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A FEIRA DE AGOSTO, HÁ 137 ANOS

por Francisco Galego, em 29.08.19

(...) Tivemos nos dias 15, 16 e 17 a feira anual, feira única, que talvez fosse de grande benefício  para a povoação que se não fizesse, visto não trazer dinheiro de fora, e antes ser ocasião para o metal sair em inúteis despezas, mais capazes de manterem o vício do luxo, que de realizarem as convenientes trocas entre o que a vila tem demais e o que aqui se sente de menos. 

         Já há tempos se pensou em melhorar esta feira, adoptando-se meios conducentes a acudirem aqui gados das espécies próprias do trabalho agrícola, de modo a tornar-se mais útil este mercado anual que, como está, é inferior a muitos mercados semanais de terras que, nesse ponto, foram mais felizes.

         Antigamente, esta feira fazia-se a 24, 25 e 26 de Agosto. Mas, porque coincidia com as de outras vilas, não muito afastadas, parecia ser isso a causa do amesquinhamento da nossa. Foi transferida para os dias em que agora se faz.

Mudou de local. Foi transferida para fora da porta de S. Pedro. Cuidado perdido que não resultou, pois a tentativa passou a ter mais pó, mais aperto com as dificuldades policiais, enfim, um fiasco completo, que só se fez por dois ou três anos.

         Volveu a feira ao seu ao seu campo tradicional, ou seja, voltou a ser quadripartida entre a praça de D. Luís (actual Praça da República), a rua de S. Pedro (ou Major Talaya), a rua 13 de Dezembro ( ou da Canada) e o largo dos Carvajaes.

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Nota: Esta é a notícia mais antiga que conheço sobre a "Feira de Campo Maior". Foi publicada no jornal "O Elvense", nº 173, de 24 de Setembro de 1882, pág.s 1 e 2. 

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publicado às 16:52


O PERCURSO DE UMA VIDA ...

por Francisco Galego, em 25.08.19

AOS 78 ANOS DE IDADE: 

Francisco Jesus Pereira Galego 

            - Nasci em 1 de Agosto de 1941, numa sexta-feira, eram 9 horas e dez minutos, em casa de meus pais, na Rua da Poterna, vila de Campo Maior.

            - Fui baptizado na Igreja Matriz de Campo Maior, no dia 5 de Abril de 1942.

PAI: José Pereira Toureiro Galego

            - Nasceu em 20 de Novembro de 1915, na casa de seus pais, na Rua da Poterna   (antiga Rua da Estalagem Velha).

            - Casou em 2 de Março de 1941, às 16 horas, na igreja paroquial - Matriz de Campo Maior -, registo na conservatória de Registo Civil de Campo Maior de 26 de Fevereiro de 1941, tendo 25 anos de idade, com Palmira Rosa da Conceição de Jesus.

            - Faleceu em 17 de Março de 1989

            - Filho de Francisco Martins Galego, nascido em 1882 e de Ana do Carmo Serra,            nascida em 1889.

            - Neto paterno de Manuel Martins Galego, nascido em Cernache de Bom Jardim,  mas, durante quase toda a sua vida activa, residente em Campo Maior, - onde faleceu -,  e de sua mulher, Maria do Carmo Borrega, natural de Campo Maior, conhecida por Maria a “Manca”, devido ao defeito que tinha numa das pernas.

            - Neto materno de Francisco Pereira Toureiro e de Mariana do Carmo Serra

            Teve dois irmãos:

            - Francisco Pereira Toureiro Galego, nascido em Campo Maior, em 19 de Maio de 1918 e falecido em Belém-Pará, no Brasil, em 2002. Era casado com Benilde Baptista, natural de Albergaria-a-Velha, onde residiram até emigrarem para o Brasil.

            - Maria do Carmo Toureiro Galego, casada com o moleiro viúvo e muito surdo,   Bértolo da Cal; depois da morte do marido foi viver para a Bélgica, para onde a filha tinha emigrado.

