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FONTE DE S. PEDRO

por Francisco Galego, em 28.04.16

 

sao pedro.jpgFonte de S. Pedro: em primeiro plano, o tanque para lavar roupa, seguindo-se o bebedouro e a fonte.

 

Tudo indica que seja a mais antiga das fontes de Campo Maior.

É constituída por uma tríplice estrutura de acordo com as funções a que se destinava: fonte, bebedouro e tanque.

Localizada numa importante saída de Campo Maior, perto do local onde se ramificam os caminhos que dão acesso a Ouguela e às terras mais férteis do concelho que começam no chamado Rossio de S. Pedro.

Fica situada à entrada de um vasto terreno plano que antigamente se chamava “a Defesa de S. Pedro”: Este terreno que era propriedade do município, tinha funções importantíssimas para a comunidade agrícola que habitou Campo Maior até ao fim do século XIX. Aí se localizava uma área importante de cultivo de cereais, a qual servia também de pastoreio comunitário para os gados, em aproveitamento dos restolhos, e do Rossio onde se faziam as eiras.

Mais adiante há outra pequena fonte,  vendo-se os bebedouros para gado bovino, ovino e caprino. A função deste local para o resguardo dos gados e o pastoreio comunitário, está bem testemunhada na existência de um bebedouro de muros baixos destinado ao gado bovino, ovino e caprino, o qual fica a pouca distância da Fonte de S. Pedro, e é alimentado pela mesma nascente.

No final do século XIX, parte destes terrenos foram divididos em parcelas e distribuidos pelos habitantes da vila. Para evitar favorecimentos, as parcelas eram numeradas e esses números extraidos à sorte. Como se fizera também nos terrenos das terras comunais, desiganadas como  a Defesa da Godinha. Daí o nome de "sortes" atribuido a essas parcelas.

A Fonte de S. Pedro foi sempre de tal importância para a população de Campo Maior que, quando se projectou a construção do cemitério no terreno murado adjacente à Ermida de S. Pedro, o povo protestou, temendo a contaminação das águas. A Câmara, considerando pertinente a razão invocada, mudou o local do cemitério para o sítio onde, até hoje, se localiza, ou seja, em terrenos adjacentes à Horta do Paraíso, daí o nome de Cemitério do Paraíso. Enquanto o novo cemitério e a estrada de acesso se faziam, os enterramentos foram feitos na cerca que pertencera ao extinto convento franciscano de S. António.

O local que chegou a estar preparado para o cemitério, era o terreno que, para o efeito foi murado, no topo da Avenida Calouste Gulbenkian, colado ao terreno da Ermida de S. Pedro que  deveria servir de capela do cemitério.

O mais interessante é que, como ficou provado por investigação arqueológica, este local já fora cemitério no tempo dos romanos. Seria designado como Ad Sptem Aras  (Traduzindo à letra, Dos sete altares) e era ponto de apoio para os viajantes na estrada para Mérida. Como tal, seria considerado chão sagrado, com templo  para o culto religioso e cemitério para enterramentos.  Teria como anexos, os aposentos para repouso e o local para banhos, devido à abundância e boa qualidade da água.

 

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publicado às 00:09


CAMPO MAIOR E AS SUAS FONTES

por Francisco Galego, em 24.04.16

 

No Alentejo, devido às características do seu clima, o abastecimento de àgua, é factor determinante para o estabelecimento e crescimento das povoações.

Campo Maior, praça de guerra até meados do século XIX, foi com Ouguela, Elvas, Juromenha e Olivença, uma das principais defesas do corredor do Xévora-Caia, por onde se fizeram as maiores tentativas de invasão do nosso território a partir do país vizinho, desde meados do século XVII até meados do séc. XIX.

A sua função militar determinou fortemente o crescimento do casco urbano da vila. Confinada no cerco das muralhas, viu, durante séculos, limitado o seu crescimento e, mesmo, definido o tipo de utilização dos seus campos, uma vez que, por razões de estratégia militar, as terras que rodeavam a povoação não deviam ser arborizadas. Predominava, por isso, o campo aberto, servindo de plantio de hortas  e de searas para abastecimento das pessoas  e de pastos para os rebanhos de animais.

Em épocas de relações pacíficas com a Espanha, como no período que vai desde o século XIV, ao século XVII, abrandadas as preocupações defensivas, a vila tinha podido crescer para além das muralhas medievais.

