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O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS LX

por Francisco Galego, em 30.08.11

Esta fotografia de início do século XX, ilustra porque se chama "enramação" ao enfeitar das ruas. Caniços e ramos constuituem a ornamentação. Nem flores nem quaisquer outros enfeites de papel. Assim eram as Festas nas suas origens.

 

 

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publicado às 09:41


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLIX

por Francisco Galego, em 28.08.11

 

Esta fotografia, de finais do Sec. XIX ilustra bem porque chamamos "enramação" ao enfeitar das ruas. Repare-se que não há flores ou quaisquer outras ornamentações de papel.

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publicado às 10:26


Atingido o ponto de chegada

por Francisco Galego, em 26.08.11

 

 

 

 

 

HOJE É DIA DA "ENRAMAÇÃO"


(nome que indica as origens em

 

que a ornamentação

 

era feita à base de ramos como o

 

buxo e as folhas de palmeira)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AMANHÃ, 27 DE AGOSTO

 

 

 

 COMEÇAM AS

 

 

 

FESTAS DO POVO

 

 

 

 

 

 

 

DE CAMPO MAIOR

 

 

 

 

DE 2011

 

 


QUE SE PROLONGAM

 


 

ATÉ 4 DE SETEMBRO

 


 

 

 

 


 

 

 

 

 

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publicado às 00:04


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLVIII

por Francisco Galego, em 23.08.11

 DOS ANOS 70 EM DIANTE...

 

            As Festas do Povo de 1972, foram as últimas que se realizaram antes da restauração da democracia em Portugal. Este foi o ano em que a chuva ia estragando a festa. No segundo dia, quando tudo estava já engalanado, uma inesperada e arreliante chuvada, destruiu parte das ornamentações. Uns anos mais tarde, em 1995, no Linhas de Elvas, Manuel Carvalho descrevia de forma admirável a situação que então se viveu em Campo Maior:

Entre os milhares de pessoas que estavam em Campo Maior naquela tarde do primeiro domingo de Setembro de há 23 anos, é seguro que ninguém pode ter ficado insensível ao que se passou e ao que viu.

A vila tinha ficado bonita como sempre. O trabalho estava fresco, tinha sido terminado na madrugada anterior.

O que se passou por volta das cinco da tarde explica-se numa frase: uma grande trovoada, acompanhada de chuva e vento forte, deitou por terra a maior parte das ornamentações feitas em meses de trabalho.

Campo Maior ficou em silêncio; as pessoas choraram, para dentro, para si. Por certo houve quem se revoltasse. Não faltou quem tivesse encontrado uma explicação acima do natural: que a trovoada desoladora tinha sido à hora a que costumava sair a Procissão. Nos anos anteriores sempre saiu. Em 1972 não. De então para cá nunca mais a Procissão deixou de se formar.

Houve quem ainda tentasse, com flores feitas à pressa ou indo buscar umas sobras, refazer as ruas. Mas as Festas não ficaram como antes.

Num documento enviado à Comissão das Festas, Joaquim Cavaco Malagueira, o director técnico da empresa S.O.S. – TELEVISÃO, que veio fazer a animação sonora das ruas durante as Festas, recordava o temporal que varreu completamente as festas de 1972 em que, depois de no primeiro dia a chuva ter danificado o “paraíso das flores”, os campomaiorenses ainda tiveram forças para erguer novamente as suas ornamentações para novamente as verem destruídas pela chuva inclemente.

Portanto, o povo não se conformou com o destino adverso e de novo veio para a rua para repor a situação. Recuperou o que podia ainda ser aproveitado, refez o que estava irremediavelmente destruído. E a Festa continuou. Dizer que de castigo do céu se tratava porque a procissão não tinha saído, era dar explicações pouco apropriadas, porque não se deve conceber o céu como vingativo e já em 1965 não se tinha feito a procissão - que fora substituída por um cortejo de oferendas a favor da Santa Casa da Misericórdia - e tudo correra a contento.

 Esta edição das Festas de 1972, que decorreu de 3 a 10 de Setembro, seguiu de muito perto o modelo das realizadas nos anos de 1964 e 1965. Desta vez, voltaram as touradas com grandes cartazes, com elencos formados por grandes nomes do toureio a pé e a cavalo. Nos espectáculos de variedades recorreu-se a artistas espanhóis de pouca nomeada e a amadores campomaiorenses para animarem um espectáculo luso-espanhol. Numa das noites, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), apresentou um Espectáculo para Trabalhadores.

