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AS "DEFESAS" OU “TERRAS COMUNAIS” DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 08.12.16

 

Numerosos documentos aludem às terras comunais de Campo Maior – as defesas do concelho  que, segundo documentos antigos, teriam sido estabelecidas no século XIV, reinado de D. Pedro I, para uso comunal da população e para garantia dos recursos necessários à administração pública dos municípios.  Eram  particularmente importantes nas terras raianas que, por razões defensivas, tinham de ser atractivas para fixação da população.

Segundo Rui Vieira, no caso de Campo Maior, uma das mais antigas referências a defesas data do reinado de D. João III, segundo a qual este rei, no ano de 1550, terá autorizado que a Câmara Municipal campomaiorense arrendasse “a Defesa do Carrascal por dois anos, por mil cruzados, por o concelho "estar em grande necessidade para a despesa da água e fonte que fazeis e para acabardes as audiências e para se fazer um açougue (…) este último a construir, tal como as Casas da Câmara e a das Audiências, na referida Praça Velha”. O mesmo autor refere que “esta defesa do Carrascal, que possuía 20,5 moios de terra, foi comprada à Câmara Municipal de Campo Maior, em 1609, por António da Silva Meneses por 9.250 cruzados (3 contos e setecentos mil réis).”

 Segundo Albert Silbert, uma notícia de 1758 faz referências pormenorizadas ao estatuto e utilização destas terras comunais.

 Todos os anos estas terras eram divididas em sortes,ou seja, partes de um moio de semente, de uma dezena de hectares, as quais eram leiloadas e cedidas pela melhor oferta e nelas se praticava o cultivo de cereais em afolhamento trienal, como nas restantes herdades da região. Este afolhamento não era rigorosamente respeitado pois uma parte da terra em repouso era por vezes utilizada com outras culturas, como o grão.

Como se vê, o cultivo destas sortes da defesa de São Pedro era feito em regime de exploração privada pelos que tinham conseguido, em leilão, arrematar o direito ao seu uso pelo período que decorria entre uma sementeira e a sua colheita.Era uma prática que nada tinha de trabalho colectivista popular e muito menos de uso comunal.

Depois das ceifas, a Câmara vendia os restolhos pela melhor oferta. Mas, mesmo no tempo dos restolhos, uma parte da defesa de São Pedro, estava à disposição dos animais dos habitantes da vila.

Era também numa parte integrante da Defesa de São Pedro – o Rossio – que a população podia realizar anualmente as suas eiras onde, após as ceifas, se procedia à debulha dos cereais, daí  a importância que a Defesa de São Pedro tinha para a população de Campo Maior, a qual se vai manter até ao século XX.

 

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publicado às 00:07

Nota: Estes termos designam terrenos possuídos e geridos por uma comunidade local, ou pela administração de um concelho; geralmente terras incultas que serviam para pastos comuns e de logrador ao dispor da população local.

Segundo Albert Silbert, uma notícia de 1758 faz referências pormenorizadas ao estatuto e utilização destas terras comunais.

 

 

Numerosos documentos aludem às terras comunais de Campo Maior. As defesas do concelho  segundo alguns documentos antigos, teriam sido estabelecidas no século XIV, reinado de D. Pedro I, para uso comunal das populações e para garantia dos recursos necessários à administração pública dos municípios.  Eram  particularmente importantes nas terras raianas que, por razões defensivas, tinham de ser atractivas para fixação da população.

Segundo Rui Vieira, no caso de Campo Maior, uma das mais antigas referências a defesas data do final do reinado de D. João III, segundo a qual este rei, no ano de 1550, terá autorizado que a Câmara Municipal arrendasse “a Defesa do Carrascal por dois anos, por mil cruzados, por o concelho "estar em grande necessidade para a despesa da água e fonte que fazeis e para acabardes as audiências (ou seja, as casas destinadas ao funcionamento do tribunal) e para se fazer um açougue (lugar destinado à venda de produtos alimentícios, incluindo o matadouro e a venda de carnes frescas) este último a construir, tal como as Casas da Câmara e das Audiências, na referida Praça Velha”. O mesmo autor refere que “esta defesa do Carrascal, que possuía 20,5 moios de terra, foi comprada à Câmara Municipal de Campo Maior, em 1609, por António da Silva Meneses por 9.250 cruzados (3 contos e setecentos mil réis).”

