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Campo Maior recebeu a visita do magistrado superior do distrito (…)

            Muitos foguetes anunciaram, na tarde de 26 de Outubro, a chegada do ilustre visitante, que veio de Elvas acompanhado por alguns cavalheiros que o foram esperar ao caminho. Fizeram-lhe as honras da entrada as duas filarmónicas da vila em grande uniforme e, tanto Sua Exª como o Sr. Resende, digno oficial do governo civil, foram hospedados em casa dos S.r.s Carvajais.

No dia 27 ao meio-dia, o chefe do distrito foi aos paços do Concelho, onde a câmara o esperava (…)

O Sr. Governador Civil examinou o arquivo municipal e notou ao digno presidente da câmara a falta dos Anais do Município (…)

Saindo da câmara foi visitar a administração do concelho, a repartição da fazenda, a secretaria dos celeiros comuns de Campo maior e Ouguela, o Hospital, o observatório meteorológico e as escolas. (…)

(Depois visitou o castelo.)

No dia 28 …visitou os templos admirando as formosas capelas da Matriz e a rica construção de S. João Baptista …Depois foi Sua Ex.ª ver a ruína lastimosa que se chama convento de S. João de Deus e opinou pela conveniência de se colocarem ali as aulas públicas, aproveitando-se alguns restos ainda úteis, mas que passados oito a dez anos não seriam já aproveitáveis para coisa alguma.

Sua Exª terminou o seu dia de viajante culto e inteligente observador com uma ida ao cemitério público e a alguns outros edifícios que mereciam ser vistos.

Eis o que uma testemunha ocular pode dizer da visita do Ex.º Sr. Basílio Cabral Teixeira de Queiroz Júnior no ano de 1866.

 

JOÃO DUBRAZ -  (In, DEMOCRACIA PACÍFICA, Nº 4, 4ª-feira , 7/11/1866)

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publicado às 00:05


DO POPULISMO...

por Francisco Galego, em 23.10.18

Neste nosso tempo, vemos-nos frequentemente confrontados com atitudes, acções e manifestações de casos que incluimos no conceito de populismo. Este conceito que, nas suas origens, apontava para uma avaliação positiva das atitudes que como tal eram referidas, são agora cada vez mais frequentes e têm uma avalição cada vez mais pesada e negativa. Em contrapartida, quanto mais negativa, mais atrai a colaboração e o apoio de um maior número de gente.

São os casos que implicam a exposição e humilhação de acusados, mesmo quando não existe ainda prova confirmada de que existe culpa. São as reacções dos que, armados em justiceiros, inventam, proclamam de longe publicando acusações e comentários, por via directa, ou através de meios de comunicação social, levando-nos a pensar que, ainda que os meios tenham mudado muito, são homens muito iguais aos que encheram os circos romanos para verem os cristãos serem acusados e lançados às feras, ou os que acorriam às praças públicas para assistir à exposição e à morte na fogueira, dos acusados de crimes vários pela Santa Inquisição.

Onde é que, nestes casos de insano populismo, está a racionalidade que o deve distinguir os homanos dos outros animais? Como conciliar essas atitudes com a frequente proclamação de que os homens devem agir de modo virtuoso?

O homem virtuoso deve pensar antes de agir. E agir bem, segundo regras que garantam a justiça e o bem comum da sociedade. Devem ser virtuosos e corajosos dominando os seus impulsos, sem se deixarem dominar pelos seus desejos e censuráveis tendências.

O homem virtuoso deve, por condição, ser um animal social e a vida em sociedade deve ser organizada e mantida segundo as regras constituídas pelo direito, ou seja, pelo sistema normativo que garante o bom funcionamento da sociedade. O direito existe para que a justiça prevaleça.

Atendendo a tudo isto, como explicar o populismo que por aí medra?

Medra porque é o reflexo da cobardia e da ausência de moralidade que revelam os que apoiam certo tipo de manifestações, porque os vilões só mostram coragem quando têm o pau na mão. E porque, tal como as hienas, só mostram ousadia e coragem quando têm a certeza de serem em maior número e mais fortes do que as suas vítimas.

 

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publicado às 00:03

 

Postos à conversa, o assunto acabou para derivar para um artigo, por mim publicado, sob o título A propósito de uma leitura ... sobre as questões das escolas e da educação, começou ele por dizer que tinha grande dificuldade em aceitar algumas das convicções que eu aí tinha expressado.

Perguntando-lhe qual a razão, disse que lhe parecia que eu estava a não considerar as grandes diferenças que os professores hoje têm de enfrentar nas salas de aula, quando exercem a sua profissão. Mas, - contrapus eu -, essa é precisamente a razão dos maus resultados que se constatam actualmente nas questões da educação.