 

E, aconteceu Abril...


Durante nove anos o povo não quis saber das suas Festas.  A grande embriaguez da liberdade, os conflitos e a aprendizagem de uma nova forma de conviver, suspenderam por algum tempo a possibilidade de qualquer projecto comunitário.

Durante algum tempo, o Povo não foi inteiro, nem indivisível. Foi plural nas suas crenças, nas suas aspirações, nos seus projectos de convivência social. Com o 25 de Abril, a grande euforia da liberdade finalmente conquistada, fez esquecer qualquer outro projecto dentro de uma sociedade que se lançava num grande e tumultuoso processo de mudança. Foi preciso esperar pelo restabelecimento de um novo equilíbrio social para que as Festas se tornassem de novo desejadas e possíveis.

A reconciliação tardou porque foi difícil conciliar as diferenças. Mas, quando foi possível, as Festas voltaram, elas próprias, a tentarem a necessária adaptação a um novo modelo de comunidade.

 

 

ANOS 80 – O “GIGANTISMO” DAS FESTAS

 

As primeiras Festas pós – 25 de Abril, foram as Festas do Povo de 1982 As Festas decorreram de 5 a 12 de Setembro, tendo sido 92 as ruas engalanadas.

Este ano de 1982, foi o ano da reconciliação na comunidade campomaiorense. Aceites mutuamente as diferenças e o direito de todos à opinião e à divergência, tornava-se de novo possível a colaboração em projectos em que todos participassem.

A partir daí as Festas não pararam de crescer, em qualidade e em fama. Atraindo multidões, e dando a ideia de que iria  finalmente manter alguma regularidade quantos aos anos de realização. Em 1985 e em 1989 houve Festas.

 

Mas, 1992 foi o ano do NÃO. Por mais esforços que se fizessem, não foi possível mobilizar as vontades:

Tentando manter a periodicidade de três em três anos, as Festas chegaram a estar projectadas para o ano de 1992. Manuel Carvalho, no Linhas de Elvas, chamou ao ano de 1992 o Ano do Não. Na sua crónica explica como as coisas se posicionaram:

No Outono de 1991, juntaram-se uns argumentos para chegar ao coração dos campomaiorenses: Que 1992 ia ser um ano muito importante para Espanha com os Jogos Olímpicos de Barcelona, a Capital Europeia da Cultura em Madrid e a Expo em Sevilha; que Campo Maior, ao lado da Espanha, poderia ganhar com esta movimentação ibérica; que as Festas do Povo eram o grande cartaz da vila; que devia haver Festas em 1992.

A tudo isto o Povo virou costas e, porque na altura andava revoltado com a desatenção do governo em relação a Campo Maior em matéria de saúde, deu um rotundo “ Não” às pretensões apresentadas.

Habituados a dizer “Sim” cada vez que um carro de som anunciava Festas, os campomaiorenses deixaram claro: Primeiro o Hospital, depois as Festas.


Em 1994, foi criada a Associação das Festas de Campo Maior, com a finalidade máxima e prioritária de realizar e promover as Festas do Povo. As Festas voltariam a realizar-se em 1995, 1998, 2002, 2004 e, neste ano de 2011 voltam a realizar-se.

           

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publicado às 08:07


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLVII

por Francisco Galego, em 21.08.11

À semelhança do que já acontecera com os programas de 1957 e 1964, também o deste ano de 1965, apresenta uma capa de cuidado arranjo gráfico. A Câmara mandou fazer pequenos desdobráveis em português, castelhano, francês e inglês com informações e indicações de utilidade para os turistas.

