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PARA A HISTÓRIA DA VILA DE CAMPO MAIOR (0)

por Francisco Galego, em 04.09.19

Estêvão da Gama de Moura e Azevedo (1672-1741), natural de Campo Maior, onde viveu, foi governador da Praça entre 1705 e 1741. Numa comunicação feita à Academia de Historia de Lisboa, de que era sócio, refere que, nos arredores da Ermida de S. Pedro, à direita da estrada que vai de Campo Maior para Ouguela, se tinham encontrado ruínas de edifícios e de sepulturas de alvenaria que revelavam a presença dos romanos naqueles campos, bem como algumas moedas, sendo uma de ouro, datada do tempo d´El - rei Recesvindo que ocupou o trono entre 649 e 672 da era de Cristo.

         Quando Badajoz foi conquistada aos mouros, pelos Perez de Badajóz, no tempo de Afonso X, o Sábio, de Castela, já ali encontraram um pequeno castelo no qual existiam quatro insignificantes torres e a vila foi dada à igreja de Santa Maria do Castelo de Badajoz, no tempo que teve como bispo D. Frei Pero Perez (1245-1266).

         Segundo a tradição, nas imediações existiam duas aldeias: a de Joannes e a de Luzius que se foram pouco a pouco despovoando.

Sancho IV de Castela deu o temporal de Campo Maior ao bispo de Badajoz, D. Gil Colona, que ocupou o cargo episcopal entre 1289 e 1297.

         Em finais do ano de 1296, a milicia do concelho de Elvas apoderou-se do castelo da vila e, no ano de 1297, pelo Tratado de Alcanizes, de 12 de Setembro de 1297, Fernando IV ratificou a posse de Campo Maior aos portugueses: Doy... Olivenza  y Campo Maior...con todos sus derechos y con todas sus pertinençias y con todo su señorio e jurisdiccion real ...ao mestre de Aviz que tomou posse de Campo Maior e Ouguela, em 30 de Outubro de 1297.

         Talvez porque o rei não concedeu carta de foral a Campo Maior, como fez, em 4 de Janeiro de 1298,  às outras vilas desta fronteira, só em 5 de Julho de 1301, D. Dinis fez doação de Campo Maior à infanta D. Branca, sua irmã que, mais tarde, renunciou ao senhorio da vila, o qual foi concedido ao bastardo infante D. Afonso Sanches, por sentença de 3 de Janeiro de 1312. Este, seis anos depois, vendeu os direitos sobre a vila à coroa, conjuntamente com a herdade da Contenda , em 28 de Outubro de 1318, tendo vindo tomar posse dela, em nome d’El-rei, o alcaide-mor de Elvas, Vasco Lourenço.

         Integrada nos bens da coroa, D. Diniz fez-lhe reparar o velho castelo, que ficou com duas portas de serventia, uma virada a Norte e outra a Sul e concedeu aos habitantes muitos privilégios e regalias. Contudo, D. Dinis concedeu ao concelho de Arronches, uma parte do território de Campo Maior.

         No espiritual, a vila, tal como Olivença e Ouguela, ficou confiada aos bispos de Badajoz, até à ruptura de 1383.

Contudo, a vila manteve-se fiel ao partido castelhano. Combatida em regra pelo mestre de Aviz, redendeu-se o arrabalde em 13 de Outubro, capitulando o castelo no último dia de Novembro de 1388. Nesse tempo já um novo recinto fortificado fechava toda a vila. Rendido o castelo, a vila foi governada por Martim Afonso de Mello pouco depois substituido por Rui Gomes da Silva que exerceu o cargo cumulativamento com o de Ouguela.

A vila só foi desligada de todo da diocese castelhana em 1441, pelo papa Eugénio IV.

O rei D. Manuel concedeu novo foral a Campo Maior, datado de 16 de Setembro de 1512.

João III mandou fazer, na depois chamada Praça Velha, os antigos paços do concelho para os quais, foi removida, em 1554, a cadeia civil que existia dentro do castelo.

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Segundo Victorino d’Almada, in Jornal “O Elvense” nº 185, de Elvas, 9 de Novembro de 1882, pág.s 1 e 2. 

 

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