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A ESTRADA DE CAMPO MAIOR A ELVAS

por Francisco Galego, em 30.05.17

Deve haver uns 20 anos que protesto por esta razão, pois a câmara municipal pretende e é justíssimo que o governo mande construir uma ponte sobre o Caia; tem feito várias representações ao governo e, até agora nada foi feito, sendo que todos os anos o Caia vai tragando algumas vítimas.

(A Voz do Alemtejo, Nº 411, Elvas, 26 de Janeiro de 1865).

 “Se o Sr. ministro das obras públicas ... mais praticasse, já a imprensa e os povos deste distrito não levantariam justos clamores contra o péssimo e ridículo estado em que se encontra um grande lanço da estrada de Elvas a Campo Maior, a respeito do qual temos repetidas vezes requerido providências. (…)”

 “A política de hoje repugna-me.

Partidário sincero do velho Setembrismo, não me entendo com as coteries da época: são anónimas e não têm objecto claro.

Eram mais nobres os antigos partidos, porque definiam claramente o seu fim e caminhavam para ele com a fé e resignação dos mártires.

Porém, vamos tratar do problema da estrada.

Não me consta que o Sr. Ministro das obras públicas (era João Crisóstomo de Abreu e Sousa, o qual já não será ministro em Abril) resolvesse já alguma coisa sobre o assunto.

…Aproveite-se a Primavera para reconstruir a estrada e torná-la viável.

De se não fazer isto, resultará não só grande mal para os transeuntes e para os cultivadores dos terrenos próximos à estrada, mas para o governo que tolera há tanto tempo um pântano em lugar de estrada, ruínas em lugar de obras de arte, caboclos e quebradas perigosíssimas, em lugar de uma conservação esmerada.”

(A Voz do Alemtejo, Nº 428, Elvas, 26 de Março de 1865).

 

            Consta-nos que a repetidas instâncias do deputado deste círculo, foi rescindido o contrato feito pelo Sr. Kukenbuk de Figueiredo com a fazenda para a construção do lanço da estrada a macdam, do alto das Espadas à ponte do Caia, no caminho de Campo Maior e que o mesmo lanço vai ser concertado e devidamente acabado por conta do governo.

Damos os nossos parabéns aos viandantes que têm de utilizar-se desse melhoramento e Deus queira que não tenhamos de esperar por ele ainda outros dois anos.

Consta-nos que na ponte construída sobre o ribeiro do Judeu, já as rodas dos carros entram com a rosca de tijolo da abóbada da mesma. Se assim é, e se o concerto não se faz com brevidade, o mal a remediar há-de ainda ser maior e custar mais dinheiro.”

(A Voz do Alemtejo, Nº 431, Elvas, 6 de Abril de 1865)

Dizem que o ex-ministro das obras públicas (João Crisóstomo) rescindiu finalmente o contrato do Sr. Kukenbuck de Figueiredo. Ora graças a Deus ...

A estrada de Elvas ia parecendo as obras de Santa Engrácia.

Mas é preciso que a reconstrução comece quanto antes… a ponte do Judeu… se não lhe acudirem, aquela obra de arte arruinar-se-á. Parece-me que a estrada deve ser alargada na proximidade da ponte, porque está tão estreita e tem uma curva tão precipitada, que se não pode ali passar com cavalgaduras fogosas sem algum perigo.”

(A Voz do Alemtejo, Nº 435, Elvas, 20 de Abril de 1865)

 

 Textos da autoria de João Dubraz

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