Esse crescimento foi então determinado por um outro factor: a existência de fontes que garantissem o abastecimento de água à população.

Durante o período atrás referido, a vila cresceu ao encontro das grandes nascentes de água. Assim, desenvolveu-se uma área de crescimento em direcção à Fonte S. Pedro, a nordeste do núcleo medieval, outra em direcção à Fonte Nova, a noroeste, uma terceira em direcção à área da Fonte das Negras, a leste.

As fontes são, portanto, um dos factores do crescimento do núcleo urbano. Nesses pontos se localizam as mais antigas e persistentes nascentes de água do concelho.

Algumas dessas fontes eram servidas por duas grandes linhas de abastecimento, testemunhadas pelas "arcas de àgua" que ainda existem, no caminho para Degolados e no sector onde agora foi construido o Centro Escolar de Campo Maior e que antes eram designado  como o Alto do Carrascal.

Na agora construida rotunda entre o Centro Cultural e o Centro Escolar, existia uma "arca d'àgua" que numa placa de mármore, aposta numa das suas faces, tinha a inscrição de que foi possível transcrever:

POR OCASIÃO DA ESTERILIDADE DE 1895 

A CAMARA MUNICIPAL FEZ ESTA OBRA

PARA AUGMENTAR O VOLUME D'ÁGUA

POTAVEL (...)

 

Noutra "arca d´água" que fica no caminho para Degolados, está uma inscrição de que foi possível transcrever:

    EM 1827 REGENDO EM NOME DEL´REI O SR. D. PEDRO IV,

A SERENÍSSIMA INFANTA D.ISABEL MARIA,

MANDOU A CAMARA DE CAMPO MAIOR FAZER ESTA OBRA

SENDO PRESIDENTE ... JOSÉ ALEXANDRO DE MENDES

E VEREADORES FRANCISCO MANUEL PIRES COTÃO,

FERNANDO DE SOUSA MIGUEINS,

SEBASTIÃO DO REGO GALVÃO

PROCURADOR DOMINGO LOPES SERRA

ESCRIVÃO ANTÓNIO DENTES DE MATOS

 

A Fonte de S. Pedro, provavelmente a mais antiga, é alimentada por um outro manancial. Este local foi habitado desde os mais remotos tempos. Têm aparecido, com abundância, vestígios de ocupação romana, no espaço que a rodeia. Perto da fonte, localiza-se o mais antigo dos locais de culto de Campo Maior: a Ermida de S. Pedro. Este templo assenta sobre vestígios de um templo romano e constituiria um ponto de apoio aos viajantes. sendo designado como Ad Septem Aras, era o ponto de encontro das estradas que se dirigiam para Emerita Augusta (Mérida), grande urbe romana. A estrada que daqui partia para Mérida, passaria pela ponte romana de que há vestígios, junto da Ermida da Enxara.

Também a desaparecida Fonte do Concelho, bem como a Fonte das Negras que a substituiu, teriam  origem noutro manancial. (Será que o antigo nome Rua de Nantio (derivado de "menantio") terá a ver com uma nascente de água?)

Estas fontes ficaram exteriores à vila quando, , por razões de estratégia militar, a vila teve de ser defendida após a Restauração de 1640. Na eminência de ataques pelo exército espanhol, a vila foi dotada de novas muralhas e de um conjunto de baluartes (entre eles o que se chamava "Baluarte da Fonte do Concelho", frente ás tardicionalmente chamadas Rua da Fonte Cima e Rua da Fonte de Baixo)).

Devido  á construção da fortaleza, deu-se uma contracção do casco urbano que provocou o desaparecimento de bairros que se tinham estendido nas três direcções atrás referidas. Desapareceu também o antigo Convento de São Francisco, localizado no actual Campo da Feira.

Mas, as fontes persistiram até à actualidade. Essas fontes exteriores estão localizadas nos pontos principais de acesso à vila e vão desempenhar uma tríplice função que definiu a sua estrutura muito particular pois são, simultaneamente, fontes de abastecimento de água potável; são bebedouros para os animais e tanques para a lavagem das roupas.

