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Costa Cabral, governou o país, com mão de ferro e com forte apoio da rainha, desde o golpe constitucionalista de 27 de Janeiro de 1842 até ao início de 1846.
A grave crise económica que o país atravessava, agravou-se em 1845 com o mau ano agrícola que aumentou as dificuldades que a população suportava. Do ponto de vista político, os excessos do autoritarismo do governo congregaram na oposição um vasto sector político que colhia o apoio de miguelistas, progressistas e até mesmo cabralistas dissidentes, que não aceitavam a forma prepotente de governo imposta pelo de governo de Costa Cabral que, nesse mesmo, ano fora agraciado pela rainha D. Maria II com o título de conde de Tomar.
As revoltas populares levaram à queda do governo em 18 de Maio de 1846 e Costa Cabral teve de se exilar em Madrid.
Em Campo Maior dera-se o golpe militar de 24 de Março, em consequência do qual, João Dubraz fora constituído como administrador do concelho.
Mas a situação política manteve-se instável. O governo do duque de Palmela foi de curta duração porque, a 6 de Outubro de 1846,um golpe de Estado – a Emboscada – organizado do exílio em Madrid por Costa Cabral, dirigido por Saldanha, com o apoio da rainha, provocou a queda do governo de Palmela e a constituição de novo governo de cariz ainda mais autoritário e centralizador do que os anteriores governos cabralistas.
A situação política tornou-se insustentável e as forças de oposição juntaram-se de novo numa resistência determinada contra o cabralismo. Setembristas, miguelistas e cartistas dissidentes uniram-se na formação das juntas revolucionárias que culminaram na revolta da Patuleia (Outubro a Junho de 1847).
Mas, as potências estrangeiras acudiram em socorro do partido apoiado pela rainha. Esta intervenção determinou a derrota dos revoltados que, pela Convenção de Gramido (29 de Junho de 1847), consagraram a vitória do governo. Foram realizadas eleições em Agosto que deram a vitória ao partido de Saldanha e Costa Cabral
Em Junho de 1849 Costa Cabral regressou ao do país, assumindo a chefia do governo até ao golpe político militar da Regeneração em Abril de 1851.
Em Campo Maior viviam-se apaixonadamente estes acontecimentos.
 Logo a seguir à Emboscada, João Dubraz que fora de imediato destituído como administrador do concelho, foi preso e conduzido para Elvas: Às dez horas da manhã do dia 17 de Outubro de 1846, escrevia no meu quarto de dormir uma longa carta, quando repentinamente entrou meu pai e me disse pálido de comoção: É bem feito! Aí vêm prender-te!
Em baixo esperavam-no um oficial de diligências e três soldados. Outros tantos soldados esperavam com Epifânio Lopes da Mata, no Largo do Terreiro. Seguiram ambos presos até à casa do administrador do concelho, Vitorino, na Rua Direita, o qual lhes leu um ofício expedido de Estremoz, que ordenava a prisão de ambos e a sua condução a Elvas. Foram de seguida transportados para cadeia civil, tendo sido conduzidos pelo itinerário que desse maior exposição, a fim de que fossem publicamente expostos e humilhados: Rua Direita acima, Rua Nova, quartéis do castelo e Barreira. Foram prevenidos de que ao meio-dia partiriam para o Forte da Graça.
Pouco antes da hora marcada desceram da cadeia para a Praça Velha, onde estava formada a tropa. Saíram da vila pela “Estrada Velha”, a que partia da Porta da Vila. Os dois prisioneiros seguiam a pé enquadrados pelos soldados, os quais tiveram gestos e comportamentos tão estranhos que os dois prisioneiros se puseram de sobreaviso. Numa paragem de meia hora que fizeram junto ao Caia, dois soldados começaram a simular uma luta de baionetas, à laia de diversão. Mas a brincadeira foi-se tornando uma crescente provocação directa aos prisioneiros.
João Dubraz, com muita coragem e sangue frio, tinha conseguido conquistar a boa vontade do sargento, do oficial, bem como a de sua esposa que acompanhava o destacamento e mesmo a simpatia dos outros soldados. Isto valeu-lhes a pronta intervenção que acabou com a perigosa situação que lhes poderia ter custado a vida.
O sargento viria a confidenciar depois aos dois prisioneiros, que um mal intencionado, no castelo, antes da partida de Campo Maior, dera vinho misturado com pólvora aos soldados e mandara carregar com balas dezoito espingardas…
 Acabaram por não ir parar ao Forte da Graça mas à cadeia civil na qual entraram às sete horas da noite, no quarto de Nª Senhora do antigo Palácio dos Condes de S. Lourenço, onde iriam ficar pelo período de quase meio ano.
A situação no país continuava caótica. Na província do Alentejo só Elvas, Campo Maior e Estremoz obedeciam ao governo de Lisboa. Em Campo Maior, segundo as notícias que chegavam à prisão de Elvas, a situação era cada dia mais anárquica, pois o desmando autoritário dos novos governadores - o militar Abreu e o administrativo Vitorino – com a sua prepotência, punham tudo e todos em questão.
A situação geral era de guerra civil: a maior parte do território, estava com os patuléas e obedecia à junta do Porto. Contudo, todas as tentativas de confronto militar tinham resultado em vitórias do partido favorável ao governo e à rainha. Só em Março de 1847 foi possível às hostes revolucionárias, lançar uma vigorosa ofensiva contra as forças realistas.
A mudança da conjuntura política tornou possível estabelecer o plano de fuga que João Dubraz adiara enquanto entendera que a situação não era favorável aos seus intentos. Sabendo que os inimigos jamais o libertariam, porque isso equivaleria à confissão da sua estúpida tirania, achou que era chegado o momento de se libertar da opressão em que os tinham mantido por cinco longos meses.
A fuga teve lugar em 16 de Março de 1847. Estiveram escondidos em Elvas até 21 de Março, saíram disfarçados de valadeiros para passarem às Portas de Olivença, fortemente vigiadas. A primeira metade do mês de Março de 1847 fora fria e chuvosa; a terra estava encharcada e, a cada instante tínhamos que atravessar pântanos, onde nos atascávamos até ao joelho. Epifânio marchava com dificuldade devido a uma enfermidade que sofrera na cadeia e que o debilitava. Seguiram caminho pela freguesia da Ventosa, passaram perto de Santa Eulália, parando na Herdade de Almeida do lavrador colono Rasquilha que os ajudou com roupas, guias e cavalgaduras, seguiram pela margem direita do Caia até Arronches onde chegaram ao meio-dia de 22 de Março…
Pouco depois da sua chegada, tendo a cavalaria estacionada em Arronches saído para se apoderar de farinha nos moinhos do Xévora, no regresso, com os carros carregados do saque, tiveram um confronto com a cavalaria de Campo Maior. Neste combate, perto de Degolados, a 24 de Março de 1847, os cartistas de Campo Maior portaram-se muito mal. Assustados pela carga dos soldados da junta, fugiram em debandada largando as armas. Foram facilmente vencidos, apesar de serem em número de cento e sessenta e os contrários apenas noventa e sofreram pesadas baixas: cinco mortos, dezoito feridos e muitos ficaram prisioneiros em Arronches.
A Convenção de Gramido impôs a amnistia a todos os implicados nos acontecimentos dos últimos dois anos. Mas, em Campo Maior, os progressistas continuaram a ser considerados como uma espécie de partido fora da lei.
João Dubraz chegara então aos 29 anos e meio de idade.

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publicado às 17:02


1 comentário

De TEMPLO DO GIRALDO a 03.04.2008 às 21:47

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