Quarta-feira, 29 de Março de 2017

Partindo de Albuquerque e guiadas por Luís Xara as tropas espanholas designadas para virem ajudar Campo Maior, consistiam num batalhão de cerca de 700 voluntários de Valença, a que se juntou no dia seguinte um esquadrão do Regimento de Maria Luísa. Chegaram à Porta de São Pedro na madrugada de 2 de Julho de 1808, comandas por Nicolau Moreno de Monroy, tendo-lhe sido franqueado o acesso à vila. Foram presos os responsáveis militares da vila. Quando o povo se começou a aperceber do que se estava a passar, começaram a surgir manifestações, de apoio de uns e de desagrado de outros, conforme era a sua afeição.

O comandante das tropas espanholas fez uma proclamação ao povo de Campo Maior.

Foi constituída uma Junta do Governo Provisional de Campo Maior.

Cesário quis entregar as chaves da Praça ao Coronel Diogo Pereira da Gama, do extinto Regimento Nº 20, mas este não as quis aceitar e daí resultou que Moreno se apoderou do comando militar da Vila. Este instalou o seu quartel general nas casas de D. José Carvajal.

A 4 de Julho procedeu-se à aclamação solene de Sua Alteza Real, o principie D. João (1). Foi rezada missa, tendo-se procedido à bênção das bandeiras de Espanha e de Portugal. O padre João Mariano de Nª Sr.ªdo Carmo Fonseca foi encarregado de proferir a exortação antes da missa e do juramento de bandeiras, feito pelos militares portugueses e espanhóis, pelo senado da Câmara, pelo clero secular e regular e por todo o povo (velhos, novos e crianças). Depois foram as bandeiras levadas em procissão até ao castelo, onde, entre fogos de canhão e de mosquete, foram arvoradas em sinal de união, ficando ali expostas lado a lado.

O dia terminou com uma noite de iluminações que se renovou nas duas noites seguintes, com grande satisfação e geral aplauso.

A situação era perigosa pois a vila estava desarmada, a praça com duas brechas(2), os armazéns sem munições e o inimigo fortemente armado e estacionado em Elvas.

Para tratar dos assuntos de interesse público no imediato, realizou-se no dia 5 de Julho um congresso geral das três ordens (Clero, Nobreza e Povo) e da oficialidade espanhola, nas casas de D. José Carvajal do qual saiu a decisão de se constituir a uma Junta de Governo.

Mas, Nicolau Moreno, que ainda era o ídolo da gente do povo de Campo Maior, não parecia muito interessado em largar o governo.

Cesário tratou de congregar os notáveis da terra para que promovessem a criação da Junta que veio a tomar posse a 8 de Julho.

Com o auxílio enviado por Badajoz, pôde a Junta de Campo Maior organizar a defesa da Praça, começando por convocar antigos oficiais e militares para a reconstituição de uma guarnição militar.

D. José Carvajal foi encarregado de organizar um corpo de cavalaria e muito bem desempenhou este encargo.

(João Mariano de Nª Sr.ª do Carmo Fonseca. In, Memória Histórica da Junta de Campo-Maior ou História da Revolução desta Leal e Valorosa Villa, (Ed. António José de Torres de Carvalho, Elvas, 1912.  

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(1) Futuro rei D. João VI, então refugiado com a família real no Brasil, governando em nome de sua mãe, a rainha D. Maria I, afastada dos assuntos do Reino, por alienação mental.
(2) As brechas eram:no baluarte de São Sebastião, uma de 22 varas de comprimento e de tão fácil acesso que até bestas com carga por ela entravam;  a outra, na cortina de Santa Rosa, mais pequena e só a homens acessível. A reparação destas brechas começou a ser feita por Nicolau Moreno e foi acabada pela Junta Provisional.


publicado por Francisco Galego às 10:23
Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Em 1807 entraram os franceses em Portugal…

No dia 1 de Dezembro de 1807, tinha entrado nesta Vila o regimento de Guardas Walonas e um batalhão do Regimento de Córdova, que saíram no dia seguinte.

No dia 11 do mesmo mês, entrou na vila o Regimento de Múrcia, que no dia 13, continuou a sua marcha.

