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O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLV

por Francisco Galego, em 11.08.11

 

            Sobre as Festas de 1964, o Linhas de Elvas da primeira semana de Setembro, escrevia: Não há dúvida de que só uma grande força de vontade e um acrisolado amor à sua terra, levou os campomaiorenses a pensarem na realização das Festas do Povo, numa altura de certo modo difícil para todos.

            Por este motivo e, ainda que com sacrifício, não devemos negar-lhes a nossa colaboração, pela coragem e bairrismo que demonstraram, ao meterem ombros a uma iniciativa de tal amplitude.

            As festas de 1964 tiveram como iniciativa mais em destaque, a organização de grandes espectáculos capazes de interessarem e atraírem os vizinhos do lado de lá da fronteira. Pela primeira vez, o dia 7, Domingo, principal dia das festas, era dedicado á Espanha.

            Mantendo o esquema tradicional houve as festas de igreja, com Missa Solene e Procissão com as Imagens dos Padroeiros, alvoradas e arruadas com bandas de música e morteiros, bailes e descantes populares, concertos no Jardim Público. O programa oficial das festas privilegiou as touradas que começaram com duas grandes corridas nos dias da Feira de Agosto e continuaram com mais uma em cada um dos três primeiros dias das Festas. Mas, nestas touradas, o antigo sistema tradicional à vara larga, desapareceu para dar lugar à apresentação de alguns dos mais famosos toureiros da época em Portugal e Espanha, como os cavaleiros D. José de Atayde, José Maldonado Cortes e Frederico Cunha, os espadas José Trincheira, José Manuel Pinto e Sérgio Gozano, os forcados do Grupo de Amadores de Évora e dos Amadores Académicos de Lisboa.

            Nos espectáculos de variedades actuaram algumas das figuras destacadas do cançonetismo nacional e artistas vindos de Espanha. Para cada um destes espectáculos foram criados cartazes para afixação em paredes, atractivos, de boa qualidade e em quantidade que indica serem destinados a divulgação fora de Campo Maior.

            Pela primeira vez, um dos dias, precisamente o Domingo, dia principal das festas, foi programado como Dia dedicado a Espanha tendo, por isso, o espectáculo de variedades sido organizado com artistas espanhóis. O facto de a representação oficiosa espanhola ter incluído personalidades como o Governador da Província da Estremadura, o Alcaide de Badajoz, o Delegado Provincial de Turismo e um enviado da Televisão Espanhola, mostra que o objectivo terá sido atingido.

As Festas começavam a sua expansão para além área tradicional que se limitava aos concelhos de Campo Maior e Elvas com esporádicas influências nas áreas de Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Estremoz e Évora.

            No programa oficial, à imagem do que já tinha acontecido em 1957, nota-se a importância crescente da publicidade, com a cada vez maior presença de empresas de torrefacção de cafés, e um número considerável de empresas de fora, nomeadamente, Elvas, Portalegre e Lisboa.

            No relatório final apresentado pela Comissão de Festas, as receitas foram no valor aproximado de 173 contos, sendo a despesa no valor aproximado de 170 contos. Logo, a expectativa de lucro que deveria beneficiar a construção do edifício para o Colégio de S. João, saiu gorada. A Comissão entende por isso, dever chamar a atenção para aspectos negativos a corrigir no futuro. Por exemplo, atendendo à falta de um recinto próprio… as corridas de toiros são de dispensar em futuras festas dado serem um espectáculo muito caro e porque, nas presentes condições, a construção da praça provisória obriga ao dispêndio de alguma dezenas de contos, bastando para tanto dizer que o prejuízo atingiu uma verba de cerca de 18 contos.

Como aspectos positivos, as Festas do Povo de 1964 atingiram uma projecção tal que é necessária uma ajuda maior, muito maior, para o bom povo da nossa terra se sinta amparado materialmente… Pensa a comissão que nas próximas Festas será de toda a conveniência ser a Câmara Municipal a organizar os programas em seu nome, visto desta forma poder-se evitar grande parte dos encargos com impostos de que a edilidade deve estar isenta. Nas ruas da vila foi notória a falta de música que, além de alegrar o ambiente, desse aos doentes uma ideia do que se passava em toda a povoação. Julga-se pois indispensável uma rede de altifalantes bem distribuídos e ligados a uma cabine de som.

            Destaque-se o facto de, nestas Festas de 1964, se terem ornamentado 56 ruas e que foram as últimas a realizar-se com a duração de quatro dias. Na ornamentação das ruas ainda se recorreu bastante ao revestimento dos paus e das cordas com verdura de buxo, mas é o papel, em formas cada vez mais elaboradas e criativas, que constitui o grande espectáculo das Festas.

             Alguns órgãos de informação em Espanha como a TVE, o jornal diário Hoy e a revista Digame que se publica em Madrid, referiram-se a estas Festas do Povo, mas a imprensa nacional praticamente não lhes fez referência.

 

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