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SOBRE CAMPO MAIOR ...

por Francisco Galego, em 29.11.17

 Voltando às notas históricas:

 

Da obra TERRAS PORTUGUESAS Arquivo Histórico – Geográfico ou Geografia Histórica Portuguesa, de Baptista de Lima, Póvoa de Varzim, Tipografia Camões-Editora, 1932, Pag.s 455 a 458, foi possível extrair as seguintes informações:

 

- No LIVRO DE FORAIS NOVOS DO ALENTEJO, folha 65, coluna 2, consta o Foral de Campo Maior, com a indicação de que foi dado em Lisboa em 15 de Setembro de 1512, por D. Manuel, incorporando-a na coroa com o privilégio de não mais sair dela;

- Campo Maior é cabeça de concelho no Distrito de Portalegre;

- Segundo o cadastro de 1527, a vila teria 632 fogos na cerca e nos arrabaldes e mais 32 no termo da vila, total 664 fogos , (Isto correspone  a uma população de cerca de 2.500 habitantes);

- O bispo de Elvas, D. Sebastião de Matos e Noronha, fez reconstruir a  igreja matriz depois da explosão de 1732; (1)

- Em 1762, era vila da correição de Elvas, tendo todos os privilégios desta cidade que lhe tinham sido atribuidos por D. Dinis e lhe foram acrescentados po D. João II;

- Em 1811, era vila com juiz de fora na comarca, provedoria e diocese de Elvas;

-  Em 1811, o comandante inglês Beresford recebeu o título de Marquês de Campo Maior pela maneira como conduziu à vitória as tropas que fizeram fugir os franceses em 25 de Março desse ano. Foi também pela resistência da praça de guerra ao cerco dos franceses que a vila recebeu a distinção que orna os seu brasão “ Leal e Valorosa Vila de Campo Maior”.

-Entre 1821 e 1826, vila passou a ter duas freguesias – Senhora da Expectação (704 fogos) e S. João (580 fogos), total de 4.987 habitantes;

- Em 1835, a vila concelho era sede de julgado com mais os concelhos de Arronches e Barbacena e Ouguela.:

- Em 1842, vila com 1.294 fogos e 3 freguesias: Nossa Senhora da Expectação (666 fogos); S. João Baptista (532 fogos) e  Nossa Senhora da Graça de Ouguela que havia sido vila com foral  (96 fogos); Verificou-se um decréscimo da população.

- Em Campo Maior, o pelourinho é monumento nacional;

- Campo Maior dista uma légua de Ouguela, partindo o termo pelo meio; de Arronches dista quatro léguas e uma do seu termo; de Elvas dista três léguas e uma do seu termo; de Badajoz dista três léguas e partem os termos pelo meio.

De Campo Maior disse Pinho Leal, in “Portugal Antigo e Moderno”, Lisboa, (1873 – 1890): Vila: 1.400 fogos, 5.000 habitantes em 3 freguesias: Expectação; Nª Sr.ª da Graça; S. João). Mas, na verdade, é apenas uma, a da Expectação, porque as duas outras são uma espécie de curatos anexos, dependentes da matriz principal. A de Ouguela tem 70 fogos.

Disse também que é praça de armas, que é vila muito antiga e que D. Dinis lhe fez o castelo em 1380. E que passa a 3 km o rio Caia; que D, João II lhe deu um brazão com as armas de Portugal de um lado e do outro S. João baptista, o seu patrono. Refere também que no tratado (De Alcanizes) de 1297, Portugal e Castela acordaram em que Campo Maior, Ouguela e Olivença, se integrassem no reino de Portugal.

- Refere que D. Dinis deu primeiro a vila ao concelho de Elvas por carta régia de 19 de Novembro de 1297 e que depois lhe concedeu foral em 18 de Novembro de 1309 (outros dizem que o foral lhe foi concedido em 1299).

- Refere também que terá feito doação da vila à sua filha a infanta D. Branca em 1310 e,  em 1311, a sua irmã a infanta D. Branca. Por morte desta foi senhor da vila D. Afonso Sanches, filho natural de D. Dinis e senhor de Albuquerque.

