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ANTIGOS JORNAIS DE CAMPO MAIOR ( I )

por Francisco Galego, em 30.06.18

O CAMPOMAIORENSE

 

            O primeiro jornal que Campo Maior teve apareceu no ano de 1921, vivia Portugal um período agitado e de grande instabilidade social e política. Os governos mudavam devido a uma alucinante sucessão de golpes de estado, de revoltas e de desencontradas votações no parlamento.

            Muitos, desencantados e cansados de tanta perturbação, procuravam formas alternativas de intervenção social desviando-se da turbulência dos acontecimentos políticos.

Um grupo de jovens campomaiorenses que viriam a constituir-se numa associação que significativamente adoptou o nome de Pró Terra Nostra, (Pela Nossa Terra), resolveu criar um jornal – O Campomaiorense em torno do qual se pudessem realizar acções que promovessem o desenvolvimento de Campo Maior.

Eram jovens que podemos considerar de classe média, com algumas bases culturais, distribuídos por diversas profissões e condições sociais: funcionários públicos, comerciantes, empregados no comércio, agricultores, estudantes e alguns dedicados aos ofícios artesanais que então existiam em número significativo na vila.

            O Campomaiorense foi o primeiro jornal que Campo Maior teve. Este projecto, como sucede com quase todos os empreendimentos humanos, fez-se sob a liderança de um homem que marcou profundamente a vida de Campo Maior durante os anos vinte do século passado. Chamava-se João Ruivo. Era filho de um mestre-de-obras que deixou algumas construções notáveis na vila, como o Lagar União já desaparecido e o Bairro Operário.

            João Ruivo que tinha combatido como voluntário na 1ª Grande Guerra, exerceu funções importantes como funcionário da câmara municipal, onde chegou a chefiar os serviços administrativos e a ocupar por algum tempo o cargo de administrador do concelho. Autodidacta inteligente e aplicado, conseguiu adquirir uma sólida cultura. Foi correspondente de vários jornais de Lisboa, entre eles O Século e o Diário de Notícias, colaborou em vários jornais regionais como Brados do Alentejo, de Estremoz e o  Montes Claros de Borba, a Democracia do Sul e o Notícias D’ Évora e, de Elvas, A Fronteira e o Linhas de Elvas.

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VOLTANDO À POESIA...

por Francisco Galego, em 25.06.18

Quando bate uma tristeza ou o desencanto nos atormenta, a poesia, se bem escolhida, pode servir de bálsamo que nos dê algum alívio. Foi isso que me trouxe à memória, um belo texto e que, depois de o ler com muito consolo, resolvi partilhar com quem tiver a oportunidade ou a vontade de o ler ou reler. 

Trata-se de um poema que se apresenta como uma modesta brincadeira, mas que, bincando, toca em sentimentos que nos tomam com frequência e que, parcendo um quase nada, nos ajudam bastante a reequilibrar a nossa estabilidade emocional. 

A sua doce toada, numa linguagem simples, directa, tão própria do doce tropicalismo que o português frequentemente assume nas terras do Brasil, foi a melhor forma  que encontrei para me desentristecer...

Permitam que partilhe convosco, esta tão doce opção de ir espairecer até esta terra imaginada - Pasárgada -, onde esquecendo, recuperamos o alivio, na esperança do melhor que poderá vir e que decerto virá, para nosso aconchego. Dele recolhi este recado: Quando tudo parece muito mau, devemos acreditar que há sempre um modo de voltar a ser melhor, mesmo que seja, apenas, recorrendo ao sonho de uma irrealidade apenas imaginada ...

 

Vou-me Embora p'ra Pasárgada (1)

 

Vou-me embora p'ra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

 

Vou-me embora p'ra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!


E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
P'ra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar

Vou-me embora p'ra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização

Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora p'ra Pasárgada.

 

 Manuel Bandeira

(1) Pasárgada foi a capital do antigo Império Persa. É hoje um importante sítio arqueológico, classificado como Património Mundial da Unesco.


  Poema extraído do livro de Manuel Bandeira -  "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

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PARTINDO DE UMA PERGUNTA E PROCURANDO RESPOSTAS

por Francisco Galego, em 20.06.18

Que fazer perante a trágica situação de termos uma população tão impreparada, e tão facilmente manipulável por tantos inescrupulosos oportunistas, instalados nos orgãos de comunicaçõa social ou utilizando as redes sociais de comunicação?

 

Persistir na denúncia constante destas situações. Lutar pelo aprofundamento de um sistema educativo de qualidade, gerador de uma cultura democrática e de uma maior participação cívica dos cidadãos.

Prosseguir no esforço de dar um novo alento político  à sociedade, fazendo emergir novos líderes capazes de elaborar e pôr em execução projectos que garantam novas soluções que melhorem as condições de vida das populações.

