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A PROPÓSITO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR...

por Francisco Galego, em 04.02.16

 

O DN do passado 31 de Janeiro trazia uma entrevista com Pepe Menéndez, director da Fundació Educació da Catalunha, sobre o projecto educativo em que está envolvido e que tem uma extensão para Andorra.

Ler esta entrevista foi para mim uma agradável maneira de voltar à lembrança da actividade profissional em que me envolvi durante mais de 36 anos, com verdadeiro gosto, gozo e empenhada entrega.

Mas, já não tenho paciência para aturar discussões sobre os problemas da educação pelas seguintes de razões:

  1. A questão é tão complexa que deve ser analisada com rigor e os professores devem estar dotados da capacidade de encontrarem as soluções mais adequadas para resolverem os problemas com que se deparam, em cada situação. Ora, a sua formação é, em muitíssimos casos, muito inadequada ou   insuficiente;
  2. Acontece que, no que respeita à educação, quase toda a gente costuma opinar, na maioria das vezes para criticar. Mas - e isto é o aspecto mais extraordinário - entre os opinantes, destacam-se os que, por se considerarem bem informados, assumem a atitude de focarem os seus ataques contra todas as tentativas de inovação, assumindo com isso, talvez inconscientemente, a defesa das soluções mais antiquadas e que, na verdade, funcionam como as principais causas dos actuais problemas escolares.

Por estas e outras razões, hoje, em educação, os verdadeiros problemas não se resolvem aplicando receitas. Por isso, os professores necessitam de estar bem preparados, para saberem observar com rigor e de forma sistemática, trabalhando em grupo, de forma a intervirem numa realidade que está sempre em mudança, exigindo o recurso a novas soluções.

            Para mim, foi muito interessante verificar que esta proposta de projecto educativo, seja apresentada e praticada por um jesuíta. Já agora, atrevo-me a um palpite: não será de admirar que, entre os que irão alçar voz contra estas propostas tão inovadoras, encontremos os que, julgando-se bem informados e de espirito aberto à inovação, formularão criticas violentas, sem consciência de que estão a alinhar com as posições mais retrógadas e ultrapassadas sobre os problemas e as necessidades que hoje existem no domínio da educação. Ou seja, contra-argumentarem defendendo soluções educativas que, implementadas há mais de dois séculos, em grande parte pelos jesuítas e que foram sofrendo apenas ligeiras adaptações, estão hoje completamente desadequadas para resolverem as necessidades educativas da sociedade actual.

Algumas das práticas escolares ainda em uso, como basear o ensino no discurso do professor; ensinar a todos como se todos pudessem aprender da mesma maneira, como se tivessem as mesmas capacidades e disfrutassem das mesmas condições, tornaram-se atitudes pouco adequadas numa escolaridade de frequência obrigatória, com turmas constituidas por alunos de diferentes estruturas familiares e de estratos sociais muito diversos, com diferentes espectativas sobre as aprendizagens e com os comportamentos divergentes que adoptam em ambiente escolar. Claro que, tendo em consideração tão acentuadas diferenças, seria utópico esperar igual sucesso de todos os educandos.

Mas, será devido a essa inadequação dos processos que, mesmo na escola pública - a que os alunos frequentam por obrigação - se recorre tanto a processos de exclusão em vez de procurar estratégias integradoras que, atendendo à capacidade de cada educando, promovam o maior sucesso escolar possível? Claro que tudo se tornaria mais possivel, se a sociedade e o Estado entendessem a importãncia da educação e dotassem as escolas e os educadores das condições necessárias para desenvolverem bem a sua missão.

Segundo esta perspectiva, a culpa talvez nem seja, propriamente, nem da Escola, nem dos professores. Há quem pense que o futuro das sociedades humanas dependerá essencialmente das políticas educativas que vierem a ser adoptadas.

 

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publicado às 08:22



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