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MOMENTOS...

por Francisco Galego, em 30.07.15

Procurando em velhos papéis, encontrei este escrito de que já não guardava qualquer memória.

Achei-lhe graça por estar tão ligado à contemplação do mar, uma realidade que eu, rapaz do interior e de poucas viagens, só conheci numa fase já adiantada da minha vida.

Nesse dia, tinha ido visitar os meus netos – David e Mariana – que estavam de férias e muito ocupados nas suas actividades de praia.

Para não os importunar, afastei-me e fiquei a contemplar aquela imensidão que tivera tanta dificuldade em entender. E lembrei que, naquele momento, eu encontara a minha maneira de sentir aquilo que estava perante mim.

 

Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

 

EM SESIMBRA

 

Ouvindo Chopin

Olhando o mar

Parado sobre a falésia

 

O mar

Que é cinzento

Neste dia de nuvens

Confunde-se no limite do horizonte

Com o cinzento do céu

 

Num dia sem história

Como devem ser os dias perfeitos

A vida retoma o seu melhor sentido

Que é não ter sentido nenhum

Apenas viver

 

Olho em frente

A minha razão sabe

Que há mais mundo

Para além do horizonte

Mas os sentidos apreendem apenas

A imensidão deste mar sem fim

 

Momentos assim

Deviam ser eternos

Como o tempo

 

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publicado às 09:01


DÁ QUE PENSAR, NÃO DÁ?

por Francisco Galego, em 25.07.15

A política que nasceu da necessidade de organizar a vida dos homens em sociedade, tendeu sempre para se tornar uma das maneiras  de, através da aquisição do poder, ser  um dos processos mais usados por certos homens, para tirarem o maior proveito dela, usando-a para complicar a vida dos outros.

Mas, ao longo dos tempos, sempre se constatou que, quanto maior é a prepotência de certos políticos, maior é a sua preocupação em manter os outros afastados da participação na tomada das decisões que a todos dizem respeito.

Coerentemente, em contrapartida, quanto mais os outros se desinteressam pela política, maior é a probabilidade de serem governados por políticos corruptos e incompetentes.

Sendo que, também é incontestável que, a má gestão da política arrasta as sociedades para situções críticas em que todas as vantagens e benefícios se concentram nas mãos de alguns, à custa da miséria, do sofrimento e das carências de grande parte dos outros.

A grande dificuldade é fazer entender, a quase todos, a evidência destas verdades tão simples.

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publicado às 08:43


HOMENAGEM A UM CONTERRÂNEO

por Francisco Galego, em 18.07.15

Ocupo-me agora em preparar dois livros sobre João Dubraz, escritor nascido e sepultado em Campo Maior, tendo aqui vivido entre 1818 e 1895.

São dele as palavras que a seguir transcrevo e que copiei de uma obra que ele publicou em 1869:

 

Eu sou socialista, confesso-o sem esforço e denuncio-o com ingenuidade. Sou, porém, socialista de tal classe que, só perversos me podem condenar. O meu socialismo, simples e positivo, não tem névoas, nem lacunas. Respeita os bens alheios, dá e não tira, socorre sem aviltar e auxilia de modo a não corromper. Difere muito este socialismo do vulgar, do de escola, do condenado pelas ciências económicas e até difere da habitual definição.

O meu socialismo que somente significa reforma humanitária, das sociedades nacionais, é o método prático de tornar efectivo o princípio: “O homem tem direito à vida”. Consiste em implantar instituições públicas contra a fome, em obviar quanto possível ao suicídio, em acudir aos enfermos, em preservar o homem do crime, a mulher da devassidão, a juventude da ignorância e corrupção precoce, por meio de uma sabia previdência que se ocupe em evitar os crimes afastando-lhes as causas (…) Inspirando-se no trabalho, esse agente incansável abre caminhos largos à actividade, adversário da cupidez, combatendo com fervor as tendências para o egoísmo que esterilizam tudo o que é fecundo, nobre e grande.

Finalmente, o meu santo socialismo, aperta e multiplica todos os laços da fraternidade humana por leis justas e previdentes, sem menosprezar o princípio da associação que é utilíssimo tanto aos costumes, como aos interesses económicos, pois não se ocupa em dividir a terra em conventos sociais, nem em fazer dos operários os frades da civilização moderna. Assenta em bases tais, tão sensatas, tão destituídas de perigo, tão conformes com o direito, que é consentâneo com qualquer forma de governo, embora mais praticável se aliado com a democracia pura.

 

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publicado às 11:48


DA DEMOCRACIA

por Francisco Galego, em 14.07.15

A democracia surgiu como um modelo de organização das sociedades humanas em que todos participavam nas decisões que garantissem o bem de todos. Para garantir um funcionamento justo, eram estabelecidas as regras que definiam a Lei. Escolhiam-se os que deviam tomar as decisões - os que governavam - e os que faziam respeitar a Lei - garantindo a segurança e a ordem, usando da autoridade.de que nela  foram investidos.