Por outro lado, prevenindo a possibilidade de cercos demorados, a vila teve de se dotar de outras fontes, internas às muralhas, que assegurassem o abastecimento normal de água. Por isso, essas fontes internas eram mais simples porque desempenhavam apenas essa função. Na actualidade, estas fontes têm um mero carácter decorativo, pois o sistema de abastecimento de água ao domicílio tornou-as desnecessárias.

 

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publicado às 08:25


NOTAS SOBRE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 23.04.16

LOCALIZAÇÃO

 

            Três léguas a norte de Elvas

            Três léguas a ocidente de Badajoz

            Pelo termo desta vila passa o rio Caia que, em distância de meia légua, o divide do termo de Elvas. Este rio tem sua origem na Serra de S. Mamede, junto ao Monte do Sete, termo da vila de Marvão, donde desce discorrendo pelos soutos de Alegrete, campos de Arronches até próximo das suas muralhas, até ir meter-se no rio Guadiana, defronte de Telena, aldeia de Badajoz.

            Confronta também com o termo de Arronches pelo Ribeiro do Congronhil, hoje chamado da Valada, e Pedras dos Guisos.

            E com o termo da Vila de Ouguela em distância de meia légua.

 

Relação abbreviada dos factos mais recommendaveis da revolução de Campo Maior em 1808 . Fr. João Mariano de N. Senhora do Carmo Fonseca. , p. 18.

 

 

Vila antiga e praça de armas da província do Alentejo, Campo Maior demora três léguas ao norte de Elvas, três ao oeste de Badajoz, três a sul de Albuquerque e quatro a leste de Arronches.

O terreno onde está assente a povoação é alto ao Sul, baixo a Leste e Oeste, erguendo-se um pouco ao Norte. Sobranceiro a todos os lados da vila, na extremidade sul, eleva-se o castelo, forte, vistoso e imponente. Respectivamente às cercanias, a praça é baixa e dominada por muitos cerros a Leste, Norte e Oeste, na distância de mil a dois mil metros, o que constitui a sua defesa difícil e perigosa.

 

In, João Dubraz, Recordações dos últimos quarenta anos, 1868

 

 

ORIGENS

 

Campo Maior foi povoação de mil e duzentos vizinhos; hoje, por causa das guerras com Castela, se acha com oitocentos e cinquenta, com casas muito nobres e limpas…

Foi ganhada aos Mouros na era de 1219 pela família dos Peres, naturais de Badajoz; estes a deram à fábrica da Igreja de Santa Maria do castelo, sendo Bispo de Badajoz D. Pedro Peres, que lhe deu por Armas Nossa Senhora e um Cordeiro com círculo à roda que diz “Sigillum Capituli Pacensis”. Depois, no reinado de D. Dinis que lhe fez Castelo na parte mais alta do terreno para o de Elvas, havendo controvérsia entre os moradores sobre o lugar onde haviam de estender a povoação, ajustaram que no maior campo de que resultou o nome de Campo Maior.

(P. António Carvalho da Costa «1650-1715» “Corografia portuguesa e descriçam topográfica do famoso reyno de Portugal…” «1706 -1712»)

 

 

COMO SE FORMOU A VILA DE CAMPO MAIOR?

 

Segundo palavras textuais do Dr. Ayres Varella no “Teatro de Antiguidades de Elvas” foi escrito pelos anos de 1644 a 1655:

 

O castelo de Campo Maio é obra muito antiga e muito forte tanto por razão do sítio como pelas torres e muralhas. Foi fabricado pelos mouros e reparado por El-rei D. Dinis que levantou a maior torre que nele há e, por essa razão, quiseram alguns atribuir-lhe a honra de edificador.

Os romanos lhe deram o nome com muita propriedade porque daquele sítio se descobre o maior campo que há por aquele distrito.

(p. 29)

            Diz o mesmo autor que junto do castelo havia duas aldeias da jurisdição de Badajoz e que a mais populosa se chamava Joannes, ou por ser Bartholomeu Joannes a principal pessoa da aldeia, ou porque a água que para ela vinha era do Campo de Valada que pertencia ao mesmo Bartholomeu Joannes. E a outra aldeia se chamava dos Luzios, que seria perto do castelo, mas da qual não há qualquer notícia.

            Segundo Ayres Varella, o sítio da aldeia de Bartholomeu Joanne seria a um quarto de légua do castelo, para os lados de Arronches, junto da herdade chamada de Valada, num local onde ainda existia no século XVII uma fonte com esse nome, um arco de alvenaria e ruínas de casas.