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(1) Desde as sua origens, até ao fim da Idade Média, o concelho de Campo Maior constituia apenas uma paróquia e tinha como sede a igreja matriz que fora construida dentro do castelo, com a vocação de Santa Clara que depois fora mudada para a de Nª Sr.ª da Assumpção.

Em 1574, porque a igreja estava velha, bastante arruinada e, por ser pequena, não caber nela o povo, foi decidido substituí-la por outra mais ampla e situada em lugar mais central, porque a vila tinha crescido bastante pa fora das muralhas do castelo.

Em 1645, embora a "Igreja Nova" não estivesse ainda acabada, os clérigos tiveram que vir ocupá-la para deixarem a do castelo aos frades franciscanos. Estes tiveram que sair do seu Convento de Santo António, situado no actual "Campo da Feira", que foi demolido, para serem construídas as muralhas que tornaram Campo Maior uma praça-de-guerra apta para defender a fronteira, na Guerra da Restauração da Independência que estava na eminência de começar. É interessante que, para o povo, esta nova igreja que passou a ser a sede da paróquia, sob o orago de N.ª S.rª da Expectação, foi  designada, pelas pessoas mais idosas, como a Igreja Nova, quase até finais do século XX. 

 

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RAZÕES DE UMA ATITUDE...

por Francisco Galego, em 24.11.17

“Tenha ainda hoje uma assinatura digital Público sem pagar nada.”

Abro o “email” e deparo com esta frase, feita para suscitar o meu interesse e motivação. Mas, a única reacção que em mim provoca, é a tomada de consciência de que, há já bastante tempo, nada me consegue fazer voltar ao interesse pelo conteído de jornais ou revistas que se vão publicando entre nós. A frase apenas me fez tomar consciência de que sou apenas um dos muitos que se desiteressaram pelo que vai sendo publicado pela chamada comunicação social.

Eu que, durante tantos anos, fui um leitor muito regular e fiel de tantas publicações diárias ou periódicas, de carácter generalista ou especializadas em determinados temas concordantes com os meus intereses, fui-me decepcionando de tal modo que, há já bastante tempo, não compro, nem leio o que os “ditos jornalistas” vão debitando.

Por isso, a frase fez-me tomar consciência deste corte radical e levou-me a tentar analisar as suas razões. Como entendo pouco, ou quase nada, do processo que designamos como jornalismo ou comunicação social, utilizando a minha própria linguagem, cheguei às seguintes razões que exponho sem cuidar de ordem ou de nexo:

- Os jornalistas, regra geral, assumem uma atitude de maus comentadores. Não só são muito pouco independentes, como parece reduzirem o seu campo de pesquisa às conversas com os amigos e os colegas, ou seja, às “bocas”, numa ambiência de cultura light:

- Devido a esta tendência para partilharem, seguindo como rebanho uma opinião comum, forjada entre eles, partilhada entre eles, resulta que as “mensagens”, produzidas são  uma versão seleccionada para confirmar a opinião dos jornalistas, com exclusão de tudo o que as possa  contrariar;

- Desta manipulação resulta um empobrecimento da sua projecção no espaço público. As elites mais informadas preferem aceder directamente à informação em bruto, recorrendo a universos muito diversificados de opinião em rede, porque este "jornalismo de opinião" gerou um efeito de pensamento único, muito subordinado ao "politicamente correcto" ou "politicamente conveniente" para certos grupos de que depende a classe que produz as revistas e os jornais …

 

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DAS ORIGENS DE CAMPO MAIOR ...

por Francisco Galego, em 22.11.17

As fontes documentais escritas, mais antigas que se conhecem, apontam para que, a terra chamada Campo Maior, conquistada aos árabes pelos cristãos, tenha sido entregue em senhorio a Frei Pedro Peres, bispo de Badajoz. Em carta de “Fuero” datada de 30 de Maio de 1260, este bispo definiu-lhe as primeiras regras de organização e gestão bem como as obrigações dos moradores.

