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COISAS DE OUTROS TEMPOS....

por Francisco Galego, em 21.11.14

“O transtagano”, nº 127, Elvas 5ª-feira, 18/7/1861

“Na sessão da câmara de 9 de Julho, o Sr. José Estêvão de Magalhães[1] disse: …Imensos territórios estão sem cultura sem aproveitamento; uns desperdiçados em pastos comuns, cujos interesses é preciso regularizar, outros entregues às câmaras municipais para logradouros em que ninguém logra, outros ocupados com certo direito consuetudinário pelas primeiras pessoas que lhe lançaram a enxada e que não dão pelo uso desses terrenos nenhuma retribuição aos corpos a que pertencem.

Veja-se os casos da Defesa de S. Pedro e dos coitos do concelho de Campo Maior:

“Quem vir a apreciável quinta de S. Pedro a N.E. daquela vila, a majestosa quinta da rainha[2] e muitas hortas que circundam aquela povoação, quem vir as magníficas vinhas, com suas árvores frutíferas que em distância de três quilómetros se ostentam luxuriantes, os olivais que, à mesma distância, desenvolvem nos seus ramos os frutos oleosos impregnados de elementos nutritivos, que vir tudo isto e o comparar com os terrenos que, para lá destes, circundam Campo Maior, áridos – depois de colhidos os trigos, cevadas e alguns legumes como o grão-de-bico e os chícharos – quase despidos de vegetação, apenas percorridos por rebanhos de ovelhas que mal se matêm com os pastos espontaneamente oferecidos pela fecundidade do solo ou pelos resíduos frumentícios e leguminosos que ficam após as colheitas, dirá: Como está tão aprazível a quinta cercada por tão grande porção de terreno inaproveitado, tendo a mesma composição geológica e subsolo da mesma natureza! Porque não se povoa de vinha e olival o que é menos apto para os cereais? Porque não se formam hortas nesta outra porção de terreno tão abundante em água? Porque está tudo em tão lamentável abandono?

Uma das causas – talvez a mais poderosa – consiste em que o proprietário do terreno o tem só, e absolutamente só, para nele não empreender senão uma espécie de cultura. Outra é que os pastos pertencem à câmara municipal; se não houvesse este embaraço, as culturas variadas que param pela meia légua, entender-se-iam por muitos hectares de terreno.”

 

 

[1] Mais conhecido simplesmente como José Estêvão, foi um dos mais brilhantes políticos da 1ª metade do Séc. XIX.

[2] Foi depois chamada Quinta do Firmino, Quinta do Mata, Quinta de S. Joãozinho e Quinta dos Avós.

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publicado às 17:32



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