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A PROPÓSITO DO 1º DE MAIO...

por Francisco Galego, em 30.04.18

O 1º de Maio é a festa universal do trabalho, determinada no CONGRESSO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES, em Julho de 1889.

A Casa do Povo de Campo Maior que se refere no texto que adiante se transcreve, era uma cooperativa dos trabalhadores de Campo Maior, por eles fora fundada e por eles era gerida. Nasceu como sucursal da Casa do Povo de Lisboa, que tinha a sua sede na Rua da Mouraria daquela cidade. A iniciativa de criação destas cooperativas era de um partido então existente que se chamava "Partido Socialista Português", o qual era mal tolerado pelos salazaristas que não pararam de lhe mover encarniçada perseguição até á sua interdição.

A Casa do Povo de Campo Maior, criada em finais de 1932 e inaugurada em 11 de Janeiro de 1933, cresceu rapidamente, chegando a ter inscritos cerca de três mil associados. Mas, teve existência curta e atribulada e, devido às perseguições de que foi alvo, viu-se compelida ao encerramento e dissolução, em 31 de Dezembro desse mesmo ano de 1933. Contudo, o seu sucesso fora tão rápido e tão grande, que os salazaristas viriam a fundar outro organismo, com o mesmo nome de Casa do Povo de Campo Maior, mas com diferentes objectivos, orientada por outros principios e com finalidades, não cooperativistas, mas corporativistas, de acordo com a ideologia do Estado Novo, logo, sem automonia e  controlada pelo governo central. Este tipo de organização foi-se depois expandindo por todo o país.

Após o 25 de Abril de 1974, a Casa do Povo de Campo Maior, sofreu nova reestruturação, segundo novos estatututos, tornando-se uma associação de carácter mais democrático.

 

 

Acta da sessão extraordinária – 1º de Maio de 1933

A forma como decorreram as Festas do 1º de Maio levadas a efeito por esta comissão.

Eram vinte horas e meia quando a filarmónica local regida pelo hábil regente Senhor José Matias Branco, depois de percorrer algumas ruas desta localidade, se dirigiu à sede desta casa aonde cumprimentou a sua Comissão Organizadora, tocando o hino “Primeiro de Maio”, sendo saudada por esta comissão e cerca de mil sócios desta casa, que se achavam presentes, com uma entusiástica salva de palmas. Em seguida iniciou-se a marcha através das ruas desta vila aonde se encontravam cerca de quatro mil pessoas, na sua maior parte trabalhadores rurais, sócios desta casa. Dirigiu-se então aos Paços do Concelho aonde a comissão organizadora foi cumprimentar a autoridade administrativa e Comissão “Pró Campo Maior”. Usou então da palavra o companheiro Sardinha, Presidente da Comissão Organizadora da Casa do Povo, que saudou a autoridade administrativa e Comissão “Pró Campo Maior”. A autoridade administrativa pediu, em nome dos trabalhadores de Campo Maior, o cumprimento integral das leis, do horário de trabalho, do descanso semanal e da protecção às mulheres e menores nos trabalhos agrícolas e que o acompanhassem em dois vivas: Um à Comissão “Pró Campo Maior” e outro aos trabalhadores portugueses. Em seguida, usou da palavra o presidente da comissão já referida, Senhor José Augusto Corte Real Mascarenhas que, agradecendo o cumprimento, lamentou que aquela comissão pouco ou nada tivesse feito, mas que era seu desejo fazer muito, mas para isso contava com o concurso de todos os campomaiorenses. Deu por findo o seu discurso, sendo muito ovacionado com uma salva de palmas. Usou então da palavra o administrador do Concelho, Senhor Domingos Calado Branco, que disse congratular-se com a feição que o problema social ia tomando em Campo Maior. Depois de fazer várias considerações sobre o problema social, a Comissão “Pró Campo Maior”, terminou bradando um viva à dita comissão e outro aos trabalhadores de Campo Maior, sendo delirantemente ovacionado. Fez-se então o desfile pelas principais ruas desta vila aonde se incorporavam cerca de mil pessoas, vendo-se nas portas e janelas o elemento feminino que saudava o Primeiro de Maio com luminárias. Ao chegar-se novamente à sede desta casa tocou a filarmónica outra vez o hino “Primeiro de Maio”, sendo entusiasticamente aplaudido com uma salva de palmas. Pelas vinte e três horas, realizou-se uma sessão solene. Depois de tocado o hino usou da palavra o companheiro Sardinha que, na qualidade de Presidente da Casa, convidou o companheiro Eduardo Costal para presidir à “mesa”. Este companheiro, depois de saudar os sócios da Casa do Povo, lamentou que não tivesse competência para tão honroso cargo, mas que aceitava, certo de que todos os companheiros o desculpariam se os trabalhos não fossem orientados como era seu desejo. Convidou para o secretariar os companheiros Francisco Leonardo, da Casa do Povo de Santa Eulália, que veio expressamente a esta localidade assistir à manifestação e Manuel Augusto Rondão. Deu em seguida a palavra ao companheiro José das Chagas que depois de saudar os companheiros presentes e todos os trabalhadores internacionais, pediu um minuto de silêncio em memória dos mártires de Chicago e dissertou sobre as origens do Primeiro de Maio e o massacre dos operários de Chicago pela polícia daquela cidade(1). Ao terminar pediu à assistência que o acompanhasse num viva aos trabalhadores internacionais, sendo delirantemente aplaudido pela assistência e sinceramente felicitado pelos companheiros da Comissão Organizadora. Em seguida, o presidente da mesa deu a palavra ao companheiro Sardinha, que dissertou sobre o Primeiro de Maio na Europa e em Portugal, pedindo dois minutos de silêncio, um pela memória do falecido ministro do trabalho socialista Augusto Dias da Silva e outro pela memória do nosso chorado companheiro Manuel Lavadinho Mourato. Terminou saudando a Casa do Povo de Lisboa, os companheiros presentes e aqueles que pelos afazeres da sua vida profissional não podiam estar ali, assim como a filarmónica local e os trabalhadores de Portugal, sendo muito ovacionado. Foi então dada a palavra ao companheiro Pinto que lastimou que os poderes públicos não tivessem nunca olhado pela classe dos trabalhadores rurais e terminou pedindo pão para os famintos, trabalho para os que mendigam e liberdade para todos, sendo entusiasticamente aplaudido. Usou da palavra o presidente da mesa, que agradeceu a boa ordem e compostura de que a assistência deu provas, durante o decorrer da sessão, sendo esta encerrada em seguida. Eram doze horas. Tocou o hino a filarmónica local. Resolveu-se também exarar um voto de louvor aos trabalhadores de Campo Maior pela forma como se conduziram no decorrer da manifestação, assim como à filarmónica local e ao seu regente Senhor José Matias Branco.