Como novidade, em 1965 temos o interesse que as Festas começam a despertar na imprensa. Em 17 de Julho, o semanário A Defesa de Évora num número dedicado às Festas de Campo Maior que, nesse ano se realizariam de 5 a 12 de Setembro, incluía: uma entrevista ao Presidente da Câmara; outra a um locutor da Rádio Estremadura de Badajoz; um artigo em castelhano por António Santander de la Croix, Secretário Técnico do Centro de Iniciativas e Turismo de Badajoz,  publicado pelo diário espanhol Hoy em Setembro de 1964; o texto da comunicação do Vereador Municipal Sr. José Ferreira do Rosário ao 1º Congresso Nacional de Turismo em Lisboa, no qual se refere que a TVE se deslocou a Campo Maior para filmar as Festas de 1965, tendo depois feito a sua transmissão; o anúncio de que a C.P. dos Caminhos de Ferro vai dar a valiosa colaboração às nossas festas estabelecendo um serviço especial de venda de bilhetes a preços reduzidos para a estação de Elvas, das estações e apeadeiros desde Abrantes até Marvão, Beirã até Santa Eulália, Vila Viçosa e ainda as estações de Santa Apolónia em Lisboa, Vila Franca de Xira, Santana, Entroncamento e Barreiro, com validade para ida de 4 a 12 e regresso de 5 a 13 de Setembro…

O transporte dos passageiros que viajem nesses comboios será feito pela empresa de camionagem “Setubalense”… que vai conceder também certas facilidades…

Segundo o Jornal A Defesa, um carro alegórico às Festas do Povo de Campo Maior, participou em missão de propaganda das Festas, na batalha das flores realizada em Badajoz em 29 de Junho, dia de São Pedro. O carro ia decorado com motivos alusivos à ornamentação das ruas e o objectivo era aliciar os espanhóis a visitarem as Festas em Setembro.

O mesmo semanário dá-nos conta de que, a convite da Comissão das Festas do Povo, se deslocou a Campo Maior no dia 7 de Julho uma comitiva do país vizinho constituída pelo Delegado Provincial de Informação e Turismo, o Director de Hoy, o Secretário Provincial de Informação e Turismo, o Secretário Técnico do Centro de Iniciativas e Turismo de Badajoz, o correspondente da TVE e redactor gráfico de Hoy e um locutor da Rádio Estremadura, para apreciarem os preparativos das Festas do Povo deste ano.

O jornal O Século de 16 de Julho publicou uma notícia anunciando a realização das Festas e fez também, em Setembro, uma extensa reportagem sobre as Festas. Nesta se refere que houve uma recepção na Câmara Municipal aos representantes da imprensa escrita, da rádio e da RTP, tendo sido recebidos pelo Presidente, o Vice-Presidente, os dois vereadores Srs. José Ferreira do Rosário e Manuel Carrilho e dos membros da Comissão Organizadora das Festas: José Cipriano Mourato Saragoça (Pres.), Arménio Vitorino Costal, João Miguel Pereira Júnior, Manuel Veríssimo Cacheiro Cunha, João Lourenço Silvério, Manuel António Marchã, Marciano Leonardo Bicho, Artur Farto Rodrigues, Agnelo Ferreira Topa, João Paulo Favita Roque, Manuel de Almeida Nanita, António Gil Ferrão de Almeida Carrapato, José da Conceição Colim Tomatas e Manuel Santana Gaspar.

O Linhas de Elvas de 18 de Setembro, titulava: As Festas do Povo tiveram inusitado brilho. Continuando: Terminaram no passado domingo as tradicionais Festas do Povo que atingiram uma projecção excepcional. Referiram-se também de forma muito encomiástica às Festas, os jornais de expansão nacional Diário de Notícias e Comércio do Porto. A emissora Nacional deu grande relevo às Festas em vários dos seus programas.

Depois, seguiram-se sete anos em que as festas não se realizaram.

 

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publicado às 09:55


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLV

por Francisco Galego, em 11.08.11

 

            Sobre as Festas de 1964, o Linhas de Elvas da primeira semana de Setembro, escrevia: Não há dúvida de que só uma grande força de vontade e um acrisolado amor à sua terra, levou os campomaiorenses a pensarem na realização das Festas do Povo, numa altura de certo modo difícil para todos.

            Por este motivo e, ainda que com sacrifício, não devemos negar-lhes a nossa colaboração, pela coragem e bairrismo que demonstraram, ao meterem ombros a uma iniciativa de tal amplitude.

            As festas de 1964 tiveram como iniciativa mais em destaque, a organização de grandes espectáculos capazes de interessarem e atraírem os vizinhos do lado de lá da fronteira. Pela primeira vez, o dia 7, Domingo, principal dia das festas, era dedicado á Espanha.