No dia 8 de Janeiro de 1808, um batalhão dos Granadeiros Provinciais de Castela e, no dia seguinte, mais um batalhão do mesmo corpo, ficaram a fazer a guarnição da Praça, que só evacuaram em 16 de Março.

 O comando espanhol tinha determinado que esta guarnição fosse sustentada à custa do povo, mas o Juiz de Fora conseguiu livrá-lo desta obrigação, vindo a mesma a ser assegurada pela Administração de Badajoz.

Um sargento-mor da Praça procurou revoltar o povo contra a frouxidão do governo português que tinha abandonado o Reino deixando-o em tão penosa situação. Mas o povo preferiu cumprir as ordens deixadas pelo príncipe regente (1) e nada faltou ao fornecimento das tropas, sendo em parte providas pelo “Assento militar das provisões de boca” e, em parte, pelas pessoas particulares às quais eram passados escritos de dívida, que nunca vieram a ser pagos.

Campo Maior pode, contudo, considerar-se um dos Povos menos vexados pelos franceses.

O comando francês teve por mais acertado abandonar a Praça de Campo Maior. Em consequência deste abandono, os seus armazéns foram espoliados de toda a pólvora, munições e apetrechos de guerra, as armas dos particulares foram guardadas em depósito. O Regimento Nº 20 que constituía a sua guarnição, foi desorganizado e extinto e uma parte dele foi mandada para França. Esta extinção foi declarada no dia 14 de Maio de 1808.

Os arquivos, espingardas e mais utensílios militares foram mandados para Elvas.

Igual espoliação se verificou quanto ao Hospital Real Militar e ao Assento. Mas a povoação foi deixada em paz. À excepção de um Regimento de Suíços que entrou nesta Praça no dia 12 de Março e saiu no dia 13, não mais se viu tropa francesa, o que não foi pequena fortuna.

(João Mariano, p. 38 a 46)

Napoleão julgou os portugueses subjugados porque os viu sofridos. E contou achar na Espanha igual moderação…

Quase sem saberem um do outro, os dois povos entraram em efervescência e se inflamaram.

Campo Maior teve como incentivo os sucessos de Badajoz de 30 de Maio.

Francisco Cesário Rodrigues Moacho, boticário, Luís José Xara, sem outra ocupação para além de um pequeno tráfico contingente (2), ambos de condição humilde e medíocre fortuna, resolveram aproveitar a oportunidade da ocasião para restituir à sua Pátria a liberdade perdida.

 Francisco Pedro Xavier da Costa, que antes da desactivação da Praça era secretário do extinto Regimento Nº 20, da guarnição de Campo Maior, sabendo que antigos militares estavam dispostos a passar a Espanha para assegurarem a sua subsistência combatendo ao lado dos espanhóis contra os franceses, resolveu ir com Cesário de jornada até Badajoz, em 8 de Junho. O primeiro procurava serviço como militar. O segundo procurou o comissário do Governo Supremo de Sevilha para lhe expôr um plano que foi atendido com interesse sendo-lhe prometido que uma decisão seria tomada no prazo de oito dias.

À conspiração associou-se em Campo Maior, o mercador Manuel António Gonçalves Niza que pôs a sua casa á disposição para nela se reunirem.

Assim se deu começo ao processo que se veio a desenvolver em Campo Maior que, desde o início, teve a concordância e o apoio do General Galluzo que assegurava as ligações à Junta de Badajoz.

 

(In, João Mariano de Nª Sr.ª do Carmo Fonseca. In, Memória histórica da Junta de Campo-Maior ou História da revolução desta leal e valorosa villa, (Ed. António José de Torres de Carvalho, Elvas, 1912.    

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(1) Depois coroado como D. João VI, que tinha embarcado para o Brasil, a fim de evitar ser aprisionado pelos franceses que o forçariam a abdicar da coroa, perdendo-se assim, a independência de Portugal.

