de munições, de equipamentos militares e de mantimentos, pois apenas dispunha de:

            - 45 artilheiros, com um equipamento constituido por: 

           - 30 peças deartilharia; 2 obuses, morteiros, pequenas quantidades de

              balas e de pólvora;

            - 230 homens de um regimento de milícias de Portalegre; 

            - 300 ordenanças da vila, mas só havia armas para 100.

 

O escritor e historiador João Dubraz, que nasceu em Campo Maior em 1818, ainda conheceu muitos dos que tinham testemunhado directamente os acontecimemtos ocorridos durante o Cerco de 1811. Na sua obra publicada em 1869, descreveu assim as condições da rendição que reflectem os resultados da acção do Major Talaya, como governador da Praça de Guerra de Campo Maior, numa situação de extrema dificuldade. Elas justificam a maneira como, o Major Talaya, ainda é celebrado como figura maior da História de Campo Maior:

 

Insistir por mais tempo na defesa era temeridade. Tinham escasseado as munições; algumas peças de artilharia estavam apeadas; um dia mais de resistência teria feito cair a praça por si mesma, isto ainda supondo que não fosse entrada. Mas tinha sido preciso ocultar a fraqueza e nunca se mostrou.

 

(...) Eis o texto oficial da capitulação, tão honrosa quanto o apuro das circunstâncias o permitia.

“O Sr. general de divisão, barão de Girard, comandante do exército do cerco em frente de Campo Maior, sob as ordens do marechal duque de Treviso, (general Mortier) de uma parte e o sr. José Joaquim Talaya, governador da praça, da outra parte, convieram nos artigos seguintes:

1º - A Praça de Campo Maior será entregue às tropas de sua majestade o imperador e rei, amanhã, dia 22 de Março, pelas duas horas da tarde se, durante este tempo, a praça não for socorrida. A guarnição ficará prisioneira de guerra e desfilará pela brecha, depondo as armas sobre a esplanada. Os Srs. oficiais sairão com as suas espadas e equipagens e os soldados com as suas mochilas.

2º - Os oficiais e soldados de milícias e ordenanças poderão retirar-se para suas casas, depois de terem jurado não servir contra os exércitos de sua majestade o imperador e rei e seus aliados.

3º - Os portugueses e espanhóis feridos serão tratados com consideração e, quando estejam restabelecidos, serão sujeitos aos artigos da capitulação.

4º - Os habitantes serão respeitados nas suas pessoas e propriedades e não poderão ser inquietados pelo que fizeram antes de se render a praça.

O S.r governador fica autorizado a voltar para sua casa em contemplação à sua avançada idade e moléstias, depois de dar a sua palavra de honra de não tomar armas contra o exército de sua majestade o imperador e rei e seus aliados.

(Seguem-se as assinaturas do general e do governador).

 

A guarnição desfilou pela brecha, em conformidade com o artigo 1º da capitulação. Mas, a pequena força que saiu dos muros fez crer a Girard que a maior parte ficara dentro e, nessa persuasão, disse para Talaya:

 

            - “Senhor governador, mande sair o resto da guarnição”.

            - “Está aí toda, senhor barão, respondeu aquele”.

 

Girard enfiou e houve-se por afrontado. Os seus oficiais, esses tiraram melhor partido do caso: Riram-se da pilhéria, fazendo diversão com o garbo negativo dos milicianos.

 

No dia 25 os franceses evacuaram precipitadamente a praça porque, tendo passado ao Alentejo o exército anglo-lusitano às ordens de Beresford e entrado a 20 em Portalegre, a 25 estaria o marechal na herdade do Reguengo, dez quilómetros distante da vila.

 

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