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NOTAS SOBRE O PELOURINHO DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 11.04.16

 

Segundo Estêvão da Gama de Moura e Azevedo (Séc. XVIII)

 

O edifício camarário da época de Quinhentos, erguido na actualmente designada Praça Velha, estava encostado aos muros exteriores do Castelo. Um documento da época descreve que tinha de vão no pavimento cinco varas de largo (cerca de 25 metros), uma escada de dois lanços e duas salas, uma das audiências e outra das vereações, com quatro janelas rasgadas, uma em sacada e por baixo outras duas casas. Junto ao muro achava-se um vão em quadrado, onde antigamente tinha existido a desaparecida ermida chamada do Espírito Santo.

A antiga Praça, com os Paços do Concelho no seu lado sul, em frente dos quais não faltaria o tradicional pelourinho, o açougue e o touril, no lado norte, a cadeia a nascente, rodeada de palanques e alpendres sob os quais se instalavam as tendas onde se transaccionavam as mercadorias necessárias à subsistência quotidiana dos campomaiorenses. Esta praça constituiu, desde meados do século XVI às primeiras décadas do século XVIII, o centro político, administrativo, comercial e cívico do concelho de Campo Maior. Segundo a placa que foi trasladada para o arco de acesso à Praça Nova, o edifício da câmara só estaria concluído em 1618, reinando então em Portugal, Filipe III de Espanha.

 

Testemunho de um visitante em 1876
(Autor provável: João Dubraz)

 

Arrumado a um dos ângulos, junto ao edifício da câmara, está o pelourinho, construção do século passado. Assente sobre quatro degraus, todo de cantaria e que serve de pedestal a uma estátua da justiça. Tem como característica interessante o facto de estar de olhos desvendados e falta-lhe o braço direito, de que pendia a balança, por lho terem mutilado a pedradas.

 

Segundo Martinho Botelho (1996)

 

O pelourinho de Campo Maior era um dos mais notáveis que existiam no país. Foi mandado apear em 1879, pela Câmara Municipal, quando se procedeu no local onde se erguia – a chamada Praça de D. Luís – a obras de reparação e embelezamento: Em 1880, fundou-se o Museu Arqueológico de Elvas e o pelourinho foi requisitado e ali deu entrada em Junho de 1903, reduzido à coluna medindo 2,17 m,  a um capitel, à esfera e à figura da Justiça com o braço direito mutilado.

Por deliberação da Câmara Municipal de Elvas e a pedido da de Campo Maior, o pelourinho voltou para aquela vila, onde vai ser solenemente inaugurado durante o corrente mês, no mesmo local que então ocupou, isto é, na antiga Praça D. Luís, hoje Praça da República.

(“Vai ser inaugurado o pelourinho da vila de Campo Maior. Foi colocado no centro da Praça, hoje chamada Praça da República). In jornal O Século, 1ª pág, 22 de Março de 1941). Portanto, o pelourinho encontra-se no seu local actual, há 75 anos.

O pelourinho é formado por uma elegante coluna de mármore sobrepujada por uma esfera e, sobre esta, a figura da Justiça. Dão-lhe acesso quarto degraus, também de mármore. É um curioso trabalho arquitectónico do século XVIII.

(Na almofada em que assenta a estátua da Justiça, no seu lado virado a nascente, tem inscrita a data de 1740)”.

 

 

 

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