            Mantendo o esquema tradicional houve as festas de igreja, com Missa Solene e Procissão com as Imagens dos Padroeiros, alvoradas e arruadas com bandas de música e morteiros, bailes e descantes populares, concertos no Jardim Público. O programa oficial das festas privilegiou as touradas que começaram com duas grandes corridas nos dias da Feira de Agosto e continuaram com mais uma em cada um dos três primeiros dias das Festas. Mas, nestas touradas, o antigo sistema tradicional à vara larga, desapareceu para dar lugar à apresentação de alguns dos mais famosos toureiros da época em Portugal e Espanha, como os cavaleiros D. José de Atayde, José Maldonado Cortes e Frederico Cunha, os espadas José Trincheira, José Manuel Pinto e Sérgio Gozano, os forcados do Grupo de Amadores de Évora e dos Amadores Académicos de Lisboa.

            Nos espectáculos de variedades actuaram algumas das figuras destacadas do cançonetismo nacional e artistas vindos de Espanha. Para cada um destes espectáculos foram criados cartazes para afixação em paredes, atractivos, de boa qualidade e em quantidade que indica serem destinados a divulgação fora de Campo Maior.

            Pela primeira vez, um dos dias, precisamente o Domingo, dia principal das festas, foi programado como Dia dedicado a Espanha tendo, por isso, o espectáculo de variedades sido organizado com artistas espanhóis. O facto de a representação oficiosa espanhola ter incluído personalidades como o Governador da Província da Estremadura, o Alcaide de Badajoz, o Delegado Provincial de Turismo e um enviado da Televisão Espanhola, mostra que o objectivo terá sido atingido.

As Festas começavam a sua expansão para além área tradicional que se limitava aos concelhos de Campo Maior e Elvas com esporádicas influências nas áreas de Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Estremoz e Évora.

            No programa oficial, à imagem do que já tinha acontecido em 1957, nota-se a importância crescente da publicidade, com a cada vez maior presença de empresas de torrefacção de cafés, e um número considerável de empresas de fora, nomeadamente, Elvas, Portalegre e Lisboa.

            No relatório final apresentado pela Comissão de Festas, as receitas foram no valor aproximado de 173 contos, sendo a despesa no valor aproximado de 170 contos. Logo, a expectativa de lucro que deveria beneficiar a construção do edifício para o Colégio de S. João, saiu gorada. A Comissão entende por isso, dever chamar a atenção para aspectos negativos a corrigir no futuro. Por exemplo, atendendo à falta de um recinto próprio… as corridas de toiros são de dispensar em futuras festas dado serem um espectáculo muito caro e porque, nas presentes condições, a construção da praça provisória obriga ao dispêndio de alguma dezenas de contos, bastando para tanto dizer que o prejuízo atingiu uma verba de cerca de 18 contos.

Como aspectos positivos, as Festas do Povo de 1964 atingiram uma projecção tal que é necessária uma ajuda maior, muito maior, para o bom povo da nossa terra se sinta amparado materialmente… Pensa a comissão que nas próximas Festas será de toda a conveniência ser a Câmara Municipal a organizar os programas em seu nome, visto desta forma poder-se evitar grande parte dos encargos com impostos de que a edilidade deve estar isenta. Nas ruas da vila foi notória a falta de música que, além de alegrar o ambiente, desse aos doentes uma ideia do que se passava em toda a povoação. Julga-se pois indispensável uma rede de altifalantes bem distribuídos e ligados a uma cabine de som.

            Destaque-se o facto de, nestas Festas de 1964, se terem ornamentado 56 ruas e que foram as últimas a realizar-se com a duração de quatro dias. Na ornamentação das ruas ainda se recorreu bastante ao revestimento dos paus e das cordas com verdura de buxo, mas é o papel, em formas cada vez mais elaboradas e criativas, que constitui o grande espectáculo das Festas.

             Alguns órgãos de informação em Espanha como a TVE, o jornal diário Hoy e a revista Digame que se publica em Madrid, referiram-se a estas Festas do Povo, mas a imprensa nacional praticamente não lhes fez referência.

 

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publicado às 10:40


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLIV

por Francisco Galego, em 06.08.11

 

            Sobre as Festas de 1964, o Linhas de Elvas da primeira semana de Setembro, escrevia: Não há dúvida de que só uma grande força de vontade e um acrisolado amor à sua terra, levou os campomaiorenses a pensarem na realização das Festas do Povo, numa altura de certo modo difícil para todos.

