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UMA SAUDAÇÃO À PRIMAVERA

por Francisco Galego, em 29.03.16

A Primavera vai rompendo a custo.

Há um Inverno que custa a despedir-se.

Mas, sinal da mudança em curso, temos uma novidade.

Os melros parecem estar a tomar a vila como seu habitat.

Vamos pelas ruas e os seus chilreios descem dos telhados.

São belas melodias assobiadas.

Creio, que se trata de uma estratégia de encantamento, convidando as fêmeas para acasalarem.

Um deles instalou-se nos telhados que rodeiam o meu terraço.

Estive lá a ouvi-lo durante algum tempo.

Que bem que esta pequena ave, que tem como roupeta uma triste penagem negra, consegue produzir tão elaborados cantos!

Acho que merece encontrar a recompensa que procura.

Boa sorte, amigo!

Que o “deus das pequenas aves” te conceda a companheira que acalme os teus desejos!

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publicado às 09:54


DO PATRIMÓNIO ....

por Francisco Galego, em 20.03.16

O património é a herança que nós recebemos e que colectivamente usamos, por pertencermos ao povo em que nos inserimos.

O património integra todos os elementos culturais de um povo que permanecem ao longo do tempo.

O que nós partilhamos, de facto, é o que constitui a base da cultura que construímos e de que usufruímos em comum.

Só numa concepção muito restritiva de património, ele se resume às pedras e às obras de arte antigas, aos monumentos e aos símbolos do passado.

O património de um povo integra o território, com tudo o que o constitui:

  • - As paisagens urbanas e rurais;
  • - O ambiente em todos os seus elementos e dimensões;
  • - As populações com todas as suas dinâmicas sociais e culturais.

O património integra as manifestações culturais testemunhadas por:

  • Os edifícios, desde os mais monumentais aos de mais humilde expressão arquitectónica;
  • As tradições orais e escritas;
  • A literatura nas suas manifestações mais populares e nas mais eruditas;
  • A arte, a religião e todas as manifestações espirituais da população.

NESTA CONCEPÇÃO, AS ACÇÕES DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO, DEVEM SER ORIENTADAS POR OBJECTIVOS CLAROS.

DEVEM SEMPRE DEFINIR TRÊS LINHAS ESTRATÉGICAS DE ORIENTAÇÃO:

  1. A conservação e a restauração física dos documentos, monumentos, tradições e testemunhos da memória colectiva;
  2. O aprofundamento do seu conhecimento através da investigação, do seu interesse histórico e cultural;
  3. A divulgação adequada dos valores patrimoniais do concelho, através de uma séria e contínua formação dos agentes dessa divulgação: guias, investigadores, zeladores e arquivistas.

Só mediante estes vectores poderão ser definidas as políticas a seguir no que respeita ao património e essas políticas devem girar em torno de três pólos:

  1. A valorização do património existente;
  1. O aproveitamento turístico como factor de atracção e de desenvolvimento cultural e económico;
  1. O envolvimento da população na preservação e na compreensão do valor histórico, cultural e social do património existente para o desenvolvimento da comunidade local.

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publicado às 00:08


DA CONJUNTURA POLÍTICA ...

por Francisco Galego, em 15.03.16

De facto só posso e só devo formular juízos sobre o que de relevante se passa no domínio da política portuguesa. Do que se passa no domínio de outras regiões ou países, procuro apenas estar informado quanto baste para ir tendo a noção do que vai acontecendo nesta "casa-mundo" comum, em que vivemos.

Digo que só posso formular juízos, mais ou menos aceitáveis, sobre a política nacional, em primeiro lugar, porque, de facto, é desta que vou tendo alguma informação que me permite formar opiniões mais ou menos fundamentadas. Verdade seja dita: a informação não é muita, porque não é aí que se situa a centralidade dos meus interesses. Mas também porque, começa a cansar-me o esforço que tenho de fazer para separar a “ganga” da propaganda, da contra-informação e dos delírios de comentadores e opinadores, daquilo que,  convém saber e que garanta ter alguma verdade e que  tenha algum interesse.

Mas obrigo-me, a saber, pelo menos, o essencial, porque não me parece ser muito aceitável que, cada um de nós, se alheie completamente do que se vai passando neste país e muito menos que, alheando-nos, passemos o tempo a criticar tudo e todos, como se todos tivessem a mesma atitude e o mesmo empenho, quando se trata de encontrar resolução para os problemas que afectam a vida de cada um de nós.

Por ter consciência de que assim deve ser, assumo que, tomar posição sobre a gestão do Estado, além de ser um direito, deve ser entendido como um dever, embora não seja fácil “navegar” em busca da verdade, no meio de tantos escolhos, tantas vigarices, tantas armadilhas, tantos obstáculos, tantas meias verdades e tantas mentiras.

É assim, porque nós, os humanos, somos de facto assim. Uns capazes das mais elevadas e abnegadas atitudes. Outros, congeminando sempre na maneira de tirar para si a maior vantagem e proveito, mesmo que seja à custa da desgraça do maior número de gente possível.

