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DO POPULISMO...

por Francisco Galego, em 23.10.18

Neste nosso tempo, vemos-nos frequentemente confrontados com atitudes, acções e manifestações de casos que incluimos no conceito de populismo. Este conceito que, nas suas origens, apontava para uma avaliação positiva das atitudes que como tal eram referidas, são agora cada vez mais frequentes e têm uma avalição cada vez mais pesada e negativa. Em contrapartida, quanto mais negativa, mais atrai a colaboração e o apoio de um maior número de gente.

São os casos que implicam a exposição e humilhação de acusados, mesmo quando não existe ainda prova confirmada de que existe culpa. São as reacções dos que, armados em justiceiros, inventam, proclamam de longe publicando acusações e comentários, por via directa, ou através de meios de comunicação social, levando-nos a pensar que, ainda que os meios tenham mudado muito, são homens muito iguais aos que encheram os circos romanos para verem os cristãos serem acusados e lançados às feras, ou os que acorriam às praças públicas para assistir à exposição e à morte na fogueira, dos acusados de crimes vários pela Santa Inquisição.

Onde é que, nestes casos de insano populismo, está a racionalidade que o deve distinguir os homanos dos outros animais? Como conciliar essas atitudes com a frequente proclamação de que os homens devem agir de modo virtuoso?

O homem virtuoso deve pensar antes de agir. E agir bem, segundo regras que garantam a justiça e o bem comum da sociedade. Devem ser virtuosos e corajosos dominando os seus impulsos, sem se deixarem dominar pelos seus desejos e censuráveis tendências.

O homem virtuoso deve, por condição, ser um animal social e a vida em sociedade deve ser organizada e mantida segundo as regras constituídas pelo direito, ou seja, pelo sistema normativo que garante o bom funcionamento da sociedade. O direito existe para que a justiça prevaleça.

Atendendo a tudo isto, como explicar o populismo que por aí medra?

Medra porque é o reflexo da cobardia e da ausência de moralidade que revelam os que apoiam certo tipo de manifestações, porque os vilões só mostram coragem quando têm o pau na mão. E porque, tal como as hienas, só mostram ousadia e coragem quando têm a certeza de serem em maior número e mais fortes do que as suas vítimas.

 

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