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O escândalo dos salários dos altos quadros

por Francisco Galego, em 12.05.09

 

 A crise veio dar relevo de escândalo aos salários dos altos quadros, gestores e administradores das grandes empresas
               Cada administrador executivo de dez das maiores empresas portuguesas cotadas na Bolsa, terá recebido no ano de 2008, um salário médio de cerca de oitocentos e onze mil euros. Ou seja, 136 vezes mais do que o que aufere num ano uma pessoa com o salário mínimo nacional. Um português com salário mensal de mil euros precisaria de duas vidas para conseguir um rendimento igual ao que cada uma desses gestores recebe num ano.
O sistema chegou a tal situação que hoje os que mais lucram e que mais poderes têm sobre as empresas não são os seus proprietários e accionistas, mas aqueles que eles contrataram para as dirigirem. Porque são esses administradores e gestores que tomam todas as decisões, incluindo as dos salários que a si próprios se atribuem. São detentores de tal poder que, na maior parte dos casos, se comportam como se estivessem acima de quaisquer regras ou princípios de ética.
O caso da AIG, que recebeu 173 milhões de dólares do governo dos Estados Unidos para fazer face à situação de insolvência em que se encontrava devido à crise, é paradigmático deste tipo de comportamento: tendo recebido, em consequência das medidas de apoio ao relançamento da economia, esses 173 milhões, os responsáveis pela gestão apressaram-se a atribuir a si próprios, benefícios salariais que absorveram 165 milhões, ou seja, a maior parte, sem qualquer preocupação de viabilização da companhia seguradora. Isto, se tivesse sido permitido pelo governo, consistiria na incrível situação de ser o dinheiro dos contribuintes que iria recompensar os que eram os principais responsáveis pela má gestão e pelos maus resultados obtidos. Bela maneira de premiar a incompetência.
Como evitar práticas tão abusivas quanto ofensivas do bom senso e lesivas de qualquer conceito de justiça social? Através de medidas que cortem estas insaciáveis ambições, como fez o presidente Obama que determinou impostos a cobrar sobre esses benefícios salariais os quais fizeram regressar uma grande parte dessa verba aos cofres do Estado.
Por cá tem havido uma certa contenção, havendo mesmo grandes empresas que têm anunciado reduções ou congelamentos dos vencimentos dos seus altos quadros de gestão e administração. Mesmo assim, existem situações que não deixam de causar escândalo, dada a conjuntura de crise que se vive e a abissal diferença entre esses vencimentos e a situação dramática em que vive uma grande parte da população. O próprio Presidente da República chamou a atenção para o problema.
 

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publicado às 18:26


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