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(1) O 1° de Maio que se comemora em todo o Mundo, é o Día Internacional do Trabalhador em homenagem aos chamados Mártires de Chicago, um grupo de sindicalistas anarquistas que foram executados en 1886.

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publicado às 14:14


A SIMBOLOGIA DE UM DIA: O 25 DE ABRIL

por Francisco Galego, em 25.04.18

 

Em meados do passado mês de Março, fui surpreendido por um cartaz enfeitado com flores de papel, à maneira das nossas “FESTAS DO POVO”, afixado no gradeamento exterior da CRECHE - INFANTÁRIO DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA virado para a “Avenida”, que nâo resisti a transcrever, na esperança de que, a sua realização, não tenha consistido apenas numa mera actividade de ocupação de tempo e de entretenimento, mas numa verdadeira e necessária aprendizagem, numa acção educativa e de formação, cujo conteúdo eu aqui reproduzo:

 

Livres e

 

Independentes

 

Bravos e confiantes

 

Esperançosos na vitória, deu-se uma

 

Revolução!

 

Discordaram  das leis,

 

Amanheceram a lutar.

 

Direitos maiores puderam

 

Espalhar!

 

 

Parabéns às "educadoras-formadoras"

 

Boas e felizes "aprendizagens"

para os educandos!

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publicado às 00:01


MONOLOGANDO ...

por Francisco Galego, em 19.04.18

PARA TI NESTE DIA 19 DE ABRIL...

 

O nosso viver tende a ser formado por uma sequência, em que o antes foi o ponto de partida do presente e este será a base em que assentará o nosso futuro. Por isso, manda a cautela que se procure ir construindo uma sequência de projectos de vida, pois essa será a forma mais organizada de irmos tecendo o nosso viver.