Vou tentar explicitar alguns dos espectos que referi, no texto publicado e que suscitaram a sua desaprovação:

  1. As mudanças sociais, principalmente a fraca competência que se verifica em muitas famílias - sobretudo as mais carenciadas de recursos e de menor nível educativo -  e a necessidade de as escolas assumirem essa função para atenuarem as desigualdades, promovendo a igualdade de oportunidades, através de uma adequada educação escolar das novas gerações.
  2. A escola, tornou-se o elemento fundamental na preparação das novas gerações, devendo estar atenta às mudanças sociais para cumprir, de forma adequada e adaptada, a sua função. Ora, em muitos espectos, a escola apresenta ainda, formas de organização e comportamentos de um modelo escolar que, tendo sido eficaz em tempos passados, são completamente desadequados para as necessidades do tempo presente.
  3. O ensino é hoje entendido como de frequência obrigatória e, cada vez se alarga mais o número de anos da sua frequência, porque cada vez é mais evidente a sua necesidade como forma de uma preparação que evite e previna indesejáveis comportamentos e problemas sociais.
  4. A escola hoje necessária, não é compatível com determinadas práticas. Daí que haja cada vez maior necessidade de, partindo de novos pressupostos, recorrer a novas práticas que, de forma abreviada, não se limitem a um ensino baseado na memorização que tem hoje muito pouca ou nenhuma utilidade. E também  porque, se torna cada vez mais evidente que, uma avaliação dos resultados da educação baseada nas classificações dos alunos, medindo exclusivamnete o insucesso, sem analisar as suas causas, não mede apenas o insucesso dos alunos. Mede  principalmente, o insucesso da escola para dotar os alunos da capacidade e da vontade de adquirirem conhecimetos e competências  que irão ser determinantes das suas condições de vida.
  5. Será que a própria formação dos professores está a ser devidamente orientada para os dotar das competências necessárias ao real e adequado exercício da sua profissão?

 

Como se vê, trata-se de um assunto de tão grande importância que - manda a prudência - deve ser abordado, não em termos de meros palpites e opiniões, porque exige o levantamento de questões, de razões e a aquisição de conhecimentos e de informações que permitam formular concepções e soluções devidamente fundamentadas e adequadas.

 

Francisco Galego, (In “Além Caia”, blog, 19/10/2018)

 

 

 

 

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publicado às 17:03


APENAS COMENTANDO...

por Francisco Galego, em 14.10.18

O que nos distingue nas nossas atitudes sociais que, naturalmente, incluem as nossas atitudes, comportamentos, crenças e opiniões políticas, bipolariza a maneira como nos colocamos em cada momento e perante cada acontecimento.

Vejamos o caso comentado de tantas e tão assanhadas maneiras, em volta da concretizada demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Uma grande parte dos opinadores rejubila por terem alcançado a sua tão desejada saída de funções. Mas, haverá outros, à frente dos quais se deve colocar o próprio ministro, que terão sentido um enorme alívio por esta tomada de decisão.

Senão, vejamos: O que será que, de facto, está no fundo em questão? Se me permitem, vou expressar a minha simples e, talvez muito ingénua opinião, que consiste em analisar as atitudes e convicções que estão subjacentes a esta questão.

Parecece-me a mim que, analisada numa perspectiva verdadeiramente política, enquanto que, para uns, a nomeação para um cargo de elevada responsabilidade só pode ser encarada como o dever de o assumir, como o exercício responsável de uma missão que exige uma elevada consciência e total competência e capacidade, outros só vêem nessa escolha e nomeação, uma distinção, uma promoção, que confere importância e poder na escala da ascensão social.

Assim, perante a sua anulação, uns sentirão alívio e libertação do pesado fardo de responsabilidades que tinham assumido. Outros, a celebrarão como um sucesso ao encontro do seu íntimo desejo de que não possam ter os outros aquilo que a eles não fora concedido.

Concordo que quase me envergonho de ter tão rasteiras suspeitas sobre certas atitudes. Mas, confesso que é o que consigo ver no alarido produzido por certas criaturas, ao abrigo daquilo que elas arvoram como sendo “luta política”.

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publicado às 16:23

O compêndio é, como se sabe, a ciência sistematizada pelo método mais apto para ser transmitida pelo ensino. Por isso cumpre que o compêndio seja breve e preciso, sem ficar deficiente… Convém que os compêndios se correspondam, sem lacunas e sem obscuridade, ligando-se de modo tal que os primeiros sirvam de começo aos segundos.

 (…) entendemos que o governo, em lugar de abrir concursos para a confecção de compêndios destinados ao ensino das línguas que são professadas na instrução secundária, talvez devesse antes nomear uma comissão de homens de letras capazes de escrever os compêndios precisos, encarregando-lhe a homogeneidade possível nos preceitos, para ficarem bem patentes, nas ideias e nas palavras, os princípios de gramática geral comuns a todas as línguas e libertar-se assim o ensino das antinomias e contradições que o dificultam e confundem com grave prejuízo dos alunos e desvantagem dos próprios professores.

(…) Entende-se que os compêndios assim confeccionados não serão eternos… O governo ordenaria a sua revisão de tempos em tempos, para corresponderem sempre ao estado de adiantamento das ciências. E cremos que muitas vantagens se colheriam da uniformidade proposta, sendo uma delas, aliás importantíssima, facultar livros baratos aos alunos, pois que o governo mandando fazer avultadas edições e vendendo-os pelo preço de custo, evitaria a desordem que se nota nas províncias onde nas aulas públicas se não pode conseguir nunca o estado completo dos livros adoptados para as classes.”

