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Das origens de Campo Maior ( II )

por Francisco Galego, em 26.11.10

"O castelo de Campo Maior é obra muito antiga e muito forte, tanto por razão do sítio, como pelas torres e muros. Foi fabricado pelos mouros e reparado por El-rei D. Dinis, que lhe levantou a maior torre que nele há e, por esta razão, quiseram alguns atribuir-lhe a honra de edificador.

Os romanos lhe deram o nome, com muita propriedade porque, daquele sítio se descobre o maior campo que há por aquele distrito.

Havia junto ao castelo duas aldeias da jurisdição de Badajoz e que entraram nesta coroa com as de Olivença e Ouguela em troco de Aroche e Aracena. A mais populosa se chamava Joannes, ou por ser Bartolomeu Joannes a principal pessoa da aldeia, ou porque a água que a ela vinha era do seu campo da Valada. Dela se descobrem vestígios. A outra se chamava dos Luzios, nome que conserva o sítio e algumas famílias que passaram a Albuquerque.

Os habitantes destas aldeias viviam de cultivar os campos, respondiam com os dízimos à Sé de Badajoz que reconheciam no espiritual. E assim foram continuando até ao tempo de El-rei D. João I e ainda neste tempo (anos de 1644 a 1655) se conserva naquela sé uma dignidade com o título de Prior de Campo Maior.

Logo que estas aldeias ficaram pertencendo à coroa portuguesa, abandonaram os sítio e aproximaram-se do castelo pelas comodidades que daí lhes resultavam, fugindo às rigorosas leis castelhanas, sujeitando-se às piedosas leis portuguesas.

Em favor destes novos moradores, com muita consideração e, sem dúvida, com a aprovação dos moradores de Elvas, desuniu El-rei D. Dinis este castelo de sua jurisdição para o honrar com o título de vila. Foi crescendo pela bondade dos ares, abundância das águas e fertilidade do terreno, até chegar a ser uma das mais populosas do reino. Desta sua origem resulta que, quando alguém quer chalacear com os de Campo Maior, chame à vila Campo Joannes."

 

In, TEATRO DAS ANTIGUIDADES D’ELVAS,Com a história da mesma cidade e descrição das terras da sua comarca, pelo Cónego Aires Varela

 

NOTA: o Teatro Histórico das Antiguidades d’Elvas, obra que se considerava absolutamente perdida, foi escrito pelos anos de 1644 a 1655, ficando o trabalho interrompido por morte do seu autor que ocorreu aos 8 dias de Outubro daquele último ano. Nalguns capítulos, especificamente na última parte, do capítulo VII, refere-se o cónego Aires Varela às guerras que então havia na fronteira, por motivo da definitiva independência de Portugal.

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