Nesta perspectiva, torna-se importante a ponderação do nosso passado a fim de bem entendermos o que convém que sejam as nossas acções, para tentarmos garantir alguma segurança em relação ao que, em consequência, queremos que a nossa vida possa vir a ser no tempo futuro. Se o resultado não for o esperado, haverá sempre a consolação de termos tentado e, provavelmente, a capacidade para ponderarmos a melhor maneira de nos adaptarmos às condições que nos foram ditadas pelo imprevisíveis acasos que as constituem.

Mas, claro que existem outras opções. E, cada um de nós, tem a liberdade de fazer outras escolhas, assumindo depois as consequências que daí possam advir.

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publicado às 10:03


D. JOÃO V - UMA VISITA REAL A CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 14.04.18

Nas casas de João de Aguiar Mexia(1), no Terreiro das Estalagens(2), se tem acomodado o Sr. Infante D. Francisco, as três vezes que tem vindo a esta Praça. Sendo a primeira em segunda-feira, 18 de Dezembro do ano de 1713, a segunda em 14 de Setembro de 1714 e a terceira em 13 do dito mês de Setembro de 1715.(3)

Nestas casas se fez aposentadoria para S. Majestade, que Deus guarde, no ano de 1716. De que não usou porque, vindo no dia 12 de Novembro a esta Praça, voltou no mesmo dia a Elvas, por causa da chuva que sobreveio (4).

João V, vinha acompanhado de seus irmãos, os Senhores Infantes D. Francisco e D. António, todos em coche e, com eles: o Marquês de Marialva, D. Diogo de Noronha, camarista de Sua Majestade; D. Duarte António da Câmara, depois Conde de Aveiras, camarista do Sr. D. Francisco; e Rodrigo de Melo da Silva, depois Conde de S. Lourenço, camarista do Sr. D. António. Acompanhava Sua Majestade, o Duque de Cadaval, D. Nuno Álvares Pereira, Mestre de Campo General junto à sua real pessoa e Governador das Armas da Província de Estremadura, o qual vinha a cavalo.

Governava esta Praça o Brigadeiro Estêvão de Moura e Azevedo, o qual teve ordem por carta do Secretário de Estado, Diogo Mendonça de Corte Real, escrita no dia antecedente, para que não fizesse nenhuma demonstração militar, nem política, porque S. Majestade estava incógnito e assim o ordenava (…)

O governador esperou El-Rei à entrada da porta da Praça com os Coronéis D. Felipe Alarcão de Mascarenhas, do Regimento de Infantaria; Martinho Afonso Mexia, do Regimento de Cavalaria; o Tenente Coronel de Cavalaria João da Rocha de Vasconcelos; o Sargento-Maior de Infantaria, Fernão da Mesquita Barba; o Sargento-Maior da Praça, Francisco da Silveira; e muitos outros oficiais.

Sua Majestade não se deteve e se foi apear à Igreja de S. João Baptista, aonde lhe beijaram as mãos os oficiais referidos e os da Câmara e algumas pessoas particulares. Daí passou a ver o Castelo e, na Praça de Armas estava formado o Regimento de Infantaria.

Subiu El-Rei à Torre Grande e dela viu toda a Praça e o terreno em que foram abertos os ataques para o Sítio do ano de 1712. Daí passou à Igreja Matriz onde foi recebido com Pálio e Te-Deum Laudamus e com mais cerimónias do ritual.

Tornou a entrar no coche e, sem mais demora, voltou a Elvas, desaprovando o dia a resolução de dormir uma ou duas noites nesta Praça, para o que tinha chegado a ela João Xavier a preparar as casas sobreditas, nas quais quis seu dono manifestar o ardente desejo de servir a Sua Majestade, mandando prover a sua ucharia (5) de tudo o que pode permitir o pouco tempo de uma noite e uma manhã.

Mandou S. Majestade dar cem moedas para os soldados da guarnição da Praça.

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In, (Estêvão da Gama, Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior (...), ( p. 52 e 53)

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(1) Refere-se ao que foi depois chamado Palácio de Olivã, onde agora está instalada a Biblioteca Municipal João Dubraz; a Repartição das Finanças Públicas e o Lagar-Museu do Azeite.

(2) Hoje Largo do Barata. Chamava-se "das Estagens", pela mesma razão porque a actual Rua da Poterna, se chamou "Rua da Estalagem Velha". Pois que,  por estarem situadas perto das entradas da vila, ali estavam as casas onde se acomodavam os visitantes.