MÃE: Palmira Rosa da Conceição de Jesus

            - Nascida, em 20 de Setembro de 1917, na freguesia de S. Pedro, em Elvas.

            - Filha de Jacinto de Jesus, soldado da GNR, natural da mesma freguesia da   mesma cidade, nascido em 23 de Setembro de 1888 e de Maria da Conceição, nascida na Freguesia de Degolados, então freguesia de S. Bartolomeu, concelho de Arronches, em 1897.

            - Mais tarde, viria a usar oficialmente o nome de Maria Catarina Durão Cainço, ou Maria da Conceição Durão Cainço.

            - Neta paterna de Manuel de Jesus e de Feliciana da Conceição, naturais e           residentes em Elvas.  

            - Neta materna de José António Durão Cainço e de Mariana Rita, naturais e         residentes em Degolados, povoação então integrada na freguesia de S. Bartolomeu, no concelho de Arronches.

            - Casou aos 22 anos de idade, no dia 4 de Março de 1941.

            - Faleceu em 20 de Junho de 1990.

            - Dos irmãos que teve, nenhum sobreviveu a doenças na infância. Apenas três

irmãs mais novas: Mariana, Alice e Ana Maria, que viveram e faleceram em Campo Maior.  

FACTOS QUE MARCAM AS PRINCIPAIS FASES DA VIDA

            - Nasceu em 1 de Agosto de 1941, por volta das 9 horas, na rua da Poterna, em      Campo Maior, parto assistido por uma vizinha, nomeada como a “comadre Amália”.

            - Aos 8 anos passou a morar na Rua Major Talaya, no mesmo edifício em que        funcionava o comércio de seu pai que se tornara proprietário do prédio.

            - Frequentou a Escola Primária de 1948 a 1952; primeiro numa aula que funcionava no rés-do-chão do edifício da Câmara Municipal e depois, a partir de oito de Janeiro de 1949,  num novo edifício (do tipo Centenário da Restauração, construido perto da  “Fonte Nova”).

            - Preparado por Júlio Filipe, seu professor primário, em aulas particulares, foi      fazer exame de admissão ao ensino liceal, no Liceu de Portalegre, em Junho de 1952, tendo-se também aí apresentado aos exames do 2º ano, em Junho de 1954.

- Em Outubro de 1954, começou a frequentar o 3º ano do ensino liceal, no Liceu Nacional de Évora, cidade onde passou a viver até Dezembro de 1956. Devido às más condições de instalação em casa de uma familiar, esse factor determinou fracos resultados escolares. Daí foi para a aldeia de Mouriscas, perto de Abrantes, frequentar um pequeno colégio, em regime de internato, tendo concluido o exame do 5º ano no Liceu Nacional de Santarém, em Junho de 1956.

            - Regressou a Évora para frequentar o 6º ano do ensino liceal, secção de Ciências,        alínea F, no ano lectivo de 1956-1957. Os resultados foram de novo desastrosos, tendo, por isso, ido para Coimbra, em Outubro de 1958, para frequentar o 7º ano do Curso Complementar dos Liceus. Também aí os resultados não foram melhores. O Colégio de S. Pedro, de antiga fama, arrastava-se já numa fase de grande decadência: as instalações eram más e o corpo docente muito pouco empenhado.

- Em 1958 mudou para Castelo Branco. Aí começou a tornar-se evidente haver certa incompatibilidade entre o percurso escolar virado para as disciplinas ditas de “Ciências” e o interesse pelos saberes mais ligados às chamadas humanidades, ou “Letras”.

- A guerra colonial atingia o seu ponto alto. Tendo já adquirido alguma consciência política, tornava-se-me difícil a aceitação do serviço militar que implicaria participar numa guerra com a qual não concordava. Porém, escapar era quase impossível, sobretudo se estivesse na situação de poder ser integrado como oficial, destino certo dos que tinham frequentado a universidade.

            Traçou então um plano: adiar o avanço nos estudos; preparar uma possível fuga    para lá dos Pirinéus. Tinha assegurado emprego em Genéve. Entretanto, iria adquirindo alguma cultura.

