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Coisas que fui escrevendo XIII

por Francisco Galego, em 08.10.09

 

Dentro da profissão docente verifica-se uma tremenda ruptura. A partir de meados do século passado, quando começou a massificação das populações escolares, chegaram à profissão docentes improvisados, destituídos dos saberes científicos, didácticos e pedagógicos necessários ao exercício competente da docência.
A investigação científica, muito alheada das questões escolares, demorou a reagir e a procurar as soluções para os novos problemas que em todos os campos se levantaram: formação dos professores, indisciplina e dificuldades de aprendizagem dos alunos, insucesso escolar massivo e tremendamente selectivo do ponto de vista social.
Tudo isto provocou uma ruptura fracturante, até hoje não resolvida, entre os professores. Enquanto uns aceitaram os novos desafios e fizeram deles o estímulo que os levou a evoluírem para práticas que os transmutaram em autênticos educadores, outros aferraram-se aos velhos hábitos, refugiaram-se nas esgotadas e inúteis rotinas. Esta ruptura manifestou-se em todos os sectores ligados às questões da educação: nas políticas educativas, nas práticas docentes e nas próprias organizações sindicais de professores. Nestas, a proliferação de associações é tanta quanta a confusão que lavra nas aspirações profissionais dos docentes. Algumas destas organizações sindicais privilegiam as opções políticas quase esquecendo as questões educativas. Quase todas elas estão de tal modo focadas na defesa intransigente dos interesses corporativos, que esquecem por completo as questões deontológicas tão essenciais ao profissionalismo docente. Ora, a defesa intransigente dos direitos perde força e razão quando ignora a necessidade de esclarecer e assumir os deveres essenciais que garantem o sentido social da educação. Não é por caso que, com grande prejuízo dos interesses da classe, se vêem tantos bons educadores completamente alheados das questões sindicais.
Ao mesmo tempo, mas de forma muito discreta, vão surgindo profissionais que se agregam á volta das questões educativas: professores, psicólogos, sociólogos, e todos os que trabalham na escola e com a escola para conseguirem preparar as novas gerações. Entretanto e ainda por muito tempo, as escolas apresentarão este carácter confuso, algo anárquico e desorganizado que lhes confere um certo ambiente de confusão. É que, nas escolas de hoje, coexistem maneiras muito diferentes de estar na profissão. Apenas uma minoria consegue ultrapassar as dificuldades e, qual fermento levedando a massa, vão trabalhando no sentido de desenvolver uma acção que podemos considerar verdadeiramente educativa. São estes os educadores de que a escola necessita para responder aos desafios que hoje se colocam no domínio da educação.
 

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