A democracia nasceu por contraposição às monarquias e às oligarquias. Na monarquia, o poder concentrava-se num só que tudo podia e tudo decidia – o monarca ou soberano, o que está acima de todos ( o super). Na oligarquia o poder era assumido por uma elite, grupo restrito que definia as regras e tomava as decisões que impunha a toda a sociedade.

Ligados ao conceito de democracia, estão os conceitos de povo (em grego, demos), o conceito de cidadão, o que pertence à cidade (em latim civitas) e o conceito de república, o que é de todos (em latim, res publica).

No fundo, em contraposição aos modelos de governação em que um, ou alguns, se constitem como senhores de tudo e de todos, a democracia define-se como modelo em que  o poder de decisão (soberania) é atribuido pelo povo a alguns que o devem usar em benefício de todos.

Actualmente, em certos casos, a “republica de cidadãos” parece estar a ser substituida por uma “república dos funcionários”, ou seja, de indivíduos que fazem do poder um modo de vida que adquirem e tratam de manter com o voto do povo. Mas, em vez de assumirem o compromisso de agirem em benefício de todos, exercem o poder como forma de garantir o seu próprio benefício.

Claro que tudo isto se torna mais fácil quando os cidadãos são levados - por ignorância ou por truques de manipulação das inteligências e das consciências - a não participarem nas escolhas de quem deve governar, ou a fazerem escolhas erradas dos que devem ter o poder de decidir.

Uma coisa parece ser certa: Só com bons cidadãos se podem garantir as boas democracias. Como parece existir uma tendência para cada vez menos empenho e menos capacidade de intervenção dos cidadãos, cada vez se torna mais fraca a qualidade das democracias. E, infelizmente, muitos só conseguem perceber o valor do que têm quando o perdem e começam a sentir o peso da desgraça em que passaram a viver.

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publicado às 08:42


DO OPTIMISMO COMO ATITUDE

por Francisco Galego, em 06.07.15

Por vezes sou vencido pela tentação do pessismo. É natural se considerarmos toda a confusão que se desenrola à nossa volta. Principalmente neste tempo em que de tudo vamos tendo constantes notícias. Sobretudo das coisas mais chocantes e mais trágicas.

Mas, se me questiono, acabo sempre por concluir que sou radicalmente optimista, pois considero que a humanidade evolui no sentido do seu contínuo aperfeiçoamento. Mesmo nos períodos mais críticos, sobram sempre as sementes de que irão brotar novas e melhores soluções.

Poderá acontecer uma catástrofe final? Talvez... Não sei e ainda bem que não posso sabê-lo. Mas sei que, até esse derradeiro momento, terá havido gente a esforçar-se para que tudo pudesse resolver-se da melhor maneira.

E, se o acaso ou a estupidez tiverem mais força e puserem fim a tudo?

Então já nada importará porque tudo terá deixado de fazer sentido.

Creio que era Gramski que costumava enunciar um dito que adoptara como atitude de vida:

Pessimismo do intelecto, optimismo da vontade.

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publicado às 08:06


MODO DE VIDA...

por Francisco Galego, em 01.07.15

No início da semana, regressei ao trabalho no livro que será o décimo que publicarei: “Vida e Obra de João Dubraz” e que, no essencial, está quase terminado.

Um pouco emperrado pela paragem que me impus durante um período, vou ocupar apenas curtos tempos até recuperar o ritmo ...

Com a semana a terminar, tenho acrescentado e corrigido quase todo o livro.

Acho que estou a voltar ao normal.

 

Façamos aqui uma pausa: É domingo... Acordei mais tarde e com pouca vontade de me mover...

Coisas da idade...

Já que o corpo não tem disposição... façamos uma pausa.

O problema é a falta de hábito – que se tornou falta de jeito – para nada fazer...

Então, o melhor é deixar fluir o pensamento:

 

            - O estudo da História, entre outros efeitos, dota-nos da capacidade de entender que os acontecimentos do presente são, quase sempre, consequência de causas que os antecederam e que, logo que acontecem, se tornam causas de novas consequências que determinarão os acontecimentos do futuro.

 

            - Procuro ter sempre como princípio, ser tolerante com os outros, nas suas acções, práticas, ditos e decisões. Mas, procuro também, ter sempre em conta, um princípio que considero ainda mais estruturante: Não consentir que os outros interfiram tentando modelar as minhas decisões e acções, de modo a mancharem o meu carácter: Não se trata de ser menos tolerante. Trata-se de tentar ser mais coerente.

Com isto vou conseguindo manter-me no caminho que tracei: conviver evitando conflitos, relacionar-me evitando ser intransigente.

Mas... sem nunca permitir que a minha tolerância se torne cumplicidade com atitudes e práticas que condeno por as considerar inaceitáveis.

 

(Domingo, 28 de Junho de 2015)

 

 

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publicado às 08:14


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