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A PEDIDO ...

por Francisco Galego, em 30.05.18

Uma leitora habitual dos textos que aqui vou publicando, pediu-me que, numa breve síntese, ordenasse os períodos mais significativos da História da Vila de Campo Maior.

Ora, aqui temos um desafio muito difícil de aceitar: Dizer muito, escrevendo o menos possível. Mas, porque não tentar?

Assim, das coisas que tenho escrito, retirei estes “quadros à pena”, sem a certeza de estar a corresponder devidamente ao pedido.   

 

O território onde nasceu a povoação que viria a ser a vila, sede do concelho, de Campo Maior, terá sido chamado pelos romanos, Campus Major.  Para eles poderia significar que se tratava de terra plana, extensa e produtiva. O seu povoamento no período da romanização terá estabelecido um conjunto de Villae, ou seja, pequenos agregados populacionais que, em muitos casos, deram origem a unidades agricolas que depois, viriam a ser designadas como os montes, residência e centro administrativo das actuais herdades.

Esta organização ter-se-á mantido no tempo dos invasores godos e mesmo no período do domínio muçulmano. Mas, não são conhecidos testemunhos significativos da sua presença, neste “Campus Major” que ficava entre as cidades de Badajoz e de Elvas, em que esta civilização, de origem árabe e de carácter acentuadamente urbano, deixou poucas marcas significativas. Alguns documentos dão notícia de pequenos aldeamentos no sítio onde irá desenvolver-se a vila, em volta de um castelum construido num monte maiori.

Tendo este território, que compreendia os aldeamentos de Ouguela e de Campo Maior, sido conquistado no final da 2ª década do Séc. XII, pelo reino de Leão, foi o mesmo doado em senhorio ao bispo de Badajoz. O rei Afonso X de Leão e Castela confirmou essa doação em 1257, ao conceder-lhe, em 1260, o primeiro foral que lhe conferiu o estatuto de vila, depois sede de concelho.

 A vila de Campo Maior foi integrada, formalmente, na soberania portuguesa, pelo Tratado de Alcanizes (1297), no reinado de D. Dinis, que lhe concedeu novo foral. Mas, manterá laços de dependência eclesiástica ao bispo de Badajoz que só foram cortados por D. João I, em 1392.

Por direito de sucessão dinástica, Portugal ficou integrado na monarquia castelhana, a partir de 1580.

Com a Restauração da Indepência de Portugal, em 1640, seguiu-se a guerra com risco de invasão de Portugal pelos exércitos de Espanha.  Campo Maior, com Ouguela, Elvas, Juromenha e Olivença, tornou-se importante praça-de-guerra. Dotada de notável fortificação, integrou o arco defensivo contra as invasões pelo corredor defensivo do “Caia-Guadiana”, formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas, Juromenha e Olivença.

A partir de meados do século XVII, a praça-de-guerra de Campo Maior, irá desempenhar uma missão defensiva de grande importância: Durante a Guerra da Restauração (1640-1648); durante a Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714), no cerco de 1712; na Guerra das Laranjas (Maio a Junho de 1801), o cerco de 1801; nas  Guerras Peninsulares-Invasões Francesas (1808-1814), o cerco de 1811; na Guerra dos Sete Anos ou Guerra Fantástica (1756 - 1763).

Em 1732, durante uma trovoada seca, um raio fizera explodir a Torre de Menagem do seu castelo que, servindo de paiol, continha uma quantidade significativa de explosivos. A vila ficou, na sua maior parte, destruída tendo morrido ou ficado ferida uma grande parte da sua população. Mas, devido à situação de guerra que ainda ameaçava,  a restauração da vila e da praça-de-guerra fora, por decisão de D. João V,  muito rápida, estando concluída passados cerca de dez anos.

Com a pacificação geral da Europa, a fortificação foi desactivada em meados do século XIX. A vila conseguiu restabelecer-se tendo como base da sua economia uma agricultura próspera, devido à fertilidade e variedade dos seus campos e ao engenho das suas gentes, desenvolvendo uma próspera agricultura, um importante e diversificado artesanato local e intensificando as trocas comerciais com a Espanha, em grande parte feito pela prática do contrabando.

Actualmente tem-se notabilizado como importante polo industrial nos ramos da torrefacção e da comercializaçao do café e pela grande manifestação de arte popular que, com base numa tradição de religiosidade “sanjoanina”, veio a ser denominada como Festas dos Artistas,  Festas das Flores ou Festas do Povo de Campo Maior.

