Segunda-feira, 05 de Fevereiro de 2018

Ao longo da História da Cidade de Elvas e  da Vila de Campo Maior, grandes nomes se destacaram na reconstrução da memória dos seus antepassados. Mas dois são fundamentais e determinantes quando se fala de História Local nestas duas comunidades: referimo-nos a Vitorino de Almada e a João Dubraz. Para além do seu interesse pela História, estes dois grandes vultos possuíam também, uma verdadeira paixão pelo jornalismo.

O primeiro, de uma geração sequente à do segundo, era natural de Elvas, onde nasceu em 21-10-1845 e foi, sem dúvida, um dos mais importante historiadores desta cidade. O segundo, nascido em Campo Maior, em 21-01-1818, destacou-se não só como um dos mais importantes colaboradores na imprensa periódica de Elvas, mas também como cronista do seu tempo, como agente político e como historiador da sua terra.

Todavia, as formas de participação que ambos tiveram na imprensa  local, foram marcadas pelas suas formações, pelos tempos em que viveram, e pelas suas actividades profissionais. Vitorino de Almada, tendo vivido num tempo de certo apaziguamneto e sendo capitão do exército e oriundo de uma família ligada à carreira das armas, evitava tomar partido nos combates políticos  que, na segunda metade do século XIX, se  verificavam entre as facções rivais. João Dubraz, de uma geração anterior, na primeira parte da sua vida assumiu-se, como um empenhado activista político. Esteve preso em Elvas, em 1847, durante cinco meses, devido à sua participação num acto revolucionário ocorrido na conjuntura  da “Maria da Fonte” e da “Patuleia”. Era então, um defensor empenhado de um liberalismo radical e manteve-se sempre um fervoroso partidário do regime repúblicano.

Mas, em ambos, das suas obras devem sobretudo destacar-se  as que resultaram do seu empenho na descoberta e na preservação, da memória  histórica das comunidades em que estavam inseridos.          

No caso de J. Dubraz, destaca-se a obra «Recordações dos Últimos Quarenta Anos” de que, coisa rara naquele tempo, se publicaram duas edições: uma primeira em 1868, que se esgotou rapidamente, logo seguida de uma  segunda edição, em 1869. Trata-se, sem dúvida, duma importante memória descritiva da vila de Campo Maior, desde as suas origens até final do séc. XIX, com particular destaque para  a conjuntura das guerras peninsulares e para os factos e acções durante o período de implatação do Liberalismo na vila de Campo Maior. Como jornalista, deixou ampla e diversicada coloboração em quase todos os jornais que, no seu tempo, se publicaram em Elvas e em alguns dos que se publicavam em Lisboa.

No que respeita à sua actividade como colaborador nos jornais, o mesmo caminho seguiu Vitorino de Almada. Uma parte considerável da sua obra foi também publicada em artigos em jornais como o Elvense, o Gil Fernandes e o Correio Elvense, de que foi  redactor principal. Mas não pode deixar de se referir a obra que publicou de 1888 a 1895 - "Elementos para um dicionário de geografia e história portuguesa" - pois  trata dos factos mais notáveis, relativos ao concelho de Elvas e aos extintos concelhos de Barbacena, Vila Boim e Vila Fernando. Merecem também particular destaque:  "O manuscrito de Afonso da Gama Palha", sobre um facto militar durante a Guerra da Sucessão em Espanha, (Elvas, 1876); o estudo biográfico "Francisco de Pala Santa Clara", (Elvas, 1888);  "Os quartéis- mestres", (Elvas,1890).

Eis, de forma abreviada, apenas algumas notas sobre dois vultos com obras de referência na historiografia portuguesa, no que respeita à História Local: Uma referida à cidade de Elvas e outra, uma memória sobre a vila de Campo Maior, ambas localizadas na zona raiana do Alto Alentejo.

(Primeira versão escrita em 11 de Setembro de 2016)

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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