Ao mesmo tempo procurava, por dieta voluntariamente assumida, que o  aspecto físico pudesse facilitar a  não aprovação para o serviço militar. O que, para grande alívio, viria a acontecer.

Com tudo isto, só entrou na Universidade de Lisboa, com 21 anos de idade.

Por influência de um amigo com quem muito convivera em Coimbra, escolheu o curso de Filosofia. Aprovado, embora tivesse feito exame de admissão em Coimbra, matriculou-se na Universidade de Lisboa. Foi com grande sacrifício que levou a frequência desse curso até ao 4º dos 5 anos da licenciatura, tendo sido aprovado nas discilinas correspondentes ao bacharelato. Mas, o curriculo do curso e tipo de ensino propiciado eram muito pouco motivadores.

Entretanto, quanto já estava a frequentar o quarto, dos cinco anos do curso, devido à actividade desenvolvida como activista associativo - (presidia à Pró-Associação dos Estudantes da Faculdade de Letras, - a qual, em tempo de ditadura, não era oficialmente reconhecida, nem autorizada). Acusado de acção subversiva, sofreu uma detenção na cadeia de Caxias, seguido de um processo disciplinar que se traduziu na condenação a não poder matricular-se em qualquer universidade, pelo período de dois anos. Perante isto, a vida académica chegara a um impasse. Além da pena de suspensão da matricula, recusaram mesmo conceder-lhe o diploma de bacharel, pelo conjunto das cadeiras em que tinha obtido aprovação. Apenas poude utilizar algumas delas, anos depois, quando se matriculei no curso de História.

Para maior confusão, tal aconteceu no ano em que tomara a decisão de contrair o seu primeiro casamento. Foi um tempo de grande confusão. Caira na teia muito complexa de uma família da classe média e de aparente normalidade, mas enredada numa trementa trama de que demorou algum tempo a tomar consciência. Arrastado para problemas de que apenas podia suspeitar, foi tomando consciência de que a única solução era sair, logo que fosse possível, de um enredo ao qual não queria pertencer e que constituiria séria ameaça ao seu equilibrio mental e emocional, se dele não se conseguisse libertar. Havia de atingir esse objectivo três anos depois que  ficaram a pesar como se fosse um período bem mais alargado. Claro que nem tudo foi mau. Desse casamento resultou um filho que tem, ao longo dos anos, compensado o martírio desse doloroso período da sua vida.

            Procurou então retomar a  vida académica, inscrevendo-se num curso de três anos que, - tendo sido criado por  outro ministério que não o da Educação -, não estava, portanto, integrado na estrutura jurídica e administrativa das universidades. Logo, nele não se aplicava a sansão disciplinar que lhe tinha sido imposta. Tinha já  concluido o segundo ano quando a PIDE, tendo disso tomado conhecimento, exigiu a sua exclusão bem como a anulação de todas os exames que já tinha efectuado.

Foi bastante penalizador porque o curso, - que se desenvolvia nas áreas da Sociologia, da Economia e do Direito -, era bastante interessante e estava a obter nele bons resultados. Isto acontecia no recém-formado “Instituto de Ciências Sociais”. Não adiantaria argumentar contra a ilegalidade do procedimento. Então, em ditadura, a Lei era adaptada às decisões que fossem mais convenientes para quem detinha o poder.   

            Um grande amigo do curso de Filosofia, sacerdote franciscano, moveu influências e conseguiu-lhe a colocação como orientador de leitura, nas Bibliotecas Itinerantes da Câmara Municipal de Lisboa. Era um trabalho interessante que, no fundamental, consistia em aconselhar e orientar as escolhas dos leitores. Mas, ao fim do primeiro ano, quando ia ser integrado no quadro como efectivo, foi excluído devido à informação da PIDE que o impedia de ser integrado na função pública.

Felizmente, um pouco mais tarde,  conseguiu ser contratado por uma escola particular como professor de História, que leccionava cursos que funcionavam em horário nocturno, em regime intensivo, preparando os alunos para serem avaliados nos exames, nas escolas oficiais e nos liceus. Esses cursos eram uma oportunidade de aquisição de habilitações académicas para os que, estando já na vida activa, procuravam com essas habilitações poderem ascender nas suas carreiras profissionais.

