Sábado, 28 de Julho de 2018

Rui Silveira veio ao meu encontro para me comunicar que iria apresentar no CCCM, um esboço  do seu projecto de realização de um filme tendo enfoco centrado nas "Festas do Povo de Campo Maior". Sugeriu mesmo que eu fizesse uma intervenção que suscitasse a intervençao dos que assistissem a essa sessão que ocorreu ontem, dia 27 de Julho, a partir das 21h e 30m.

Pensando nos que teriam gostado de assitir e que o não puderam fazer, transcrevo a seguir o texto que por mim foi lido, no final dessa apresentação:

AS “FESTAS DO POVO DE CAMPO MAIOR”

As manifestações culturais nascem numa sociedade e reflectem as fases e a evolução dessa mesma sociedade.

Há manifestações culturais de carácter “mais erudito”.

Há manifestações culturais de carácter “mais popular”.

As “Festas do Povo de Campo Maior” são a manifestação de cultura popular mais notável produzida pela comunidade campomaiorense. Nasceram ligadas à celebração de um “mito” religioso local, próprio da sociedade essencialmente rural e agrícola que, - até meados do séc. XX -, era a sociedade campomaiorense. Mas, a motivação religiosa foi dando lugar à manifestação festiva de expressões artísticas que englobavam a intervenção e a participação de quase toda a população.

As “Festas do Povo de Campo Maior” começaram por ter um carácter meramente local. Mas, foram ganhando fama a nível regional, depois nacional, até atingirem fama, mesmo além-fronteiras.

Em finais do séc. XIX, com o crescimento duma nova estrutura social, a dos artistas, ligados às novas profissões artesanais, foram assumindo uma capacidade de invençâo e de criatividade que as tornaram tão excepcionáis que lhes valeram o nome de Festas dos Artistas.

Depois, já no séc. XX, porque envolviam toda a população, levaram a que, em cada rua, se formasse uma comunidade da vizinhança que nela habitava.  Tomaram então a designação de Festas do Povo.

E agora, que as comunidades dos vizinhos são já tão escassas que praticamente não dão para traçarem e realizarem novos projectos, ...

... em que irão tornar-se estas festas?

Esta é a questão fundamental que importa entender. Estamos a lidar com uma manifestação de cultura popular que, realizada numa vila cuja população tem oscilado entre 7 e 10 mil habitantes, chegou a atrair cerca de 1 milhão de visitantes.          

Mas, a sociedade actual nesta vila, está a atravessar um período de rápidas e acentuadas mudanças que poderão pôr em risco a própria existência desta manifestação cultural.

Daí o aparecimento de testemunhos como os que estão registado neste filme, alguns dos quais eu já tinha abordado no livro que publiquei em Julho de 2004, chamando a atenção para alguns problemas e procurando preservar a memória desta grande e notável realização de cultura popular da comunidade campomaiorense. 

Termino esta breve intervenção na qual - não por alarmismo, mas como advertência - chamo a atenção para que:

As “FESTAS DO POVO”, bem como outra manifestação da cultura popular campomaiorense que frequentemente lhe está associada – o “CANTAR E BAILAR AS SAIAS” –, se confrontam com grandes mudanças socio-culturais que poderão colocar em questão a sua sobrevivência. A menos que sejamos capazes de encontrar soluções mais adequadas às circuntâncias da sociedade em que actualmente vivemos.

Deixo-vos com esta interrogação:

            Como devemos proceder para garantirmos a preservação e a continuação desta importante manifestação de cultura popular, que são as “Festas do Povo de Campo Maior”?

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:49
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Julho 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27

29
30
31


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
blogs SAPO