 

João Dubraz – In, DEMOCRACIA PACÍFICA, Nº 17, Elvas, 4ª-feira, 30/1/1867

 

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publicado às 00:03


NO ANTIGAMENTE... O BISPADO E O SEMINÁRIO DE ELVAS

por Francisco Galego, em 08.10.18

A Diocese de Elvas foi criada por bula do Papa Pio V de 9 de Junho de 1570.

Por bula do Papa Clemente XIII, expedida em 26 de Fevereiro de 1759 e pelo decreto de 30 de Dezembro do mesmo ano, foi instituido um seminário no bispado de Elvas em que assistissem os meninos de coro da sé catedral ou seminaristas, tendo lugares de reitor e vice-reitor, mestres de solfa e de latim.  Este seminário funcionou regularmente com internato de alunos e exercício de aulas, promovendo a instrução, tanto do clero regular, como do clero secular, elevense. Nele se leccionavam as aulas das disciplinas preparatórias e eclesiásticas, compatíveis com as circunstâncias do tempo: gramática latina, de história sagrada e eclesiástica, de explicação do catecismo, de teologia dogmática geral e especial, de instituições canónicas, de direito público e de música e cantochão.

 Nas vilas de Olivença e Campo Maior, havia algumas aulas e palestras, cujos professores deviam prestar contas mensais de frequência e aproveitamento dos seus alunos.

Segundo o Plano do seminário de educação estabelecido em Elvas datado de 1816, nesse ano, o Seminário Episcopal de Elvas devia abrir com as seguintes aulas:

- Ler, escrever, contar, gramática portuguesa, ortografia, doutrina cristã e história sagrada, gramática latina e mitologia, retórica, cronologia, história universal e pátria, geografia, filosofia racional e moral (lógica, metafísica e ética), princípios de álgebra, de teologia moral e dogmática, música e cantochão e francês.

Os seminaristas eram admitidos com a idade de doze anos, mediante atestados dos directores das aulas antes frequentadas.

Os seminaristas deviam, para se sustentarem, pagar uma mesada, suportar todas as suas despesas pessoais, dotar-se do uniforme regulamentar e do enxoval que incluía cama completa, candeiro, duas cadeiras, uma banca e um baú.

Nesse tempo o número de seminarista chegou aos dezanove e aconteceu mesmo, ter sido frequentado por alunos provenientes de arcebispado de Évora e do bispado de Portalegre, o que indicia ter o seminário de Elvas adquirido algum prestígio.

Em 13 de Dezembro de 1828, ano da aclamação de D. Miguel, fechou o seminário para só reabrir em Outubro de 1830.

Depois da Convenção de Évora Monte em 27 de Maio de 1834, fecharam-se as portas do seminário de Elvas.

A diocese de Elvas seria extinta em ‎30 de Setembro de 1881.

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publicado às 00:03

O património cultural de Campo Maior não consiste apenas, nos muros que restam do tempo passado. Campo Maior é uma terra habitada por uma comunidade que teceu uma história e uma cultura muito próprias. 

As Festas do Povo são a prova maior do poder de atracção que têm as manifestações duma legítima cultura local, que é muito nossa. Mas, sendo muito notáveis, não são a única realização própria da cultura campomaiorense.

O “cantar e bailar as saias” constitui também, uma extraordinária manifestação da cultura campomaiorense. Infelizmente, a falta de cuidado que se está a verificar com a sua conservação, faz com que esteja tão ameaçada de desaparecer da nossa memória colectiva, como estiveram as muralhas das nossas fortificações que foram caindo e só recentemente se começou a recorrer aos meios necessários para as restaurar.

            Sendo Campo Maior a terra que ainda mais preserva este hábito de “cantar e bailar as saias” e, havendo tantos milhares de campomaiorenses a viver longe de Campo Maior, porque não organizar verdadeiros festivais de saias? Não em espectáculo de palco como, à revelia da tradição, agora se vai fazendo. Mas numa autêntica animação das ruas e das praças, como devem ser cantadas e dançadas “as saias”, para que sirvam de pretexto para que os nossos emigrantes, os visitantes e as novas gerações, se sintam motivados e compensados ao visitarem a nossa terra. Tenho a certeza de que muitos teriam tanto orgulho em mostrar esta manifestação cultural aos seus descendentes e aos visitantes, como têm de ver e mostrar as “Festas do Povo de Campo Maior”, tanto mais que, este festival, teria a vantagem de poder ser anual.

            Claro que se propõe que, para preservação da verdadeira tradição, as saias deviam ser cantadas e dançadas em “bailes de roda”, numa “toada de valsa lenta” e “armadas ao desafio” para construirem diálogos, ora de “amável converseio” ora “chistes de escárnio e de mal-dizer”.    

            Mas isto sou eu a imaginar...

 

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publicado às 14:09


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