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O ASSENTO MILITAR DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 21.10.16

O "Assento das Provisões de Boca", de Campo Maior, é um grande edifício militar que tinha como função principal o armazenamento de víveres e de outros produtos destinados a garantir o abastecimento da guarnição da antiga praça militar, permitindo-lhe resistir durante um período alargado de tempo, em caso de cerco.

Segundo dados recolhidos no Arquivo Histórico Militar, o Assento das provisões militares é um dos edifícios mais notáveis desta Vila e, no seu género, talvez o melhor da Província do Além-Tejo, porque as oficinas do Assento, as melhores de toda a Província, se haviam construído debaixo das dimensões adoptadas nos edifícios próprios das Praças de Guerra e foi obra do Tenente Coronel Engenheiro Tomás de Vila Nova e Sequeira.

Em 1801, na eminência da chamada Guerra das Laranjas (20 de Maio a 6 de Junho de 1801) procedeu-se à “reorganização do assento das provisões de boca, mandaram-se aprontar as atafonas[1] para suprir a falta dos moinhos para o caso de o inimigo infestar a campanha. D. José Carvajal, prestou-se a esta importante obra fornecendo as madeiras necessárias.”

Estas atafonas consistiam numa extensa e bem apetrechada área destinada ao fabrico do pão, que contava com a atafona propriamente dita, destinada a transformar os cereais em farinha e uma padaria com área de amassadura e fornos. Outras áreas do assento consistiam em armazéns dos recursos alimentares ou de outros materiais destinados à subsistência da população da vila e da sua guarnição militar em épocas de conflitos, tanto nos casos de cerco da vila, como na manutenção dos exércitos luso-britânicos quando, na Guerra Peninsular, desenvolviam acções nesta região, como aconteceu, por exemplo, no último dos quatro cercos de Badajoz que durou de 6 de Março a 7 de Abril de 1812 e culminou com a conquista da cidade pelo Duque de Wellington, sempre apoiado pelos recursos do assento militar de Campo Maior.

 

SUGESTÕES PARA UM PROJECTO DE REQUALIFICAÇÃO

 

Um projecto para a requalificação deste valioso elemento do património deste concelho deverá visar a consecução de alguns dos compromissos assumidos, explicita ou implicitamente, no programa eleitoral pela equipa que agora assume a gestão do município, designadamente:

1 -    A inclusão de Campo Maior nas rotas turísticas da região em que se insere;

2 -   A promoção e realização de iniciativas no centro histórico combatendo a desertificação do mesmo;

4 -   A criação de um museu centrado no tema Festas do Povo, manifestação maior da cultura campomaiorense.

5 -   A promoção da imagem de Campo Maior em Portugal e no estrangeiro;

6 -   A promoção e dinamização dos museus de Campo Maior;

7 -   A promoção de concursos e de exposições de índole cultural;

8 -   A realização de programas temáticos sobre questões de interesse patrimonial e (ou) cultural;

9 -   A criação do arquivo histórico do concelho de Campo Maior e a disponibilização da sua consulta, em colaboração com a Biblioteca Municipal João Dubraz;

10 -  A organização de cursos sobre a História e o Património locais;

11 -  A organização de sessões de divulgação de aspectos da cultura local;

12 -  A criação e manutenção de um Centro Interpretativo da História de Campo Maior.

 

Para a consecução destas intenções, o antigo Assento Militar apresenta, como grande vantagem, a sua localização num ponto de grande centralidade e de fácil acessibilidade, a acrescentar ao seu indiscutível valor patrimonial.

Um projecto de requalificação deve ser estruturado segundo vectores essenciais, designadamente:

 

  • QUANTO À FINALIDADE

 

 Valorizar aquele que é um dos mais antigos e o melhor conservado, dos elementos do património construído da vila de Campo Maior. No entender de alguns especialistas em arquitectura militar, tratar-se-á de um dos melhores edifícios do género que existe no nosso país.

Apesar das alterações que sofreu ao longo do tempo, é um importante testemunho da função que Campo Maior desempenhou, como uma das mais importantes praças de guerra de guerra que assegurava a defesa da fronteira terrestre, até meados do século XIX. Nessa função se distinguiu e nobilitou em diversas ocasiões críticas para a independência de Portugal.

 

  • QUANTO AOS OBJECTIVOS

 

Os objectivos a definir devem ser estruturados a vários níveis e segundo diversas orientações. Nomeadamente:

 

1 – O nível histórico, o nível cultural, o nível educacional;

2 – A preservação da memória e da compreensão da evolução da

 cultura campomaiorense;

3 – A sistematização e preservação das tradições culturais;

4 – A transmissão do conhecimento à comunidade campomaiorense

e aos que visitam a vila de Campo Maior.

 

  • ÁREAS A PRIVILEGIAR

 

1 – Núcleos museológicos, com destaque para as Festas do Povo;

2 – Eventos culturais como: Mostras, visitas guiadas, exposições;

3 – Centro Interpretativo da História de Campo Maior.

 

 

Esse projecto deverá ser elaborado, estruturado e explicitado de forma adequada para que dele possam derivar projectos parciais e programas de execução viáveis, de acordo com os objectivos traçados e atendendo aos recursos humanos, financeiros e materiais disponíveis para a sua execução.

 

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[1] Processo de moagem dos cereais utilizando a força de animais de tracção para accionar as mós.

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