Na política, como noutros aspectos da vida, teremos que tentar perceber se se trata de construir, com inteligência, arte e engenho, “geringonças” que, embora frágeis, vão abrindo os caminhos possíveis entre os escolhos, os baixios e as tempestades que se lhes deparam, ou se estamos  apenas perante uma atitude de oposição dos que tentam impedir a marcha, dos que tudo criticam, mas que apenas revelam vontade e competência para amanhar “caranguejolas” que, parecendo grandes e fortemente estruturadas, não passam de jangadas instáveis, ameaçando rupturas, causando grandes danos, pondo em risco uma considerável parte dos seus ocupantes e que, parecendo que andam, desandam, caminhando, ora para o lado, ora recuando, até que se desconjuntarem, deixando apenas destroços, alguns dos quais submersos, com danos difíceis de remediar.

Como noutros aspectos da vida, é assim a política. Porque a política é feita por nós, que somos estes seres tão diversos, sendo alguns tão imperfeitos. São assim as mulheres e os homens que formam as comunidades, as sociedades e os Estados.

Acontece apenas que, nesta fase decadente do ciclo civilizacional que, tudo indica,  estejamos a viver, todas as ambições, ganâncias e perversidades, se tornam mais evidentes. 

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publicado às 00:07


A "DILEMÁTICA" QUESTÃO DE UMA POLITICA CULTURAL...

por Francisco Galego, em 10.03.16

As acentuadas deficiências estruturais que as comunidades mais problemáticas e mais carentes de recursos apresentam, tornam particularmente difícil promover o seu desenvolvimento. Porque, para criar os projectos e desenvolver os processos que levem à sua transformação, são necessários os recursos humanos que concebam e implementem as soluções mais adequadas, mais eficazes e que melhor garantam processos rápidos e seguros para acudir às carências mais prementes.

Ora, um dos aspectos mais determinantes do seu desenvolvimento é, sem dúvida, o nível cultural das populações, pois que, a disponibilidade, a vontade, a apetência e o interesse pelas questões culturais, é inversamente proporcional ao nível cultural que essas comunidades possuem.

Poderiamos, muito a propósito, lembrar aqui a frase de Almeida Garrett (1789- 1854), referindo-se a uma manifestação e instrumento cultural muito importante no seu tempo:

O teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde a não há. Não têm procura os seus produtos enquanto o gosto não forma os seus hábitos e com eles o sentimento de necessidade.

Dito de outro modo: quase nunca aquilo de que as pessoas mais necessitam, é aquilo que elas mais gostariam que lhes seja propiciado.

Este é o dilema com que se confrontam todos os que se dedicam à educação, à politica, e a outras missões de carácter eminentemente social.

Por isso, alguns dos que se dedicam a essas questões, não com o objectivo de bem servirem, mas no fito de muito obterem, com grande proveito e com pouco esforço, optam por propiciar o que é mais desejado.

Contudo, a solução mais justa e mais honesta, talvez seja a de, remando contra a maré, criar e desenvolver o gosto por aquilo que é efectivamente mais necessário.

Há os que contrapõem que esta atitude é completamente utópica, ou mesmo destituida de qualquer sentido da realidade das coisas. Que é inútil gastar tempo, recursos e esforços a tentar propiciar maiores oportunidades aos que não têm qualquer apetência para questões culturais. Porque, quem nem sequer sabe pensar, não tem paciência para aturar pensamentos e paleios que nem consegue entender. Ou seja, são demasiado estúpidos para aproveitarem aquilo que por eles se tente fazer.

Os que assim pensam, fazem uma inversão dos valores em causa. Porque, pensando que “nem vale a pena tentar, porque eles nem sabem o que isso é”, ou que, “não são suficientemente inteligentes para entender o benefício que isso lhes poderia trazer”, são de facto eles que dão prova da sua fraca clarividência intelectual e cultural, ao manifestarem a sua impossibilidade de perceberem que, quando o nível cultural médio sobe, tendem também a subir os índices de produtividade e de segurança, garantindo-se assim melhores condições de vida e mais conforto para todos os elementos que integram a sociedade.

 

 

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publicado às 00:09


DIA MUNDIAL DA MULHER...

por Francisco Galego, em 08.03.16

Dia mundial de quê?

Da mulher, pois claro!

E, porque não há um Dia Mundial do Homem?

Porque os “Dias Mundiais” servem para lembrar aqueles que “ainda” não têm garantidos todos os direitos, mas a quem é exigido que assumam exemplarmente todos os deveres.

Já vêm que isto não se aplica aos homens.

Mas os homens mostram que se preocupam com as “suas” mulheres. Por isso, é ver como, neste dia, tantos se sujeitam a fazer fila nas floristas para comprarem um agrado que mostre claramente como eles se lembram e celebram o dia que lhes é dedicado.

É bonito. Fica bem. É assim que está certo.

Estranho seria que não houvesse “um” dia destinado a seres tão estimáveis e prestáveis como são as “nossas” mulheres.

 

Como não deixa de ser estranho que tantas mulheres celebrem o dia em que se procura chamar a atenção para a desigual situação a que, ainda estão condenadas em muitos aspectos.

