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A PROPÓSITO DE UMA LEITURA ...

por Francisco Galego, em 17.02.17

Há ainda muitos professores que arrastam, ao longo dos anos, como se de um fardo se tratasse, aquilo que devia ser tomado como a sua missão e sua forma de realização pessoal. Comportam-se como se o seu dever profissional se reduzisse aos de meros emissores de conhecimentos que os alunos, reduzidos à condição de meros recipientes, têm que ir acumulando.  

Ora, isto é inviabiliar qualquer projecto minimamente aceitável e capaz de produzir os efeitos necessários e expectáveis. Os alunos são pessoas envolvidas numa formação que deve ser propiciada através de projectos educativos com objectivos claramente definidos e com espectáveis garantias de eficácia.

É hoje consensual entre os que, no universo escolar se dedicam mais seriamente à análise das práticas educativas, que a apreocupação de ensinar os alunos a aprender de forma adequada os conhecimentos que têm de adquirir é, além de facilitadora por gerar interesse e acelerar a aquisição desses conhecimentos, aquela que, uma vez adquirida, tem maior eficácia por tender a permanecer ao longo das suas vidas.

Naturalmente que uma estratégia centrada nas tarefas desenvolvidas na sala de aula exige um prévio e apurado trabalho para que as aulas decorram em boa ordem e com eficácia. Como contrapartida, nestas condições, os comportamentos desregrados, ou de conflito, tenderão a desaparecer, a acção do professor terá maior possibilidade de observação dos casos isolados, dotando-se assim da capacidade de intervenções mais individualizadas no acompanhamento dos alunos.

A aula tornar-se-á o local privilegiado das aprendizagens. Poderá também assim desempenhar a sua função de contribuir para atenuar as desigualdades sociais determinadas pelas diferentes condições sócio-económicas e culturais que os alunos levam dos seus ambientes familiares para as escolas e que constituem um factor tantas vezes fatalmemte determinante do seu sucesso escolar e que irá condicionar o seu projecto de vida. Colateralmente, a escola dará também lugar a que os alunos, como é próprio das fases do seu crescimento, possam dispor de tempos livres para realizarem a sua socialização através dos seus grupos de convívio e de crescimento.

Nesta perspectiva, os professores deixam de recorrer aos “trabalhos de casa”, deixando apenas ao critério dos alunos e das suas famílias a decisão sobre a maneira de ocuparem o seu tempo noutras actividades que poderão contribuir de forma positiva para sua formação como pessoas. É indismentível a afirmação de que, muitos dos professores que são considerados pelos bons resultados obtidos, não recorrem a esses tempos de trabalho fora da escola, que servem apenas para compensar as aprendizagens que deviam ter sido feitas no universo escolar.  

 

Foi a leitura do texto publicado na revista VISÃO nº 1250 de 16/2/2017 pág.s 10 a 12, que ditou este impulso de escrever, não resistindo ao que em mim ainda resta, com alguma saudade, da minha vida de professor.

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