Depois de tanta perseguição, em termos profissionais, foi de facto uma grande sorte. Aquele tipo de ensino – para adultos, altamente motivados – determinou, de forma muito particular, a estruturação da uma atitude que constituiu a base para a definição da sua atitude enquanto educador e professor.

Após o 25 de Abril de 1974, acabada a ditadura, tornou-se-lhe possível regressar à Faculdade para concluir uma licenciatura. Resolveu mudar de curso, escolhendo a licencitura em História. Primeiramente, porque, ao leccionar História, tinha encontrado a área de conhecimentos que melhor se enquadrava nos seus interesses. Em segundo lugar, porque, terminado o curso, foi finalmente, para o destino que tinha traçado – ser professor e educador.

Terminada a licenciatura, já após o 25 de Abril, ingressou no ensino oficial.

 Depressa constatou que a experiência de oito anos com os adultos, tinha feito dele um professor que se distinguia de muitos dos colegas com quem iria conviver.

Nesse tempo, já ultrapassado o trauma do divórcio, encontrara a companheira que, desde logo, se tornara a base fundamental de tudo o que passou a ser importante. Esta segunda relação - pela maturidade, pela assunção plena do compromisso, - pela comunidade dos objectivos e dos interesses, pelo companheirismo nos projectos e pela entre-ajuda nos caminhos a percorrer -, foi o verdadeiro casamento. Dele nasceram um filho e uma filha.  Odois netos e duas netas, que  dois dos filhos geraram, vieram completar a sua actual família.

O seu modo diferente de exercer a  acção como docente tornou-se notado e comentado. Daí o ter surgido o convite para integrar, como docente requisitado, o lugar de professor assistente, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, integrado no projecto de formação para os que, estando a terminar os seus cursos, se destinavam à carreira docente.

 Frequentou então o mestrado em Ciências da Educação, acabado o qual, em 21 de Abril de 1993, se poderia ter candidatado a um doutoramento, abrindo caminho a uma carreira como docente universitário. Recusou, achando que, em coerência com o seu projecto pessoal, o que fazia sentido, era ir aplicar os conhecimentos adquiridos, retomando o seu trabalho no ensino secundário. Quando foram criados os Centros de Formação de Professores, poude acumular, tornando-se formador do centro que ficou instalado na escola em que leccionava  e como consultor da formação.

- Reformou-se aos 65 anos de idade. Resolveu regressar às origens, voltando para a terra e para a casa de seus pais, já falecidos. Envolveu-se  noutro projecto para compensar a ausência de ocupação útil: Dedicar-se a estudar e divulgar a história da sua terra natal.  Esta missão foi algo retardada pela solicitação de criar e manter uma “Universidade Senior”, projecto a que se dedicou durante sete anos.

Chegado aos 72 anos, impôs-se uma paragem. Não foi fácil por não ter o hábito de estar sem ter projecto definido em que pudesse manter-se ocupado. Daí o ter-se dedicado ao estudo e divulgação da história local, tendo já publicado mais de uma dezena de livros

E, AQUI ESTOU, ENVELHECENDO, RETORNADO À TERRA ONDE NASCI ...

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publicado às 18:28


EM QUE IRÃO TORNAR-SE AS FESTAS?

por Francisco Galego, em 22.08.19

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS NA VILA DE CAMPO MAIOR

Vila de dimensão média, muito isolada no interior de um território, Campo Maior, passou por fases extensas de grande isolamento que a marcaram de um ponto de vista cultural.

Encostada junto ao limite que é a fronteira com a Espanha - que a separou pela língua e que lhe definiu as limitações dos contactos -, principalmente em tempos de poucas e, por vezes, bastantes difíceis condições de comunicação -, desenvolveu formas próprias de viver e de conviver que definiram modos próprios de comportamentos sociais.

