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O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XLII

por Francisco Galego, em 27.07.11

No decurso dos anos cinquenta, Portugal conheceu uma importante transformação. Chegava ao fim a ideia de um Portugal país essencialmente agrícola e, com os planos de fomento, o país lançava-se numa política de desenvolvimento industrial que provocou a deslocação de grandes massas de população para as cinturas industriais de Lisboa e do Porto.

Em 1951, morreu o presidente Carmona, tendo-lhe sucedido na chefia do Estado, o General Craveiro Lopes. Os tempos de unidade dentro da orgânica do Estado Novo tinham terminado, pois as relações de Salazar com o novo Presidente da República, conheceram vários momentos de grande atrito.

Em 1958, o regime foi submetido a uma dura prova com a candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Só à custa de uma acirrada resistência, recorrendo a todos os processos para garantir a sobrevivência política, Salazar conseguiu manter o controlo da situação, fazendo eleger o Almirante Américo Tomás como presidente.

Mas, logo outra tempestade política se levantou com o movimento de descolonização posto em marcha por todo o Mundo. Em 1961, começou a contestação aberta em todas as parcelas do Império Português. A guerra colonial então desencadeada, causou profundas mudanças nas estruturas sociais, económicas e políticas do país.

Assim, na viragem para os anos sessenta, começou o processo de transformações que iriam ditar o fim do salazarismo. Portugal, regularmente censurado pelas suas políticas em todas as instâncias internacionais, estava cada vez mais condenado ao isolamento. A proclamação do orgulhosamente sós de Salazar, era mais um grito de desespero de causa do que a afirmação da força de uma convicção.

 

LINHAS DE ELVAS, nº 361, 5 de Outubro de 1957

As Festas do Povo

                  

Extintos os últimos ecos das Festas do Povo que este ano foram promovidas e levadas a efeito a favor da Misericórdia, cabe ao provedor uma palavra de agradecimento à Comissão Executiva das Festas e de redobrada gratidão aos colaboradores espontâneos – que tantos foram – a par do louvor merecido ao grande Festeiro que foi o povo.

As Festas do Povo que, como se sabe, eram chamadas Festas dos Artistas, são feitas em honra do padroeiro da terra e eram assim designadas por se incumbirem da sua realização as Corporações das Artes e Ofícios e ficarem a cargo de comissões saídas da classe dos artistas.

É preciso dizer que, em Campo Maior, como no conceito popular, artista não é apenas o homem que se distingue pela sua habilidade, pelo seu génio ou pela sua arte. Artista é o operário de construção civil, o sapateiro, o alfaiate, o barbeiro e outros mais que poderíamos acrescentar agora, como o maquinista, o motorista, o mecânico, isto é, os profissionais nascidos com o aparecimento da máquina (…)

Mas o povo começou, desde o início das festas a reclamar o seu quinhão e foi ele que acabou por ser o único e verdadeiro artista.

Foi por isso mesmo que, em hora feliz, alguém se lembrou de proclamar que as Festas dos Artistas passavam a ser as Festas do Povo.

Era o povo que ornamentava as ruas, que decorava os largos, que concebia os arranjos pitorescos ou ingénuos de todos os recantos. Era ele que apresentava engenhos curiosos, fazendo brotar a água como força motriz para accionar minúsculas máquinas.

Recordo-me de ter visto graciosos comboios entrando ou saindo de pequenos túneis, engenhosas azenhas, curiosos moinhos de ventos, tudo com os seus figurantes próprios, dando às ruas, além do grandioso aspecto das decorações, o pormenor por vezes infantil, mas sempre artístico, que tanto prendia a curiosidade das crianças e a natural atenção das pessoas adultas. (…)

 

Pelo Dr. Francisco Tello da Gama

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publicado às 19:32



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