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publicado às 00:35


O PALÁCIO DE OLIVÃ (OU "DO VISCONDE")

por Francisco Galego, em 20.04.16

O actual Palácio Olivã, é certamente uma das mais nobres casas e, provavelmente, uma das de mais antiga construção em Campo Maior, por ser uma das que conseguiu sobreviver à grande tragédia de 1732, em que, do rebentamento do paiol da pólvora resultou a quase total destruição do casario desta vila raiana.

            Na sua Galeria de Figuras, publicada nos anos 50 do século passado, João Pessoa escreve sobre D. Manuel de Menezes, natural de Campo Maior, cronista-mor do reino e com uma carreira começada ao lado do Prior do Crato e que terminou com a prestação de honrosos serviços no Oriente já sob o governo dos Filipes, o seguinte:

 

Encontrava-se no seu paço de Campo Maior, então cercado de vasta quinta (Casa do Barata), preocupado com o estudo e afastado das lides oficiais, quando em 1625, o nomearam General da Armada, para comandar a esquadra de vinte e seis navios guarnecidos por 24.000 homens, com a qual foi restaurar a cidade da Baía, usurpada pelos holandeses.

 

Este texto permite tiara algumas ilações importantes sobre o actua Palácio Olivã:

- Tendo os Menezes ocupado a função de governadores de Campo Maior, daí resulta que a sua residência fosse referida como o paço;

- Assim sendo, o nome da rua onde o palácio se localiza, não adveio de nela se localizar um "passo" processional, mas de ter sido a rua da residência do governador.

 

Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, governador de Campo Maior no século XVIII, refere-se a mesmo palácio do seguinte modo:

(Estas casas) são de D. João de Aguilar Mexia, no Terreiro das Estalagens, com oito janelas e outras tantas baixas. Tem dentro uma horta com muitas árvores, uma fonte com a mesma água que vem à que tem públicas o Povo. Nelas se tem acomodado o Sr. Infante D. Francisco, as três vezes que tem vindo a esta praça. Nestas mesmas casas se fez aposentadoria para S. Majestade D. João V), que Deus guarde, o ano de 1716, de que não usou, porque vindo no dia doze de Novembro a esta praça voltou no mesmo a Elvas, por causa da chuva que sobreveio.

- Por este texto se pode concluir que, no início do Século XVIII, o palácio seria senão a mais nobre, uma das mais nobres casas de Campo Maior.

 

No século XIX o actual Palácio Olivã foi adquirido por um tal José Vitorino Machado, natural de Olivença. O qual, através do comércio conseguiu enriquecer, tornando-se grande proprietário e chegando mesmo a ocupar cargos elevados na administração local. Foi este senhor que adquiriu o Palácio dos Menezes (Casa do Barata), no qual viveu como nobre embora fosse penas um abastado plebeu. Casou com uma senhora elvense muito mais nova, que foi sua herdeira universal.

Esta senhora casou depois, em segundas núpcias, com Cristóvão Cardoso de Albuquerque Barata, oriundo de Paredes de Coura, sargento de brigadas que serviu na guarnição de Elvas e, depois, na de Campo Maior.

Foi durante muito tempo chefe do Partido Progressista, sucessivamente investido no cargo de Administrador do Concelho.

Devido à sua ccção em defesa do concelho de Campo Maior, ameaçado de extinção, em 1868,  viu o seu nome dado ao largo onde se situava o palácio de sua residência e, "devido à sua benevolência com os mais humildes", veio a ser agraciado como Comendador da Ordem de Cristo. Seu filho, Cristóvão Cardoso Cabral Coutinho de Albuquerque Barata que fez carreira na magistratura atingindo o cargo de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, foi agraciado com o título de Visconde de Olivã.

A estes seus últimos proprietários,  se deve a restauração e a conservação do palácio nos finais do século XIX e primeira metade do século XX.

                                              

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O REBENTAMENTO DE 1732

por Francisco Galego, em 17.04.16

“Com a trovoada que algumas horas antes principiara medonha, estavam os moradores já despertos. Caíram 836 moradas de casas das 1.076 de que se compunha a povoação. Morreram 256 pessoas de todas as idades, ficando feridas mais de 2.000.”