Ora, as manifestaçõe culturais que nascem numa sociedade, reflectem o seu modo de existir. E, logicamente, as fases que marcam os períodos da sua evolução, expressam-se pelas características linguísticas e pelos comportamentos sociais.

Em finais do século XIX, com o desenvolvimento das actividades agrícolas, começou a emergir uma nova estrutura social, a dos artístas, ligada às profissões artesanais que asseguravam a construção e manutenção dos equipamentos agrícolas: carpinteiros, ferreiros, albardeiros, ferradores, caldeireiros... E, os elementos destas novas profissões, vão ter tal influência que originaram uma festa  que passou a ser designada como a festa dos artistas. Por semelhante razão, quando nelas se envolveu todo o povo, integrado na ornamentação das ruas, passaram a ser designadas como as festas do povo. 

E agora em que já não podemos garantir as agregações dos moradores da mesma rua que levavam à formação das "comunidades de vizinhos" que assumiam a sua ornamentação sempre que se realizavam as festas?  

Parece-me pertinente  colocar a questão:

Se agora, a sociedade local está organizada  de nova maneira, tornando-se pouco possíveis  os serviços dos artesãos, por serem muito reduzidos os que poderiam desempenhar os trabalhos que lhes eram próprios, e se a própria população mudou de forma acentuada o conjunto das suas necessidades, que feição irão tomar as manifestações de celebração colectiva na vila de Campo Maior?

Porque, é natural que assim seja. As manifestações culturais, que nascem numa sociedade, tendem a reflectir as fases e a evolução dessa mesma sociedade. Ou seja, tem cabimento colocar a seguinte questão: Como irão evoluir as "festas", aqui, em Campo Maior?

 

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publicado às 14:55


MAIS NOTÍCIAS ANTIGAS DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 10.08.19

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Notícia publicada no número 4,  do jornal, - O Elvense - publicado em Elvas no dia 1 de Julho de1880,  pág. 3.

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A FEIRA DE AGOSTO, HÁ 137 ANOS

(...) Tivemos nos dias 15, 16 e 17 a feira anual, feira única, que talvez fosse de grande benefício  para a povoação que se não fizesse, visto não trazer dinheiro de fora, e antes ser ocasião para o metal sair em inúteis despezas, mais capazes de manterem o vício do luxo, que de realizarem as convenientes trocas entre o que a vila tem demais e o que aqui se sente de menos. Já há tempos se pensou em melhorar esta feira, adoptando-se meios conducentes a acudirem aqui gados das espécies próprias do trabalho agrícola, de modo a tornar-se mais útil este mercado anual que, como está, é inferior a muitos mercados semanais de terras que, nesse ponto, foram mais felizes. Antigamente, esta feira fazia-se a 24, 25 e 26 de Agosto. Mas, porque coincidia com as de outras vilas não muito afastadas, parecia ser isso a causa do amesquinhamento da nossa. Foi transferida para os dias em que agora se faz. Mudou de local. Foi transferida para fora da porta de S. Pedro. Cuidado perdido. Não resultou a tentativa, pois passou a ter mais pó e mais aperto com as dificuldades policiais.  Enfim, um fiasco completo, que só se fez por dois ou três anos.

Volveu a feira ao seu ao seu campo tradicional, ou seja, voltou a ser quadripartida entre a praça de D. Luís (actual Praça da República), a rua de S. Pedro (ou Major Talaya), a rua 13 de Dezembro ( ou da Canada) e o largo dos Carvajaes ...

Esta é a notícia mais antiga que conheço sobre a Feira de Campo Maior, publicada no jornal “O Elevense”, nº 173, de 24 de Setembro de 1882, pág. 1 e 2.

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publicado às 00:05


ASSIM, NESTE ESTADO D´ALMA...

por Francisco Galego, em 05.08.19

Do fundo da memória, emergiu esta bela e triste poesia, carregada de uma conformada consolação com este viver sempre o mesmo...

  

Viver sempre também cansa!


O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...

(José Gomes Ferreira)- (1900-1985)

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publicado às 10:06


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