 

 

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publicado às 00:02


CAMPO MAIOR – “FESTAS DO POVO”

por Francisco Galego, em 27.05.18

A “Festa de S. João”

Depois “Festas dos Artistas”

E também “Festas das Flores”

E baptizadas de novo

Como as “Festas do Povo”

Sendo uma festa local

Ganhou fama nacional

Depois internacional

Alcançando tal dimensão

Que as “Festas de Campo Maior”

Já chegaram ao Japão

Será que vão ou não

Atingir prestígio tal

Que chegarão mesmo a ser

Património Imaterial

A nível mundial ?

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publicado às 11:15


AFORISMOS

por Francisco Galego, em 24.05.18

Não é por não saberes que fazes figura de tolo. Tolice seria fingires um saber que não possuis. Não podes ter saber sobre todas as coisas. Mas podes alcançar uma atitude muito sábia, sabendo aceitar as tuas limitações.

 

A ignorância, em si, não é defeito, nem falta de virtude. É apenas um défice de saber sobre algumas coisas.

 

Defeito e falta de virtude é a arrogância de impôr a nossa razão sobre qualquer questão, sem ter dela um verdadeiro conhecimento.

 

Maior defeito é a ignorância prepotente dos que, não sabendo, impôem a sua vontade e o seu poder, silenciando os que possuem um maior conhecimento. Então a ignorância torna-se estúpida tirania.

 

Os tiranos são os que ignoram, ou não tomam em consideração, a capacidade e a competência dos que estão acima deles por possuirem sobre as coisas um maior e um melhor conhecimento.

 

A melhor forma de agir com sensata sabedoria, é proceder com bem intencionada, justa e recta consciência.

 

------------------------------------------------------                                                                                

Para ser grande, sê inteiro:

Nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és,
No mínimo que fazes.

(Fernando Pessoa - Odes de Ricardo Reis)

 

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publicado às 10:30


EGOLOGIA (OU O CONHECIMENTO DO "EGO" - O EU) ...

por Francisco Galego, em 19.05.18

 

 

De tudo o que sou

 

Só sei o que vou sendo

 

No passado fui aquilo em que me tornara

 

No presente sou aquilo em que me tornei

 

No futuro serei aquilo em que me irei tornando

 

Depois quando já não houver nem presente nem futuro

 

Serei apenas uma memória que se irá desvanecendo

 

Até deixar de ser

 

Quando já nem houver memória de quem fui

 

 

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publicado às 11:15


DE NOVO, A POESIA ...

por Francisco Galego, em 13.05.18

Há dois conceitos que, exprimindo sentimentos de desânimo, de cansaço e de desistência, se colocam, em termos de atitude, em polos contrapostos: o do desencanto e o do desespero.

O desespero implica sempre uma atitude dramática, que tende a tornar-se revolta ou radical renúncia.

O desencanto traduz-se apenas numa consciencilização de que, no decurso das novas vivências, subsiste sempre uma imutável presença do que, mesmo mudando, permance como um fundo imutável da realidade.

O poema que se transcreve, traduz de modo calmo, ponderado e ternamente sentido, a consciência existencial desse desencanto que se traduz no amargo sentimento, expresso com amável ternura, do que se mantém "sempre o mesmo", indiferente à nossa ansiosa  esperança de mudança.

 

Viver sempre também cansa!

 
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."

 

De: José Gomes Ferreira.

 

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publicado às 11:00


PARTINDO DE UMA PERGUNTA E PROCURANDO RESPOSTAS

por Francisco Galego, em 10.05.18

Que fazer perante a trágica situação de termos uma população tão impreparada, e tão facilmente manipulável por tantos inescrupulosos oportunistas, instalados nos orgãos de comunicaçõa social ou utilizando as redes sociais de comunicação?

 

Persistir na denúncia constante destas situações. Lutar pelo aprofundamento de um sistema educativo de qualidade, gerador de uma cultura democrática e de uma maior participação cívica dos cidadãos.

Prosseguir no esforço de dar um novo alento político  à sociedade, fazendo emergir novos líderes capazes de elaborar e pôr em execução projectos que garantam novas soluções que melhorem as condições de vida das populações.

Regressar aos valores éticos que tornem de novo a política uma arte e uma ciência ao serviço da sociedade e não a habilidade astuta dos que só pensam em beneficiarem-se mediante negociatas escusas, tráficos de influências e práticas de corrupção. Os homens e as mulheres, de verdade e de boa vontade, devem juntar esforços para pôr fim a estas situações abusivas que estão a tornar cada vez mais insuportável esta nossa forma de viver.

