Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018

 

Segundo palavras textuais do Dr. Ayres Varella no “Teatro de Antiguidades de Elvas”,  escrito pelos anos de 1644 a 1655:

O castelo de Campo Maior é obra muito antiga e muito forte tanto por razão do sítio como pelas torres e muralhas. Foi fabricado pelos mouros e reparado por El-rei D. Dinis que levantou a maior torre que nele há e, por essa razão, quiseram alguns atribuir-lhe a honra de edificador.

Os romanos lhe deram o nome com muita propriedade porque daquele sítio se descobre o maior campo que há por aquele distrito.

(p. 29)

(É muito incerta a fundação do castelo pelos "mouros", porque não há provas documentais seguras que a sustentem)

            

            Diz o mesmo autor que junto do castelo havia duas aldeias da jurisdição de Badajoz e que a mais populosa se chamava Joannes, ou por ser Bartholomeu Joannes a principal pessoa da aldeia, ou porque a água que para ela vinha era do Campo de Valada que pertencia ao mesmo Bartholomeu Joannes. E a outra aldeia se chamava dos Luzios, que seria perto do castelo, mas da qual não há qualquer notícia.

            Segundo Ayres Varella, o sítio da aldeia de Bartholomeu Joannes seria a um quarto de légua do castelo, para os lados de Arronches, junto da herdade chamada de Valada, num local onde,  no século XVII, ainda existia uma fonte com esse nome, um arco de alvenaria e ruínas de casas.

             Apesar de não existirem documentos que o afirmem explicitamente, muitos indícios apontam para que o castelo de Campo Maior tenha sido construido no reinado de D. Dinis, para protecção da fronteira definida pelo Tratado de Alcanises, em 1297. Claro que o castelo atraía a população espalhada pelos campos, servindo de abrigo e  garantindo a sua defesa em situações de guerra.

              Há também grande probabilidade de a denominação de "Campo Maior"  (em latim, campus major) poder ter sido atribuida pelos romanos, pois eles assim designavam os campos abertos, planos, favoráveis à implantação de culturas como os cerais, os olivais e as vinhas, logo, bons para a fixação de agregados populacionais.

               A força militar dos seus exércitos , garantia de tal modo a Pax Romana, que as populações se podiam dispersar pelos campos em unidades de residência e de produçáo chamadas Villae as quais, segundo alguns autores, terão dado origem às unidades hoje designadas como herdades e montes.  Porém, com a desagregação do Império Romano,  novas invasões geraram a insegurança que levou à construção de zonas fortificadas e defendidas por castelos, ao abrigo das quais se podiam garantir condições de defesa das populações, agregadas em aldeias, vilas e cidades.        

           

 

 

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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