Esta carta de “FUERO CONCEDIDO AOS MORADORES DE CAMPO MAIOR...” começa por definir os uses e costunbres, bem como as obrigações. E também estabelece as penalizações a aplicar aos crimes e transgressões cometidos pelos povoadores, tanto a los que son, como a los que an da venir. O fuero refere algumas como: homicidio; furto; forçar mulher; testemunhar com falsidade; faltar ao chamado de um juiz ou se convocado ao concelho; o que romper compromisso com uma mulher, o que cavalgar cavalo alheio; o que ferir olho, braço, ou dente; o que ferir mulher alheia; o que mudar para a sua eira colheita alheia.

Tendas (lugares de venda) moinhos e fornos, de homens de Campo Maior ficam isentos  de foro., etc. 

Nestes documentos poderão ser encontradas mais informações:

- ACADEMIA DE LA HISTÓRIA. Coleccion de Privilegios y Escrituras de las Eclesias de España – Tomo III. Fol. 344

- Juan Solano de Figueroa, HISTORIA ECLESIÁSTICA DE BADAJOZ, Vol. III, 1ª parte, pág. 67 e seg.s

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BREVE SÍNTESE HISTÓRICA DE CAMPO MAIOR...

por Francisco Galego, em 18.11.17

O território onde nasceu a povoação que viria a ser a vila, sede do concelho, de Campo Maior, terá sido chamada pelos romanos, Campus Major.  Para eles  significando que se tratava de terra plana, extensa e produtiva. O seu povoamento no período da romanização terá estabelecido um conjunto de Villae, ou seja, pequenos agregados romanos que deram origem às unidades agricolas que, séculos depois, viriam a ser designadas como montes e herdades.

Esta organização ter-se-á mantido no tempo dos invasores godos e mesmo no período do domínio muçulmano, pois não são conhecidos testemunhos significativos da sua presença, neste “Campus Major” que ficava entre as cidades de Badajoz e de Elvas, que esta civilização, de origem árabe e de carácter acentuadamente urbano que, noutras regiões, deixou marcas significativas. Alguns documentos dão notícia de pequenos aldeamentos no sítio onde irá desenvolver-se a vila, em volta de um castelum de monte maiori.

Tendo este território, que compreendia os aldeamentos de Ouguela e de Campo Maior, sido conquistado no final da 2ª década do Séc. XII, pelo reino de Leão, foi o mesmo doado em senhorio ao bispo de Badajoz. O rei Afonso X de Leão e Castela que confirmou essa doação em 1257, ao conceder-lhe o primeiro foral, em 1260, conferiu-lhe o estatuto de vila, depois sede de concelho.

 A vila de Campo Maior foi integrada, formalmente, na soberania portuguesa, no reinado de D. Dinis, pelo Tratado de Alcanizes (1297), que lhe concedeu novo foral. Mas, manterá laços de dependência eclesiástica ao bispo de Badajoz que só foram cortados por D. João I, em 1392.

Com a Restauração da Independência de Portugal, em 1640, seguiu-se a guerra e o risco de invasão de Portugal pelos exércitos de Espanha.  Campo Maior tornou-se importante praça-de-guerra. Dotada de notável fortificação, integrou o arco defensivo contra invasões -  formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas, Juromenha e Olivença – que, a partir de meados do século XVII,  desempenhou missões defensivas de grande importância: durante a “Guerra da Restauração (1640-1648)”, nos “sítios” de 1712 (Guerra da Sucessão de Espanha); 1762 (Guerra dos Sete Anos ou Guerra Fantástica); 1801 (Guerra das Laranjas); 1811 (Guerras Peninsulares-Invasões Francesas).

Em 1732, durante uma trovoada seca, um raio fez explodir a Torre de Menagem do seu castelo. A vila ficou, na sua maior parte destruída tendo morrido, ou ficado ferida, grande parte da sua população. Mas a restauração da vila e da praça-de-guerra foi muito rápida, estando concluída passados cerca de dez anos.

Com a pacificação geral da Europa, a fortificação foi desactivada em meados do século XIX.

A vila conseguiu restabelecer-se tendo como base da sua economia uma agricultura próspera devido à fertilidade e variedade dos seus campos e ao engenho das suas gentes.