 

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publicado às 19:30


À BEIRA DA PRESIDENCIAL PASSAGEM DE TESTEMUNHO ...

por Francisco Galego, em 06.03.16

No EXPRESSO, de 27/2/2016, encontrei a afirmação:Marcelo ofuscou Cavaco”. Também, não era difícil. Ele próprio se aniquilou, transformando-se em motivo continuado de contestações e de anedotas, algumas delas bem degradantes da instituição presidencial.

A propósito, reparo que há, neste jornal, jornalistas que, para esconderem as suas inconsistentes e militantes posições, recorrem à ironia, sem cuidarem de que tal estratégia os diminui como profissionais cuja função deveria ser a de informarem e eclarecerem com seriedade e isenta objectividade os seus leitores.

Henrique Monteiro é quase o paradigma deste género. “Marcelo, Presidente Paizinho?”. Este título aponta para aí. O conteúdo da prosa começa mansamente e com algum acerto. Mas, a certa altura, resvala para o seu empenhado desejo de que o novo presidente se aproxime da sua concepção direitista-autoritária do que deva ser a acção do novo PR, aconselhando Marcelo a contornar dois obstáculos: o primeiro é tentar não ser uma espécie de paizinho de todos, alguém a quem se recorre nas aflições e que está sempre disposto a tudo conciliar, perdoar e esquecer; o segundo é, afirmando as suas convicções, não permitir (como Cavaco permitiu ...) que o seu cargo e a sua pessoa sejam desrespeitados ou mesmo enxovalhados. De facto, para isto é adequado afirmar, como o faz Henrique Monteiro, que “Vai precisar de Coragem”.

Ora, é o não permitindo que revela a base ideológica que está subjacente a esta prosa. Porque o que, noutra prespectiva, devia estar seria: “Não agindo de forma a que o seu cargo e a sua pessoa sejam desrespeitados ou mesmo enxovalhados.” E, neste caso, seria mais adequado que Henrique Monteiro tivesse escrito: “Vai precisar de manter a isenção e a dignidade, para preservar o elevado prestígio que é próprio do exercício da função presidencial”. Claro que, assim, estariamos no domínio de uma  concepção do exercício da função presidencial baseada  na democraticidade, na ética republicana e no civismo que devem coexistir no mútuo relacionamento de confiança, de considerção e de respeito, entre o PR  e os cidadãos.

Porque , se assim não for, terá cabimento dizer, de uma maneira mais simples e mais directa, como dizia um antigo dito popular:

Quem não sabe dar-se ao respeito, não merece ser respeitado.

 

 

 

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publicado às 00:06


RECORDANDO ...

por Francisco Galego, em 02.03.16

 

 Há em mim uma espécie de memória do tempo que diverge algo do que é normalmente estabelecido pelo calendário. Sei que ainda faltam três semanas para que o Equinócio da Primavera, declare o  fim oficial do Inverno. Contudo, para mim, finado o mês de Janeiro, o Inverno começa a despedir-se para que um novo ciclo possa começar. Às vezes não bate certo. Mas que querem? Por vezes a vontade sobrepõe-se à razão. e estou morto porque acabe este tempo de quase hibernação.

Ainda para mais, o “Almanaque” abriu um campo nostálgico na minha memória, ao informar-me de que a Biblioteca Nacional de Portugal, no passado dia 29 de Fevereiro fazia 220 anos, pois teria sido fundada em 29 de Fev. de 1796.

Na verdade, esta informação não é exacta. A que nessa data foi fundada, foi a primeira biblioteca pública que tinha como nome Real Biblioteca Pública da Corte e fora instalada no Torreão Ocidental, na Praça do Comércio ou Terreiro do Paço. Devido à lei do depósito legal de 1805, o seu acervo foi muito enriquecido. Mas, iria ainda crescer muito mais em 1834, pois que, com a vitória dos liberais e a extinção das ordens religiosas, recebeu as livrarias de muitos mosteiros e conventos. Foi então transformada em Biblioteca Pública de Lisboa e transferida para o Convento de S. Francisco, ao Chiado, onde permaneceu por mais de 130 anos, até à sua mudança para as novas e actuais instalações no Campo Grande, em 1969.

Comecei a frequentá-la por volta de 1962, ainda nas antigas instalações no Chiado, sendo então aluno do curso de Filosofia, na Faculdade de Letras de Lisboa.

Quando, em 1969 se mudou para o Campo Grande, já eu estava a exercer como professor. Morando muito perto, voltei a frequentá-la. Essa frequência intensificou-se, com o regresso à faculdade para frequentar o curso de História. Foi nessa altura que comecei a recolher muitas da informações que fui acumulando e que me foram servindo para elaborar alguns dos escritos que fui publicando sobre a história de Campo Maior.

Por isso, a Biblioteca Nacional foi um dos espaços onde permaneci durante muitas, mesmo muitas das horas da minha vida. Ainda não há muitos anos, encontrava por lá alguns, já muito poucos e muito envelhecidos funcionários, que me conheciam desde o meu tempo de estudante.

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publicado às 00:09


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