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O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS XXIX

por Francisco Galego, em 27.05.11

OS ANOS 40 (III)

 

Nos dois anos seguintes as Festas não se realizaram. Lá fora, a guerra não parava de se agravar, envolvendo cada vez mais países e expandindo as acções de combate a todas as regiões do mundo, a todos os mares e a todos os oceanos. Até ao verão de 1942, o exército alemão dominava a Europa, o Próximo e o Médio Oriente e o Norte de África. Mas, em Dezembro de 1941, os japoneses atacaram Pearl Harbor, arrastando os Estados Unidos da América para a intervenção directa no conflito e a sorte da guerra começou a mudar. Em Julho de 1942 os japoneses sofreram as suas primeiras grandes derrotas navais e Rommel foi obrigado a bater em retirada em El-Alamein, em Novembro. O avanço alemão sobre a URSS foi travado em Estalinegrado e a contra-ofensiva soviética, obrigou as tropas de Hitler a recuarem até à capitulação em Fevereiro de 1943.

 

 A ambiguidade da neutralidade declarada pelo governo de Salazar, procurando manter relações com ambos os lados do conflito mas ostentando a sua evidente simpatia pelos regimes nazi-fascistas, suscitou o desagrado dos aliados que, no início de 1942, impuseram um bloqueio económico a Portugal.

Nestas condições, a situação agravou-se pois determinados bens, que já eram insuficientes, tornaram-se ainda mais escassos. Os jornais da época, embora de forma muito contida pela acção da Censura, deixavam transparecer as grandes dificuldades que foram impostas às populações.

Apesar destas dificuldades, o ano de 1942 não foi completamente desfavorável para Campo Maior pois, como ano cerealífero, foi considerado muito bom devido às colheitas de trigo, cevada, favas e grão-de-bico, produtos essenciais da agricultura alentejana. Chegou-se mesmo a pensar na realização das Festas. Mas, outras carências tornaram impossível tal intento. Havia também o problema da carência dos combustíveis, da falta de pneus e peças para arranjos dos automóveis e autocarros, o que levou a que os transportes públicos tivessem grandes dificuldades para se manterem em actividade. Isso constituía ainda mais outro impedimento para o normal abastecimento das populações.

 

Jornal de Elvas, Nº 730, 26 de Julho de 1942


FESTAS DO POVO


   Segundo consta, não se realizam este ano as festas do povo, devido à grande falta de papel, madeiras, pregaria e muitos artigos que são necessários para a ornamentação das ruas e, muito principalmente, a falta de transporte e ao melindroso estado da guerra mundial.

 

Jornal de Elvas, Nº 745, 8 de Novembro de 1942


GÉNEROS RACIONADOS


Dos géneros racionados, apenas tem sido fornecido o açúcar. Os restantes, desde o princípio do mês de Outubro findo, que não são distribuídos. Não há sabão, artigo tão necessário como qualquer dos géneros alimentícios. Segundo consta, a autoridade administrativa tem telefonado e telegrafado para todas as entidades que subentendem com a distribuição dos contingentes dos vários artigos, pedindo urgência no seu envio, pois prevêem qualquer mal-estar na população, por falta de higiene tanto pessoal como nos seus lares. Alguns dos habitantes, por falta de sabão, têm comprado sabonetes para lavagem das suas roupas, mas também estes já escasseiam no comércio. Por isso se pedem providências muito urgentes neste sentido.


 

 

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