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Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
A acção dos corruptos, quando associada ao poder político, é talvez uma das formas mais gravosa de corrupção pois que, usando o poder de que foram investidos, submetem os que estão na sua dependência à prática de actos ilícitos, sob ameaça de represálias ou em troca de benefícios. A corrupção ligada ao poder político premeia o crime, persegue os mais cumpridores, os mais competentes e mais zelosos, beneficiando os que se prontificam a consentir na violação da legalidade para eles próprios beneficiarem da mesma corrupção. A corrupção ligada à política inverte os valores, anula os bons princípios, viola as regras, instala a desordem, provoca a desmotivação, desmobiliza o empenhamento, premeia as incompetências e anula as boas vontades.
A corrupção não denunciada, não sujeita a julgamento, consentida em total impunidade, alastra rapidamente como epidemia corrompendo rapidamente sectores cada vez mais alargados da sociedade. Isto porque o povo que devia ser o principal elemento de vigilância, denúncia e repressão da corrupção, passa a consenti-la, havendo cada vez mais gente disposta a aceitá-la como fatalidade. Perante a complacência generalizada, a corrupção tende a instalar-se como se de coisa normal se tratasse.
A corrupção parece estar a alastrar monstruosamente, perante a complacência conformada das populações. Em certos casos há mesmo mais do que complacência: há uma verdadeira cumplicidade. Se não, como explicar a votação massiva em políticos acusados e condenados pelos tribunais por actos de corrupção? Como explicar que a população, ou parte significativa dela, vote num autarca que mostra sinais exteriores de riqueza reveladores de uma acumulação de património que não possuía antes do desempenho dos cargos políticos e que não poderia ser adquirido com os seus legítimos vencimentos? Como explicar que se vote em políticos que favorecem descaradamente alguns em prejuízo dos interesses legítimos de todos os outros?
Infelizmente tudo nos leva a concluir que a corrupção não é uma característica dos políticos mas que se está a tornar num fenómeno que vai corroendo as estruturas da nossa sociedade. Vemos tratados publicamente como heróis indivíduos que deviam ser ostracizados e penalizados devido ao carácter criminoso da sua acção no desempenho dos cargos políticos. Esses que impunes se pavoneiam, alardeando uma esperteza que não passa de descaramento e indecorosa falta de princípios, deviam estar a responder pelas suas malévolas acções e não a receber o apoio dos seus concidadãos.
Não é apenas por ser ilegal que a corrupção deve ser entendida como um acto censurável. É que a corrupção pressupõe sempre uma degradação ou deterioração dos valores morais e dos bons costumes, pois que a vantagem que alguém consegue para si, resulta em prejuízo de outros. A corrupção está quase sempre associada, pelas suas consequências sociais, à usurpação e ao furto. Trata-se, em última instância de um roubo perpetrado contra a sociedade, contra o Estado, contra a comunidade, ou contra particulares, pois que desvia em benefício próprio aquilo que devia ser usado em benefício de todos ou de outros.
Neste sentido, a corrupção torna-se, por natureza, o contrário do que se deve entender por política. Repare-se que este termo deriva da palavra grega “polis” que, à letra, tem o significado de cidade, mas que, na verdade, para os gregos, designava o que hoje designamos por Estado. Daí deriva que o político deva ser alguém que coloca a sua capacidade, competência e disponibilidade ao serviço do Estado. Assim sendo, a corrupção é a negação da política pois que quem, no exercício de um cargo político a pratica, desvia o que deve ser da comunidade ou do Estado, em seu próprio benefício. Logo, o que pratica acto de corrupção deve ser impedido de desempenhar funções políticas e deve ser punido pela ilegalidade das acções desenvolvidas contra os interesses colectivos que lhe competia defender.