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publicado às 14:54

O estado actual do conhecimento sobre este sítio arqueológico:

O Monte de S. Salvador, zona de habitação e capela privada, situa-se numa pequena elevação na margem direita do Rio Xévora e a cerca de 2 km da fronteira com Espanha. A leitura do processo do IGESPAR permitiu perceber que três zonas de escavação foram abertas: na zona 1, junto à capela, as estruturas da "pars urbana"(1); a zona 2, mais a Sul, que corresponde à continuação da "pars urbana" com tanques em opus signinum (2); a zona 3, mais a Norte, do outro lado da casa do guarda do Monte, uma área funerária.

A villa romana situa-se sob a actual capela do monte, estendendo-se para sudeste, parte tendo já ruído para dentro do rio. A "pars urbana" é constituída por vários compartimentos pavimentados com mosaicos geométricos policromos, distribuídos à volta de um peristilo (3). Esta villa teve várias fases de ocupação, visíveis nos remendos dos mosaicos, nas remodelações das salas, revelando assim uma ocupação de longa duração.

As termas foram encontradas mais a norte, frente à casa do guarda do Monte, aquando de umas obras, mas nunca foram escavadas. A algumas dezenas de metros, a Norte das termas, atrás da casa do guarda do Monte, foram encontradas, adossadas a estruturais murais, quatro sepulturas com características tardias.

Este sítio chamou- nos a atenção por dois motivos: a sobreposição de “uma capela que assenta sobre a abside (4) duma outra construção que poderá corresponder a um possível templo romano ou paleocristão” (Dias, 1988) assim como a presença de sepulturas tardias. Apesar de o material nunca ter sido publicado, as descrições deste nos relatórios apontam para uma datação da villa entre os séculos III e IV d.C. Uma vez que se têm operado vários remendos nos mosaicos assim com reestruturações dos compartimentos, acreditamos que a ocupação se tenha prolongado durante várias décadas ou séculos. A localização da capela sobre uma estrutura em abside não significa que estejamos forçosamente perante uma igreja paleocristã, no entanto o facto de a igreja ter o portal descentrado relativamente à capela-mor pode revelar uma planta condicionada por uma construção anterior de certa importância.

Não longe das termas encontravam-se quatro sepulturas de características cristãs: orientadas E-W, que apresentam planta rectangular:

- A sepultura I era construída com grandes blocos de pedra e tijolos, a cobertura também era constituída por tijolos, o interior forneceu apenas uma pequena bilha de bocal trilobado. Não foi possível estudar esta peça mas a arqueóloga responsável propõe uma datação tardia;

- A sepultura II tinha planta rectangular, as suas paredes e cobertura eram em tijolo;

- Da sepultura III eram apenas visíveis alguns tijolos da cobertura;

- Da sepultura IV que estava já destruída, só foi identificado um alinhamento de tijolos, podendo ser uma sepultura de criança.

Estas sepulturas eram adossadas e tinham sido cortadas por um muro (identificado com muro N1) o que pressupõe que este seria posterior; talvez contemporâneo da igreja? Infelizmente pouco se pode dizer acerca desta villa, a não ser que tem características tardias, podendo ter sido ocupada durante o período visigótico. Os indivíduos lá sepultados já seguiam o ritual cristão da orientação dos túmulos e um deles tinha uma bilha trilobada, como encontramos nas sepulturas de Santo Amarinho da Boa Morte (Castelo de Vide) ou de Silveirona. Tal como em outros sítios do Alto Alentejo, as sepulturas tardias encontram-se perto ou sobre as termas em desuso (Alter do Chão, Herdade dos Pombais no Marvão).