         As igrejas, conventos e em geral todos os edifícios, grandes e pequenos, sofreram consideravelmente. O cataclismo teve lugar a 16 de Setembro de 1732 entre as 3 e as 4 horas da manhã, por efeito de uma descarga eléctrica. Ainda então era governador militar Estêvão da Gama, que teve por destino assistir aos dias de maior glória de Campo Maior no Cerco de 1712, e ao seu maior desastre, a explosão. Os poderes públicos e as povoações vizinhas não escassearam nos socorros aos campomaiorenses nestes horríveis dias de provação e angústia.

(Estêvão da Gama, p. 138)

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NOTAS SOBRE O CORETO DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 14.04.16

 

 O primeiro coreto de Campo Maior, foi construído totalmente em madeira, na transição do séc. XIX para o séc. XX. Foi instalado no local onde anteriormente estivera localizado o Pelourinho.

A actual Praça da República, que então se chamava Praça D. Luís, mas que o povo designava como Praça Nova, tornara-se a centro da vila  substituindo nessa função o antigo Largo Barão de Barcelinhos, vulgamente designado por Terreiro. Os mercados que aí se realizavam passaram para a Praça que se tornou também o espaço em que se realizavam as feiras, estendendo-se estas pelas ruas de S. Pedro (actual Major Talaya) e Canada (actual 13 de Dezembro), As feiras foram depois transferidas para a Avenida. 

Numa época em que a vila estava ainda cercada pela barreira fechada das suas muralhas, a Praça, era também o espaço de passeio público onde as senhoras se passeavam à noite quando o estado do tempo o permitia. O coreto foi aí instalado para animar o passeio público nos dias festivos. Campo Maior chegou a ter duas bandas filamónicas, entre as quais existia uma grande rivalidade, pois estavanm ligadas às opções políticas dos seus habitantes.

Esse coreto de madeira foi transferido para o seu actual local quando foi construida a Avenida, mas foi-lhe constuida uma nova base em alvenaria. Mais tarde, o mestre Ilídio, um dos grandes "mestres  ferreiros",  que então existiam em Campo Maior, construiu-lhe a cobertura em ferro forjado que foi destruida para, em seu lugar ser colocado o actual coreto.

 

CORETO.jpg

 

CORETO II.jpg

 

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NOTAS SOBRE O PELOURINHO DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 11.04.16

 

Segundo Estêvão da Gama de Moura e Azevedo (Séc. XVIII)

 

O edifício camarário da época de Quinhentos, erguido na actualmente designada Praça Velha, estava encostado aos muros exteriores do Castelo. Um documento da época descreve que tinha de vão no pavimento cinco varas de largo (cerca de 25 metros), uma escada de dois lanços e duas salas, uma das audiências e outra das vereações, com quatro janelas rasgadas, uma em sacada e por baixo outras duas casas. Junto ao muro achava-se um vão em quadrado, onde antigamente tinha existido a desaparecida ermida chamada do Espírito Santo.

A antiga Praça, com os Paços do Concelho no seu lado sul, em frente dos quais não faltaria o tradicional pelourinho, o açougue e o touril, no lado norte, a cadeia a nascente, rodeada de palanques e alpendres sob os quais se instalavam as tendas onde se transaccionavam as mercadorias necessárias à subsistência quotidiana dos campomaiorenses. Esta praça constituiu, desde meados do século XVI às primeiras décadas do século XVIII, o centro político, administrativo, comercial e cívico do concelho de Campo Maior. Segundo a placa que foi trasladada para o arco de acesso à Praça Nova, o edifício da câmara só estaria concluído em 1618, reinando então em Portugal, Filipe III de Espanha.

 

Testemunho de um visitante em 1876
(Autor provável: João Dubraz)

 

Arrumado a um dos ângulos, junto ao edifício da câmara, está o pelourinho, construção do século passado. Assente sobre quatro degraus, todo de cantaria e que serve de pedestal a uma estátua da justiça. Tem como característica interessante o facto de estar de olhos desvendados e falta-lhe o braço direito, de que pendia a balança, por lho terem mutilado a pedradas.