Regressar aos valores éticos que tornem de novo a política uma arte e uma ciência ao serviço da sociedade e não a habilidade astuta dos que só pensam em beneficiarem-se mediante negociatas escusas, tráficos de influências e práticas de corrupção. Os homens e as mulheres, de verdade e de boa vontade, devem juntar esforços para pôr fim a estas situações abusivas que estão a tornar cada vez mais insuportável esta nossa forma de viver.

Necessitamos de políticas direccionadas para o desenvolvimento económico, para a garantia da segurança e da estabilidade social, através de maiores e melhores oportunidades para as novas gerações, pois nelas assenta a possibilidade de sustentação das gerações mais idosas que vão deixando de estar em condições de participarem na produção, para que possam viver de reformas que lhes garantam uma aceitável qualidade de vida na sua velhice.

Só com políticos sérios, honestos e competentes, homens e mulheres de sólido carácter, poderemos ter soluções adequadas para os problemas que hoje se deparam às comunidades locais.

Precisamos de começar a suspeitar dos que prometem grandes facilidades, vantagens e constantes diversões. Os tempos que aí vêm são tempos difíceis. Prestemos atenção aos que nos avisam dos perigos que teremos de enfrentar. O nosso sistema social está em crise e as crises só podem ser vencidas com o esforço e os sacrifícios de todos. Atenções aos vendedores de promessas que nunca pagam, porque nunca tiveram a intenção de pagar as promessas que vão fizendo.

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DO QUE SOMOS...

por Francisco Galego, em 20.06.18

Nós somos o que resulta da diferença que vai entre o que sonhámos ser e aquilo em que, efectivamente, nos tornámos. Do que ficou por fazer, resta apenas a frustação e o silêncio que alguns persistem em tentar preencher com inoportunas e inúteis palavras que ocupam o lugar que deve ser ocupado pela acção critica do pensamento que vai gerando a consciência. Melhor é deixar que o silêncio, seja o lugar próprio do que ficou por fazer e que deve também ficar por dizer.

Aquilo que nos personifica, é nossa maneira de interagirmos com os outros e de agirmos na diversidade de situações que vão tecendo o nosso viver. E isso deriva da cultura adquirida pela nossa experiência e que determina o nosso modo de estar e de ser.

A cultura define-se pelo património de conhecimentos que vamos amealhando e pela capacidade de aquisição e de acumulação de novos conhecimentos que vamos desenvolvendo.

Realizamo-nos na sequência dos projectos que vamos concebendo. Dos que se realizaram e dos que fomos deixando por realizar. Anulamo-nos ou apoucamo-nos, quando os projectos não existem, quando são inadequados, ou quando somos incapazes de os concebermos ou de os concretizarmos.

De facto, nós somos, efectivamente, aquilo em que nos vamos tornando. A nossa existência vai sendo moldada pela nossa História de Vida.

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RESPOSTA A UM LEITOR QUE RECUSOU IDENTIFICAR-SE ...

por Francisco Galego, em 15.06.18

Abordou-me para manifestar a sua não aceitação do que expressei num texto que eu publiquei.

Mas não quer assumir-se como crítico que se coloca no contraposto às minhas opiniões sobre a educação e sobre a atitude de muitos professores...

Está no seu direito. Eu, de acordo com o que entendo como meu dever, respeito a sua decisão.

Mas, isso não me impede de responder às suas reservas e discordâncias, sem revelar a identidade de quem as emitiu.

Começou por manifestar o seu repúdio por quase tudo o que eu escrevi, por considerar que tudo aquilo não passava do que considera como modernices e intelectualices de quem não tinha de suportar os casos e os problemas com que se deparam no dia a dia da sua acção, os professores.

É verdade que já não sou seu colega. Fui-o durante cerca de quarenta anos. Mas ainda não passou tanto tempo que tudo tenha mudado tanto que possa ser considerado muito diferente. Creio que me faltou ter escrito que, esses quase quarenta anos de profissão docente, não decorreram em escolas que pudessem ser consideradas excepcionais, quer pela sua inserção, sócio-económica e cultural, quer pela qualidade das suas intalações.

Mas deixemos isso e vamos directamente ao caso das modernices e intelectualices.

Permita que lhe refira o caso de um filósofo muito nomeado, mas muito mal conhecido: Immanuel Kant que viveu entre 1724 e 1804.

Nascido numa família modesta - seu pai, tinha uma oficina em que se dedicava aos trabalhos em coro - e Kant era o quarto dos nove filhos que foram nascendo.  

Desde muito novo revelou particular interesse e grande capacidade na aquisição de conhecimentos na escola que frequentou entre os oito e os dezasseis anos de idade.