Actualmente tem-se notabilizado como importante polo industrial nos ramos da torrefacção e comercialização do café e pela grande manifestação de arte popular em que se tornou essa tradição de religiosidade “sanjoanina”, denominada como Festas dos Artistas, e Festas das Flores ou Festas do Povo de Campo Maior.

 

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O "MUNDO" NA PROVÍNCIA (P. 5) – CAMPO MAIOR (2)

por Francisco Galego, em 15.11.17

Está quase terminada a colheita da azeitona neste concelho. Calcula-se em 500 mil litros a produção de azeite este ano. Isto não incluindo a grande quantidade de milhares de quilos de azeitona exportada para as fábricas de conserva da vizinha cidade de Elvas. Tal o desenvolvimento que neste concelho vai tomando esta cultura. Já estão funcionando todos os lagares de azeite que há na vila e também o lagar a vapor dos importantes proprietários Minas e Mocinha. Este lagar, inaugurado o ano passado e este ano aumentado com novos aparelhos que mais perfeito o tornaram, é o mais concorrido de fregueses visto que o precioso óleo ali é preparado com mais perfeição e as “fundas” são incomparavelmente melhores que noutros lagares.

O lagar conta com os seguintes aparelhos:

- um moinho sistema “Verachi” e outro “Balboutin” para moenda da azeitona;

- um remoedor “Valh” para bagaço;

- três prensas também sistema “Verachi” sendo duas para cinchos e outra para ceiras;

- baterias, bombas, etc.

Estes mecanismos são animados provisoriamente por uma locomóvel “Clayton” de 10 cavalos.

A elaboração diária regula por 7.800 quilos de azeitona.

O preço do azeite é de 2$200 réis por decalitro.

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NOTA: Este lagar situava-se na Rua Baluarte de Santa Rosa e pertence agora a uma empresa que se dedica à torrefacção e venda de cafés.

O jornal "O Mundo", publicava-se em Lisboa no começo do séc. XX.

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O "MUNDO" NA PROVÍNCIA – CAMPO MAIOR - (1)

por Francisco Galego, em 12.11.17

 

O "MUNDO" NA PROVÍNCIA (p. 4) – CAMPO MAIOR ( 1 )

 

Regressou de Lisboa o nosso amigo Sr. Manuel Jerónimo Minas, importante proprietário deste concelho e irmão do Sr. João Rodrigues Minas, actual provedor da Santa Casa da Misericórdia. Os nossos cumprimentos. (O Mundo, Lisboa, 4/11/1910)

O Mundo na Província – Campo Maior

A Comissão Municipal Administrativa, em sessão do dia 26 do corrente, aprovou as bases do contrato para a iluminação da vila a luz eléctrica. As primeiras bases do contrato foram elaboradas pelo distinto vereador João Camilo Meira, de parceria com o Sr. João Rodrigues Minas Mocinha, técnico e especialista no assunto e são: pela duração, por trinta anos; pela concessão do exclusivo da iluminação pública; pelo pagamento anual pela câmara de 1.200$000 réis para um mínimo de oitenta lâmpadas de dez velas, dois arcos voltaicos de força de 300 velas e dois de força de 500 velas; as lâmpadas acender-se-ão meia hora depois do pôr-do-sol, funcionando até à uma hora da noite, com toda a intensidade luminosa e, desta hora em diante, com metade da força, até meia hora antes do nascer do Sol; os arcos voltaicos de 300 velas funcionarão só durante 20 noites do ano, apagando à uma da noite. Os arcos voltaicos de 500 velas, quando se acenderem, apagam-se às duas.

Nota: No jornal há indicação de que, em algumas terras, como antes se usara em Campo Maior, era usado o acetileno na iluminação pública.

A câmara deliberou mandar imprimir as bases do contrato e abrir concurso que principiará a 1 de Agosto próximo e terminará a 30 de Setembro. Por alvitre do presidente, a câmara deliberou lançar na acta um voto de louvor ao vereador Meira e ao Sr. Minas

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(1) -  "O Mundo", jornal que se publicava em Lisboa, no início do Séc. XX. Um mês antes da publicação desta notícia, tinha sido implantada a República Portuguesa, pondo fim ao período de monarquia liberal que começara com a Revolução de 1820. 