Aqui as escavações não foram suficientes para perceber a que estrutura o muro N1 pertence. Provavelmente é já medieval, mas a área de dispersão das sepulturas é muito próxima de onde foram descobertos os arcos do hipocausto (5) das termas.

(1) Zona residencial; em contraposição, a "pars rustica" era a zona da exploração agrícola. Este tipo de organização das "Villae" romanas aponta para a origem romana do "Monte" alentejano. 

(2) "Opus signinum": era o material de construção usado pelos romanos que consistia em misturar argamassa com pedaços de telhas partidas.

(3) Alpendrada sustentada por colunas que rodeava o edifício.

(4) Estrutura abobadada.

(5) Estrutura subterrânea das termas romanas.

 

In, Mélanie Wolfram, A cristianização do mundo rural no sul da Lusitania.Tese de doutoramento defendida na Faculdade de Letras de Lisboa, em 2011. Anexo 1, pág. 144.

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publicado às 00:05

No quadrante SE do distrito de Portalegre encontramos “necropolizações” de espaços

habitados no vicus ou villa de S. Pedro dos Pastores, em Campo Maior.


Frase transcrita  do relatório de uma investigação arqueológica processada no sítio de S. Pedro que apresenta importantes informações sobre este local, como:

- Esta vasta área de São Pedro deverá entender-se como um só sítio de ocupação humana durante o período romano, tardo-romano e alto-medieval que compreende uma zona habitacional (possível villa ou mansio), dita “Defesa de São Pedro” e São Pedro dos Pastores” e uma zona religiosa e funerária na área da “Ermida de São Pedro”. Hoje não é possível observar qualquer vestígio, pois parte foi absorvida pela construção de um bairro de habitação e o resto foi tapado, restando somente um campo abandonado. Foi identificado um núcleo habitacional de época romana, assim como um complexo termal.

- A escavação evidenciou parte das construções integradas numa sequência estratigráfica entre os séculos I e V/VI, bem como numeroso espólio, em depósito na reserva arqueológica de Campo Maior. Os vestígios de construções estavam em óptimo estado de conservação, chegando alguns muros a conservarem ainda 3 metros de altura.

- Uns anos depois foi descoberto mais um conjunto de construções romanas, mas os níveis de utilização e abandono associados a estas estruturas parecem apontar para uma cronologia romana tardia, provavelmente do séc. V. No topónimo das Hortas de São Pedro, foi identificada uma inscrição funerária assim como um tanque revestido a mármore. Esta área pode corresponder a Ad Septem Aras.

No entanto, o que reteve a nossa atenção ao ler os relatórios de escavação de 1992 e 2001, foi a natureza das descobertas e a indicação da proximidade dos vestígios romanos e tardo-romanos (necrópole) junto da Ermida. O sítio de ocupação romana identificado na Defesa de São Pedro compreende um pátio porticado a Sul e a Este, três compartimentos a Norte (A, B e C); no centro do pátio foi descoberta uma espécie de fonte quadrada, todo o conjunto sendo pavimentado por tijoleira. Não se sabe se se trata de termas ou de uma zona agrícola. Este conjunto parece ter sido, porém, abandonado algures durante o século III ou IV, tendo logo a seguir sofrido um incêndio.

Pouco tempo depois, este sítio foi transformado em necrópole, uma vez que os compartimentos e o pórtico foram cortados por doze sepulturas de características tardo-romanas, uma das quais em sarcófago.

In, Mélanie Wolfram, A cristianização do mundo rural no sul da Lusitania.Tese de doutoramento defendida na Faculdade de Letras de Lisboa, em 2011. Anexo 1, pág. 144.

Ou,

In, http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/5678/2/ulsd062156_td_anexo_1.pdf

 

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publicado às 00:12

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