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EM DEFESA DA DEMOCRACIA...(1)

por Francisco Galego, em 30.01.19

A primeira tentativa de criação de uma sociedade apelidada de democrática, nasceu na Grécia Antiga, com particular relevo para a cidade-estado de Atenas. Uma palavra formada de dois conceitos: demos (povo) + kratos (estado ou poder de governar). Logo, trata-se de um modelo de Estado em que o governo é exercido em nome e em benefício do povo.

A Democracia não deve consistir numa mera opção que se manifesta pelo voto. A Democracia, na sua essência, tem de ser um grau de civilização que só pode ser alcançado quando as comunidades a que chamamos Estados, atingem certo grau no domínio dos conhecimentos, certa consciência da responsabilidade social de cada um de nós, considerável grau no que respeita ao desenvolvimento cultural, congregando-se tudo isto de modo a que os individuos que integram essas comunidades assumam a clara consciência do que deve significar a sua condição de cidadãos.

Mário Soares, num brilhante artigo publicado no “Diário de Notícias”, em 23 de Setembro de 2008, chamava a atenção para o momento crítico que intitulava como de “Crise Sistémica”, com a propriedade e clareza de ideias que lhe conferia a sapiência que lhe advinha da longa e profícua experiência da vida, dos homens e da sociedade, adquirida ao longo de uma vida de sério compromisso com as questões políticas.

De outro quadrante do espectro político, Maria José Nogueira Pinto, no artigo “País Experimental”, “Diário de Notícias” de 25 de Setembro do mesmo ano, abordava também a questão desta conjuntura de crise que atravessamos:

Experimentámos todos os estilos e graus de demagogia no exercício da política e o esvaziamento da representatividade e da participação; experimentámos uma cultura aparelhística, que gerou a subversão do interesse público e a indiferença crescente dos cidadãos…”

“É este país que vai, em breve, a votos. Já se ouve a voz dos faltosos pagadores de promessas, disfarçados em vendedores de sonhos, a apregoarem a mudança.”

Bem… tudo isto é pressentido com esta gravidade ao nível do país. Mas, ressoa com muito maior clamor quando passamos para o nível dos maus agentes políticos que agravam as consequências da sua acção, com os efeitos directos que provocam sobre as populações.

A este nível, a impreparação e as fragilidades culturais destes políticos, geram um modo de agir que podemos apropriadamente designar por populismo anti-elitista porque, para melhor chegarem ao apoio das camadas menos preparadas da população, se arvoram em paladinos defensores dos pobres e declarados inimigos das elites, enquanto tudo fazem para garantirem, para si e para os que os rodeiam, todos os benefícios dessas elites que tanto apregoam repudiar e combater.

Que fazer perante a trágica situação de termos uma população impreparada e facilmente manipulável por  inescrupulosos oportunistas?

Persistir na denúncia constante destas situações, lutar pelo aprofundamento de uma cultura democrática e de uma maior participação cívica dos cidadãos, prosseguir no esforço de dar um novo alento à sociedade, fazendo emergir novos líderes capazes de elaborar e pôr em execução projectos que garantam novas soluções políticas que melhorem as condições de vida das populações.

Temos de voltar aos valores éticos que tornem de novo a política uma missão e uma ciência ao serviço da sociedade e não a habilidade astuta dos que só pensam em beneficiarem-se, mediante negociatas escusas, tráficos de influências e práticas de corrupção. Os homens e as mulheres da verdade e da boa vontade, devem juntar esforços para se oporem a estas situações abusivas que estão a tornar cada vez mais insuportável a nossa forma de viver.

Necessitamos de políticas direccionadas para o desenvolvimento económico, para a garantia da segurança e da estabilidade social, através de maiores e melhores oportunidades de instrução e de educação para as novas gerações, pois nelas assenta a possibilidade de sustentação das gerações mais idosas que deixam de estar em condições de participarem na produção, para que possam viver de reformas que lhes propiciem uma digna qualidade de vida na sua velhice. Só com políticos sérios, honestos e competentes, homens e mulheres de sólido carácter e de esclarecida consciência, poderemos ter soluções adequadas para os problemas que hoje se nos deparam.

E, tudo isto devia constituir a base do nosso futuro.

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publicado às 11:06


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