Agora começam a causar escândalo os casos como este “Face Oculta” que tanto ocupa a opinião pública nos dias correntes. Bom seria que este caso que merece tamanho destaque fosse caso de excepção. Porém, se nos pomos a analisar a situação em toda a sua gravidade, começamos a crer que se vai tornando regra aquilo que é publicitado como se fosse pouco usual na nossa sociedade. É que este caso do âmbito da política nacional, leva-nos a pensar nos inúmeros casos que vão proliferando a nível da política local.
Permitam que coloque a seguinte questão:
Imaginemos um patrício nosso que, pelos acasos e necessidades da sua vida, foi obrigado a viver noutra terra e noutra comunidade nos arredores de Lisboa ou noutro país distantede de Portugal. Esse nosso patrício para aí levou a sua família, tendo-se os filhos e os netos enraizado na terra de acolhimento perdendo os laços que os ligavam a Campo Maior. Agora que a velhice se aproxima, gostará, por ventura, de regressar à sua terra natal. Mas, gostaria também que os seus filhos e netos o viessem visitar com alguma regularidade. Pois bem! Que poderá Campo Maior oferecer de diferente e aliciante que atraia as novas gerações para fazerem uma visita mais regular e mais prolongada?
Se tivéssemos o mar e as atraentes praias das terras do litoral, bastaria fazer muito pouco para os convencer a virem e a por aqui ficarem em tempo de férias. Mas, o que é que nós, aqui neste interior seco e árido, lhes poderemos oferecer?
Não temos praias é certo. Mas possuímos um riquíssimo património histórico e cultural que bastaria ser bem mostrado e explicado para atrair a atenção e o interesse de quem nos visitar.
Em Campo Maior há (ainda) vestígios de uma história militar que provam quanto esta terra foi importante para a defesa e manutenção desta identidade nacional que continuamos a venerar sob o nome de Portugal. Temos é de nos preparar para saber mostrar e explicar esses vestígios de um passado a todos os títulos significativo e motivo de orgulho justificado. Teremos, portanto, que ter uma política de conservação e dinamização desse património.
Mas o património cultural de Campo Maior não consiste apenas nos muros que restam do passado. Campo Maior não é apenas mais uma uma terra. É, principalmente, uma terra habitada por um povo que tem uma história e uma cultura muito próprias e com aspectos bem importantes.
As Festas do Povo são a prova maior do poder de atracção que têm as manifestações duma legítima cultura local. Mas as festas não são a única realização própria da cultura campomaiorense. O “cantar e bailar as saias” constituiu, uma extraordinária manifestação da cultura campomaiorense. Infelizmente, a falta de cuidado que se está a verificar com a sua conservação e divulgação, faz com que esteja tão ameaçada de desaparecer da nossa memória colectiva como estão as muralhas das nossas fortificações que vão caindo sem que se recorra aos meios necessários para as salvar.
Sendo Campo Maior a única terra onde ainda há o hábito de cantar e bailar as saias, havendo tantos milhares de campomaiorenses a viver longe de Campo Maior, porque não se organiza um verdadeiro Festival de saias? Não um espectáculo de palco como se tem feito, mas uma autêntica animação das ruas e das praças como devem ser “as saias”. Um evento carregado de originalidade e interesse que sirva de pretexto para que os nossos emigrantes se sintam motivados e compensados ao visitarem a sua terra. Tenho a certeza de que muitos deles teriam tanto orgulho em mostrar esta manifestação cultural aos seus descendentes e aos visitantes como têm de ver e mostrar as Festas do Povo de Campo Maior. Só que o Festival das “saias” teria a vantagem de poder ser anual. E, acreditem: podia ser feito com muito menos despesa e muito maior retorno do que se obtém com o que se vem fazendo nos últimos anos.
Já agora permitam que coloque ainda uma outra questão: havendo já em Campo Maior serviços destinados ao apoio ao turismo, porque não desenvolvê-los de modo a dotá-los da capacidade de planificarem, programarem, promoverem e acompanharem visitas guiadas aos locais com interesse para a compreensão do passado de Campo Maior?
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