(3) Estas visitas tinham como finalidade, acompanhar a reconstrução da vila que ficara muito afectada como consequência da destruição provocada pelo Cerco de 1712.

(4) Nesta época não existia ainda a ponte sobre o Caia, tendo este rio que ser passado a vau, coisa que se tornava impraticável na situação de grandes chuvadas.

(5) Ucharia = despensa provida de bens alimentares e outros, destinados à acomodação dos hóspedes que se recebiam em casa.

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publicado às 15:03


A DEFESA DA FRONTEIRA DO ALENTEJO EM 1641

por Francisco Galego, em 09.04.18

Houve uma urgente necessidade de reforçar a defesa da fronteira do Alentejo, no inicio de 1641, começo da "Guerra da Restauração".

O conde de Vimioso, que assumiu o posto de capitão-general do Alentejo, concentrou os meios de defesa em Elvas, sendo depois substituido por Matias de Albuquerque que devastou algumas terras da Estremadura espanhola, tendo obtido uma importante vitória no lugar de Lobon, perto do Montijo. Esta Batalha do Montijo deu grande ânimo ao exército português, tendo Matias de Albuquerque sido agraciado com o titulo de Conde de Alegrete.

 O conde de Monterrey, fortificado em Badajoz, atacou Campo Maior e Olivença. Campo Maior apesar de dispor de poucos meios, resistiu. O ataque a Olivença foi mais violento  mas resistiu por ter esta vila ter sido prontamente socorrida.

Foi feito um grande esforço para reparar as fortalezas e castelos da raia, alguns dos quais estavam desmantelados.

A guerra recrudesceu em meados de 1648. Elvas tornou- se o alvo privilegiado dos ataques que fizeram perigar a defesa da cidade que sofreu um cerco de três meses: Outubro, Novembro e Dezembro. A peste agravou muito a situação de defesa da cidade, chegando a fazer 300 mortos por dia.

Quando cehegaram reforços, sob o comando do conde Cantanhede, às quais se juntaram as guarnições de Juromenha, Vila Viçosa, Borba, Campo Maior, Arronches e Monforte, foi possível passar ao contra-ataque a fim de impedir que o exército inimigo fosse atacar Lisboa. Obter uma vitória significaria assegurar a independência do reino.

No dia 14 de Janeiro de 1659, deu-se a batalha que constituiu um dos momentos mais altos para a vitória final na Guerra da Restauração: A Batalha das Linhas de Elvas.

Na manhã de dia 15 foi tomado o Forte da Graça. Os catelhanos deixaram mais de 5.000 prisioneiros, muitos mortos, alguns afogados no Caia e no Guadiana. Os outros foram refugiar-se em Badajoz.

  1. Sancho Manuel, devido a esta vitória, recebeu o título de conde de Vila Flor. O relato deste feito foi registado pelo conde da Ericeira.

Contudo, a guerra ainda se reacendeu nos anos de 1663 a 1665, em que se deram as últimas campanhas da Restauração.

Seguidamente começou uma crise política interna, no reinado de D. Afonso VI.

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IN, Joaquim Veríssimo Serrão – HISTÓRIA DE PORTUGAL, Vol. V (1640- 1750) - A RESTAURAÇÃO E A MONARQUIA ABSOLUTA, Ed. Verbo

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publicado às 15:03


RETALHOS DE HISTÓRIA DA VILA DE CAMPO MAIOR...

por Francisco Galego, em 06.04.18

A primeira igreja matriz de Campo Maior, dedicada a Santa Clara, ficava dentro dos muros do primitivo castelo, no local onde agora se situa um armazém que, até ao início do século XX, serviu de salão para festas, bailes, representações teatrais e outros divertimentos. Este edificio ainda conserva na sua fachada a bilheteira que dá testemunho desta utilização.  

O crescimento da vila e da população, entre os séculos XII e XVI, tornou esta igreja demasiado pequena e de difícil acesso, porque localizada fora da nova zona urbana para onde crescera a povoação. Daí a necessidade de ser construida uma nova igreja. A igreja foi dedicada a Nª Sr.ª da Expectação, nome que foi também dado a uma das duas freguesias urbanas que existem em Campo Maior.

Esta nova matriz que o povo durante muito tempo designou como a “Igreja Nova”, foi construida entre 1570 e 1646. No seu patio lateral leste, foi construida a Capela do Calvário, em 1707. Nos meados do séc. XVIII procedeu-se à colocação dos altares, das tribunas, do cadeiral do altar-mor e à pintura do altar do Santíssimo Sacramento.