 

Segundo Martinho Botelho (1996)

 

O pelourinho de Campo Maior era um dos mais notáveis que existiam no país. Foi mandado apear em 1879, pela Câmara Municipal, quando se procedeu no local onde se erguia – a chamada Praça de D. Luís – a obras de reparação e embelezamento: Em 1880, fundou-se o Museu Arqueológico de Elvas e o pelourinho foi requisitado e ali deu entrada em Junho de 1903, reduzido à coluna medindo 2,17 m,  a um capitel, à esfera e à figura da Justiça com o braço direito mutilado.

Por deliberação da Câmara Municipal de Elvas e a pedido da de Campo Maior, o pelourinho voltou para aquela vila, onde vai ser solenemente inaugurado durante o corrente mês, no mesmo local que então ocupou, isto é, na antiga Praça D. Luís, hoje Praça da República.

(“Vai ser inaugurado o pelourinho da vila de Campo Maior. Foi colocado no centro da Praça, hoje chamada Praça da República). In jornal O Século, 1ª pág, 22 de Março de 1941). Portanto, o pelourinho encontra-se no seu local actual, há 75 anos.

O pelourinho é formado por uma elegante coluna de mármore sobrepujada por uma esfera e, sobre esta, a figura da Justiça. Dão-lhe acesso quarto degraus, também de mármore. É um curioso trabalho arquitectónico do século XVIII.

(Na almofada em que assenta a estátua da Justiça, no seu lado virado a nascente, tem inscrita a data de 1740)”.

 

 

 

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A FORTIFICAÇÃO DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 08.04.16

Fonte:  Estêvão da Gama de Moura e Azevedo: Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior (...). Org. Rui Vieira: Ed. Câmara Municipal de Campo Maior, 1993.

 

       Esta fortificação principiou com El-Rei D. João IV e foi continuada com a rainha D. Luísa, El-Rei D. Afonso VI; El-Rei D. Pedro II e El-Rei D. João V.

Mas, sem embargo de não estar acabado e ter muitas imperfeições, resistiu ao sítio que lhe puseram os castelhanos em 27 de Setembro de 1712.

 

Vila fortificada ao moderno

Uma das praças principais das fronteiras

 

Baluartes:

 

                   - de S. João

                             Dito "A Cavaleiro"

                   - de Santa Cruz

                             Entre eles o fosso está o Lago, cheio de água que recebe

                             dos ribeiros da Fonte Nova e do Laguinho;

                             conserva-se todo o ano com abundância de água;

                             tem muita tenca e excelentes pardelhas.

                             Entre eles uma cortina muito grande

 

                   - do Curral dos Coelhos

                            É um meio baluarte.

                   - de Lisboa

                            Entre eles a porta da vila (Porta de Santa Maria)

 

                   - de São Sebastião

                  Em 1641, Mathias de Albuquerque, Governador da Província,

                  mandou fazer   o baluarte de S. Sebastião, de terra e faxina

                  e era Capitão Mor Gomes Freire de Andrade.

 

                   - da Boa Vista

 

                   - de Santa Rosa

                            É um meio baluarte que está em reconstrução.

 

                   - de São Francisco

 

                   - da Fonte do Concelho

 

                   - do Picha Torta, dito do Príncipe.

                       A que se segue uma cortina com  a qual se fecha   a fortaleza

                      no Baluarte de S. João  e nela está a porta principal

                      a  Porta de São Pedro.

           

            Seis revelins

 

             Três Fortes:

                    - o de São João (da parte do Nascente)

                    - o do Cachimbo (da parte do Meio-dia)

                    - o do Lago (do lado Poente, no meio do Lago)

          

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A FORTIFICAÇÃO MODERNA DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 05.04.16

Fonte: Bucho, Domingos  – Fortificações de Campo Maior; História, arquitectura e restauro. Portalegre.2002

 

Em termos de estratégia militar,  Campo Maior funcionou como um elemento de detenção e de vigilância face a qualquer tentativa de invasão pelo corredor Caia/ Xévora/ Guadiana.

