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CAMPO MAIOR – NOMES DE RUAS ( II )

por Francisco Galego, em 30.09.16

Certas ruas foram designadas em função da sua inclinação pois que, sendo ruas de aceso ao castelo e à parte mais alta e antiga da vila, são naturalmente muito inclinadas: Rua da Costanilha; Rua do Quebra-costas. Outras foram nomeadas por determinada função como a Rua do Poço, muito importante antes de se terem construído as fontes para abastecer a vila e a Rua do Forno, também dita de Rua da Fonte de Baixo. Pela mesma razão, o nome dado ao actual Largo do Barata, indicando bem a função que noutros tempos desempenhava.  Era o Largo das Estalagens e depois foi também chamado Largo do Assento por causa do edifício militar que aí foi construído. Basta descer a rua que vai dar a este largo para entender porque sempre lhe chamou o povo Rua do Paço. O actual Palácio do Visconde, onde hoje está instalada a Biblioteca Municipal João Dubráz, pertencera o um antigo bispo da família Mexia,  natural de Campo Maior e, por isso, o seu palácio era designado como o Paço.

Uma rua, no lado oposto da vila, era a Rua da Estalagem Velha que passou a Rua da Poterna quando, pela construção das novas muralhas, passou ir dar a uma pequena porta de acesso à vila, em caso de cerco, um pequeno acesso secreto que era designado por poterna. A construção das novas muralhas determinou o aparecimento de novas ruas como a Rua Nova ou da actual Rua de Santa Beatriz que, por ficar no lugar onde antes estava a cerca baixa do castelo, chamada "Barreira", foi sempre designada pelo povo por a Barreira. A Rua da Soalheira era a que dava acesso à Porta do Sol no primitivo castelo medieval.

Se a Aldeia de Pastor ou Curral dos Coelhos designavam os sítios onde se recolhiam os gados e outra criação dentro dos muros da vila, a Rua dos Quartéis indicava onde ficavam as casas destinadas a abrigo dos militares e de suas famílias quando eram colocados na guarnição incumbida da defesa de Campo Maior.

Com o passar dos tempos outros acontecimentos foram marcando a toponímia campomaiorense. Assim, quando o governo de Lisboa determinou que, pela nova Lei da Administração Civil, se devia fazer a reforma e reestruturação dos concelhos, extinguindo os antigos para os agregar em municípios de maiores dimensões populacionais e territoriais, Campo Maior foi designado como um dos que deviam perder a sua autonomia administrativa para ficar integrado num novo município sedeado em Elvas.

O povo não entendeu que vilas menores e de menor importância como Avis, Niza, e Monforte pudessem ser sedes dos novos concelhos enquanto Campo Maior se via condenado à humilhante condição de paróquia civil do concelho de Elvas. A 13 de Dezembro de 1867, a população declarou-se em revolta de resistência pacífica contra a decisão do governo. Foi nomeada uma comissão de 50 notáveis para irem representar o concelho junto do rei e do parlamento para apresentarem as suas queixas e razões. Revoltas semelhantes eclodiram por todo o país. O rei D. Luís teve de intervir. O governo de Martens Ferrão caiu. Em seu lugar foi constituído como ministro dos negócios do reino, o Conde D’Ávila, que se apressou a revogar a lei que pusera o país em estado geral de revolta.

O povo reunido em comício para comemorar, aprovou a proposta de mudar o nome de algumas ruas para homenagearem alguns dos que intervieram na luta pela salvação do município de Campo Maior: Rua da Canada – Rua 13 de Dezembro, data do começo da revolta; Rua da Canadinha – Rua do Conde de Ávila; Praça Nova – Praça D. Luís I; Largo da Carreira – Largo dos Carvajais; Rua Tenente General – Rua Visconde de Seabra (quando a actual Rua 1º de Maio passou a ser Rua Dr. Oliveira Salazar, o nome de Rua Visconde de Seabra, passou para a Rua de Pedroso); Rua da Cadeia – Calçada do Castelo; Terreiro da Estalagem – Largo do Barata; Terreiro da Misericórdia –Largo Barão de Barcelinhos, título que então usava o futuro visconde de Ouguela; Rua de Nantio – Rua General Magalhães; Rua Direita – Rua Direita da Comissão, em homenagem à comissão de 50 notáveis que tinha defendido o concelho de Campo Maior, em Lisboa.

Sucessivos acontecimentos políticos como a implantação da República, o Estado Novo e o 25 de Abril, determinaram a mudança de nomes de antigas ruas da vila. Mas, em alguns casos, os nomes populares têm conseguido subsistir, ainda que se verifique uma tendência  para, lentamente, irem desaparecendo.

 

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