(2) Era então assim designado o contrabando.



publicado por Francisco Galego às 00:04
Segunda-feira, 20 de Março de 2017

 

 

Um breve resumo dos principais acontecimentos:

- 9 de Março - Foi posto cerco a Campo Maior: o exército sitiante era composto por 4 a 5 mil homens;

- O MajorTalaya dispunha de menos de 500 homens armados: 300 ordenanças, mas só 110 armados; 230 milicianos de Portalegre;

- Talaya sabia que Beresford [1] estava a caminho para socorrer Campo Maior;

- Resistiu duas semanas; os milicianos de Portalegre recusaram continuar a luta;

- Só havia pólvora para mais um dia; o Major Talaya procurou ganhar tempo;

 - A 20 de Março, foi negociada a rendição: se até ao dia 22 não fosse socorrida, a praça render-se-ia.

 - Os franceses entram na Praça no dia 24. Mas retiraram no dia 25, com a chegada de Bersford.

 - Ouguela rendera-se dois dias antes.

  -Tinham disparado contra a vila 10 mil projécteis de artilharia.         

 - Parte das munições eram portuguesas: tinham sido trazidas pelos franceses de Olivença.

 - No Alentejo, só Elvas não foi ocupada.

  

A defesa de Campo Maior em 1811 tomou proporções de excepcional heroísmo, pois que, estando a praça quase desmantelada, pessimamente artilhada e fracamente guarnecida, resistiu durante dez dias a um sítio vigoroso dos franceses, só se rendendo com todas as honras de guerra e saíndo a sua guarnição pela brecha feita no baluarte da Fonte do Concelho.[2]

Quando a divisão francesa do exército de Soult, comandada pelo general Girard, viu sair aquela guarnição, ficou espantosamente assombrado, pois que, o seu heróico comendante, o major de engenharia Talaya, apenas era seguido por pouco mais de 30 homens de tropa regular, praças do regimento nº 3 de artilharia, sendo os restantes milicias e ordenanças mal armados, num total que não excederia os 300 homens, na sua maioria feridos e extenuados.

A defesa de Campo Maior foi um dos factos mais honrosos da chamada Guerra Peninsular, sendo para a vila um padrão de eterna glória. Todos os homens válidos lutaram contra os sitiantes e até algumas mulheres cooperaram na peleja.

As condições de rendição foram as mais honrosas possíveis e o general francês, prestou ao governador, o destemido major Talaya, as máximas distinções. Não menores, nem menos honrosas foram as que Bersford lhe rendeu, no seu relatório sobre a defesa de Campo Maior.

À vila, que tão portuguesa e heróica se mostrara, foi-lhe, por decreto, concedida a denominação de “Lealdade e Valor - Leal e Valorosa Vila de Campo Maior” que ostenta no seu escudo.

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Este texto foi elaborado com base no artigo publicado pelo jornal O Distrito de Portalegre , no seu nº 1848, de 19 de Março de 1911, quando se comemorava o centenário deste grande feito da praça d’armas de Campo Maior. No castelo foi colocada uma lápide que assinala esse notável acontecimento.

Para maior desenvolvimento, recorrer a:

. - "O Cerco de Campo Maior em 1811", Publicado pela Comissão do Centenário da Guerra Peninsular, Lisboa,Imprensa Nacional , 1911

   - II  Centenário da Guerra Peninsular - Uma Celebração Maior em Campo Maior - o Cerco de 1811, Publicado pela Câmara Municipal de Campo Maior, 26 de Março de 2011.

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[2[1] ]General britânico, enviado pelos aliados ingleses para, como marechal do exército português, organizar a defesa contra as tropas napoleónicas. Recebeu depois o título de Marquês de Campo Maior.

   [2] Devido a isso, este baluarte passou a ser designado por "Baluarte da Brecha". Ainda hoje se pode localizar a brecha aberta pela artilharia francesa, pois que, a face voltada para o campo da feira, mostra sinais dessa abertura.


publicado por Francisco Galego às 12:18
Quarta-feira, 15 de Março de 2017

 

Na manhã 20 de Maio de 1801, apareceu por alturas da Cabeça Aguda a Quarta Divisão do exército espanhol que formou o sítio da Praça.[1]

A guarnição que se tinha preparado para resistir, ofereceu uma resistência porfiada durante 18 dias, sob o comando de Matias Azedo. Mas teve que se render porque dependia de Campo maior a tranquilidade do Alentejo e do Reino, uma vez que, enquanto esta praça resistisse, não cessavam nem se ultimavam as negociações de paz em Badajoz. Por outro lado, as forças sitiantes eram poderosas. Tinham submetido a Praça e a vila a forte fogo cruzado, colocando as suas baterias em pontos estratégicos:

- a 1ª na Cabeça Aguda entre o Nascente  e o Sul;

- a 2ª na Senhora da Saúde, a Nascente;

- a 3ª no Carrascal, a Norte;

- a 4ª e a 5ª a S. Pedro, Nordeste.