 

 

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CAMPO MAIOR NO INÍCIO DO SÉC. XX

por Francisco Galego, em 09.11.17

 

Passada a euforia da implantação da República, seguiu-se a 1ª Grande Guerra (1914-1918). Portugal vivia um período agitado e de grande instabilidade social e política.

Os governos mudavam devido a uma alucinante sucessão de golpes-de-Estado, de revoltas, de desencontradas votações no parlamento.

Muito desencantados e cansados de tanta perturbação, os cidadãos, principalmente os mais jovens, procuravam formas alternativas de intervenção social desviando-se da turbulência dos acontecimentos políticos.

Um grupo de jovens campomaiorenses constituiu uma associação que significativamente adoptou o nome de Pró Terra Nostra, (“Pela Nossa Terra”) e resolveu criar o primeiro jornal de Campo Maior.

 No ano de 1921, para que servisse de base à realização de acções que promovessem o desenvolvimento de Campo Maior, apareceu "O Campomaiorense". Os seus fundadores eram jovens  que podemos considerar como pertencendo  à classe média. Dispunham de algumas bases culturais e distribuiam-se por diversas profissões e ocupações: funcionários públicos, comerciantes, empregados no comércio, agricultores, alguns estudantes e outros dedicados aos ofícios artesanais que então existiam em número significativo na vila.

Este jornal constitui uma “fonte de informação” importante para o conhecimento da sociedade campomaiorense nesse tempo. O seu Nº 1, datado de 1 de Agosto de 1921, no editorial intitulado “Caminhando...”, assinado pelo comerciante Eduardo Ramos, é assumido o compromisso de servir de elo entre os campomaiorenses residentes e que os que  vivem fora de Campo Maior. Declara tomar como lema a trilogia “Justiça; Fraternidade; Solidariedade”, portanto, com uma base ideológia de cariz acentuadamente republicano.

Depois seguem-se notícias de diversos aspectos da sociedade local e algumas colaborações  enviadas á redacção do jornal para publicação.  

Neste primeiro Jornal, no seu nº 2, publicado em 10 de Agosto de 1921, na sua 1ª página, publicou João Ruivo o seguinte texto:

(...) Foi Campo Maior uma das melhores praças de armas do Alentejo, toda murada de cortinas e de baluartes, com bons fossos, pontes levadiças e famosos lagos defensáveis, tendo prestado assinalados serviços nas guerras da independência e durante as invasões francesas.

Imposições do progresso e da estética e necessidades de desenvolvimento urbano, obrigaram o município a mandar destruir parte das suas muralhas, alindando e embelezando a vila, que hoje se acha muito transformada, possuindo largos arborizados e um pequeno jardim para recreio dos seus habitantes. (1) 

Além do Castelo, tem a vila outros edifícios notáveis, como as igrejas Matriz, de São João e do Convento dos Franciscanos, o antigo Assento Militar e os Paços do Concelho. Entre as construções particulares antigas, destacam-se o Palácio dos Carvajais e o solar da família Albuquerque Barata (2). Na parte mais moderna da vila estão a construir-se alguns palacetes e vivendas, cujo estilo denota bom gosto e espirito progressista.

As ruas da vila são amplas, bem calçadas e canalizadas, e as casas particulares, embora modestas e pouco confortáveis, são irrepreensívelmente asseadas.

Terra essencialmente agrícola, é abundante em cereais., legumes, azeite, vinho e criação de gados de todas as espécies. Começa a inclinar-se para a indústria, estando já lançados os alicerces das indústrias moageira, oleícola, cerâmica e de conservas.

Os seus habitantes são laboriosos, embora pouco ilustrados, devido à inércia dos seus governantes. Gostam de trajar bem, são um pouco altaneiros e imprevidentes, mas bondosos e de bom trato, desmentindo a fama de desordeiros que corre país fora. (...)

