Segunda-feira, 04 de Junho de 2018

Tentando opor-se ao expansionismo dos exércitos de Napoleão Bonaparte, Portugal começou por participar, com uma divisão auxiliar, ao lado da Espanha contra a França, embora sem declaração formal de guerra. Mas esta campanha correu mal às armas peninsulares.

Seguidamente, a Espanha mudou de estratégia e aliou-se a Napoleão. Passando de aliados a inimigos, mudaram radicalmente de uma atitude colaboração diplomática, para uma declaração de guerra a  Portugal que foi invadido por um exército hispano‑francês através de uma campanha relâmpago que durou três meses, perdendo Olivença para a Espanha e a Guiana, colónia na América do Sul, para a França.

Portugal, nesta conjuntura europeia de conflito entre a Inglaterra e a França, procurou fazer aceitar uma posição de neutralidade, assumindo compromissos de circunstância, devido à falta de um aparelho militar forte e dissuasor.

Mas, Napoleão Bonaparte, na incapacidade proceder  à invasão das ilhas britânicas, devido à superioridade do seu poder naval, decretou um Bloqueio Continental, para impedir o acesso dos navios ingleses aos portos dos outros países da Europa. A este bloqueio só não aderiram a Suécia e Portugal.

Aproveitando a aliança com a Espanha, Napolão assinou com Manuel Godoy, primeiro‑ministro de Espanha, o Tratado de Fontainebleau, de 27 Outubro de 1807, no qual secretamente se combinava a conquista de Portugal e a sua divisão em três partes, em favor dos dois países conquistadores.

Em consequência deste acordo, Portugal foi sujeito a cinco invasões, entre 1801 e 1812, algumas desencadeadas pela Espanha, com o apoio político e militar da França, sendo outras, as de 1809, 1810 e 1812, de iniciativa exclusivamente francesa, tendo como chefes militares, .Junot, Soult, Masséna.

Lisboa era o objectivo principal de qualquer ofensiva externa. Daí que, o arco defensivo constituido pelas praças de guerra formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas e Juromenha fosse muito importante pela sua situação geográfica no eixo Madrid-Lisboa, porque dificultava atingir directa e rapidamente o objectivo de alcançar a capital portuguesa  por  efectivos militares numerosos. Essa terá sido a razão de essa via não ter sido utilizada pelos franceses como eixo de penetração principal.  Os espanhóis tinham-no utilizado na "Guerra das Laranjas" de 1801, tendo daí resultado a perda de Olivença e a ocupação de Campo Maior em 1807.

 

 



publicado por Francisco Galego às 08:24
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