Devido à morte prematura de seus pais, teve de se tornar preceptor de crianças das famílias endinheiradas, para garantir a sua sobrevivência e a continuidade dos estudos. Nesta condição ministrou o ensino dos mais diversos tipos de conhecimentos: matemática, fisica, geografia, ciências da natureza e mesmo a lógica, a ética e a metafísica.  

Só por volta dos 35 anos, conseguiu obter um grau académico correspondente aos actuais doutoramentos. Mas só aos 47 anos conseguiu lugar no ensino universitário.

Leitor atento de Jean Jacques Roussau (1712-1778) encontrou nas suas obras a razão porque repudiara a escola que frequentara e que baseava toda a aprendizagem numa rígida transmissão de conhecimentos que deviam ser memorizados, numa atitude passiva, pelos alunos. Rousseau contrapunha a isto o desenvolvimento das capacidades dos alunos para que assumissem um pensamento independente e criativo que os levassse a descobrir novos conhecimentos.

Tudo isto pode ser considerado uma modernice e intelectualice, só por ter sido assumido por dois notáveis filósofos há séculos?

Porém, por difícil que seja de entender, ainda hoje continuamos a assistir a um confronto entre estas duas maneiras de conduzir as acções de aprendizagem:

- A dos que acham que o conhecimento se transmite pela memorização e pela repetição;

- A dos que entendem que a aprendizagem deve consistir no desenvolvimento nos alunos, de um pensamento autónomo e criativo, treinado para ser capaz de, por si próprios, adquirirem e gerarem novos conhecimentos.

Porque há diferença entre o aprender a repetir e o ter a capacidade de aprender a aprender para progredir na aquisição de novos conhecimentos.

 

 

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UMA QUESTÃO PERTINENTE? ...

por Francisco Galego, em 14.06.18

Assim como o pensamento sobre as questões escolares deixou de se limitar à especulação reflexiva sobre as teorias pedagógicas para dar lugar à emergência das Ciências da Educação, focadas na observação e na análise das práticas educativas, também no que respeita à definição do estatuto dos professores, terá de se perspectivar uma nova geração de profissionais ligados à escola como lugar de educação e de formação das novas gerações. Começam já a notar-se indícios de um novo tempo: o dos educadores-formadores.

Mas, entretanto e ainda por muito tempo, as escolas apresentarão este carácter confuso, algo anárquico e desorientado que lhes confere certo ambiente de alienação. É que, nas escolas de hoje, coexistem muitas e muito diferentes maneiras de estar na profissão.

Ainda subsistem alguns que se assumem como meros comunicadores de conhecimentos. Outros, embora tenham competência para serem outro tipo de professores, vencidos pelas dificuldades, vão-se deixando reduzir à condição de meros funcionários da educação. Há tambem os que, pretendendo assumir uma atitude de verdadeiro profissionalismo docente, se angustiam por não encontrarem, nem as respostas, nem as condições, para agirem de forma profissionalmente competente.

Apenas uma minoria consegue ir ultrapassando as dificuldades e, qual fermento levedando a massa, vão trabalhando no sentido de desenvolverem uma acção que podemos considerar verdadeiramente educativa e formativa, tentando tornarem-se verdadeiros educadores-formadores.

Mas, como em todos os tempos de viragem:

- Há os que, saudosos do passado, lamentam o fim de um mundo com previlégios que gostavam de conservar;

- E há os que, esperançosos do futuro, anseiam pela emergência de novas soluções necessárias ao exercício da sua profissão.

As crises são dramaticamente perturbadoras. Mas são também geradoras de mudanças e as mudanças podem ser entendidas como condição básica do progresso, em busca de um contínuo aperfeiçoamento das nossas acções.

Ou será que tudo se deve reduzir apenas a uma questão de lutar pela obtenção e conservação dos benefícios que se obtêm pelo exercício de uma profissão?

 

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CAMPO MAIOR NA CONJUNTURA DAS INVASÕES FRANCESAS

por Francisco Galego, em 10.06.18

(Por esta época, Campo Maior teria cerca de 5.000 habitantes)

 

No dia 1 de Dezembro de 1807, tinha entrado nesta vila o regimento de Guardas Walonas e um batalhão do Regimento de Córdova, que saíram no dia seguinte.(1)

No dia 11 do mesmo mês, entrou na vila o Regimento de Múrcia, que no dia 13, continuou a sua marcha.

No dia 8 de Janeiro de 1808, um batalhão dos Granadeiros Provinciais de Castela e no dia seguinte mais um batalhão do mesmo corpo, ficaram a fazer a guarnição da Praça, que só evacuaram em 16 de Março.

O comando espanhol tinha determinado que esta guarnição fosse sustentada à custa do povo, mas o Juiz de Fora conseguiu livrá-lo desta obrigação, vindo a mesma a ser assegurada pela Administração de Badajoz.