            Por este motivo e, ainda que com sacrifício, não devemos negar-lhes a nossa colaboração, pela coragem e bairrismo que demonstraram, ao meterem ombros a uma iniciativa de tal amplitude.

            As festas de 1964 tiveram como iniciativa mais em destaque, a organização de grandes espectáculos capazes de interessarem e atraírem os vizinhos do lado de lá da fronteira. Pela primeira vez, o dia 7, Domingo, principal dia das festas, era dedicado á Espanha.

            Mantendo o esquema tradicional houve as festas de igreja, com Missa Solene e Procissão com as Imagens dos Padroeiros, alvoradas e arruadas com bandas de música e morteiros, bailes e descantes populares, concertos no Jardim Público. O programa oficial das festas privilegiou as touradas que começaram com duas grandes corridas nos dias da Feira de Agosto e continuaram com mais uma em cada um dos três primeiros dias das Festas. Mas, nestas touradas, o antigo sistema tradicional à vara larga, desapareceu para dar lugar à apresentação de alguns dos mais famosos toureiros da época em Portugal e Espanha, como os cavaleiros D. José de Atayde, José Maldonado Cortes e Frederico Cunha, os espadas José Trincheira, José Manuel Pinto e Sérgio Gozano, os forcados do Grupo de Amadores de Évora e dos Amadores Académicos de Lisboa.

            Nos espectáculos de variedades actuaram algumas das figuras destacadas do cançonetismo nacional e artistas vindos de Espanha. Para cada um destes espectáculos foram criados cartazes para afixação em paredes, atractivos, de boa qualidade e em quantidade que indica serem destinados a divulgação fora de Campo Maior.

            Pela primeira vez, um dos dias, precisamente o Domingo, dia principal das festas, foi programado como Dia dedicado a Espanha tendo, por isso, o espectáculo de variedades sido organizado com artistas espanhóis. O facto de a representação oficiosa espanhola ter incluído personalidades como o Governador da Província da Estremadura, o Alcaide de Badajoz, o Delegado Provincial de Turismo e um enviado da Televisão Espanhola, mostra que o objectivo terá sido atingido. As Festas começavam a sua expansão para além área tradicional que se limitava aos concelhos de Campo Maior e Elvas com esporádicas influências nas áreas de Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Estremoz e Évora.

            No programa oficial, à imagem do que já tinha acontecido em 1957, nota-se a importância crescente da publicidade, com a cada vez maior presença de empresas de torrefacção de cafés, e um número considerável de empresas de fora, nomeadamente, Elvas, Portalegre e Lisboa.

            No relatório final apresentado pela Comissão de Festas, as receitas foram no valor aproximado de 173 contos, sendo a despesa no valor aproximado de 170 contos. Logo, a expectativa de lucro que deveria beneficiar a construção do edifício para o Colégio de S. João, saiu gorada. A Comissão entende por isso, dever chamar a atenção para aspectos negativos a corrigir no futuro. Por exemplo, atendendo à falta de um recinto próprio… as corridas de toiros são de dispensar em futuras festas dado serem um espectáculo muito caro e porque, nas presentes condições, a construção da praça provisória obriga ao dispêndio de alguma dezenas de contos, bastando para tanto dizer que o prejuízo atingiu uma verba de cerca de 18 contos.

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publicado às 18:34


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLIII

por Francisco Galego, em 01.08.11

AS FESTAS NOS ANOS 60

 

            Uma nova  tempestade política se levantou contra o regime salazarista com o movimento de descolonização posto em marcha por todo o Mundo. Em 1961, começou a contestação aberta em todas as parcelas do Império Português. A guerra colonial então desencadeada, causou profundas mudanças nas estruturas sociais, económicas e políticas do país.

            Assim, na viragem para os anos sessenta, começou o processo de transformações que iriam ditar o fim do chamado Estado Novo. Portugal, regularmente censurado pelas suas políticas em todas as instâncias internacionais, estava cada vez mais condenado ao isolamento. A proclamação do orgulhosamente sós de Salazar, era mais um grito de desespero do que a afirmação da força de uma convicção.

            No início dos anos sessenta, as coisas em Campo Maior pareciam correr de feição. Apesar duma guerra colonial que alastrara a várias frentes exigindo cada vez mais efectivos militares e da crescente instabilidade interna com a crescente oposição ao regime ditatorial, a forte e atenta acção da censura ajudava a criar a ilusão de que tudo corria normalmente. A guerra estava longe e dela sabia-se muito pouco, quase nada. O povo despolitizado e desinformado, ignorava a situação real em que o país se encontrava.