Após a rendição, a vila ficou ocupada pelos espanhóis, quase meio ano, tendo sido por eles evacuada no dia 22 de Novembro de 1801, data em que o comandante militar entregou as chaves a D. José Carvajal que delas tomou posse em nome do governo de Portugal e que ficou interinamente no governo da Praça até ao dia 8 de Dezembro de 1801, que foi quando o coronel Francisco da Fonseca Mexia, entrou nela com o seu regimento.

Não se descuidaram os moradores de Campo Maior de reparem as ruínas (provocadas pela 8.342 balas de canhão, 257 bombas e 1.217 granadas que caíram sobre a povoação): as suas casas foram em breve habitáveis. Mas a reparação não foi geral: São ainda hoje visíveis sinais de destruição na Igreja Matriz, no Convento dos Frades de São Francisco, nas Casas da Câmara e em alguns outros edifícios.

A Fortificação não foi prontamente reparada, nem era de esperar que, por longo tempo, o fosse. Porque em conformidade com o juízo que dela fizeram os inspectores encarregados de avaliar as suas capacidades de defesa em relação com o local em que estava posicionada e em relação à Campanha que a envolve.

Na sequência das inspecções que lhe fizeram, foi Campo Maior desguarnecida de artilharias, as suas portas ficaram sem pontes levadiças e as suas muralhas arruinadas pois dois grandes pedaços tinham sido derrubados pela artilharia inimiga, um entre os baluartes de São Francisco e de Santa Rosa e, no baluarte de São Sebastião o lado voltado para Ocidente.

 

NOTA 1:. No ano de 1806, quando na tarde do dia 14 de Abril de 1806, Sua Alteza Real o Príncipe D. João, Regente destes Reinos entrou em Campo Maior, foi testemunha ocular desta situação e ouviu a expressão dos ardentes desejos dos moradores da vila para que estes estragos fossem reparados.

Que diversa impressão não teria feito em seu coração esta visita se pudesse prever que a mesma seria uma despedida?

 

NOTA 2: Em 27 de Novembro de 1807 embarcou, para se retirar para o Brasil, a família real; em 29 largou do porto, tendo já entrado em Lisboa os franceses.

 

(João Mariano de Nª Sr.ª do Carmo Fonseca. In, Memória histórica da Junta de Campo-Maior ou História da revolução desta leal e valorosa villa, (Ed. António José de Torres de Carvalho, Elvas, 1912.

 

                                                                            

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[1] Napoleão Bonaparte que assuimira o poder em 1799, como 1º Cônsul da República Francesa, decretou o Bloqueio Continental para impedir o acesso dos navios ingleses aos portos dos países da Europa. Manuel de Godoy que assumira um lugar preponderante na condução política do reino de Espanha, aliou-se a Napoleão Bonaparte. Portugal, sendo aliado da Inglaterra, não cumpriu a decisão tomada por Napoleão. Este cerco aconteceu no contexto da chamada Guerra das Laranjas. Tratou-se, portanto, de uma invasão para a conquista e submissão do reino de Portugal.

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 15:40
Quarta-feira, 08 de Março de 2017

Campo Maior foi povoação de 1.200 vizinhos. Hoje, por causa das guerras com Castela (1), acha-se com 850, com casas muito nobres e limpas, cujos apelidos são: Vaz, Galvão, Mexia e Sequeira, que a vieram povoar.

Foi ganha aos mouros na era de 1219, pela família dos Peres naturais de Badajoz. Estes deram a vila à fábrica (2) da Igreja de Santa Maria do Castelo, sendo bispo de Badajoz D. Pedro Peres, que lhe deu por armas Nª Sr.ª e um cordeiro com um circulo à roda que diz: Sigillum Capituli Pacensis (3).