Necessitamos de políticas direccionadas para o desenvolvimento económico, para a garantia da segurança e da estabilidade social, através de maiores e melhores oportunidades para as novas gerações, pois nelas assenta a possibilidade de sustentação das gerações mais idosas que vão deixando de estar em condições de participarem na produção, para que possam viver de reformas que lhes garantam uma aceitável qualidade de vida na sua velhice.

Só com políticos sérios, honestos e competentes, homens e mulheres de sólido carácter, poderemos ter soluções adequadas para os problemas que hoje se deparam às comunidades locais.

Precisamos de começar a suspeitar dos que prometem grandes facilidades, vantagens e constantes diversões. Os tempos que aí vêm são tempos difíceis. Prestemos atenção aos que nos avisam dos perigos que teremos de enfrentar. O nosso sistema social está em crise e as crises só podem ser vencidas com o esforço e os sacrifícios de todos.

Devemos estar sempre muito atentos aos vendedores de promessas que nunca pagam, porque nunca tiveram a intenção de pagar as promessas que vão fizendo.

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publicado às 10:54


DO PRESTÍGIO E DA FAMA ...

por Francisco Galego, em 09.05.18

Dois conceitos que, sendo diferentes, são tão frequentemente confundidos.

A fama é, geralmente, efémera e tanto pode ser adquirida por muito boas, como pelas piores razões. A fama garante a notoriedade no presente. Mas nem sempre se projecta como memória no futuro. A fama pode resultar da riqueza ou do poder que se tem, independentemente da maneira como foram adquiridos. Pois que, por vezes, resulta das piores acções, justificando as piores censuras.

O prestígio é um modo de se ser considerado e tende a persistir como memória no futuro. O prestígio só se adquire pelo cuidado que se tem em não ostentar, nem o poder, nem a grandeza, nem a riqueza. Pois nele pesa o modo como estes foram adquiridos. Nele só contam as melhores intenções, as melhores obras e as acções que implicam os mais nobres benefícios.

A fama tanto pode resultar do bem como do mal que se faz. Mas só das acções virtuosas, benéficas e bem intencionadas, pode resultar o prestígio de quem as pratica.

           

 

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publicado às 19:02


E ESTA EIN?! ....

por Francisco Galego, em 04.05.18

Sem inspiração nem assunto memorável que me pudesse inspirar, recorri ao estimável “BORDA D´ÁGUA”, o “Verdadeiro Almanaqueque já vai no seu 89º ano de publicação e que, quando a inspiração nos falece, sempre nos pode socorrer com as suas sábias e úteis lembranças de casos,  factos e comemorações.

Assim começo por referir que neste Sábado, dia 4 do 5º mês, deste ano de 2018, o Sol nasceu pelas 6 horas e 30 minutos, e terá o seu ocaso pelas 20 horas e 30 minutos.

Começa esta folhinha pelo dito de que “Em casa vazia, Maio depressa se avia”. Confesso que não consigo decifrar o sentido da frase. Mas deve ser por deficiência do meu entendimento, pois que, os ditos do "Almanaque..." encerram sempre verdades profundas.

Depois vem a indicação de que este dia é dedicado a S. Máximo de Jerusalém. Mais uma vez tenho de declarar a minha grande ignorância, pois não sabia que houvesse santo com tal nome, como também desconhecia que este fosse o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona. Mas isto é útil para que me torne menos convencido e tome consciência das muitas coisas notáveis que eu por completo desconheço. Uma boa dose de modéstia só nos pode fazer bem...

Mas, por último vem a mais importante informação:

As mulheres nascidas em Maio são formosas e bem proporcionadas, meigas, e sensíveis.  Têm bom coração, bons sentimentos e finas, sobre todos os pontos de vista.

Mas, como ninguèm é perfeito... São pouco enérgicas, embora consigam realizar as suas ocupações.

Quanto aos homens... Têm carácter vivo e alegre, são afectuosos e sentimentais (...) inteligentes e inventivos ...

Nada refiro sobre questões como astrologia, agricultura, jardinagem e animais, por serem assuntos sobre os quais não tenho, nem conhecimentos, nem opinião, sendo tão ignorante sobre tais assuntos que, nem sequer tenho vontade de saber.

 

 

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publicado às 00:03


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