            Em Campo Maior, na década de sessenta, decorreram as obras da barragem do Caia que foi inaugurada em 1967. Durante algum tempo, o problema endémico do desemprego ficou mitigado. As obras ajudaram a manter uma certa melhoria a nível salarial. A indústria de torrefacção de cafés estava em franco desenvolvimento. A emigração massiva ajudara a aliviar a permanente e endémica situação de desemprego. Do ponto de vista social e económico, a situação em Campo Maior, podia ser considerada bastante favorável. Talvez isso ajude a justificara razão por que as festas se tenham realizado dois anos seguidos: 1964 e 1965.


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publicado às 13:20


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLII

por Francisco Galego, em 27.07.11

No decurso dos anos cinquenta, Portugal conheceu uma importante transformação. Chegava ao fim a ideia de um Portugal país essencialmente agrícola e, com os planos de fomento, o país lançava-se numa política de desenvolvimento industrial que provocou a deslocação de grandes massas de população para as cinturas industriais de Lisboa e do Porto.

Em 1951, morreu o presidente Carmona, tendo-lhe sucedido na chefia do Estado, o General Craveiro Lopes. Os tempos de unidade dentro da orgânica do Estado Novo tinham terminado, pois as relações de Salazar com o novo Presidente da República, conheceram vários momentos de grande atrito.

Em 1958, o regime foi submetido a uma dura prova com a candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Só à custa de uma acirrada resistência, recorrendo a todos os processos para garantir a sobrevivência política, Salazar conseguiu manter o controlo da situação, fazendo eleger o Almirante Américo Tomás como presidente.

Mas, logo outra tempestade política se levantou com o movimento de descolonização posto em marcha por todo o Mundo. Em 1961, começou a contestação aberta em todas as parcelas do Império Português. A guerra colonial então desencadeada, causou profundas mudanças nas estruturas sociais, económicas e políticas do país.

Assim, na viragem para os anos sessenta, começou o processo de transformações que iriam ditar o fim do salazarismo. Portugal, regularmente censurado pelas suas políticas em todas as instâncias internacionais, estava cada vez mais condenado ao isolamento. A proclamação do orgulhosamente sós de Salazar, era mais um grito de desespero de causa do que a afirmação da força de uma convicção.

 

LINHAS DE ELVAS, nº 361, 5 de Outubro de 1957

As Festas do Povo

                  

Extintos os últimos ecos das Festas do Povo que este ano foram promovidas e levadas a efeito a favor da Misericórdia, cabe ao provedor uma palavra de agradecimento à Comissão Executiva das Festas e de redobrada gratidão aos colaboradores espontâneos – que tantos foram – a par do louvor merecido ao grande Festeiro que foi o povo.

As Festas do Povo que, como se sabe, eram chamadas Festas dos Artistas, são feitas em honra do padroeiro da terra e eram assim designadas por se incumbirem da sua realização as Corporações das Artes e Ofícios e ficarem a cargo de comissões saídas da classe dos artistas.

É preciso dizer que, em Campo Maior, como no conceito popular, artista não é apenas o homem que se distingue pela sua habilidade, pelo seu génio ou pela sua arte. Artista é o operário de construção civil, o sapateiro, o alfaiate, o barbeiro e outros mais que poderíamos acrescentar agora, como o maquinista, o motorista, o mecânico, isto é, os profissionais nascidos com o aparecimento da máquina (…)

Mas o povo começou, desde o início das festas a reclamar o seu quinhão e foi ele que acabou por ser o único e verdadeiro artista.

Foi por isso mesmo que, em hora feliz, alguém se lembrou de proclamar que as Festas dos Artistas passavam a ser as Festas do Povo.

Era o povo que ornamentava as ruas, que decorava os largos, que concebia os arranjos pitorescos ou ingénuos de todos os recantos. Era ele que apresentava engenhos curiosos, fazendo brotar a água como força motriz para accionar minúsculas máquinas.