Em 1766, no mesmo pátio lateral, foi construída a Capela dos Ossos, em memória das mortes provocadas pela explosão do paiol que estava na torre de menagem, por efeito de um raio, durante uma trovoada, em 16 de Setembro de 1732, entre as três e as quatro horas da madrugada. Das cerca de mil habitações que compunham a vila, cerca de 800 ficaram total ou parcialmente destruidas. A própria igreja matriz ficou muito danificada. Igrejas, conventos e edifícios em geral, sofreram os desastrosos efeitos da explosão.

Numa população de cerca de 5.000 habitantes, morreram cerca de 250 pessoas e ficaram feridas cerca de 2.000.

Graças à rápida decisão de D. João V que ordenou que se acudisse com importante socorro, a vila foi restaurada em pouco tempo para que pudesse acolher a população sobrevivente e para garantir a sua função de praça de guerra, defendendo a fronteira de qualquer tentativa de invasão que poderia ocorrer. E a memória de tal possibilidade estava bem presente devido ao cerco sofrido em 1712 que, devido a uma tenaz resistência, tão importante fora para garantia da independência, da paz e da segurança do nosso território.

 

 

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A REVOLUÇÃO DE CAMPO MAIOR DE 2 DE JULHO DE 1808

por Francisco Galego, em 04.04.18

Depois do cerco de 1801, Campo Maior ficou ocupado pelas tropas francesas. Contudo, esta praça de guerra, pode considerar-se uma das que menos foi sentiu o peso desse domínio. Napoleão julgou os portugueses subjugados porque os viu sofridos. E contou achar da parte da Espanha igual moderação.

No início do ano de 1808, o comando francês teve por mais acertado abandonar a Praça de Campo Maior. À excepção de um Regimento de Suíços que entrou nesta Praça no dia 12 de Março e saiu no dia 13, não mais se viu tropa francesa, o que não foi pequena fortuna. Em consequência deste abandono, os seus armazéns foram espoliados de toda a pólvora, munições e apetrechos de guerra, as armas dos particulares foram guardadas em depósito. O Regimento Nº 20 que constituía a sua guarnição, foi desorganizado e extinto e uma parte dos seus elementos foram mandados para França. Esta extinção foi declarada no dia 14 de Maio de 1808.

Os arquivos, espingardas e mais utensílios militares foram mandados para Elvas. Igual espoliação se verificou quanto ao Hospital Real Militar e ao Assento. Mas a povoação foi deixada em paz.  

Quase sem saberem um do outro, os dois povos entraram em efervescência e se inflamaram. No dia 30 de Maio de 1808, deram-se os primeiros sinais de revolta em Badajoz os quais tiveram depois reflexos em Campo Maior.

Francisco Cesário Rodrigues Moacho, boticário e Luís José Xara, sem outra ocupação para além de um pequeno tráfico contingente sendo, portanto, ambos de condição humilde e medíocre fortuna, resolveram aproveitar a oportunidade da ocasião para restituir à sua Pátria a liberdade perdida. A estes juntou-se Francisco Pedro Xavier da Costa, que antes da desactivação da Praça era secretário do extinto Regimento Nº 20, da guarnição de Campo Maior e, sabendo que antigos militares estavam dispostos a passar a Espanha para assegurarem a sua subsistência combatendo ao lado dos espanhóis contra os franceses, resolveu ir com Cesário de jornada até Badajoz, em 8 de Junho. O primeiro procurava serviço como militar. O segundo procurou o comissário do Governo Supremo de Sevilha para lhe expor um plano que foi atendido com interesse sendo-lhe sido prometido que uma decisão seria tomada no praso de oito dias.

À conspiração associou-se em Campo Maior, o mercador Manuel António Gonçalves Niza que põs a sua casa à disposição para nela se reunirem.

Assim se deu começo ao processo que se veio a desenvolver em Campo Maior que, desde o início, teve a concordância e o apoio do General Galluzo que assegurava as ligações à Junta de Badajoz.

As tropas espanholas, designadas para ajudarem Campo Maior, eram comandadas por Nicolau Moreno de Monroy e consistiam num batalhão de cerca de 700 voluntários de Valença a que se juntou no dia seguinte um esquadrão do Regimento de Maria Luísa.