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(1) Referência ao processo que começou em 1908:

- Com o derrube da Porta de S. Pedro e da cortina de muralha que a ligava ao Baluarte do Príncipe, fazendo a "Abertura" da Avenida";

- Com derrube da cortina que ligava o Baluarte do Príncipe ao Baluarte da Fonte do Concelho, fazendo a "Abertura da Estrada Militar" para a Avenida e para a actual Rua dos Combatentes da Grande Guerra;

- Com o  derrube da cortina que ligava o Baluarte de S. Francisco ao Baluarte de Santa Rosa, fazendo a  "Abertura do Chafariz ou da Poças"; 

- Com o derrube de uma parte da cortina junto ao Baluarte de Santa Cruz.fazendo a "Abertura da Alagoa" .

(2) Albuquerque Barata era o pai do Visconde de Olivã, último habitante particular do actual Palácio de Olivã, popularmente designado como o Palácio do Visconde.

 

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publicado às 00:04

“A crise alimentícia faz-se sentir profundamente em Campo Maior. O alto preço do pão e do azeite está afectando a subsistência das classes trabalhadoras e, conquanto elas tenham suportado até hoje com uma coragem e abnegação dignas dos maiores louvores, contudo, as necessidades desta ordem são imperiosas e, aos poderes políticos pertence obviar a que cheguem à extremidade, quando há fáceis meios para, até certo ponto, serem remediadas.

Em Campo Maior, há ordinariamente muito trabalho agrícola; porém, sabemos que os serviços da agricultura estão sujeitos a interrupções que provêm das variações atmosféricas. Além disso, em anos de penúria cultiva-se menos que nos ordinários, em razão da deficiência de meios que, então, os agricultores sofrem.

No mês que decorre e no anterior a menor ocupação de braços tem sido assaz sensível e, tanto que os operários campestres carecem actualmente de um recurso extraordinário. Esse recurso, ou antes, remédio contra a fome, é começarem quanto antes os trabalhos das estradas concelhias (a de Ouguela e a do cemitério), cujos estudos estão feitos mas não aprovados.

Compreende-se que, noutras circunstâncias, os termos legais de aprovação dos estudos se levem a efeito com vagar, que se examinem com o mais minucioso escrúpulo os planos dos homens especiais que os confeccionaram, que na comissão de viação sejam de novo revistos; mas, em situação tão apertada, quando centenares de esfaimados estão esperando todos os dias que se dê começo a trabalhos que por algum tempo devem remediar as suas precisões, não aprovamos, não desculpamos sequer que se protraia (adie ou empate) por poucos dias o que se deve fazer quanto antes.

Sabemos que a benemérita câmara municipal, tanto por diligências oficiais, como recorrendo a particulares, se não tem descuidado deste negócio e que insta e pede sem se importar que lhe chamem importuna. Nós também pedimos, também instamos, para que se mate a fome a muita gente que está sofrendo e se vê obrigada a esmolar, indo assim agravar a subsistência diária de famílias que dão mais esmolas que podem dar.

Pedimos, pois ao nosso bom amigo, senhor director das obras públicas do distrito, pedimos à comissão de viação, pedimos ao Sr. ministro respectivo, pedimos enfim a todos que tenham acção e intervenção neste negócio, que não demorem um benefívio público com formalidades excessivas ou desnecessárias e se acuda aos pobres trabalhadores campomaiorenses o mais depressa possível.

(João Dubraz, In, Democracia Pacífica, Elvas, Nº 67, 4/3/1868)

 

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“TALVEZ A SAUDADE...?”

por Francisco Galego, em 04.11.17

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

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DA INTELIGÊNCIA ...

por Francisco Galego, em 02.11.17

A inteligência eficaz tem, como condição básica, uma competente análise das condições, das situações e dos problemas que se nos deparam. Mas, a inteligência só se desenvolve e perdura, se fortalecida pela aquisição do conhecimento que vai estruturando a nossa cultura.

 

Uma inteligência pouco ou mal fortalecida pelo saber, definha, perde lucidez, perde capacidade de intervenção, perde competência.

Em consequência, uma inteligência, mesmo que brilhante, pode nada produzir de muito importante, se não estiver munida do saber adequado e de claro discernimento. 

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