Um sargento-mor da Praça procurou revoltar o povo contra a frouxidão do governo português que tinha abandonado o Reino deixando-o em tão penosa situação. Mas o povo preferiu cumprir as ordens deixadas pelo príncipe regente e nada faltou ao fornecimento das tropas, sendo em parte providas pelo “Assento militar das provisões de boca” e, em parte, pelas pessoas particulares às quais eram passados escritos de divida, que nunca vieram a ser pagos. (2)

Campo Maior pode, contudo, considerar-se um dos Povos menos vexados pelos franceses.

O comando francês teve por mais acertado abandonar a Praça de Campo Maior. Em consequência deste abandono, os seus armazéns foram espoliados de toda a pólvora, munições e apetrechos de guerra, as armas dos particulares foram guardadas em depósito. O Regimento Nº 20 que constituía a sua guarnição, foi extinto e uma parte dele mandada para França. Esta extinção foi declarada no dia 14 de Maio de 1808. Os arquivos, espingardas e mais utensílios militares foram mandados para Elvas.(3)

Igual espoliação se verificou quanto ao Hospital Real Militar e ao Assento. Mas a povoação foi deixada em paz. À excepção de um Regimento de Suíços que entrara nesta Praça no dia 12 de Março e saiu no dia 13, não mais se viu tropa francesa, o que não foi pequena fortuna.

(Segundo o Padre João Mariano, p. 38 a 46)

---------------------------------------------------------------------------------------------

 (1) A Espanha tinha-se aliado submissamente ao poder militar de Napoleão, imperador dos franceses.

(2) Para escapar aos franceses que estavam quase a chegar a Lisboa e que o obrigariam a renunciar à coroa e à independência de Portugal, a favor de Napoleão Bonaparte, o príncipe D. João, depois coroado como D. João VI, que assumira a regéncia em nome de D. Maria I sua mãe, mentalmente afectada e incapaz de governar, embarcara com a família real e a corte para o Brasil em 21 de Janeiro de 1808, deixando recomendado que não se oferecesse resistência às tropas francesas.

(3) Esta expoliação e desarme ainda tornou mais notável o sucesso da revolução de 2 de Julho de 1808 que expulsou de Campo Maior as tropas espanholas ocupantes desta praça de guerra.

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Tentando opor-se ao expansionismo dos exércitos de Napoleão Bonaparte, Portugal começou por participar, com uma divisão auxiliar, ao lado da Espanha contra a França, embora sem declaração formal de guerra. Mas esta campanha correu mal às armas peninsulares.

Seguidamente, a Espanha mudou de estratégia e aliou-se a Napoleão. Passando de aliados a inimigos, mudaram radicalmente de uma atitude colaboração diplomática, para uma declaração de guerra a  Portugal que foi invadido por um exército hispano‑francês através de uma campanha relâmpago que durou três meses, perdendo Olivença para a Espanha e a Guiana, colónia na América do Sul, para a França.

Portugal, nesta conjuntura europeia de conflito entre a Inglaterra e a França, procurou fazer aceitar uma posição de neutralidade, assumindo compromissos de circunstância, devido à falta de um aparelho militar forte e dissuasor.

Mas, Napoleão Bonaparte, na incapacidade proceder  à invasão das ilhas britânicas, devido à superioridade do seu poder naval, decretou um Bloqueio Continental, para impedir o acesso dos navios ingleses aos portos dos outros países da Europa. A este bloqueio só não aderiram a Suécia e Portugal.

Aproveitando a aliança com a Espanha, Napolão assinou com Manuel Godoy, primeiro‑ministro de Espanha, o Tratado de Fontainebleau, de 27 Outubro de 1807, no qual secretamente se combinava a conquista de Portugal e a sua divisão em três partes, em favor dos dois países conquistadores.

Em consequência deste acordo, Portugal foi sujeito a cinco invasões, entre 1801 e 1812, algumas desencadeadas pela Espanha, com o apoio político e militar da França, sendo outras, as de 1809, 1810 e 1812, de iniciativa exclusivamente francesa, tendo como chefes militares, .Junot, Soult, Masséna.

Lisboa era o objectivo principal de qualquer ofensiva externa. Daí que, o arco defensivo constituido pelas praças de guerra formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas e Juromenha fosse muito importante pela sua situação geográfica no eixo Madrid-Lisboa, porque dificultava atingir directa e rapidamente o objectivo de alcançar a capital portuguesa  por  efectivos militares numerosos. Essa terá sido a razão de essa via não ter sido utilizada pelos franceses como eixo de penetração principal.  Os espanhóis tinham-no utilizado na "Guerra das Laranjas" de 1801, tendo daí resultado a perda de Olivença e a ocupação de Campo Maior em 1807.

 

 

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publicado às 08:24


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