Guiadas por Luís Xara chegaram à Porta de São Pedro na madrugada de 2 de Julho de 1808, tendo-lhe sido franqueado o acesso à vila. Foram presos os responsáveis militares da vila. Quando o povo se começou a aperceber do que se estava a passar, começaram a surgir manifestações de apoio de uns e de desagrado de outros conforme era a sua afeição.

O comandante das tropas espanholas fez uma proclamação ao povo de Campo Maior. Foi constituída uma Junta do Governo Provisional de Campo Maior.

Cesário quis entregar as chaves da Praça ao Coronel Diogo Pereira da Gama do comandante de extinto Regimento Nº 20, mas este não as quis aceitar e daí resultou que o comando militar da Vila ficou entregue a Nicolau Moreno de Monroy. Este instalou o seu quartel general nas casas de D. José Carvajal.

A 4 de Julho procedeu-se à aclamação solene de Sua Alteza Real, o principie D. João. Foi rezada missa, tendo-se procedido à bênção das bandeiras de Espanha e de Portugal que foram levadas em procissão até ao castelo, ficando ali expostas lado a lado. Mas, a situação era perigosa, pois a vila estava desarmada, a praça com duas brechas, os armazéns sem munições e o inimigo fortemente armado e estacionado em Elvas.

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 Fonte: João Mariano de Nª Sr.ª do Carmo Fonseca -  Relação abreviada dos factos mais recomendáveis da revolução de Campo Maior em 1808, 1813.  

 

 

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O CERCO DE CAMPO MAIOR DE 1801

por Francisco Galego, em 02.04.18

 

         Na manhã do dia 20 de Maio de 1801 apareceu, sobre as alturas da Cabeça Aguda, a 4ª Divisão do exército espanhol… que, assenhoreando-se logo da campanha, formou o sítio da praça. E, tendo-se esta de antemão preparado para fazer uma defesa porfiada, se rendeu por capitulação no dia 6 de Junho com inexplicável mágoa dos habitantes que desejavam o prolongamento da resistência, chegando muitos ao ponto de representar ao governador, que então era Matias José Dias Azedo, que desistisse da rendição e continuasse na defesa. Os egoístas e os fracos, que sempre os há e que por toda a parte se encontrarão, temeram. Azedo sossegou os ânimos e cedeu às circunstâncias. Talvez porque o estado das coisas pedisse isso mesmo, pois dependia de Campo Maior a tranquilidade do Alentejo e do reino. Pois que, enquanto esta praça resistisse, as hostilidades não cessavam nem se ultimava a negociação da paz em Badajoz.

            A obstinação que Azedo tinha mostrado nos 18 dias que durou o cerco e o bombardeamento da vila, tinha azedado de tal modo os espanhóis que estes chegaram a passar a ordem de multiplicarem as baterias e se avivar o fogo para arrasarem a fortaleza. E não podia deixar de ser assim porque os franceses, que estavam aliados aos espanhóis, já começavam a mostrar descontentamento pela demora de se obter a rendição desta pequena praça de guerra.

            A praça rendeu-se com efeito em 6 de Junho mas a guarnição militar ganhou o direito a todas as honras militares. A povoação tinha sido atingida por 8.342 balas de canhão, 257 bombas e 1.217 granadas.

            Assinada a paz, foi a vila evacuada pelas tropas espanholas no dia 22 de Novembro de 1801.

            Não se descuidaram os habitantes de reparar as ruínas provocadas pelo bombardeamento; as suas casas estavam em breve habitáveis. Mas a reparação não foi geral. Mais de 10 anos depois ainda se viam sinais de destruição na Igreja Matriz, no Convento de São Francisco, nas Casas da Câmara e em alguns outros edifícios.

            As fortificações não foram prontamente reparadas, nem era de esperar que tão depressa o fossem, porque, devido ao parecer dos inspectores que as vistoriaram, estava resolvido abandonar esta praça de guerra por falta de condições de defesa.

Campo Maior foi desguarnecido de artilharia. As suas duas portas ficaram sem pontes levadiças, as suas muralhas ficaram arruinadas tendo ficado quase destruído o Forte do Príncipe e derrubados dois grandes pedaços de muro entre os baluartes de São Francisco e de Santa Rosa e outro no lado ocidental do baluarte de São Sebastião.

 

 

In, Frei João Mariano de Nª Sª do Carmo Fonseca - Memória Histórica da Junta de Campo Maior. 1813

 

 

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publicado às 17:20


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