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RAZÕES DE ESPERANÇA…(II)

por Francisco Galego, em 21.03.10

Defendo a aposta nas novas gerações porque, além de ter convivido com elas durante quase toda a minha vida, entendo que nos mais jovens se encontra a possibilidade de lançar os alicerces de projectos que gostaríamos que se realizassem no tempo. Afinal são eles que cá estarão num futuro próximo.

Muitos pensam que não vale a pena apostar nos jovens porque estes não se interessam senão com as coisas que os divertem. Com o devido respeito, permitam-me afirmar que não há nada mais errado do que pensar assim. Nas novas gerações há certamente atitudes de desvario que merecem ser censuradas. Ninguém de bom e perfeito juízo será capaz de negar tal evidência. Mas, provavelmente, foi assim em todos os tempos. Eu, por lidar desde há muito com o conhecimento do passado, fui descobrindo os problemas que existiram noutros tempos e verificando que, quanto mais recuamos no tempo, maiores eram os problemas e menores eram os recursos para os resolver.

Vivemos hoje numa sociedade de informação. Tudo que aconteça, em qualquer parte do mundo, chega rapidamente ao nosso conhecimento. E o volume desses factos que diariamente até nós chegam é de tal ordem que chega a assustar-nos.

Os jovens de hoje já nasceram num mundo diferente. A informação faz parte integrante do seu modo de viver. E, se há jovens que se perdem nos descaminhos da vida, isso também acontecia em tempos passados, com a agravante de que os nossos pais e avós não tiveram tantas oportunidades como aquelas que estão a ser dadas aos nossos filhos e netos.

A grande maioria dos que nasceram em Campo Maior no tempo dos pais e dos avós da minha geração, tiveram apenas como oportunidade de vida, sem alternativa nem escolha, arrastarem-se numa vida de esforçado trabalho nos campos, com muito pouco conforto e com a presença constante de carências que hoje nem conseguimos imaginar.

Por mais que os problemas nos atormentem, mantenhamos a confiança num futuro melhor e na capacidade das novas gerações que irão construir as condições de vida no futuro que eles próprios irão construir. O caminho natural da vida é o progresso, ainda que por vezes as coisas desandem de tal maneira que até nos possa parecer que estamos a regredir.

Esta convicção não me vem de uma natureza optimista mas da convicção que retiro do estudo que tenho feito acerca da evolução das sociedades humanas ao longo do tempo. Mesmo os períodos de profunda crise como o que estamos a atravessar são, na maior parte dos casos, fases de transição em que se dão os ajustamentos necessários para resolver os problemas levantados por erros que se foram acumulando e que é necessário corrigir. Mesmo que nos pareça que o mundo “via desabar sobre as nossas cabeças”, convém manter sempre a esperança numa melhoria do tempo que está para vir. Os que se consomem a pensar que o “mundo está perdido” acabam por se condenar a não aproveitarem o que de bom a vida tem para nos dar. Penso assim não por infundado optimismo mas porque procuro desenvolver um pensamento crítico acerca da vida. Pensar criticamente é pensar com optimismo. A melhor forma de encarar o futuro é não querermos que ele seja uma estagnação e uma repetição do passado. Só acreditando que a mudança se dá no sentido do progresso podemos contribuir para a criação de um futuro melhor. O optimismo é uma forma crítica e inteligente de entender o caminho da humanidade.

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