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POEMA (10)

por Francisco Galego, em 23.07.19

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

 

Mário de Sá Carneiro

 

A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.

E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, a perna traçada,
No indindável sofá
Da minha Alma estofada.
(...)
Dentro de mim é um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.
(...)

O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!...

Qualquer dia, pela certa,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate,
Se encontra a porta aberta...

Isto assim não pode ser...
Mas como achar um remédio?
--- Pra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:
(...)
Vou deixá-la --- decidido ---
No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um fim mais raffiné.

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publicado às 00:03


POEMA (9)

por Francisco Galego, em 20.07.19

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

 

Mário de Sá Carneiro (1890 – 1916)

 

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

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publicado às 00:05


POEMA (8)

por Francisco Galego, em 15.07.19

 

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

São Silveirinha (1972)

 

DE MÃOS ABERTAS

 

Mulher sofrida

arranca essas vestes

carregadas de medos!

 

Deixa que te amainem esse grito

que, aos poucos, te vai estrangulando!

 

Mulher coragem,

embebeda os teus sentidos

até agora adormecidos!

 

Lá fora, tudo é som...

Lá fora, tudo é claridade...

 

Não temas o sol impiedoso

que parece ferir-te os olhos,

até agora vendados!

 

De mãos libertas, avança pelas ruas!

Á tua frente, irão misturar-se sem pudor,

Serpenteantes como rabiscos de lápis de cor!

 

Mulher luz – antes sombra –

Alimenta-te desse trago de vida!

 

As mãos da liberdade

são agora o teu abrigo!

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publicado às 00:07


POEMA (7)

por Francisco Galego, em 10.07.19

 

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

São Silveirinha (1972)

 

MARCHA

 

QUE NINGUÉM

NOS TENTE TRAVAR O SONHO!

O alento que nos impulsiona.

 

QUE NÃO NOS CALEM A VOZ!

O arco dos nossos anseios.

 

QUE NÃO NOS APRISIONEM A ALMA!

A nossa força motriz.

 

QUE MÃO NENHUMA SUFOQUE O NOSSO GRITO!

O escape da nossa inquietude.

 

QUE NENHUMA CORRENTE DE FERRO

NOS IMPEÇA O CAMINHAR!

O nosso passo é firme, inabalável.

 

SOMOS DONOS DA NOSSA VONTADE

E COMANDAMOS O NOSSO DESTINO!

 

 

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publicado às 08:40


POEMA (6)

por Francisco Galego, em 05.07.19

 

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

Fernando Pessoa (188-1935)

 

NEVOEIRO

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

 Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer -

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoreiro ...

 

É a Hora!

 

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publicado às 00:02


POEMA (5)

por Francisco Galego, em 30.06.19

 

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

Gastão Cruz (1941)

ESPELHOS

O mar que em mim se espelha

e que em mim se degrada

somente se assemelha

à boca desdentada

 

Pelos usos inúteis

do amor e da fala

Ele reflecte fúteis

as imagens que exala

 

É o mar que me espelha

O líquido onde nada

à vida se assemelha

como uma fútil fala

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publicado às 00:04


POEMA (4)

por Francisco Galego, em 25.06.19

 

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

Almeida Garrett (1799-1854)

VOZ E AROMA

A brisa vaga no prado,

Perfume nem voz não tem;

Quem canta é o ramo agitado,

O aroma é da flor que vem.

 

A mim, tornem-me essas flores

Que uma a uma eu vi murchar,

Restituam-me os verdores

Aos ramos que eu vi secar...

 

E em torrentes de harmonia

Minha alma se exalará,

Essa alma que muda e fria

Nem sabe se existe já.

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publicado às 00:04


POEMA (3)

por Francisco Galego, em 20.06.19

 

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

Vitorino Nemésio (1901-1978)

 

O FUTURO PERFEITO

A neta explora-me os dentes,

Penteia-me como quem carda.

Terra da sua experiência,

Meu rosto diverte-a, parda

Imagem dada à inocência.

 

Finjo que lhe como os dedos,

Fura-me os olhos cansados,

Íntima aos meus próprios medos

Deixa-mos sossegados.

 

E tira, tira puxando

Coisas de mim, divertida.

Assim me vai transformando

Em tempos de sua vida.

 

 

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publicado às 00:05


POEMAS (2)

por Francisco Galego, em 15.06.19

 

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

António Feijó (1859-1917)

 

ANACREÓNTICA

 

Teu rosto é como

Um róseo pomo

Que eu só desejo

Morder num beijo.

 

Último pomo

De amor que eu domo

Enquanto almejo

O grato ensejo...

 

O afecto que

Me enchera de

Paixão fatal

Vê com ardor

Teu belo

Corpo escultural!

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POEMAS (1)

por Francisco Galego, em 10.06.19

Decidi publicar alguns poemas retirados de obras de autores reconhecidos como notáveis poetas, porque não sei responder com clareza a perguntas como as que assim expresso:

Afinal qual é a essência da poesia?

Amontoar palavras e informações?

Revelar muitos e profundos conhecimentos?

 

Ora, a poesia,

mesmo um pequeno poema,

dizendo em poucas palavras,

poucas coisas, quase nada,

pode sugerir tanto, tanto,

que consegue produzir,

um imenso sentimento ...

 

Para exemplificar:

 

MOTIVO

Cecília Meireles (1901-1964)

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta

 

Irmão das coisas fugidias,

Não sinto orgulho nem tormento.

Atravesso noites e dias,

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

Se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

Ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.

 

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publicado às 00:04


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