 

Concebida a partir de 1641, a fortaleza de Campo Maior foi mandada construir por D. João IV que contratou para a sua execução vários engenheiros militares:

 

         - Jeronymo Roseti, contratado em 1641, engenheiro e militar,

provavelmente italiano, mas vindo de França;

         - Carlos Lassart, nomeado Engenheiro-Mor do reino em 1642,

trabalhou nos planos de fortificação;

         - Pedro Girles Sainte-Paul, outro engenheiro francês que veio com

Lassart em 1641;

         - João Pascácio Cosmander, jesuíta e matemático flamengo,

trabalhou a partir de 1643, nas fortificações de Elvas, Évora;

Estremoz, Olivença, Castelo de Vide e Campo Maior;

         - Nicolau de Langres, engenheiro francês, contratado em 1644 para

servir nas fortificações do Alentejo, permaneceu ao serviço de

Portugal po 16 anos. Vindo depois a colocar-se ao serviço de

Espanha e vindo a morrer no ataque a Vila Viçosa em 1662;

         - Pierre Sainte Colombe, engenheiro francês que trabalhou na defesa

do Alentejo a partir de 1648

 

         Na Guerra da Restauração (1641-1668), o Alentejo foi o principal teatro de guerra.

 

            As terras fortificadas na Frente do Guadiana foram: Elvas, Juromenha, Évora; Estremoz, Moura, Mourão, Olivença, Portalegre, Castelo de Vide, Marvão, Arronches, Ouguela, Campo Maior.

 

         No Norte: Almeida e Valença receberam as maiores fortalezas só suplantadas pela de Elvas.

 

         As fortificações com as suas "muralhas à Vauban" e com os seus baluartes, ligados por cortinas  e dotados de  canhoeiras e barbetas,  passaram a ter uma planta estrelada, diminuindo o efeito dos tiros dos sitiantes e diversificando o número e a direcção da artilharia da fortaleza.

 

         Campo Maior não sofreu qualquer assalto ou cerco nas Guerras da Restauração. Mas, no cerco de 1712 (Guerra da Sucessão de Espanha) verificaram-se várias fragilidades na defesa da praça:

 

         - O estar rodeada de pontos altos que serviam (de “padrastos”) para colocar baterias de ataque à povoação: Cabeça Aguda, Cabeço das Queimadas, Alto dos Moinhos, Alto de Santa Vitória;

 

- O construído Forte de São João Baptista, fácil de tomar pelos sitiantes, tornava-se um ponto privilegiado para atacar a povoação, daí ter sido demolido entre 1797e 1801.

 

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CAMPO MAIOR – A FORTALEZA MEDIEVAL

por Francisco Galego, em 03.04.16

Fonte: Bucho, Domingos  – Fortificações de Campo Maior; História, arquitectura e restauro. Portalegre.2002

 

NAS FORTIFICAÇÕES MEDIEVAIS DE CAMPO MAIOR,

podemos considerar 4 períodos:

 

               - Um 1º período anterior a D. Dinis,

 

                            - provavelmente começado com os mouros,

                              de que há apenas ténues indícios;

 

               - Um 2º período (séculos XIII e XIV),  que começou com D. Dinis

 

                             - em que se elevou a Torre de Menagem no castelo;

                             - se construiu uma cerca urbana rodeando a vila,

                               com duas portas:

                                                   - a porta da vila

                                                   - a porta falsa, ou da traição;

                              - se levantaram os torreõe ligados

                                 pelos tramos da muralha.

           

                  - Um 3º período (século XIV), período fernandino e joanino,

 

                               - em que foram construídas as barbacãs (barreiras

                                 que envolviam todo o perímetro das muralhas

                                 e do castelo;

                            

 

                  - Um 4º período (século XV), período joanino,

 

                                 - em que as muralhas e as barbacãs

                                   foram dotadas das ameias;

 

                  - Um 5º período ( início do século XVI), período manuelino,

 

                                 - em que foi construído o torreão facetado

                                   que protege a porta de entrada na cerca virada a este

                                   e a janela manuelina que hoje está

                                   na torre principal do castelo.

 

A velha fortificação medieval, foi reconstruída após a explosão de 1732, mas com grandes modificações.

 

Como sendo do período anterior, temos provas documentais da existência dos seguintes  elementos:

 

                       - O torreão de secção em U e frente sextavada que possui

                         a actual entrada, com brasão de D. Manuel I, sotoposto;

 

                        - A desaparecida Torre de Menagem;

 

                       - As desaparecidas nove ruas interiores às muralhas medievais

                         que formavam a "vila Velha";

 

                       - A janela da torre N do castelo que apresenta lavores

                         ao gosto do Manuelino e do Renascimento;

 

                       - Alguns panos de muralha com ameias reconstruídas

                         depois do rebentamento do paiol que estava instalado

                         na torre de menagem.

 

 

 

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