Recordo-me de ter visto graciosos comboios entrando ou saindo de pequenos túneis, engenhosas azenhas, curiosos moinhos de ventos, tudo com os seus figurantes próprios, dando às ruas, além do grandioso aspecto das decorações, o pormenor por vezes infantil, mas sempre artístico, que tanto prendia a curiosidade das crianças e a natural atenção das pessoas adultas. (…)

 

Pelo Dr. Francisco Tello da Gama

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publicado às 19:32


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLI

por Francisco Galego, em 18.07.11

               As Festas, neste ano de 1957, deram um salto qualitativo no que respeita aos espectáculos programados: as corridas de touros deixaram de se realizar segundo o modelo tradicional à vara larga, dando lugar a espectáculos tauromáquicos com toureiros, forcados e cavaleiros profissionais. Antes e durante as Festas, começava a cuidar-se de organizar diversões que atraíssem os forasteiros, publicitando-as ao mesmo tempo que se recolhiam receitas para a sua realização. Nota-se que a dimensão das Festas crescia de tal modo que, a maneira tradicional de recolher fundos com peditório entre a população, já não era suficiente para fazer frente aos pesados encargos que estas comportavam.

Tudo isto indicia as grandes mudanças socioeconómicas que se estavam a operar na comunidade campomaiorense. A pujança alcançada pelas Festas pode ser explicada por estas transformações. Talvez devamos ainda juntar-lhe uma outra mudança sociológica, já antes referida e que se iria acentuar a partir dos finais dos anos cinquenta: a saída massiva de gente em migração para os grandes centros urbanos, principalmente para a cintura industrial da Grande Lisboa e a emigração para os países em processo rápido de crescimento económico. Essas tendências que tanto se iriam acentuar ao longo dos anos sessenta, marcaram profundamente a vida em Campo Maior. Estas modificações foram naturalmente determinantes para a transformação de uma pequena festa de carácter meramente local, num acontecimento que acabou por alcançar a dimensão de que desfruta nos tempos actuais.

            Podemos justamente considerar 1957 como o ponto de partida e o momento de viragem, de toda essa importante e significativa transformação. Porém, novos e importantes acontecimentos iriam determinar um novo período de interrupção. Desta vez , as Festas, ficaram por mais seis anos sem realização.

 

 

LINHAS DE ELVAS, nº 359, 14 de Setembro de 1957

As Festas do Povo registaram a afluência de milhares de forasteiros


               As Festas do Povo de Campo Maior que terminaram em 11 do corrente, atingiram este ano um brilhantismo raro e registaram a afluência de milhares de forasteiros.

               Torna-se difícil descrever com rigor absoluto o que foi essa extraordinária concorrência e, mais difícil ainda, transcrever as exclamações de justificada surpresa e admiração, a cada passo ouvidas da boca dos visitantes.

               Efectivamente, o aspecto da vila era um sonho. As ruas profusas e artisticamente ornamentadas, constituíram um motivo de atracção inigualável e original. Diremos mesmo que, a ornamentação das ruas de Campo Maior constituiu o mais sensacional número do programa e o seu cartaz mais vivo, mais colorido, mais gritante e aliciador. Trazidos por este cartaz, vieram a Campo Maior muitos milhares de forasteiros e das expressões proferidas e por nós ouvidas, uma delas se tornou axiomática: Isto é único no país!

               Estas exclamações ouvidas a cada passo não são um exagero. São a expressão fiel de quem recebeu a mais bela e surpreendente novidade. Com efeito, o que aconteceu nas Festas do Povo de Campo Maior, é único no país.

               Não se descreve. Não se transmite por maior que seja o nosso desejo e o génio criador do repórter. É preciso ver. É preciso viver as horas de sonho que o povo de todas as ruas de Campo Maior sabe criar para sua glória e para alegria e satisfação dos visitantes.

               A tradição destas festas manteve-se este ano no seu melhor nível e o povo da minha terra, o povo bom de Campo Maior, tem jus a que lhe tributemos nestas colunas todo o nosso apreço (…)

               Dos números do programa a cargo das comissões constituídas, também é justo que se diga terem sido criteriosamente elaborados e escolhidos. Ranchos folclóricos, fogo-de-artifício (podia ter sido mais e melhor), corridas de touros (que se devem ao espírito inovador de João Vitorino Paio), cortejo de oferendas, festividades religiosas, bandas de música, Serão para Trabalhadores pela Emissora Nacional (deficiente e extraordinariamente caro para a sua curta duração), bailes, etc., etc.

 

Por Marciano Ribeiro Cipriano

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publicado às 19:22


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