Depois, no reinado de D. Dinis - que lhe fez o castelo na parte mais alta do terreno para o lado de Elvas -, havendo controvérsia entre os moradores sobre o lugar para onde haviam de estender a povoação, ajustaram que para o maior campo, de que terá resultado o nome de Campo Maior.

Tem uma freguesia da invocação de Nª Srª da Expectação, que se edificou no tempo de D. Sebastião de Matos, bispo de Elvas, com um prior e dois vigários (...).

Tem um convento da invocação de Santo António, de frades franciscanos, que vivem no castelo desta vila enquanto se acaba o convento que se lhes funda por ordem do sereníssimo rei D. Pedro II. Servem-se os frades dessa Igreja que antigamente foi matriz desta vila, a qual foi deixada pelos clérigos no ano de1645, sendo dela prior Fernando Gil Castelo. A primeira fundação deste convento foi junto às casas para o lado das Poças e que foi mandado derrubar por causa das guerras com Castela, para se construir a fortaleza da vila tornada praça de guerra.

Tem outro convento de frades de São João de Deus, com título de Hospital del-Rey, onde se curam os soldados e mais gente de guerra da guarnição da Praça.

Tem Casa da Misericórdia com seu hospital.

Tem três ermidas (pois as mais estão extintas):

- Uma de São João Baptista, em que o Santo é muito venerado pelos muitos milagres que Deus Nosso Senhor faz por sua intercepção;

- Outra do Mártir S. Sebastião, imagem muito selecta e de singular beleza;

- A de S. Pedro que fica fora dos muros e na qual está o Santo pintado na parede com tal perspectiva que parece olhar para todas as direcções. Esta pintura ainda hoje existe.

Foram baptizados na pia da antiga matriz desta vila:

- O Beato Amadeu que instituiu a Ordem dos Amadeus em Itália (de seu nome secular João de Menezes e Silva, filho segundo de Ayres Gomes da Silva, alcaide de Campo Maior e Ouguela) e D. Isabel de Menezes, filha de D. Pedro de Menezes, Conde de Viana e primeiro Capitão de Ceuta e irmã de D. Diogo da Silva, primeiro Conde de Portalegre.

 - D. Beatriz da Silva, que instituiu a Ordem da Conceição, em Castela, foi irmã do dito João Menezes da Silva e filha de seus pais a qual passou a Castela com a rainha D. Isabel, filha do Infante D. João, quando foi casar com El-rei D. João II de Castela.

Foi também natural desta vila o bispo Martinho Afonso Mexia que nela tem muitos sobrinhos e dilatada família; foi primeiro bispo de Viseu e depois de Coimbra e Vice-rei deste reino.

É esta vila muito abundante de trigo, cevada e legumes, com muitos montes no termo onde vivem os lavradores.

Dista da cidade de Elvas três léguas para Norte, meia légua do Rio Caia que nasce na Serra de São Mamede, junto ao Rio do Sete, termo da vila de Marvão e que corre pelo meio dos soutos de Alegrete e junto de Arronches, vindo a servir de linha de divisão entre esta vila de Campo Maior e a cidade de Elvas. Com as águas do Caia regam-se muitas hortas e pomares e moem muitos moinhos. É rio de muitas pedras e, por essa razão, o peixe que cria é tido como sendo melhor que os dos outros rios.

Entre as muitas hortas que tem esta vila, é muito nomeada a Horta de São João Baptista pelo aparecimento que nela fez o santo a Gonçalo Rodrigues, homem virtuoso e pelo milagre que com ele usou em lhe tirar um lobinho que tinha na cabeça e passar-lho para o pé esquerdo, a fim de convencer os moradores a voltarem às suas casas de que se tinham retirado por causa da peste, a qual já tinha cessado como lhe afirmara São João Baptista.

Texto elaborado com base em:

COSTA, Pe António Carvalho da, 1650-1715 - COROGRAFIA PORTUGUEZA E DESCRIPÇAM TOPOGRAFICA DO FAMOSO REYNO DE PORTUGAL, com as noticias das fundações das cidades, villas, & lugares, que contem; varões illustres, genealogias das familias nobres, fundações de conventos, catalogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edificios, & outras curiosas observaçoens. Tomo primeyro [-Vol.terceyro] / Author o P. Antonio Carvalho da Costa.... - Cap. VI – Da Villa de Campo Mayor (p. 366 a 368), Lisboa : na officina de Valentim da Costa Deslandes, impressor de Sua Magestade, à sua custa impresso, 1706-1712. - 3 vol.

