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             João Dubraz era um campomaiorense dos sete costados e passou quase toda a sua vida em Campo Maior donde se ausentou muito poucas vezes. Na sua obra “Recordações…”, refere uma ida a Lisboa em 1936, ao que parece para uma ausência que não terá sido muito demorada.

Mais tarde, devido ao seu envolvimento nos acontecimentos políticos de 1846, no dia 17 de Outubro foi preso e conduzido a Elvas, tendo ficado encarcerado, sem qualquer julgamento ou condenação, até ao dia 16 de Março de 1847, data em que, mediante um plano de fuga cuidadosamente preparado, conseguiu fugir indo refugiar-se na vila de Arronches, onde se encontravam os seus partidários na luta contra a ditadura cabralista. Mas, como o decorrer dos acontecimentos políticos não foi favorável aos progressistas, os adversários cabralistas não lhe permitiram o regresso a Campo Maior.

João Dubraz esteve primeiro exilado numa herdade junto à fronteira, pertencente ao deputado espanhol D. Manuel Molano, onde permaneceu desde 23 de Junho até 26 de Agosto de 1847. Reputado de perigoso, recusaram-lhe o passaporte para Campo Maior, Elvas, Portalegre e Évora. Só o conseguiu para Lisboa, para onde teve de partir e donde regressou a Campo Maior em 10 de Outubro de 1847.

Ele próprio refere na sua obra: “De Lisboa voltei a Campo Maior em 10 de Outubro, dia em que me prendeu à sociedade um novo laço, que devia modificar um pouco a minha índole voluntariosa. Casei.

Casou com D. Ana Félix, viúva, filha de antigo comerciante na Rua da Misericórdia. Deste casamento resultaram os seus três filhos: Artur, oficial do exército; Alfredo Constantino, bibliotecário municipal; Alexandre Herculano, funcionário público. E mais um enteado, José António Félix dos Santos, filho do primeiro casamento da esposa com José António dos Santos, à educação do qual dedicou tantos cuidados como se seu filho natural fosse.

Foi nessa altura que resolveu acabar com toda a sua participação em actividades políticas, cortando radicalmente com o seu passado de activo militante em prol dos seus ideais democráticos: “A primeira servidão, pois, de que me desembaracei sem pesar nem violência grande ou pequena, foi da de partidário … Aos princípios continuaria a prestar culto e do meu passado não renegava coisa alguma.” (Recordações… p.132)

Serenada a crise política que ele próprio descreve na sua obra e que lhe acarretou tão nefastas consequências pelas perseguições de que foi vitima, chegava a hora de dar novo rumo à sua vida que, até então, fora tão atribulada.

Por força das circunstâncias, seguindo a actividade de seu pai, dedicou-se à vida comercial. Segundo um artigo publicado no jornal elvense Democracia Pacífica: “Aí empregava as horas, em que os fregueses o deixavam em paz, a ler e a estudar, porque a actividade febril do seu espírito se não casava facilmente com os ócios que proporciona semelhante modo de vida.”

Começou então a dedicar-se a uma das actividades em que ocupou boa parte da sua vida: a escrita.

Terá entretanto chegado à conclusão de que a vida do comércio não era a que melhor servia os seus objectivos e o seu projecto de vida. Assim, deixou Campo Maior rumando a Lisboa.

No período em que se dedicou ao comércio, terá escrito o “Achmet, conto de fadas fundado em lendas populares, publicado em 1852”. Por esse tempo João Dubraz publicou também alguns artigos no jornal Pharol que se publicava em Lisboa. Tudo isto foi dado à estampa sob anonimato, talvez porque o autor receasse a severidade do julgamento que lhe poderia fazer a elite de Lisboa. Mas, a imprensa da época acolheu muito favoravelmente os seus escritos, considerando muito auspiciosa a estria de incógnito autor.

João Dubraz terá aproveitado esta estadia na capital para aperfeiçoar os seus conhecimentos e criar as condições para poder dedicar-se a actividades mais compatíveis com as competências adquiridas graças aos seus esforços de autodidacta. Adquiriu os conhecimentos necessários para se poder apresentar como candidato a uma cadeira de francês e latim, tendo obtido, sem grande dificuldade, aprovação nas provas do seu concurso. Com isso, ficou habilitado para depois se tornar professor do ensino secundário em Campo Maior.

Mais tarde, dedicou-se ao estudo do direito e, tendo-se apresentado a prestar provas em Elvas, passou a exercer também como advogado provisionário, junto do tribunal desta comarca.

 

 

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