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       (1)  A  Guerra da Restauração (1640-1668)

       (2)  O Património, ou seja, os bens pertencentes à igreja.

      (3)   Frei Pedro Peres foi o primeiro bispo da restaurada diocese de Badajoz, designada como Diocesis Pacensis. Por isso, a expressão Sigillum Capituli Pacensis pode ser entendida como “Selo do capitulo de Badajoz”, ao qual Campo Maior pertencia.



publicado por Francisco Galego às 00:01
Domingo, 05 de Março de 2017

Provisão de D. João III, no ano de 1545

 

Os moradores da vila fizeram “um alpendre na Praça[1] ao longo do muro em que sem vendiam as cousas dela que houver”

            Concedido que “se lavrasse e se arrendasse por três anos a Defesa do Carrascal[2], um ano para o mosteiro de Santo António e os mais para as ditas despesas e que depois disto, umas casas que o concelho tinha que serviam de Audiências, e câmara que estavam dentro da vila, caíram e, que para se tornarem a fazer ordenaram com a maior parte do Povo e homens bons em Câmara que se fizessem as ditas casas junto da Praça ao longo do muro da barbacã[3], por dentro porque pouparia muito a vila e que por debaixo delas ficassem alpendres e se houver por bem que se fizessem para vender as cousas da dita vila na Praça e que por os alpendres se não poderem fazer ao longo do muro, possa vender cousa alguma sem da barbacã se derrubar o que ficar diante deles, me pedis que haja por bem que a dita barbacã se derrube e assim que se façam as Audiências[4] e Câmaras sobre eles por ser de menos custo e mais honra desta vila fazerem-se sobre os ditos alpendres em lugar onde se fazem. Havendo respeito ao que dizeis e por algumas cousas que a isto me movem, hei por bem que se façam as Audiências e Câmara sobre os alpendres que dizeis que se fazem na Praça por meu mandado para o que se derrubará a barbacã que estava defronte da dita obra e assim a barreira[5] até ao castelo sendo necessário.”

 

(Estêvão da Gama, Notícias da Antiguidade,Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior, Texto actualizado,  pág.s 177 e 178)

 

  1. Praça Velha, adjacente ao castelo que, na época, era o centro da vida local em Campo Maior.
  2. Na zona agora ocupada pelo Centro Escolar, pela Técnidelta e pelo Centro Cultural.
  3. Muro de protecção do fosso para defesa das muralhas.
  4. Casas destinadas às sessões do tribunal.
  5. Muralha exterior que se localizava no local agora ocupado pela rua que tradicionalmente foi designada como na Rua da Barreira.

           



publicado por Francisco Galego às 11:45
Quarta-feira, 01 de Março de 2017

Com a sua integragação plena no reino de Portugal, Campo Maior, Ouguela e Olivença, foram, quanto ao domínio eclesiástico, integradas na diocese de Ceuta, criada em 1414, até que a diocese de Elvas foi criada por bula do Papa Pio V, de 9 de Junho de 1570. Esta integrava as vilas de Campo Maior, Ouguela e Olivença que tinham pertencido à diocese de Ceuta e mais as vilas de Juromenha, Vila Fernando, Vila Boim, Alandroal, Fronteira, Monforte, Alter do Chão, Alter Pedroso, Cabeço de Vide, Veiros, Seda, e Barbacena, desanexadas do arcebispado de Évora.

A diocese de Elvas foi suprimida em de 30 de Setembro de 1881, em simultâneo com a diocese de Castelo Branco. O seu território foi maioritariamente reintegrado na arquidiocese de Évora (com excepção das freguesias de Degolados  e Cabeço de Vide  e do concelho de Alter do Chão, que passaram para a, também então criada, diocese de Portalegre ).

Presentemente, o título de bispo titular de Elvas continua a ser usado por bispos auxiliares, à semelhança do que sucede com outras dioceses históricas de Portugal extintas.

Nuno Brás da Silva Martins, bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa é, desde 2011, bispo titular de Elvas.

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publicado por Francisco Galego às 00:01
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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